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da empresa, mas de penhora sobre 
dinheiro, que é excepcionalmente apreendido no caixa da empresa devedora. 
O CPC, em seu art. 679, regula a forma como devem ser feitas as penhoras sobre 
navios ou aeronaves, admitindo que, mesmo depois de penhoradas, continuem a navegar ou 
operar, desde que o devedor faça previamente o seguro usual contra riscos. 
Os títulos de crédito em que o executado figura como credor também podem ser 
APOSTILA DA OAB 2ª FASE- PARTE I 
Profª SABRINA DOURADO 
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objeto de penhora, que se formalizará pela apreensão do próprio documento, ainda que em 
posse de terceiro. Se o terceiro confessar a dívida, será considerado depositário da 
importância, mesmo que não seja apreendido o título, somente podendo se exonerar da 
obrigação se depositar em juízo o valor da dívida (CPC, art. 672). 
Com relação à forma de cumprimento da ordem de penhora, nos termos do art. 
172 do CPC, o mandado de penhora deverá ser cumprido em dias úteis, das 06 às 20 horas, 
podendo, em casos excepcionais e mediante autorização expressa do juiz, ser também 
cumprido em domingos e feriados ou em horário noturno, mas desde que o devedor consinta 
com o ingresso do oficial de justiça na residência, a fim de se respeitar o contido no art. 5º, 
inciso XI da Constituição Federal (CPC, art. 172, § 2º). 
Para o devido cumprimento da ordem, que estiver sendo obstada pelo devedor, 
poderá o oficial de justiça solicitar ao juiz ordem de arrombamento. O mandado de 
arrombamento será cumprido por dois oficiais de justiça e assinado por duas testemunhas que 
devem presenciar o ato, sendo admissível também a requisição de força policial, se necessário 
(CPC, arts. 660, 661 e 662). 
 
8) Bens impenhoráveis 
Segundo o princípio da patrimonialidade, são os bens do devedor que garantem a 
satisfação do crédito do exequente. Porém, não é todo e qualquer bem que pode ser 
expropriado. A lei põe a salvo os bens do devedor considerados essenciais para uma vida 
digna, denominados de impenhoráveis. 
A impenhorabilidade pode ser absoluta ou relativa. Bens absolutamente 
impenhoráveis são aqueles que não podem ser penhorados em nenhuma hipótese. Bens 
relativamente impenhoráveis, por outro lado, são aqueles que, na falta de outros bens, 
perdem essa natureza, tornando-se passíveis de penhora em processo de execução. 
O rol dos bens absolutamente impenhoráveis encontra-se no art. 649 do CPC. 
Segundo o art. 649, são absolutamente impenhoráveis: 
I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário não sujeitos à execução. 
II - os móveis, pertences e utilidades domésticas que guarnecem a residência do 
executado, salvo os de elevado valor ou que ultrapassem as necessidades comuns 
correspondentes a um médio padrão de vida. Este inciso não abrange todos os bens que 
guarnecem a residência do executado, mas apenas aqueles indispensáveis para assegurar uma 
vida digna, considerando-se o médio padrão de vida geral. São, por exemplo, impenhoráveis, a 
cama, o fogão, a geladeira, entre outros bens. Há divergência quanto à possibilidade de 
penhora do aparelho de DVD, computador e ar condicionado, dentre outros, porque o 
conceito de “médio padrão de vida” não pode ser generalizado, mas sim interpretado 
considerando as características locais. Ademais, com o argumento de que a impenhorabilidade 
não pode ser fundamento para que o executado deixe de cumprir com suas obrigações, em 
detrimento de seus credores, inúmeros julgados de nossos Tribunais, notadamente aqueles 
dos Colégios Recursais do sistema dos Juizados Especiais, têm considerado impenhoráveis 
somente os bens que garantam uma vida familiar minimamente condigna, considerados 
essenciais à habitabilidade. 
III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de 
elevado valor. 
IV - os vencimentos, subsídios, soldos, salários, remunerações, proventos de 
aposentadoria, pensões, pecúlios e montepios; as quantias recebidas por liberalidade de 
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terceiro e destinadas ao sustento do devedor e sua família, os ganhos de trabalhador 
autônomo e os honorários de profissional liberal, observado o disposto no parágrafo terceiro 
deste artigo. A proteção contida nesse inciso tem como escopo garantir a renda do devedor ou 
o auferimento de qualquer quantia destinada ao sustento do devedor e de sua família. 
V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros 
bens móveis necessários ou úteis ao exercício de qualquer profissão. A impenhorabilidade dos 
bens necessários ao exercício da profissão visa evitar que o devedor seja privado dos meios 
necessários para obter seu sustento e de sua família. 
VI - o seguro de vida. 
VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem 
penhoradas. 
VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada 
pela família. Essa hipótese de impenhorabilidade visa estimular a permanência do homem no 
campo e a produção agrícola nas pequenas propriedades trabalhadas pela entidade familiar. A 
Constituição Federal, em seu art. 5º, inciso XXVI, prevê norma com a mesma finalidade, ao 
dispor que “a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela 
família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade 
produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento”. 
IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação 
compulsória em educação, saúde ou assistência social. Este inciso buscou assegurar que os 
recursos públicos destinados a instituições privadas que exerçam serviço de educação, saúde 
ou assistência social, não sejam utilizados em finalidade diversa. 
X - até o limite de 40 (quarenta) salários mínimos, a quantia depositada em 
caderneta de poupança. 
XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos, nos termos da lei, por 
partido político. A impenhorabilidade prevista nesse artigo, embora seja considerada absoluta, 
comporta exceções, a exemplo dos bens que guarnecem a residência do executado, bem como 
seu vestuário e objetos de uso pessoal, se tais bens forem de elevado valor. 
O próprio art. 649 do CPC, em seus parágrafos 1º e 2º, ressalva que a 
impenhorabilidade acima descrita não prevalece sempre, pois não é oponível à cobrança do 
crédito concedido para a aquisição do próprio bem (§ 1º) e, relativamente à hipótese do inciso 
IV, não se aplica no caso de penhora para pagamento de prestação alimentícia (§ 2º). 
Deve-se ressaltar, ademais, que o rol contido no art. 649 não é exaustivo. A Lei 
8.009/90 aumentou o elenco de bens impenhoráveis estabelecendo a impenhorabilidade do 
bem de família, nos seguintes termos: “O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade 
familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, 
previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que 
sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei” (art. 1º).
 
O art. 3º da mesma Lei 8.009/90, porém, exclui a impenhorabilidade do bem de 
família nas ações propostas: I) em razão dos créditos de trabalhadores da própria residência e 
das respectivas contribuições previdenciárias; II) pelo titular do crédito decorrente do 
financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel, no limite dos créditos e 
acréscimos constituídos em função do respectivo contrato; III) pelo credor de pensão 
alimentícia; IV) para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas 
em função do imóvel familiar; V) para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como 
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