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alienação por iniciativa particular ou alienação em hasta pública. E não obstante já tenha se 
iniciado qualquer das modalidades de expropriação por alienação, a adjudicação é admitida 
até a assinatura do termo de alienação respectivo. 
Se o exequente tiver interesse em transferir a propriedade do bem penhorado 
para si, deverá formular seu requerimento de adjudicação e oferecer preço que não pode ser 
inferior ao da avaliação (CPC, art. 685-A). 
Tratando-se, porém, de execução fiscal, a Lei 6.830/80, em seu art. 24, admite 
que a Fazenda Pública adjudique bens penhorados por valor inferior ao da avaliação. 
Além do exequente, o credor com garantia real, os credores que tenham 
penhorado o mesmo bem, assim como o cônjuge, os descendentes ou ascendentes do 
executado também podem postular a adjudicação dos bens penhorados (CPC, art. 685-A, § 2º). 
E havendo concorrência entre os legitimados à adjudicação, far-se-á uma licitação entre os 
interessados; sendo idêntica a oferta, terá preferência o cônjuge, depois os descendentes e, 
por último, os ascendentes. 
Preferência na adjudicação também terão os demais sócios da sociedade cuja 
quota parte do sócio executado tiver sido penhorada (CPC, art. 685-A, § 4º). 
Se o pedido for formulado pelo exequente e o valor de seu crédito for inferior ao 
valor dos bens que serão adjudicados, o credor terá que depositar a diferença, que será 
entregue ao executado. Sendo, porém, superior o valor de seu crédito, a execução prosseguirá 
para a cobrança da diferença (CPC, art. 685-A, § 1º). Se o pedido de adjudicação for formulado 
por qualquer outro legitimado, o valor respectivo deverá ser depositado em Juízo. 
Lavrado e assinado o respectivo auto pelo juiz, adjudicante, escrivão e executado, 
se estiver presente, considera-se perfeita e acabada a adjudicação, oportunidade em que 
poderá o adjudicante postular a expedição de carta de adjudicação para registro no cartório de 
imóveis ou mandado de entrega, se o bem adjudicado for móvel. 
 
12.2) Alienação por iniciativa particular 
A alienação por iniciativa particular é modalidade nova de expropriação, criada 
pela reforma feita pela Lei 11.382/06. Nesta modalidade, faculta-se que o credor providencie a 
venda do bem penhorado sem as formalidades da alienação em hasta pública. 
Somente se autoriza a alienação por iniciativa particular se não houver 
interessados na adjudicação. 
Deferida a alienação por iniciativa particular, o exequente poderá alienar os bens 
pessoalmente ou também por intermédio de corretor credenciado perante a autoridade 
judiciária, a critério do exequente. 
Depois de fixado o preço mínimo, que não poderá ser inferior ao da avaliação, o 
juiz também fixará prazo para que se faça a alienação, assim como a forma de publicidade que 
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poderá ser feita e a forma de pagamento e garantia que serão aceitas. 
Se o próprio exequente fizer a venda, não terá direito a comissão de corretagem, 
mas apenas ao ressarcimento das despesas que teve com publicidade, se tal modalidade de 
divulgação tiver sido aprovada previamente pelo juiz. Tendo, porém, a venda sido feita por 
corretor credenciado no Juízo, este profissional fará jus à comissão pela venda. 
Sendo frutífera a venda, será formalizado o respectivo termo, a ser assinado pelo 
juiz, exequente, adquirente e executado, se estiver presente. Em seguida, será expedida carta 
de alienação em benefício do adquirente, em se tratando de bem imóvel, ou mandado de 
entrega, se móvel. 
 
12.3) Alienação em hasta pública 
Não havendo interessados na adjudicação dos bens penhorados ou mesmo tendo 
o exequente requerido que a alienação se fizesse por iniciativa particular, adotar-se-á a 
modalidade de alienação em hasta pública, com a publicação do edital previsto no art. 686 do 
CPC. 
Tratando-se de imóvel, a hasta pública é denominada “praça”; se, entretanto, o 
bem a ser vendido for móvel, a hasta é denominada “leilão”. 
Inicialmente, será determinada a expedição de edital de praça ou leilão, de 
acordo com a natureza do bem a ser vendido, que deverá conter a descrição detalhada do 
bem penhorado, seu valor de avaliação, o lugar onde se encontra, informação se sobre o bem 
há algum ônus, bem como o dia e hora designados pelo juiz para realização tanto da primeira 
quanto da segunda hasta pública, se necessário, a qual se realizará entre dez e vinte dias 
depois da primeira hasta. 
O edital também deverá esclarecer que na primeira hasta pública somente serão 
aceitos lanços superiores ao valor da avaliação e que somente na segunda hasta pública 
admitir-se-á lanços de qualquer valor, desde que não seja vil (a jurisprudência tem 
considerado vil a arrematação por valor inferior a 50% da avaliação). A venda, porém, será 
feita àquele que oferecer o maior lance. 
Visando dar ampla publicidade ao ato, necessária ainda a publicação de edital 
com antecedência mínima de cinco dias, tanto no local de costume do prédio do Fórum, como 
em jornal de ampla circulação local, na seção reservada à publicidade dos negócios imobiliário, 
ou, ao invés da publicação em jornal, que evidentemente não é gratuita, apenas no Diário 
Oficial, se o exequente for beneficiário da justiça gratuita. 
O art. 687, § 2º, do CPC permite que o juiz modifique a forma de publicação do 
edital, alterando sua periodicidade ou determinando seja feita em rádio ou internet, por 
exemplo, a fim de dar maior publicidade ao ato. 
Dispensada, porém, será a publicação do edital se o valor dos bens penhorados 
não exceder 60 (sessenta) vezes o valor do salário mínimo vigente na data da avaliação. No 
entanto, se a publicação do edital for dispensada, não se admitirá que a venda seja feita por 
preço inferior ao da avaliação (CPC, art. 686, § 3º). 
Publicado ou não o edital em jornal, o executado sempre deverá ser intimado da 
data e horário da hasta pública. Esta intimação, porém, poderá ser feita na pessoa de seu 
advogado, se o tiver, ou por meio de mandado, carta registrada, edital ou outro meio idôneo. 
Além do executado, também deverão ser cientificados da realização da hasta 
pública, com pelo menos 10 (dez) dias de antecedência, o senhorio direto, o credor com 
garantia real ou com penhora anteriormente averbada e que não seja de parte na execução. 
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Quando da realização do leilão, qualquer pessoa que estiver na livre 
administração de seus bens pode fazer lanços, inclusive o credor, o devedor e seus parentes. O 
art. 690-A do CPC apenas proíbe de fazer lanços: os tutores, curadores, testamenteiros, 
administradores, síndicos ou liquidantes, quanto aos bens confiados a sua guarda e 
responsabilidade (inciso I); os mandatários, quanto aos bens de cuja administração ou 
alienação estejam encarregados (inciso II); e o juiz, membro do Ministério Público e da 
Defensoria Pública, escrivão e demais servidores e auxiliares da Justiça (inciso III). 
Havendo requerimento do exequente, a hasta pública poderá ser realizada por 
meio da rede mundial de computadores, com uso de páginas virtuais criadas pelos Tribunais 
ou por entidades públicas ou privadas em convênio com eles firmado (CPC, art. 689-A). 
Da mesma forma como ocorre na adjudicação, se o exequente vier a arrematar os 
bens por valor inferior ao da dívida, não precisará depositar o valor da compra; se o valor da 
arrematação, porém, exceder o seu crédito, deverá depositar a diferença dentro de 03 (três) 
dias, sob pena de se tornar sem efeito a arrematação, além de ser-lhe carreadas as custas da 
realização da nova hasta pública. 
Se qualquer outra pessoa vier a arrematar o bem, o pagamento do preço deverá 
ser feito imediatamente ou no prazo de 15 (quinze) dias,