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da obrigação prevista no título executivo. O pedido, porém, não deve ser 
condenatório, mas apenas de citação do devedor para cumprimento da obrigação e eventual 
deferimento das medidas expropriatórias dos bens do devedor, visando a satisfação da dívida. 
Quanto às provas, desnecessário qualquer requerimento de produção delas, visto que não 
haverá, na execução, qualquer apuração acerca da existência ou exigibilidade do crédito, ou 
mesmo prolação de sentença que solucionará a lide. Eventual discussão sobre a exigibilidade 
do título poderá, no entanto, ser feita em embargos a serem opostos pelo devedor, no 
momento oportuno. 
Além disso, necessário o cumprimento dos requisitos do art. 614 do CPC, ou seja, 
deverá o exequente instruir a inicial com o título executivo extrajudicial, o demonstrativo do 
débito atualizado até a data da propositura da ação, assim como com a prova de que se 
verificou a condição, ou ocorreu o termo, se o caso. 
O título executivo, portanto, é documento indispensável à propositura da ação, 
devendo ser apresentado juntamente com a petição inicial, sob pena de indeferimento. 
Tratando-se de título de crédito, sua apresentação ainda serve para impedir sua circulação. 
Desse modo, apenas excepcionalmente é que será dispensada sua apresentação, como nos 
casos em que o título executivo encontra-se juntado em autos de outro processo judicial, por 
exemplo, ocasião em que se admite o início da execução apenas com a apresentação de cópia 
autenticada do título. 
É ainda facultado ao credor que indique na petição inicial bens do devedor à 
penhora (CPC, art. 652, § 2º). 
Na falta de comprovação de qualquer dos requisitos referidos, o juiz determinará 
a emenda da petição inicial, no prazo de dez dias (CPC, art. 616), sob pena de indeferimento. O 
indeferimento da inicial poderá ser ainda motivado pela ausência de qualquer dos 
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pressupostos do art. 580 do CPC, relativos à certeza, liquidez e exigibilidade do título 
executivo, que devem estar comprovados na petição inicial. Estando satisfeitos os 
pressupostos processuais, tanto genéricos quanto específicos, assim como as condições da 
ação, o juiz determinará a citação do devedor. 
 
3) Honorários advocatícios 
No mesmo despacho inicial que determinar a citação, o juiz fixará os honorários 
advocatícios a serem pagos pelo devedor, de acordo com os parâmetros do art. 20, § 4º do 
CPC (CPC, art. 652-A). 
Havendo pagamento integral da dívida no prazo de 03 (três) dias concedido ao 
executado para a satisfação da obrigação, e sem que tenham sido opostos embargos, a verba 
honorária será reduzida pela metade. 
Porém, havendo oposição de embargos, novos honorários deverão ser fixados na 
sentença que os decidir. 
 
4) Averbação do ajuizamento da execução em registros públicos 
Nos termos do art. 615-A do CPC, o exequente poderá, logo no ato da distribuição 
da execução, antes mesmo, portanto, de qualquer apreciação da petição inicial pelo 
magistrado, obter certidão comprobatória do ajuizamento da execução para averbação em 
registros públicos. 
Esta certidão conterá a identificação das partes e o valor da causa e poderá ser 
averbada, por exemplo, na matrícula dos imóveis de propriedade do devedor, assim como no 
cadastro de propriedade de veículo. Feita a averbação, a existência da ação executiva será 
conhecida por todos aqueles que efetuarem pesquisa junto a tais registros públicos, o que 
normalmente ocorre quando da venda de bens, motivo pelo qual a própria lei considera em 
fraude à execução a alienação ou oneração de bens depois de feita a averbação (CPC, art. 615-
A, § 3º). 
O exequente deverá comunicar as averbações feitas no prazo de 10 (dez) dias de 
sua concretização (CPC, art. 615-A, § 1º). 
Se durante a tramitação da execução forem penhorados bens suficientes para 
garantir o pagamento da dívida, será determinado o cancelamento das averbações dos bens 
que não foram penhorados, a fim de não prejudicar o devedor (CPC, art. 615-A, § 2º). 
Considerando que referida averbação não depende de autorização judicial, é 
possível que o exequente promova averbações indevidas. Assim, caso isso ocorra, poderá ser 
condenado a indenizar o executado pelos danos que tenha sofrido, em quantia não superior a 
20% sobre o valor da causa, ou a ser liquidada por arbitramento, em autos apartados. A título 
de exemplo, será considerada indevida a averbação feita em diversos bens cuja soma supere 
injustificadamente o valor da dívida ou ainda aquela feita em relação a bem de valor muito 
superior ao da dívida, em detrimento de outros de valor mais baixo, uma vez que, pelo 
princípio da menor onerosidade, a execução deve se fazer pelo modo menos gravoso para o 
devedor. 
 
5) Citação 
Em regra, a citação do executado será feita por oficial de justiça, consoante se 
extrai da redação do art. 652, § 2º do CPC, que faz referência apenas a esta modalidade de 
citação. 
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A citação por correio é vedada, nos termos do art. 222, alínea “d”, do CPC. Apenas 
na execução fiscal é que se admite a citação pelo correio, conforme autoriza o art. 8º, inciso I, 
da Lei 6.830/80. 
A citação por edital é admitida pelo art. 654 do CPC, com a observação de que 
somente será feita quando houver prévio arresto de bens, uma vez que deverá ser requerida 
pelo exequente no prazo de 10 (dez) dias da intimação desta medida cautelar. Nesta 
modalidade de citação, o prazo de três dias para pagamento voluntário da dívida, previsto no 
art. 652 do CPC, terá início somente depois de findo o prazo do edital, ocasião em que, não 
havendo pagamento, o arresto será convertido em penhora, prosseguindo-se o feito com a 
alienação dos bens. 
Quanto à citação por hora certa, realizada quando o oficial de justiça, embora não 
tenha encontrado o devedor, tiver suspeita de que ele se oculta para não ser citado (CPC, art. 
227), tem sido admitida pela jurisprudência, conforme entendimento consolidado na súmula 
196 do STJ. 
No mais, nos termos do art. 652 do CPC, o devedor será citado para pagar a dívida 
no prazo de 03 (três) dias, que é contado da data da juntada aos autos da primeira via do 
mandado de citação. Somente depois de transcorrido referido prazo é que o oficial de justiça 
retornará à residência do devedor, com a segunda via do mandado, para realizar a penhora de 
bens, avaliá-los, e intimar o executado da penhora (CPC, art. 652, § 1º). 
Sendo feito o pagamento da dívida no prazo de 03 (três) dias, os honorários 
advocatícios fixados quando do despacho inicial serão reduzidos pela metade (CPC, art. 652-A, 
parágrafo único). 
Poderá também o devedor opor embargos, no prazo de 15 (quinze) dias contados 
da juntada aos autos do mandado de citação, se quiser discutir a dívida. 
No entanto, no prazo para oposição dos embargos, o devedor poderá, ao invés de 
apresentá-los, reconhecer o crédito, ocasião em que ser-lhe-á facultado efetuar o depósito de 
30% do valor da dívida (incluindo custas e honorários advocatícios) e solicitar que o 
pagamento do restante seja feito em até 06 (seis) parcelas mensais, acrescidas de correção 
monetária e juros de 1% (um por cento) ao mês (CPC, art. 745-A). Deferido o pagamento 
parcelado, suspensos estarão os atos executivos e autorizado estará o exequente a efetuar o 
levantamento da quantia depositada; sendo indeferido o pedido, a execução prosseguirá, 
mantido o depósito. 
Caso o devedor não efetue o pagamento de qualquer das prestações a que se 
obrigou, as demais parcelas vencerão antecipadamente e o remanescente será acrescido de 
multa de 10%, hipótese em que, o feito também terá prosseguimento, sendo vedada a 
oposição de embargos. 
 
6) Arresto executivo