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nos termos do art. 241, inciso III, do CPC. 
A impugnação poderá ser apresentada por meio de simples petição, sem os 
requisitos dos artigos 282 e 283. 
O juízo competente para o processamento da impugnação será o da execução; 
sua competência é funcional. Diversamente do que ocorre nos embargos à execução, não há 
APOSTILA DA OAB 2ª FASE- PARTE I 
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previsão de competência do juízo deprecado para julgamento da impugnação nos casos em 
que a penhora seja efetuada em outra comarca e verse apenas sobre defeito na penhora ou 
avaliação errônea; porém, nada impede a aplicação do disposto no art. 747 do CPC de forma 
subsidiária. 
A impugnação não será distribuída, e sim juntada e decidida nos mesmos autos 
quando for concedido efeito suspensivo. Será, porém, autuada e processada em apartado 
quando tramitar sem a concessão de efeito suspensivo (CPC, art. 475-M, § 2º). 
 
2) Efeito suspensivo 
Da mesma forma que os embargos, a mera oposição da impugnação não faz 
suspender a execução. O efeito suspensivo depende de decisão judicial. 
Ademais, a concessão do efeito suspensivo precisa ser expressamente requerida 
pelo impugnante, não sendo admissível sua concessão de ofício pelo juiz. A penhora, depósito 
ou caução, não é considerado apenas requisito para a concessão do efeito suspensivo, mas 
também pressuposto da oposição da própria impugnação. 
Além do requerimento, o impugnante deverá apresentar fundamentação 
relevante e justificar a concessão, demonstrando a possibilidade de o prosseguimento da 
execução causar-lhe grave dano de difícil ou incerta reparação (CPC, art. 475-M). 
Porém, sendo oferecida e prestada caução idônea, que se destinará a reparar os 
possíveis danos que o executado venha a sofrer com o prosseguimento da execução, faculta-se 
ao exequente requerer ao juiz o prosseguimento da execução, mesmo tendo sido concedido o 
efeito suspensivo. 
Ainda que não haja previsão expressa, deverá o credor ser intimado para 
responder à impugnação, no mesmo prazo de 15 (quinze) dias que o devedor dispõe para 
apresentá-la, em respeito ao princípio do contraditório. 
Considerando que a impugnação terá, em regra, a natureza de mero incidente, 
será julgada por decisão interlocutória, impugnável por meio de agravo de instrumento. 
Porém, quando o julgamento importar extinção da execução, a apelação será o recurso cabível 
contra a decisão, que terá evidente natureza de sentença (CPC, art. 475-M, § 3º) 
 
3) Objeto da impugnação 
Não se admite na impugnação a discussão de matéria relativa ao processo de 
conhecimento. Portanto, a cognição na impugnação é parcial, restrita às hipóteses limitadas 
constantes do art. 475-L do CPC, embora exauriente, motivo pelo qual nela se admite a 
produção de qualquer meio de prova para comprovação das alegações formuladas. 
Ademais, conforme prevê o art. 474 do CPC, transitada em julgado a sentença de 
mérito, reputar-se-ão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que a parte poderia 
opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido. 
Com efeito, de acordo com o art. 475-L do CPC, a impugnação somente poderá 
versar sobre: I - falta ou nulidade da citação, se o processo correu à revelia; II - inexigibilidade 
do título; III - penhora incorreta ou avaliação errônea; IV - ilegitimidade das partes; V - excesso 
de execução; VI - qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação, como 
pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que superveniente à 
sentença. 
Com relação à hipótese prevista no inciso II, dispõe o § 1º do mesmo artigo que, 
“considera-se também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados 
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inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da 
lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a 
Constituição Federal”. Porém, discute-se sobre a constitucionalidade deste parágrafo por 
afrontar a coisa julgada, havendo quem defenda sua aplicação apenas na hipótese de o 
julgamento do STF ter precedido ao trânsito em julgado da decisão exequenda e a impugnação 
ter sido oposta no prazo da ação rescisória, que é de dois anos a contar do trânsito em julgado 
da sentença. 
No que se refere ao excesso de execução, quando o devedor a alegar também 
deverá declarar de imediato o valor que entende correto, sob pena de ver rejeitada 
liminarmente sua impugnação (CPC, art. 475-L, § 2º). As hipóteses de excesso de execução 
estão previstas no art. 743 do CPC: I - quando o credor pleiteia quantia superior à do título; II - 
quando recai sobre coisa diversa daquela declarada no título; III - quando se processa de modo 
diferente do que foi determinado na sentença; IV - quando o credor, sem cumprir a prestação 
que lhe corresponde, exige o adimplemento da do devedor (artigo 582); V - se o credor não 
provar que a condição se realizou. 
 
4) Exceção de pré-executividade 
Considerando que a exigência de garantia do juízo pode trazer sérios prejuízos ao 
devedor, tem-se admitido a oposição de exceção ou objeção de pré-executividade, na qual 
poderão ser alegadas, independentemente da realização de penhora, depósito ou 
oferecimento de caução, matérias cognoscíveis de ofício pelo julgador, como pressupostos 
processuais, condições da ação, prescrição, decadência, competência do juízo, legitimidade de 
parte, nulidade processual, e ainda aquelas que não exijam dilação probatória. 
A decisão que julga a exceção de pré-executividade tem, em regra, natureza 
interlocutória, sendo desafiada por recurso de agravo de instrumento. Porém, se determinar a 
extinção do feito, terá natureza de sentença e será impugnada por recurso de apelação. 
 
5) Ação autônoma como forma de desconstituir o título executivo ou declarar a nulidade do 
processo de execução 
O executado também poderá valer-se de ações autônomas para reagir contra a 
execução, como a ação rescisória, caso encontre-se presente alguma das hipóteses 
autorizadoras elencadas no art. 485 do CPC ou, a ação declaratória de nulidade de ato judicial 
(querella nullitatis). Tais ações, conquanto não tenham a finalidade específica e imediata de 
atacar a execução, a atingem de forma indireta, já que visam desconstituir a coisa julgada que 
a embasa. 
 
EXECUÇÃO PARA ENTREGA DE COISA 
 
1) Requisitos e procedimento 
O procedimento previsto nos artigos 621 a 631 do CPC é destinado 
exclusivamente à execução das obrigações de entregar coisa previstas em título executivo 
extrajudicial. 
Isto porque a obrigação de entregar coisa prevista em título executivo judicial, 
como já analisamos, será efetivada no próprio processo, por meio da concessão de tutela 
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específica ou por determinação de providências que asseguram o resultado prático 
equivalente ao do adimplemento, conforme regra prevista no art. 461-A do CPC. Nesta 
hipótese, o juiz deverá fixar prazo para cumprimento da obrigação, que, não sendo observado 
pelo devedor, ensejará a expedição de mandado de busca e apreensão, se bem móvel, ou de 
imissão na posse, se bem imóvel. Visando à satisfação da obrigação, poderá o juiz ainda impor 
multa por tempo de atraso no cumprimento. Somente na impossibilidade de cumprimento é 
que a obrigação será convertida em perdas e danos, a serem apurados incidentalmente. 
A execução para entrega de coisa fundada em título extrajudicial, por sua vez, 
apresenta dois tipos de procedimento, um destinado à entrega de coisa certa, outro destinado 
a entrega de coisa incerta.