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inciso IV, alínea “d”); e por último o foro de 
domicílio do réu (CPC, art. 94). 
 
6.3) Execução fiscal 
A execução fiscal, de acordo com o art. 578 do CPC, será proposta no foro do 
domicílio do devedor ou, se não o tiver, no foro de sua residência ou no local onde for 
encontrado, ressalvando o parágrafo único que, havendo mais de um devedor, a Fazenda 
Pública poderá escolher o foro do domicílio de qualquer deles. Também poderá a ação ser 
proposta no foro do lugar em que se praticou o ato ou ocorreu o fato que deu origem à dívida, 
embora nele não mais resida o devedor, ou, ainda, no foro da situação dos bens, quando a 
dívida deles se originar. 
 
7) Responsabilidade patrimonial 
Nos termos do art. 591 do CPC, é o patrimônio do devedor que responderá pelo 
cumprimento de suas obrigações, não se olvidando que há certos bens que não podem ser 
APOSTILA DA OAB 2ª FASE- PARTE I 
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penhorados, a exemplo daqueles relacionados no art. 649 do CPC. Neste caso, classifica-se a 
responsabilidade patrimonial do devedor de originária. 
Será, porém, secundária a responsabilidade patrimonial quando o patrimônio de 
terceiros vem a ser atingido para satisfazer a obrigação do devedor. As hipóteses de 
responsabilidade patrimonial secundária estão relacionadas no art. 592 do CPC. Vejamos: 
Inciso I: ficam sujeitos à execução os bens do sucessor a título singular, tratando-
se de execução fundada em direito real ou obrigação reipersecutória (inciso I do art. 592). 
Nesse caso, o devedor aliena bem cuja propriedade se discute em processo de 
conhecimento. Ficando vencido nesta demanda, o bem alienado a terceiro poderá ser objeto 
da execução a ser promovida posteriormente, mesmo que já esteja na posse do terceiro 
adquirente. A respeito da segunda hipótese (de execução fundada em obrigação 
reipersecutória), e também a título de exemplo, ficará sujeito à execução e passível de 
apreensão o bem alienado a terceiro no curso de processo que visa rescindir o contrato 
primitivo de compra e venda que transferiu a propriedade do bem ao vendedor que está 
sendo executado; isto porque, sendo acolhida a pretensão daquele que vendeu 
primitivamente o bem, ineficaz será a segunda venda feita a terceiro, posto que realizada no 
curso do processo que objetivava a rescisão do contrato originário. Não podemos deixar de 
observar que referidas hipóteses se equiparam àquelas de fraude à execução, previstas no 
inciso V, deste mesmo artigo. 
II - do sócio, nos termos da lei; 
Dependendo do tipo de sociedade formada, os sócios podem ser solidariamente 
responsáveis pelas dívidas da pessoa jurídica, como nos casos de sociedades de fato, 
sociedade em nome coletivo, entre outras. Também poderá haver a desconsideração da 
personalidade jurídica da sociedade, a fim de se estender aos sócios a responsabilidade pelo 
pagamento das dívidas sociais, ainda que tenham sua responsabilidade limitada 
contratualmente. Esta última hipótese ocorre nos casos em que houver abuso da 
personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, 
nos termos do art. 50 do Código Civil. 
III - do devedor, quando em poder de terceiros; 
Nos termos do art. 591 do CPC, o devedor responderá com a totalidade de seus 
bens pelas dívidas que contrair, ainda que estejam na posse de terceiros. Desnecessária a 
ressalva feita neste artigo pois, mesmo na posse de terceiro, o bem continua sendo do 
devedor. 
IV - do cônjuge, nos casos em que os seus bens próprios, reservados ou de sua 
meação respondem pela dívida; 
Ficam sujeitos à execução não somente os bens particulares do devedor e os 
comuns que não ultrapassem sua meação, mas também os próprios do cônjuge e os que 
superarem a meação do devedor, desde que a dívida executada tenha beneficiado a família. E 
por ser presumível que a dívida contraída pelo cônjuge verte-se em benefício da família ou do 
casal, cabe ao cônjuge do devedor provar que não se beneficiou. 
Havendo penhora de bens cujo montante ultrapasse a meação do devedor, 
caberá ao cônjuge opor embargos de terceiro visando à desconstituição da constrição. Caso 
admita, ainda que implicitamente, que a dívida beneficiou a ambos, e tenha interesse em 
discuti-la, também poderá opor embargos do devedor. 
Por fim, sendo feita a penhora sobre bem indivisível, a meação do cônjuge alheio 
à execução recairá sobre o produto da alienação do bem, nos termos do art. 655-B do CPC. 
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V - alienados ou gravados com ônus real em fraude de execução. 
Também ficam sujeitos à penhora os bens que foram vendidos pelo devedor em 
fraude à execução, frustrando, portanto, o pagamento da dívida, ainda que estes bens estejam 
na posse de terceiros. 
Considera-se em fraude à execução a alienação ou oneração de bens que 
ocorrerem nas hipóteses do art. 593 do CPC, ou seja: quando sobre os bens pender ação 
fundada em direito real (inciso I); quando, ao tempo da alienação ou oneração, corria contra o 
devedor demanda capaz de reduzi-lo à insolvência (inciso II); e nos demais casos previstos em 
lei (inciso III). 
Embora o instituto seja denominado “fraude à execução”, não se exige que a 
alienação ou oneração ocorra na pendência de ação de execução, bastando que esteja 
pendente ação de conhecimento e que o devedor já tenha sito citado nesta ação, conforme 
entendimento majoritário no STJ. 
Havendo alienação fraudulenta do bem que é objeto de ação fundada em direito 
real, e no curso desta ação, não se dá o ingresso do terceiro adquirente nos autos, tendo o 
feito prosseguimento contra o alienante, sendo certo ainda que a sentença a ser proferida 
também entre as partes originárias estenderá seus efeitos ao adquirente, nos termos do art. 
42 do CPC. 
Na hipótese de alienação que reduza o devedor à insolvência, o reconhecimento 
da fraude à execução não permite a alteração da titularidade das partes, mas apenas a 
penhora do bem alienado fraudulentamente. Convém frisar que não se declara a nulidade da 
venda do bem, mas apenas a ineficácia, perante o credor, desta negociação fraudulenta. 
Não se deve confundir também a fraude à execução com a fraude contra credores 
(prevista nos artigos 158 e seguintes do Código Civil), a qual deve ser reconhecida em ação 
própria (chamada ação pauliana), a ser movida pelo credor tanto contra o devedor alienante 
como contra o terceiro adquirente, e que exige a comprovação não só do fato de a alienação 
ter reduzido o devedor à insolvência (“eventus damni”), quando da ciência do adquirente 
desta intenção do devedor de prejudicar o credor (“consilium fraudis”). 
E embora o art. 593 do CPC não exija a comprovação do “consilium fraudis” para o 
reconhecimento da fraude à execução, mas apenas o “eventus damni”, o STJ, por meio de sua 
súmula nº 375, firmou o entendimento de que é imprescindível a ciência do adquirente, ainda 
que presumida, do ajuizamento de ação fundada em direito real ou capaz de reduzir o devedor 
à insolvência. Isto porque, de acordo com a súmula 375 do STJ: “O reconhecimento da fraude 
de execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do 
terceiro adquirente”. 
Relativamente ao conhecimento da ação por parte de terceiros, o art. 615-A 
trouxe importante inovação ao permitir que o exequente, no ato da distribuição, obtenha 
certidão do ajuizamento da execução para fins de averbação no registro de imóveis, de 
veículos ou de outros bens, que fará presumir em fraude à execução a alienação ou oneração 
de bens efetuada após a averbação, nos termos de seu parágrafo terceiro. 
 
8) Espécies de execução 
A execução é classificada como definitiva ou provisória, conforme veremos 
separadamente. 
 
9.1) Definitiva