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protelatório do réu ou pela falta de contestação de pedido formulado em cumulação de ações. 
 A principal diferença, contudo, é quanto à verossimilhança da alegação que se reclama na 
antecipação da tutela em comparação com o “fummus boni iuris”. A verossimilhança da alegação é a 
análise do provável êxito do autor. É um juízo que é feito quanto à procedência do pedido. O juiz 
considera se o autor ganhará a causa ou não. O “fummus boni iuris” é menos que isso. Não interessa, 
nesse ponto, se o autor pode ganhar a causa principal. O que importa é que haja um processo principal a 
ser tutelado. 
Na antecipação, diferentemente do que ocorre na cautelar, o autor passa a usufruir o bem pretendido na 
ação como se já tivesse sido o vitorioso no processo. Na técnica processual se diz que a antecipação é 
satisfativa e que a cautelar é apenas preventiva. 
Em suma, a tutela cautelar apenas assegura uma pretensão, enquanto a tutela antecipada realiza, de 
imediato, tal pretensão (noutros termos, o perigo à integridade do processo requer a atuação cautelar; se 
o perigo de lesão se referir à pessoa, deverá entrar em cena a tutela antecipada). 
 
Como às vezes, do ponto de vista prático, é difícil se distinguir tais medidas, o legislador, por meio da lei 
10.444 de 2002, instituiu a fungibilidade entre tais medidas, permitindo o deferimento de medida cautelar 
incidental quando, a despeito de postulada sob a epígrafe de tutela antecipada, preencher os requisitos 
de medida cautelar. 
 
 
APOSTILA DA OAB 2ª FASE- PARTE I 
Profª SABRINA DOURADO 
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mesmo regras de competência absoluta, hipóteses em que, não se aplicará o critério da 
prevenção. 
 
b) Segundo Grau 
 
Será dos Tribunais a competência para as cautelares propostas depois de proferida a sentença. 
Entretanto, em situações de urgência em que já há sentença, mas o processo ainda não subiu 
ao tribunal, parte da doutrina sustenta a possibilidade de se pedir a medida cautelar ao juiz de 
primeira instância, mas a questão é deveras polêmica. 
 
c) Demais Instâncias 
 
A mesma diretriz lógica que se aplica aos processos em segundo grau vale para as cautelares 
propostas depois que o tribunal já julgou o recurso, ou seja, a competência para o ajuizamento 
das cautelares passa a ser a do tribunal superior competente para o recurso seguinte, ou seja, 
STJ para recurso especial, e STF para recurso extraordinário. Contudo, deve-se destacar que, o 
STF tem duas Súmulas afirmando que a medida cautelar, enquanto ainda não admitido o 
recurso extraordinário, deve ser proposta perante o tribunal de origem. 
 
2. Requisitos da Petição Inicial do Procedimento Cautelar Genérico 
 
Na petição inicial deve a parte descrever o direito ameaçado (fumus boni iuris) e o receio de 
lesão (periculum in mora). Deverá, ainda, haver a indicação da autoridade judiciária, a que for 
dirigida; do nome, do estado civil, da profissão e da residência do requerente e do requerido, 
da lide e seu fundamento. Também é imprescindível que se indique as provas que serão 
produzidas. 
 
3. Audiência de Justificação 
 
Trata-se de audiência unilateral, em que só o autor e suas testemunhas são ouvidos, no caso 
de a prova documental não ter sido suficiente para convencer o juiz do fumus do autor, o que 
se dá ainda que não tenha havido a citação da outra parte, podendo ser meio que antecede a 
concessão de cautelar inaudita altera parte. 
 
4. Liminar 
 
É possível, ainda, que haja requerimento de liminar, para concessão de medida sem a 
realização de audiência de justificação prévia. Importante observar, que a liminar que se 
requer em um processo cautelar tem natureza jurídica de tutela antecipada, pois ela 
simplesmente visa à antecipação o pedido principal realizado na inicial e, se concedida, será 
simplesmente substituída pela sentença cautelar final (como reflexo de sua provisoriedade, e 
não de temporariedade, que é característica inerente somente às medidas de natureza 
cautelar). Ademais, se preenchidos todos os pressupostos, a liminar pode ser deferida inaudita 
altera parte, ou seja, antes que seja ouvida a outra parte, isto é, antes da citação. 
 
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Ponto importante é o trazido pelo art. 799 do CPC. Segundo sua norma, poderá o juiz, para 
evitar o dano, autorizar ou vedar a prática de determinados atos, ordenar a guarda judicial de 
pessoas e depósito de bens e impor a prestação de caução. É o que se chama de “Poder Geral 
de Cautela”. Valendo-se dele, o juiz pode conceder liminarmente ou após justificação prévia a 
medida cautelar, sem ouvir o réu, quando verificar que este, sendo citado, poderá torná-la 
ineficaz; caso em que poderá determinar que o requerente preste caução real ou fidejussória 
afim de ressarcir os danos que o requerido possa vir a sofrer. Ademais, além de poder 
conceder cautelares sem audiência de justificação, ou ainda sem a audiência/citação da outra 
parte, pode o juiz fazer isso de ofício, em situações excepcionais. 
 
 
5. Citação e Defesa do Réu, e Audiência de Instrução e Julgamento 
 
O réu será citado e terá o prazo de 5 (cinco) dias para defender-se, a contar da juntada aos 
autos do mandado citatório ou da execução da liminar. Não sendo contestado o pedido, 
presumir-se-ão aceitos pelo requerido, como verdadeiros, os fatos alegados pelo requerente; 
caso em que o juiz decidirá dentro de 5 (cinco) dias. Já se o requerido contestar no prazo legal, 
o juiz designará audiência de instrução e julgamento, havendo prova a ser nela produzida. 
 
6. Sentença 
 
A decisão final no processo cautelar opera a preclusão consumativa, não podendo mais ser 
alterada pelo juiz, só podendo ser modificada por recurso de apelação. Ressalte-se que, se 
houver concessão de medida liminarmente, ou seja, por meio de decisão interlocutória, ela 
poderá ser alterada pelo juiz a qualquer tempo, ou por meio de recurso de agravo (de 
instrumento). Esgotados os recursos, a sentença do processo cautelar fará coisa julgada 
formal. É importante que se lembre do conteúdo do Art. 810 do CPC, que autoriza ao juiz 
entregar tutela satisfativa pelo proferimento de decisão que reconheça a prescrição ou 
decadência do direito objeto do processo principal, hipótese em que haverá a formação de 
coisa julgada material. 
 
 
VII. Eficácia da Tutela Concedida no Processo Cautelar e Responsabilidade do Requerente 
 
 
Efetivada a medida preparatória, começa a correr o prazo decadencial de 30 dias para que a 
ação principal seja intentada sob a proteção da eficácia da medida deferida no processo 
cautelar (Art. 806 do CPC). Todavia, em se tratando das medidas cuja efetivação o autor não 
fica automaticamente ciente, como, por exemplo, o seqüestro de um bem que se encontra em 
outra comarca, haverá de ser de tal cientificado para que tenha início a contagem do prazo de 
30 dias. Escoado o prazo de 30 dias, cessa a eficácia da tutela concedida, e a mesma ação 
cautelar não mais poderá ser proposta. Cessará, ainda, a eficácia da medida cautelar, se não 
for executada dentro de 30 (trinta) dias (salvo se a demora for imputada à máquina judicial); 
ou se o juiz declarar extinto o processo principal, com ou sem julgamento do mérito. Ressalte-
se que, se por qualquer motivo cessar a medida, é defeso à parte repetir o pedido, salvo por 
novo fundamento. 
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Por fim, deve-se destacar que o requerente de uma cautelar tem responsabilidade objetiva 
relativamente aos danos causados ao requerido caso não tenha o direito que desde o início 
afirmou ter. 
 
 
 A proibição de renovação da medida que perdeu a eficácia. 
 
 A medida