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do valor da pensão 
alimentícia, e a causa de pedir , isto é, o fato jurídico que dá arrimo ao pedido, como nas ações 
com fundamento no mesmo contrato ou no mesmo fato, um acidente, por exemplo. A 
continência, que é uma espécie de conexão, segundo o art. 104 do CPC dá-se entre duas ou 
mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de 
uma, por ser mais amplo, abrange o das outras, como por exemplo nas ações entre as mesmas 
pessoas, relativas a um contrato de mútuo , sendo que em uma delas cobra-se uma prestação; 
na outra, cobra-se todo o valor do mútuo. 
APOSTILA DA OAB 2ª FASE- PARTE I 
Profª SABRINA DOURADO 
Coord. CRISTIANO SOBRAL 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | (81) 3035 0105 
 
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PREVENÇÃO 
 
Prevenção é um critério de confirmação e manutenção da competência do juiz que conheceu 
a causa em primeiro lugar, perpetuando a sua jurisdição e excluindo possíveis competências 
concorrentes de outros juízos. 
Por se tratar de matéria de ordem pública, não se sujeita à preclusão, podendo ser alegada a 
qualquer tempo. Sendo juízes de mesma competência territorial, considerar-se-á prevento o 
que despachou em primeiro lugar (CPC, arts. 106 e 263), e sendo de competência territorial 
diversa (comarcas distintas), considerar-se-á prevento o juiz do processo que realizou a citação 
em primeiro lugar (CPC, art. 219). 
Entretanto, essa reunião só será possível se não ocorrer hipótese de competência absoluta dos 
órgãos julgadores e se as ações ainda estiverem pendentes de julgamento, tramitando no 
mesmo grau de jurisdição. 
 
 
EM SUMA: 
 
Vai unir no juízo prevento, o que decide o juízo prevento é a citação válida, conforme o art. 
219 do CPC. 
 
“Art. 219. A citação válida torna prevento o juízo, 
induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda 
quando ordenada por juiz incompetente, constitui 
em mora o devedor e interrompe a prescrição. 
§ 1o A interrupção da prescrição retroagirá à data 
da propositura da ação. 
§ 2o Incumbe à parte promover a citação do réu 
nos 10 (dez) dias subseqüentes ao despacho que a 
ordenar, não ficando prejudicada pela demora 
imputável exclusivamente ao serviço judiciário. 
§ 3o Não sendo citado o réu, o juiz prorrogará o 
prazo até o máximo de 90 (noventa) dias. 
§ 4o Não se efetuando a citação nos prazos 
mencionados nos parágrafos antecedentes, haver-
se-á por não interrompida a prescrição. 
§ 5o O juiz pronunciará, de ofício, a prescrição. 
§ 6o Passada em julgado a sentença, a que se refere 
o parágrafo anterior, o escrivão comunicará ao réu 
o resultado do julgamento.” 
 
O art. 106 do CPC traz uma exceção a regra da citação válida, que é quando as ações conexas 
encontram-se na mesma competência territorial(mesma comarca), no caso em tela a 
competência será de quem primeiro despachou. 
 
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“Art. 106. Correndo em separado ações conexas 
perante juízes que têm a mesma competência 
territorial, considera-se prevento aquele que 
despachou em primeiro lugar.” 
 
Em resumo, mesma comarca: quem despachou primeiro; e comarca diferentes: primeira 
citação válida. 
 
 
 
 
 
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: 
 
A incompetência relativa não pode ser declarada de oficio pelo juiz (compete ao réu levantar a 
questão, através de peça em separado, chamada exceção de incompetência), salvo, segundo o 
parágrafo único do art. 112 do CPC, acrescentado pela Lei nº 11.280, de fevereiro de 2006, nos 
casos que envolvam litígios que tenham arrimo em contratos de adesão, vez que neste caso é 
licito ao juiz ex officio reconhecer a nulidade da cláusula de eleição de foro e declinar de sua 
competência para o juízo de domicilio do réu. 
 
CONFLITO DE COMPETÊNCIA 
 
A questão da competência ou incompetência também pode ser levantada por um outro 
procedimento próprio, denominado conflito de competência, regulado nos arts. 115 a 124 do 
CPC. O conflito pode ser suscitado por qualquer das partes, pelo Ministério Público ou pelo juiz 
(art. 116), e é decido pelo tribunal que designa qual juiz é o competente para decidir o conflito, 
pronunciando-se sobre a validade dos atos praticados pelo incompetente (art. 122). 
 
Instaura-se mediante petição dirigida ao presidente do tribunal, instruída com os documentos 
que comprovem o conflito, ouvindo o relator, com a distribuição, os juízes em conflito. 
Sobrestará o processo, caso o conflito seja positivo; se o conflito for negativo, o 
sobrestamento não será necessário, pois não haverá juízo praticando atos processuais. Deverá 
ainda o relator designar um juiz para solucionar as questões urgentes. 
 
Assim, há conflito de competência quando dois ou mais juízes se declaram competentes 
(conflito positivo) ou incompetentes (conflito negativo) e também no caso de controvérsia 
sobre reunião ou separação de processos (CPC, art. 115, I, II e III). 
 
O conflito entre autoridade judiciária e autoridade administrativa, ou só entre autoridades 
administrativas, chama-se conflito de atribuições e não conflito de competência. 
 
CONCEITO DE DEMANDA 
 
Demanda é a pretensão levada a juízo. É aquilo que se vai buscar ao judiciário, o que se almeja 
perante o juízo. É um direito subjetivo que é instrumentalizado através da petição inicial. 
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ELEMENTOS DA AÇÃO 
 
PARTES 
CAUSA DE PEDIR 
PEDIDO 
 
 
 
 
 
 
AS CONDIÇÕES DA AÇÃO 
 
O direito de ação é autônomo e incondicional, conforme já se viu; todavia para que a parte 
possa obter um pronunciamento judicial quanto ao mérito do seu pedido no chamado “direito 
processual de ação”, é necessária a presença das seguintes condições: interesse processual, 
legitimidade das partes, possibilidade jurídica do pedido. Entretanto, estas condições não 
impedem que o autor ajuíze a ação, que, enquanto direito, é incondicional, mas representam 
requisitos impostos ao autor para que este consiga um pronunciamento quanto ao mérito do 
seu pedido. 
 
Assim, faltando qualquer dessas condições, o autor será declarado carecedor de ação, 
extinguindo-se o feito sem julgamento de mérito (art. 267, VI, CPC). Como se disse 
anteriormente, não se nega ao individuo acesso ao Poder Judiciário, uma vez que é o juiz que, 
por sentença, declara eventualmente o litigante carecedor de ação; o que se nega, repita-se, é 
a possibilidade de que o Estado-juiz venha a conhecer do pedido, porque não estão presentes 
aspectos fundamentais de viabilidade do processo. 
 
 
Interesse processual ou interesse de agir 
 
Como vimos, a ação visa obter uma providência jurisdicional quanto a uma pretensão e, 
quanto a um bem jurídico pretendido pelo autor. Assim, há na ação, como seu objeto, um 
interesse de direito substancial, consistente no bem jurídico, material ou incorpóreo, 
pretendido pelo autor, cognominado interesse primário. 
 
Todavia, há outro interesse que move a ação - o interesse na obtenção de uma providência 
jurisdicional quanto àquele interesse, ou seja, há o interesse de agir, de reclamar a atividade 
jurisdicional do Estado, para que este tutele o interesse primário ou direito material. 
 
Profere-se que o interesse de agir é um interesse secundário, instrumental, subsidiário, de 
natureza processual, consistente na necessidade de obter uma providência jurisdicional para 
alcançar o resultado útil previsto no ordenamento jurídico em seu benefício. Para tanto, é 
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preciso que em cada caso concreto, a prestação jurisdicional solicitada seja necessária e 
adequada. 
 
O interesse processual se traduz