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conceito de morte e estudo de transplantes

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Morte e Estudo de Transplantes
Gabriella R. Oliveira – Ética e Bioética – 4º período 
CONCEITUAÇÃO DA MORTE
a morte não é a ausência de vida e sim a sua interrupção definitiva. Só se pode falar em morte onde deixou de haver vida. No dizer onde começa a morte da vida inicia-se a vida da morte. Mas, conceituar a morte deriva diretamente do quase entende por vida. São dois estados que se excluem mutuamente - estar vivo e estar morto-, sem que caiba um meio termo. Definido um, estará conceituado o outro como um contrário. 
MORTE CELULAR
A célula viva assemelha-se a uma fábrica. Recebe energia do exterior; tem equipamentos para a utilização e transformação dessa energia; possui uma via de entrada de insumos básicos, uma linha de produção e um sistema de exportação de produtos acabados. Diz-se que está viva enquanto o fluxo de entrada e saída de produtos e a utilização da energia para que isso aconteça não se interrompem. Há uma divisão de tarefas dentro de uma célula, de modo a podermos identificar três setores principais responsáveis pela manutenção da vida: membrana celular; metabolismo energético e síntese de proteína. A membrana é o setor de controle do que entra e do que deve sair da célula para o exterior e a célula viva precisa absorver nutrientes e oxigênio para poder funcionar e eliminar as substâncias nocivas que são geradas pelo metabolismo. Os nutrientes são os glicídios, os lipídios e as proteínas. A queima dos glicídios produz a maior parte da energia de que a célula precisa para lidar com as outras substâncias, principalmente as de natureza proteica. Na presença de teor adequado de oxigênio, essa queima produz quantidade suficiente de energia para mover todo o metabolismo celular. Na falta de oxigênio, a queima é incompleta e sobram produtos tóxicos, de modo semelhante ao que ocorre com um motor a explosão desregulado, que acaba por se prejudicar pelos resíduos da combustão parcial. Há uma hierarquia dos vários tipos celulares quanto à resistência à hipoxia. Os menos resistentes são os neurônios. Os neurônios do córtex cerebral resistem por apenas três a sete minutos após uma parada cardíaca. Outras células são capazes de resistir muito à privação de oxigênio. Há um teste para determinação da hora da morte do indivíduo que se baseia na manutenção da excitabilidade das fibras musculares
esqueléticas. É possível provocar contração muscular no cadáver depois de várias horas. Fibroblastos da pele ainda
podem ser cultivados em meio artificial cerca de 24 horas após a morte do indivíduo, A integridade da membrana celular é indispensável para manter sua função de vigia da porta da fábrica. Sua estrutura bioquímica é formada por associação de proteínas com lipídios especiais de tal modo arrumados que se comunicam com o citoesqueleto, um conjunto de microtúbulos de natureza proteica e que dão sustentação aos elementos celulares. Esses túbulos têm que ser renovados a partir das proteínas celulares, tarefa que depende da energia produzida pela queima dos nutrientes dentro da célula. A essa integração de funções celulares é que podemos chamar vida. Célula viva é a que mantém a produção de energia, utilizando-a para sintetizar tanto os seus próprios constituintes como substâncias destinadas à exportação. A célula morta é aquela em que essas funções não estão mais integradas. Para que se atinja e se ultrapasse o limite entre a vida e a morte celular, é preciso que o estímulo nocivo - a agressão - tenha intensidade e duração suficientes para romper o equilíbrio baseado naquele tripé funcional (membrana celular, metabolismo energético e síntese proteica). O ponto de partida da agressão pode-se assestar em qualquer das suas vertentes. Assim, há agentes que matam a célula bloqueando seu sistema energético, ex: a privação de oxigênio e a intoxicação pelo cianeto. É bem mais fácil explicar o mecanismo da cessação dos fenômenos vitais celulares do que estabelecer o exato acontecimento em que unia agressão ultrapassa o ponto de não-retorno, aquele com que o desarranjo bioquímico, e portanto funcional, se torna irreversível. Na sequência de eventos, primeiro vem a alteração bioquímica de uma das três funções, depois o comprometimento das demais. A partir daí, começam a aparecer as alterações morfológicas das organelas celulares visíveis, inicialmente, ao microscópio eletrônico. Só mais tarde é que podem ser observadas ao microscópio óptico comum. Mas o ponto de não-retorno já pode ter sido ultrapassado antes mesmo de surgirem as alterações das organelas. É o que ocorre, por exemplo, quando o indivíduo sofre um infarto do miocárdio. A obstrução da artéria coronária reduz consideravelmente o oxigênio no tecido muscular cardíaco, o que dificulta a queima dos nutrientes e a produção de energia celular. Esta deixa de ser feita pela via normal aeróbica e passa a utilizar a via anaeróbica, com acúmulo de ácido láctico e liberação de radicais livres oxidantes. Após 15 a 40 minutos, aparecem alterações mitocondriais, seguidas por rotura da membrana celular. Segue-se distorção das unidades contráteis do músculo. Isso quer dizer que, envolvimento muito precoce, mas já ultrapassado o ponto de não-retorno, o exame ao microscópico eletrônico ainda mostra um aspecto de célula normal. Ela já está morta, mas aparece como normal. Somente depois de quatro horas é que a lesão passa a ser visível ao microscópio comum. Sua progressão a torna visível a olho nu somente depois de oito a 12 horas de ocorrido o infarto. Se for feita uma necrópsia antes desse prazo, a coração poderá ter aspecto semelhante ao normal. O que se obtém ao se fazer um exame microscópico é um instantâneo do transcurso de um processo dinâmico, tal como uma fotografia da bola no fundo das redes, após um gol, numa partida de futebol. E o flagrante pode ter sido tomado quando a alteração mortal era apenas bioquímica, sem tradução morfológica. Aquela foto de microscopia eletrônica inicial "normal", obtida na fase em que a alteração é apenas funcional, é tão reveladora quanto a foto do corpo de um indivíduo deitado, que pode estar dormindo, em estado de coma ou morto.
Apoptose -> As células podem morrer isoladamente ou em grupo. A morte individual de uma célula era pouco conhecida. Atualmente, sabe-se que pode ocorrer tanto em condições fisiológicas como pela ação de agentes patogênicos. Nessa forma de morte, a célula afetada é separada das suas irmãs, reduz seu tamanho em cerca de 50o/o, fica mais densa por perda de líquido, mas não apresenta grandes alterações de suas organelas, cuja morfologia à microscopia eletrônica não se desvia muito da normalidade. Ocorre tanto durante a vida embrionária como após o nascimentó. É um processo de modelagem do embrião. Tanto serve para criar cavidade em vísceras ocas e duetos glandulares como para formar as cavidades cardíacas, ou fazer involuir a genitália do sexo oposto ao determinado geneticamente. Na vida após o nascimento, é encontrado na atrofia de glândulas por falta de estímulo hormonal, em várias formas de agressão, como viroses, em reações imunológicas, e em outras condições. É o único processo isolado que dura poucos minutos e não desencadeia nenhuma resposta inflamatória.
Necrose -> Quando a morte celular ocorre em grupo, em um tecido. Resulta de profunda alteração do meio extracelular desencadeada por imensa gama de agentes patogênicos. As células necróticas apresentam alterações muito mais nítidas em suas organelas, com rotura da membrana celular e desaparecimento gradual do núcleo. As substâncias produzidas pela destruição celular funcionam como mediadores químicos e desencadeiam uma reação inflamatória. Dependendo da extensão e da localização da necrose, a consequência será uma cicatriz sem importância, insuficiência funcional ou a morte do organismo como um todo.
MORTE DO CORPO
Nosso corpo é composto por células, que formam tecidos, que constituem órgãos, que integram os aparelhos e sistemas. Cada um desses segmentos tem sua função, havendo um controle integrado de todos de modo que as funções atuem em harmonia.
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