A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
sistemas processuais penais

Pré-visualização | Página 1 de 1

1 DIREITO PROCESSUAL PENAL 
Sistemas Processuais Penais 
 
1. Sistema Inquisitorial: 
 
Sistema onde há a concentração do poder nas mãos do Juiz, sendo que este investiga, 
realiza a colheita de provas, acusa, defende e julga – é o “tudo em um”. Neste sistema, 
o juiz é o protagonista das provas, pois ele próprio as produz. 
Neste sistema, forma-se o quadro mental paranoico, conforme Jacinto Nelson de 
Miranda Coutinho, já que, ex officio, o juiz determinava a abertura de um processo e 
então, colhia as provas, a fim de que sustentasse o que ele próprio já decidira no início 
do processo, o que já se tinha como verdadeiro. 
À época, inexiste o contraditório, e a verdade real, era produzida literalmente a toda 
prova, sendo que muitas vezes, o acusado era forçado a confessar a prática do delito, a 
fim de evitar torturas. O réu era um mero objeto, desprovido de qualquer direito. 
O sistema inquisitorial é próprio de Estados absolutistas, onde há total controle do 
Estado sobre a vida das pessoas, tanto é que o próprio nome remonta à inquisição – 
punição rápida por parte do Estado. 
 
2. Sistema Acusatório: 
 
Trata-se do sistema em que nos deparamos com a separação das funções e dos poderes, 
e para exemplificar, imaginamos uma pirâmide – o juiz, no topo da pirâmide, está 
distante das partes, não exercendo qualquer tipo de controle sobre elas. As partes 
produzem livremente as provas a fim de fundamentar suas alegações – lembrem-se que 
no direito, existem as provas ilícitas, não admitidas em juízo – sendo que na base da 
pirâmide, na mesma “linha”, estão a acusação e na outra ponta, o réu e a sua defesa, 
ambos em igualdade – paridade de armas e forças. 
Neste sistema, o réu é sujeito de direitos, como por exemplo, o direito de permanecer 
em silencio e de não produzir provas contra si. A verdade deixa de ser “a verdade a toda 
prova” e torna-se a verdade possível, extraída dos depoimentos e outras provas 
 
 
2 DIREITO PROCESSUAL PENAL 
livremente produzidas pelas partes, sendo mister ressaltar aqui de que o ônus da prova 
é de quem acusa, logo, o réu não tem que produzir – em regra! – provas para alegar sua 
inocência, mas pode contradizer e se defender das provas contra ele produzidas e das 
imputações feitas a ele – princípios do contraditório e da ampla defesa. 
 
3. Sistema misto ou francês: 
 
Neste sistema, temos um misto entre o sistema inquisitivo e o acusatório, sendo que 
aquele seria característica da primeira fase do processo e o outro, a segunda fase, o qual 
teria sido proposto em meados de 1808, para equilibrar os dois sistemas vigentes 
anteriormente. 
 
 
Feitas as apresentações dos sistemas, fica a pergunta: e qual o sistema adotado no 
Brasil? 
O Artigo 3-A do Código de Processo Penal te dá a resposta: 
 
Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase 
de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação. 
 
E vamos além, não se trata de um sistema acusatório puro, mas mitigado, tendo em 
vista que alguns artigos ainda trazem resquícios do sistema inquisitivo: 
 
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer; mas o juiz poderá, no curso da 
instrução ou antes de proferir sentença, determinar, de ofício, diligências para dirimir 
dúvida sobre ponto relevante. 
 
Artigo 385. Nos crimes de ação pública, o juiz poderá proferir sentença condenatória, 
ainda que o Ministério Público tenha opinado pela absolvição, bem como reconhecer 
agravantes, embora nenhuma tenha sido alegada. 
 
 
3 DIREITO PROCESSUAL PENAL 
Para a doutrina, há grande discussão acerca do tema, e para os que adotam a corrente 
de que o sistema adotado no Brasil é o acusatório, os artigos acima elencados estariam 
tacitamente revogados – já a outra corrente, entende, conforme já exposto, de que não 
se trata de um sistema acusatório puro, mas mitigado, e que os referidos artigos não 
teriam sido revogados (majoritária).

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.