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Independentemente da natureza do objeto da prestação a ser exigida, o credor 
deverá apresentar petição inicial para iniciar a execução, observando os requisitos do art. 282 
do CPC e instruindo-a com o título executivo extrajudicial, por ser considerado documento 
indispensável à propositura da ação. 
Passemos, agora, a analisar individualmente as diferenças existentes entre a 
execução para entrega de coisa certa e a execução para entrega de coisa incerta. 
 
2) Execução para entrega de coisa certa 
Estando em ordem a petição inicial, o devedor será citado para entregar a coisa 
certa constante do título executivo extrajudicial no prazo de 10 (dez) dias, contados da juntada 
aos autos do mandado de citação cumprido. 
O art. 621 do CPC também faculta o devedor a apresentar embargos, no mesmo 
prazo de 10 (dez) dias, desde que esteja seguro o juízo, fazendo referência ao art. 737, II, do 
CPC. No entanto, depois da alteração promovida na Lei 11.382/06, que revogou o art. 737 e 
alterou o art. 738, fixando o prazo de quinze dias para a oposição dos embargos, contados da 
juntada aos autos do mandado de citação, conclui-se que os embargos na execução para 
entrega de coisa certa também poderão ser opostos no prazo geral de 15 (quinze) dias previsto 
no art. 738 do CPC. 
O juiz ainda poderá, ao despachar a petição inicial, fixar multa por dia de atraso 
no cumprimento da obrigação (CPC, art. 621, parágrafo único). Esta multa constitui apenas 
meio para coagir o devedor a cumprir sua obrigação de entregar a coisa a que se obrigou, não 
substituindo a obrigação original. 
Sendo entregue a coisa exigida, o feito poderá ser extinto ou prosseguir para a 
cobrança dos frutos da coisa e/ou prejuízos que a coisa porventura tenha sofrido. Esta 
indenização será apurada em liquidação incidente a ser formada e poderá ser exigida nos 
mesmos autos. 
No que se refere à exigência feita no art. 622 do CPC, de que a oposição de 
embargos dependerá do depósito prévio da coisa, a atual redação do art. 736 do CPC não mais 
exige qualquer condição para a apresentação dos embargos, motivo pelo qual considera-se 
implicitamente revogada a primeira norma. O depósito deve ser considerado apenas como 
uma das condições para a concessão de efeito suspensivo aos embargos (CPC, art. 739-A, § 1º). 
Porém, válida deve ser considera a restrição constante do art. 623 do CPC, que impede o 
levantamento da coisa depositada antes do julgamento dos embargos. 
Caso o devedor não entregue ou deposite a coisa, expedir-se-á em favor do 
exequente mandado de imissão na posse ou de busca e apreensão, conforme se tratar de 
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imóvel ou de móvel (CPC, art. 625). A coisa poderá ser apreendida ainda que estiver na posse 
de terceiro, que a tenha adquirido no curso do processo. 
Não sendo encontrada a coisa, ou tendo ela sido totalmente deteriorada, o credor 
terá direito de receber o seu equivalente em dinheiro, além de perdas e danos, os quais serão 
apurados em liquidação incidental a ser formada, bem como exigidos no mesmo feito. 
Com relação ao direito de retenção pela realização de benfeitorias no bem, 
poderá ser alegado pelo executado nos embargos a serem opostos no prazo de quinze dias 
contados da juntada aos autos do mandado de citação. Estes embargos costumam ser 
chamados de “embargos de retenção”. 
Nos embargos, é facultado ao exequente requerer a compensação do valor das 
benfeitorias feitas pelo executado com o valor dos frutos ou danos devidos por ele, cumprindo 
ao juiz, para a apuração dos respectivos valores, nomear perito, fixando-lhe breve prazo para 
entrega do laudo. Se necessário, o juiz determinará seja feita liquidação prévia das benfeitorias 
para apurar seu valor. Dependendo do valor das benfeitorias ou do valor dos frutos ou danos 
causados pelo executado, poderá haver saldo tanto em favor do exequente como em favor do 
executado. Neste último caso, ao exequente só é permitido levantar a coisa entregue 
mediante o depósito da diferença relativa às benfeitorias que é obrigado a pagar; porém, se 
prestar caução ou depositar o valor devido pelas benfeitorias, será imitido desde logo na 
posse, não sendo necessário aguardar o trânsito em julgado dos embargos (CPC, art. 745, §2º). 
Ficando, por outro lado, com saldo em seu favor, poderá o exequente cobrá-lo nos mesmos 
autos. 
Com relação às obrigações de entregar coisa definidas em título executivo 
judicial, considerando que não se formará processo ou fase de execução, já que a satisfação 
da obrigação observará o procedimento do art. 461-A do CPC, o direito de retenção deverá 
ser alegado e provado no próprio processo de conhecimento, pois não haverá possibilidade 
de se opor embargos posteriormente. 
 
3) Execução para entrega de coisa incerta 
A coisa incerta é aquela determinada apenas pelo gênero e quantidade. 
Havendo indefinição quanto à qualidade da coisa, necessário que se proceda à prévia 
individualização antes de se praticar qualquer ato executivo. 
A forma desta individualização está regulada nos artigos 629 e 630 do CPC. 
A primeira coisa que devemos observar é se a escolha do bem caberá ao 
devedor ou ao credor. Se couber ao credor, a escolha deverá constar da própria petição 
inicial da execução, de modo a possibilitar a citação do executado para entregar o bem já 
devidamente individualizado. 
Cabendo, porém, a individualização ao devedor, este deverá ser citado para 
entregar o bem que escolher. 
Qualquer das partes ainda poderá impugnar a escolha feita pela parte 
contrária no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, devendo o juiz decidir em seguida e, se 
necessário, nomear perito para auxiliá-lo (CPC, art. 630). 
Feita a escolha por qualquer das partes, a execução passará a seguir o rito da 
execução para entrega de coisa certa. 
 
EXECUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER E NÃO FAZER 
 
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1) Procedimento das execuções das obrigações de fazer, fungíveis e não fungíveis 
Somente os títulos executivos extrajudiciais podem embasar uma ação de 
execução autônoma de obrigação de fazer ou não fazer. Os títulos executivos judiciais que 
prevêem esta obrigação, por sua vez, devem ser cumpridos da forma como previsto no art. 
461 do CPC. 
Na execução dos títulos executivos extrajudicias que estabelecem obrigação de 
fazer, o devedor será citado para satisfazer a obrigação no prazo fixado pelo juiz ao despachar 
a inicial, se outro não estiver determinado no título executivo. 
Neste despacho inicial, poderá o juiz fixar multa por dia de atraso no 
cumprimento da obrigação (CPC, art. 645), como meio de coerção, multa esta que, se tornar-
se excessiva, poderá ser reduzida pelo juiz. Embora o art. 645, parágrafo único, do CPC, não 
contenha esta previsão, a multa poderá também ser majorada, se mostrar-se insuficiente, 
aplicando-se analogicamente o disposto no art. 461, § 6º, do CPC. 
Não sendo adimplida a obrigação de fazer pelo devedor no prazo fixado, terá o 
credor, em se tratando de prestação fungível, duas escolhas: poderá pleitear seja a obrigação 
cumprida por terceiro, à custa do devedor (se fungível for a prestação), ou poderá requerer a 
conversão da obrigação em indenização pelas perdas e danos causados com o 
inadimplemento, a qual deverá ser apurada em liquidação incidente à própria execução (CPC, 
art. 633). Tratando-se, porém, de prestação não fungível, ou seja, aquela que o devedor deva 
fazê-la pessoalmente, no caso de seu descumprimento só resta ao credor requerer sua 
conversão em indenização por perdas e danos. 
Sendo prestado o fato pelo executado, o exequente será ouvido no prazo de 10 
(dez) dias; não apresentada qualquer impugnação, o juiz declarará cumprida a