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a incompetência. 
Art. 306. Recebida a exceção, o processo ficará suspenso (art. 265, III), até que seja 
definitivamente julgada. 
De acordo com o art. 306, a exceção de incompetência, de impedimento ou de suspeição 
suspendem (param) o processo durante o tempo necessário para julgar a exceção de 
incompetência. Com isto, o réu acaba ganhando mais prazo para contestar. 
Art. 307. O excipiente (aquele que oferece a exceção, ou seja, o réu) argüirá a incompetência 
(relativa – art. 111, 2ª parte) em petição (prazo do art. 297) fundamentada e devidamente 
instruída, indicando o juízo para o qual declina. 
APOSTILA DA OAB 2ª FASE- PARTE I 
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Art. 308. Conclusos os autos, o juiz mandará processar a exceção, ouvindo o excepto (autor) 
dentro em 10 (dez) dias e decidindo em igual prazo. 
Art. 309. Havendo necessidade de prova testemunhal, o juiz designará audiência de instrução, 
decidindo dentro de 10 (dez) dias. 
Art. 310. O juiz indeferirá a petição inicial da exceção, quando manifestamente improcedente. 
Art. 311. Julgada procedente a exceção, os autos serão remetidos ao juiz competente. 
O arts. 307 a 311 determinam o procedimento da exceção de incompetência. Estes 
dispositivos devem ser combinados com os artigos 111, 112, 114, 94 e seguintes, 297 (prazo), 
100, todos do CPC, e também com o art. 101, I do CDC e com a Lei 9099/95 (Juizados 
Especiais). 
 
EXCEÇÃO DE IMPEDIMENTO E DE SUSPEIÇÃO (arts. 312 a 314) 
 
As exceções de impedimento e de suspeição visam afastar o JUIZ que é parcial (pois o juiz tem 
que ser imparcial). 
O prazo para a interposição da exceção de impedimento e da exceção de suspeição é de 15 
dias a partir do momento em que a parte soube que o juiz era parcial (art. 305). 
A exceção de impedimento e a exceção de suspeição podem ser peças do autor ou do réu. 
 
CONTESTAÇÃO 
 
A contestação encontra-se detalhada nos arts. 300 a 303 do CPC. 
 
Segundo o art. 297, no procedimento ordinário o réu tem um prazo de 15 dias para oferecer, 
se quiser, contestação, exceção e reconvenção. 
 
O procedimento ordinário é o único totalmente detalhado no CPC. Quanto aos demais 
procedimentos, o código apresenta somente as suas especificidades, como por exemplo: 
 
 Art. 275 – Especificidades sobre a petição inicial no procedimento sumário. 
 Art. 278 – Especificidades sobre a resposta no procedimento sumário. 
 
 
PRINCÍPIOS DA CONTESTAÇÃO 
 
A contestação é um ÔNUS, ou seja, o réu contesta se quiser; no entanto, não contestando, 
será considerado REVEL (art. 319). A contestação não é uma obrigação, um dever. Tampouco é 
uma faculdade. Ela é, na verdade, um ônus, pois caso o réu deixe de contestar, ocorrerá a 
REVELIA e, possivelmente (conforme o caso), ele sofrerá os efeitos decorrentes da revelia 
(presunção da veracidade dos fatos alegados pelo autor na petição inicial). Mas, no entanto, 
em alguns casos, há revelia sem efeitos. 
 
PRINCÍPIO DA CONCENTRAÇÃO OU DA EVENTUALIDADE DA DEFESA (art. 303). 
 
A peça processual da contestação deve conter TODAS as defesas possíveis e imaginárias, pois 
não haverá outra oportunidade para contestar. Esta é uma oportunidade única e, por isso, ela 
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deve ser aproveitada. PRECLUI PARA O RÉU A OPORTUNIDADE DE FAZER NOVAS DEFESAS EM 
OUTRO MOMENTO DO PROCESSO. O réu deve concentrar todas as suas defesas no momento 
em que redige a sua contestação, sob pena de precluir para ele a oportunidade de fazer novas 
defesas. 
 
Observação: se o réu realizar uma defesa e o prazo ainda não tiver terminado, ele poderá 
contestar novamente. 
 
Se o réu só tem este momento para apresentar todas as suas defesas, nesta peça processual, 
significa dizer que ele pode fazer defesas contraditórias. Portanto, na peça processual da 
contestação, é da boa técnica que se coloque defesas contraditórias, pois este é um momento 
único para se defender. Caso o réu apresente apenas uma defesa e o juiz não a aceite, ele não 
poderá fazer outras; deverá, portanto, colocar todas as defesas naquela mesma peça 
processual. 
Exemplo: o réu, na contestação, argumenta que o contrato sequer chegou a ser celebrado (a 
primeira teste de defesa é a inexistência da relação jurídica contratual) e, além disso, 
acrescentar, por exemplo: "mas, entretanto, na eventualidade de Vossa Excelência entender 
que o contrato existe, entendo que os juros são exorbitantes", fazendo menção ao princípio da 
Eventualidade da Defesa. A peça processual da contestação admite, pelo Princípio da 
Eventualidade da Defesa, defesas contraditórias. 
Este, como todos os princípios, também tem exceções. 
Verificando-se a incompetência absoluta, o advogado competente irá argüi-la na própria 
contestação, em PRELIMINAR DE CONTESTAÇÃO (art. 301, II). A incompetência absoluta, pelo 
art. 313, é matéria de ordem pública, ou seja, pode ser argüida em qualquer momento ou grau 
de jurisdição. Se o réu esquecer de argüir em preliminar de contestação a incompetência 
absoluta, ele poderá, ainda que num momento posterior, atravessar uma petição argüindo-a. 
A incompetência absoluta poderá até mesmo ser argüida em ação rescisória, para 
desconstituir a coisa julgada (art. 485, II). 
Verificando-se a incompetência absoluta, o advogado competente irá argüi-la na própria 
contestação, em PRELIMINAR DE CONTESTAÇÃO (art. 301, II). A incompetência absoluta, pelo 
art. 313, é matéria de ordem pública, ou seja, pode ser argüida em qualquer momento ou grau 
de jurisdição. Se o réu esquecer de argüir em preliminar de contestação a incompetência 
absoluta, ele poderá, ainda que num momento posterior, atravessar uma petição argüindo-a. 
A incompetência absoluta poderá até mesmo ser argüida em ação rescisória, para 
desconstituir a coisa julgada (art. 485, II). 
 
A exceção do Princípio da Concentração ou da Eventualidade da Defesa está no art. 303 do 
CPC. Este artigo apresenta hipóteses em que o réu pode fazer novas alegações depois da 
contestação: 
 
 INCISO I - Matéria ligada a direito superveniente. Barbosa Moreira dá um exemplo 
que envolve prestações periódicas (prestações que vão vencendo no decorrer do 
processo). Nestes casos, o réu poderá alegar em petições avulsas, em momento 
posterior ao da contestação. Alguns autores entendem que este é o caso legislação 
superveniente (por exemplo, o novo Código Civil), quando então surgiriam novos 
direitos, não vislumbrados no momento da elaboração da contestação. 
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 INCISO II – Toda matéria que o juiz pode conhecer de ofício é matéria de ordem 
pública (como, por exemplo, a nulidade do negócio jurídico – contrato realizado com 
agente incapaz, ou cujo objeto é ilícito, etc.). E tudo o que o juiz pode conhecer de 
ofício, a parte também pode peticionar, caso ele não o faça, a qualquer momento do 
processo e em qualquer grau de jurisdição. A incompetência absoluta é outro 
exemplo de matéria de ordem pública. 
 INCISO III – A terceira hipótese é quase uma repetição da segunda. Trata-se da 
condições da ação e dos pressupostos processuais, que são matérias que podem ser 
verificadas em qualquer momento do processo. 
 
 
PRINCÍPIO DO ÔNUS DA DEFESA ESPECIFICADA (art. 302). 
Se o autor, na sua petição inicial, alega, por exemplo, 5 fatos, o réu, ao contestar, é obrigado, 
pelo Princípio do Ônus da Defesa Especificada, a contestar cada um dos 5 fatos alegados pelo 
autor. Ele deverá impugnar deforma específica os 5 fatos que o autor alegou. 
Se o réu esquecer de impugnar um dos fatos, este, para o juiz, é considerado verdadeiro 
(prevenção de veracidade). Trata-se de uma espécie de revelia