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1 Ana Inês Aguiar – MEDICINA, UNIFACS .DPOC. Clinica Integrada 1 AGENTES NOCIVOS: EX, cigarro. Inflamação da DPOC é uma inflamação de linfócitos T CD8+, macrófagos e neutrófilos. Asma reversível, mas a DPOC é menos reversível / irreversível? DEFINIÇÃO: o Doença comum, prevenível e tratável; - prevenir principalmente com o abandono do cigarro. o Caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação ao fluxo de ar; o Anormalidades de alvéolos e vias aéreas (brônquios); o Exposição significativa a partículas ou gases tóxicos. o Doença de vias aéreas de pequeno calibre (bronquite) + doença parenquimatosa (destruição alveolar – enfisema) + Hipertensão pulmonar. o A contribuição relativa de cada um desses componentes varia de paciente para paciente. FATORES DE RISCO: o Tabagismo; o Fumaça de lenha; o Exposição ocupacional; 2 Ana Inês Aguiar – MEDICINA, UNIFACS o Infecções respiratórias graves na infância; o Irritantes químicos. FIOPATOLOGIA: : Agentes nocivos => estimulam macrófagos alveolares => recrutamento de neutrófilos => inflamação, hipertrofia e hiperplasia das glândulas produtoras de muco, hipertrofia dos MM lisos, destruição parcial da cartilagem brônquica e fibrose => obstrução por inflamação, muco e fibrose (substituição por tecido funcional por tecido cicatrizado). FIBROSE (epitélio pseudo estratificado cilíndrico ciliado => por tecido mais resistente) vai acabar perdendo os cílios que impura o muco para fora. O muco fica retido causando TOSSE. A tosse é a característica mais marcante da DPOC. : ELASTASE é a enzima que destrói / digere a parede alveolar. Alfa 1 antitripsina inibe a Elastase. 3 Ana Inês Aguiar – MEDICINA, UNIFACS : Hipoxia crônica => vasoconstrição arteriolar => remodelação vascular com aumento da musculatura lisa medial, fibrose da intima e destruição do leito capilar => aumento da resistência vascular pulmonar Algumas vezes essa hipertensão pulmonar afeta o ventrículo direito causando cor pulmonale. COR PULMONALE é causado pela DPOC. DPOC com cor pulmonale parece muito com insuficiência cardíaca congestiva. COMPONENTES CLÍNICOS: o Bronquite crônica; Tosse produtiva por 3 meses em pelo menos 2 anos consecutivos; Definição arbitraria, mais muito usada. o Enfisema; Termo patológico que descreve algumas das mudanças estruturais associadas à DPOC. o Asma; Componente de broncoespasmo reversível; Comum a vários pacientes. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: o Enfisematoso X brônquico; o Conceito clássico, mas sem aplicabilidade real; o Mistura de sintomas; o Predomínio de um dos padrões e possível. 4 Ana Inês Aguiar – MEDICINA, UNIFACS o Dispneia; Limitação progressiva a atividades físicas; Percebida como “cansaço”; Muitas vezes não chama atenção do paciente. o Tosse crônica – 3 messes por 2 anos. o Produção de escarro (tosse, pigarro) o Sibilância – sinal obstrutivo de vias aeres (irreversível ou componente de asma). MANIFESTAÇÃO – DOENÇA AVANÇADA: o Respiração com lábios semicerrados; o Uso de musculatura acessória; o Posição do tripé; o Sinais de síndrome de hiperinsuflação; o Sinais de ICC (direita); o Baqueteamento digital. ANAMNESE: o Manifestações clinicas; o Fatores de risco; o Investigar sinais de complicações (cardiovascular/ oncológicas) PADRÕES COMUNS DE APRESENTAÇÃO: o Paciente muito sedentário e com poucos sintomas aparentes; Questionamento cuidadoso. Ajuste inconsciente do estilo de vida o Paciente com sintomas respiratórios; Dispneia e tosse crônica Dispneia progressiva Tosse produtiva (pior pela manhã) o Paciente que cura com episódios de piora sintomática, com melhora entre os episódios; o Alguns apresentam ganho de peso (sedentarismo); o Perda ponderal; Dispneia ao comer Taquipneia o Perda de peso geralmente indica doença mais avançada; É a perda de peso que não é intencional. 10% do peso corporal em 6 messes. 5 Ana Inês Aguiar – MEDICINA, UNIFACS EXAME FÍSICO: o No inicio pode ser normal; o Prolongamento do tempo expiratório e sibilos; o Sinais de hiperinsuflação; o Redução de MV (murmúrio vesicular – principalmente no enfisematoso), presença de crépitos, sibilos, bulhas Hipofonéticas (atenção para hiperfonese de B2P); o Posição do tripé, uso de musculatura acessória, cianose, sinais de falência de coração direito. o Conformação do tórax; - tórax em barril ou tonel. o Expansibilidade; - diminuída. o Palpação; frêmito toracovocal diminuído. (no brônquico crônico se tiver muita secreção pode estar aumentado). o Percussão; - enfisematoso hipertimpanismo e o brônquico pouco. o Ausculta. – ronco, sibilo e crepito. AVALIAÇÃO INICIAL: o Pensar em DPOC se dispneia, tosse crônica, produção de escarro; o Declínio gradual e progressivo nas atividades; o Fatores de risco; o Espirometria, laboratório e imagem. ESPIROMETRIA: o Fundamental para o diagnóstico; (espirometria com prova de broncodilatador). o Determinar obstrução ao fluxo respiratório, sem resposta à prova broncodilatadora; - quando o paciente responde a prova significa que deve usar o broncodilatador. o Medidas mais importantes (VEF1 e CVF); o Quanto pior a espirometria quer dizer que o paciente está mais obstruído mais grave. o Mede o fluxo de ar no tempo. LABORATÓRIO: o Não existe nenhuma alteração laboratorial diagnostica especifica; o Avaliar anemia; - pois a anemia na DPOC é mais grave, tem policitemia. o BNP ou pro-BNP; o Glicemia, função renal, eletrólitos, tireoide; o Gasometria arterial (hipoxemia, hipercalemia, alcalose metabólica). 6 Ana Inês Aguiar – MEDICINA, UNIFACS IMAGEM – RX DE TÓRAX: o Não é necessária para o diagnóstico; o Exacerbação, comorbidades, complicações, diagnósticos alternativos; o Sensibilidade baixa para DPOC; o Apenas 50% com alterações significativas. IMAGEM – TC DE TÓRAX: o Maior sensibilidade e especificidade para enfisema; o Não é necessário para o diagnóstico; o Complicações, diagnósticos alternativos, avaliação de cirurgia. DIAGNÓSTICO: o Sintomas + fator de risco (avaliar TODOS); o Espirometria VEF1 / CVF < 0,7 e VEF1 < 80% do previsto para idade; Sem resposta à prova broncodilatadora. o Ausência de outra explicação para os sintomas APÓS CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA: o Determinar o nível de limitação ao fluxo aéreo; o Impacto na saúde do paciente; o Risco de eventos futuros (exacerbações, internamentos, mortes); o Estadiamento. – Classificação de GOLD. 7 Ana Inês Aguiar – MEDICINA, UNIFACS ESTADIAMENTO: o Múltiplos fatores a considerar; o Presença e gravidade de alterações espirométricas; o Natureza e magnitude dos sintomas atuais do paciente; o Passado e risco futuro de exacerbações; o Presença de comorbidades. AVALIANDO EXARCERBAÇÕES: o Piora aguda dos sintomas respiratórios que resulta em terapia adicional; o Exacerbador frequente (duas ou mais por ano); o Principalfator de risco: exacerbação previa. AVALIANDO COMORBIDADES: o Doença cardiovascular; - HAS, angina. o Disfunção muscular e esquelética; o Síndrome metabólica; o Osteoporose; o Depressão / ansiedade; o Câncer de pulmão. 8 Ana Inês Aguiar – MEDICINA, UNIFACS : OBJETIVOS DO TRATAMENTO ESTAVEL o Avaliar sintomas; o Melhorar tolerância aos exercícios; o Melhora status de saúde; o Prevenir progressão de doença; o Prevenir e tratar exacerbações; o Reduzir mortalidade. CONCEITOS GERAIS: o Interromper tabagismo; o Terapia farmacológica – reduz sintomas, exacerbações e melhora qualidade de vida; Individualizada Gravidade dos sintomas, risco de exacerbações, efeitos colaterais, comorbidades, disponibilidade e custo, resposta, preferencia; o Vacinação – gripe, pneumonia e coronavírus. o Reabilitação pulmonar; o Oxigenoterapia; o Ventilação não invasiva domiciliar; o Intervenções cirúrgicas. TERAPIA FARMACOLOGICA – BRONCODILATADORES: o Beta 2- agonistas: curta ação (SABA) e longa ação (LABA); o Antimuscarínicos / anticolinérgicos: curta ação (SAMA) e longa ação (LAMA); - O QUE MAIS USA o Metilxantinas – efeito controverso. 9 Ana Inês Aguiar – MEDICINA, UNIFACS TERAPIA FARMACOLOGICA – ANTIFLAMATÓRIOS: o Corticóides inalatórios (CI); o Inibidores seletivos de fosfodiesterase 4 (roflumilaste); o Antibióticos profiláticos (presença de bactérias >>> inflamação crônica); o Mucorreguladores e antioxidantes (N-acetilcisteína). MANEJO: o Broncodilatador de curta SOS para todos; o GRUPO A (poucos sintomas, não exacerbadores); Broncodilatador (curta ou longa) o GRUPO B (mais sintomas, não exacerbadores); Broncodilatador de longa ação Terapia dupla com dispneia muito importante o GRUPO C (exacerbadores pouco sintomáticos); Monoterapia com broncodilatador de longa ação LAMAs se mostraram superiores o GRUPO D (exacerbação muito sintomáticos) Considerar monoterapia com LAMA Se muito sintomático: inibir com LABA/ LAMA Se asma / eosinofilia: LABA / CI (risco de pneumonia) 10 Ana Inês Aguiar – MEDICINA, UNIFACS FOLLOW UP: o Se boa resposta ao tratamento inicial – manter o Se resposta inadequada: Manutenção da dispneia ou por exacerbações? Escalonar. SUPLEMENTAÇÃO DE OXIGENIO: o Hipoxia crômica; PaO2 < 55mmHg ou SATO2 menor ou igual a 88% PaO2 > 55mmHg, mas < 60mmHg com sinais de IC direita ou eritrocitose o Manter SatO2 maior ou igual a 90% o Reavaliar. EXACERBAÇÃO DA DPOC: o Piora aguda dos sintomas respiratórios, necessitando de terapia adicional; o Infecções respiratórias; o Embolia pulmonar, pneumotórax, IC; o Impacto negativo na qualidade de vida e prognóstico. LEVES: o Tratadas apenas com broncodilatador de curta; MODERADA: o ATB e/ou corticoides orais; GRAVES: o Hospitalização / ida à emergência.