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044_Apostila_2__fase_CERS___Sabrina_Dourado_2011_2

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portador do CPF nº 
.................., residente e domiciliado na Rua ..........., n° ........, bairro ............, Belo Horizonte, 
CEP.: ................., cidade............ – UF, em razão dos fatos e dos fundamentos jurídicos a seguir 
expostos: 
 
O executado comprou produtos de limpeza do exeqüente no valor de R$............... 
e até a presente data não adimpliu com sua obrigação. 
 
O título a executar (cheque de titularidade de FULANO DE TAL, CPF: ................., 
Banco .........................., Agência: ............, Conta: .......................), enquadra-se no rol de títulos 
executivos extrajudiciais, de acordo com o art. 585, I do CPC. 
 
Desta forma, requer o exeqüente: 
 
- a citação do executado dos termos da presente ação, para pagar ou apresentar 
bens a penhora, suficientes para a garantia do Juízo, conforme o CPC em seu art. 652; 
 
- caso o executado não pague em 03 dias, ou não nomeie bens para garantia do 
Juízo, a aplicação do art. 659 do CPC, prosseguindo-se a execução até a satisfação do credor. 
 
 
 
Dá-se à causa o valor de R$ ....................... (valor do título executivo por extenso). 
 
APOSTILA DA OAB 2ª FASE- PARTE I 
Profª SABRINA DOURADO 
Coord. CRISTIANO SOBRAL 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | (81) 3035 0105 
 
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Nestes termos, 
Pede deferimento. 
 
 
Local, ..... de ............... de 2006. 
 
 
 
 
Nome do Advogado 
Nº da OAB 
 
 
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA 
 
1) Introdução 
Somente a obrigação líquida pode ser objeto de ação executiva. Líquida é a 
obrigação que tem determinado e mensurado o objeto da prestação, ou seja, quando já se 
encontra definido o “quantum debeatur” (valor da dívida), nas obrigações de pagar quantia, 
ou o fato a ser prestado, nas obrigações de fazer, ou ainda o objeto a ser entregue, nas 
obrigações de entregar coisa. 
É necessário ressaltar que o procedimento de liquidação destina-se 
exclusivamente aos títulos executivos judiciais, motivo pelo qual conclui-se que a iliquidez dos 
títulos executivos extrajudiciais impede, por completo, sua execução, pois deixará de ser 
considerado título executivo. 
Na liquidação também é vedado rediscutir a lide ou modificar a sentença que a 
julgou (CPC, art. 475-G). 
Com relação aos títulos executivos judiciais (como a sentença cível, por exemplo), 
devem, em regra, ser líquidos, já que somente admite-se a prolação de sentença ilíquida 
quando for genérico o pedido formulado na petição inicial. Por sua vez, “Quando o autor tiver 
formulado pedido certo, é vedado ao juiz proferir sentença ilíquida” (CPC, art. 459, parágrafo 
único). 
O pedido genérico, ademais, somente pode ser formulado nas hipóteses previstas 
no art. 286 do CPC, que são: “I - nas ações universais, se não puder o autor individuar na 
petição os bens demandados; II - quando não for possível determinar, de modo definitivo, as 
conseqüências do ato ou do fato ilícito; III - quando a determinação do valor da condenação 
depender de ato que deva ser praticado pelo réu”. 
O § 3º do art. 475-A do CPC também proíbe a prolação de sentença ilíquida nas 
hipóteses previstas no art. 275, inciso II, alíneas “d” e “e” do CPC. Vejamos estas hipóteses: “d) 
de ressarcimento por danos causados em acidente de veículo de via terrestre; e) de cobrança 
de seguro, relativamente aos danos causados em acidente de veículo, ressalvados os casos de 
processo de execução”. E ainda que não haja parâmetros ou provas acerca do valor dos danos 
a serem indenizados nestes dois últimos casos citados, o art. 475-A do CPC determina que o 
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juiz deverá fixá-lo a seu prudente critério, mas nunca deixar a apuração para a fase de 
liquidação. 
A jurisprudência também tem se orientado no sentido de que a necessidade de se 
calcular juros e correção monetária não torna ilíquido o crédito, uma vez que a obrigação cujo 
montante possa se apurar por meio de cálculos aritméticos é considerada líquida. 
Porém, havendo necessidade de se produzir provas para mensurar o saldo 
devedor, ilíquido é considerado tal crédito, como é o caso do contrato de abertura de crédito, 
que não pode ser executado porque depende da comprovação do saldo negativo existente no 
momento, o qual não é apurável por simples cálculo aritmético (neste sentido a súmula 233 do 
STJ: “O contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de extrato da conta-
corrente, não é título executivo”). 
Com relação ao procedimento da liquidação, temos que antes da Lei 
11.232/2005 que alterou o CPC, a liquidação se fazia por meio de um processo autônomo de 
conhecimento, a ser encerrado por sentença que também poderia ser impugnada por meio 
de recurso de apelação. 
Atualmente, a liquidação é considerada, pelo art. 475-A do CPC, como uma fase 
do processo original, a ser instaurada depois da prolação da sentença da fase de 
conhecimento, com vistas a complementá-la, declarando o “quantum debeatur” ou o objeto 
a ser entregue. A liquidação, ademais, será encerrada por decisão contra a qual caberá 
agravo de instrumento, e não mais apelação. 
Porém, a despeito de a liquidação não mais ter a natureza jurídica de processo 
autônomo, e sim de fase ou incidente processual, há diversos doutrinadores, como Cândido 
Rangel Dinamarco e Luiz Rodrigues Wambier, que classificam como sentença a decisão que 
encerra a fase liquidatória, embora desafiada por agravo de instrumento. Isto porque a 
decisão da liquidação resolveria nova questão de mérito controvertida, relativa ao valor da 
dívida ou a definição do objeto a ser entregue, e não mera questão incidente. 
 
2) Fase de liquidação 
Tratando-se de fase do mesmo processo, a liquidação, em regra, deve ser 
requerida no mesmo juízo em que proferida a sentença ilíquida. Porém, com relação à 
sentença penal condenatória, sentença arbitral e sentença estrangeira, a competência será 
relativa, e deverá observar o critério territorial previsto para o processo de conhecimento, 
uma vez que não há processo cível de conhecimento prévio. A liquidação individual da 
sentença coletiva, pela vítima ou seu sucessor, também não ocorrerá no mesmo juízo do 
processo coletivo, mas deverá ser distribuída livremente e conforme as regras de competência 
próprias. 
Eventualmente poderá a liquidação ser processada em autos apartados do 
processo de conhecimento, quando requerida na pendência da tramitação de recurso 
interposto conta a sentença, e tramitará no juízo de origem e não perante o Tribunal (CPC, 
art. 475-A, § 2º), caso em que será denominada de liquidação provisória. Admite-se também 
que se inicie a fase de liquidação ainda que a sentença ilíquida tenha sido objeto de recurso 
recebido no efeito suspensivo. Porém, a execução provisória somente é admitida quando a 
sentença tiver sido impugnada por recurso recebido no efeito devolutivo. 
Sendo a sentença apenas parcialmente ilíquida, o credor poderá 
simultaneamente promover a execução da parte líquida, em autos apartados, e dar início à 
fase de liquidação, nos mesmos autos (CPC, art. 475-I, § 2º). 
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3) Espécies de liquidação 
Atualmente, temos duas espécies de liquidação previstas no CPC: por 
arbitramento e por artigos. 
Não mais temos a chamada liquidação por cálculo de contador. Com efeito, se a 
determinação do valor da condenação depender apenas de cálculo aritmético, não haverá 
liquidação, e o credor desde já poderá requerer o cumprimento da sentença, instruindo o 
pedido com a memória discriminada e atualizada do cálculo (CPC, art. 475-B). E, se algum dado 
faltar ao credor para elaboração do cálculo, poderá requerer ao juiz que o requisite do 
devedor ou terceiro,