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MENINGOENCEFALITE INFECCIOSA

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Isadora Albuquerque 
Medicina UnP 
MENINGOENCEFALITE INFECCIOSA 
 
 Doença de início abrupto e progressão abrupta também; 
 São processos inflamatórios que se localizam nas meninges (meningite) do encéfalo e da medula 
espinhal, podendo atingir o parênquima nervoso (encefalite) e então causar lesões necróticas, tóxicas, 
hemorrágicas e anóxicas; 
 De etiologia variada, tais como: vírus, bactérias, protozoários, fungos e helmintos; 
 Não é demais lembrar que existem meningites não infecciosas, como a tóxica, medicamentosa, 
hemorrágica, tumoral, imune e alérgica. 
 
 
MENINGOENCEFALITE VIRAL 
 
 São as mais frequentes, mas na grande maioria das vezes são benignas, com quadros brandos; 
 O paciente nem “necessita” procurar ajudar médica; 
 Exemplos: pacientes com papeira muitas vezes têm meningite, mas o quadro da papeira é mais evidente, 
por isso o paciente nem procura pela meningite e fica bom desta. 
 Tratamento: sintomáticos; 
 
MENINGOENCEFALITE INFECCIOSAS BACTERIANAS 
 Mais importantes (maior letalidade), mas não mais frequentes (meningites virais); 
 Iniciar tratamento empírico, ou seja, sem ter a confirmação do diagnóstico; 
 Para supor qual a bactéria, dividimos a possibilidade em faixas etárias; 
 Cultura sai em 48h-72h; 
 
 
NEONATAL (0-3 MESES, PRINCIPALMENTE NO PRIMEIRO MÊS DE VIDA). 
 Principais: 
1. Strepcococo do grupo B (Strepcoccus agalactiae): 
 Coco gram positivo; 
 Moram no canal vaginal de algumas mulheres. No pré-natal, pacientes fazem exame de pesquisa 
de bactérias na microbiota vaginal e, se positivos, fazem o tratamento; 
 Os RN’s, durante o parto, aspiram o coco no canal de parto da mãe e adquirem meningite. 
 
2. Enterobactérias (E. Coli): 
 Bacilo gram negativo; 
 Vivem no intestino. 
 
3. Listeria Monocytogenes: 
 Coco gram positivo; 
 
 Tratamento: 
 Cefalosporina de 3ª geração (cefotaxima - 150 mg/Kg/dia, divididos em 3 tomadas, de 8 em 8 
horas) + ampicilina (300 mg/Kg/dia, divididos em 6 tomadas, de 4 em 4 horas), durante 21 dias; 
 Cefotaxima (bacilo gram -) e ampicilina (coco gram +); 
 Todos intravenosos; 
Isadora Albuquerque 
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 Das cefalosporinas de 3ª geração, os neonatologias preferem a cefotaxima, pois a ceftriaxona 
tem uma parte liberada pelo rim e a outra parte liberada pelo fígado, que acaba produzindo uma 
bile mais espessa, obstruindo os ductos biliares, promovendo icterícia nas crianças até 1 ano de 
vida. Por outro lado, a cefotaxima, é eliminada só pelo rim. 
 
 3 MESES – 5 ANOS 
 Principais: 
1. Hemófilo Influenza: 
 Desde 2.000, se tornou raro, pela vacina do H. Influenza; 
 A vacina é dada ainda na maternidade ou até 1 mês de vida; 
 
2. Meningococo (Neisseria meningitides): 
 Não é resistente aos antibióticos. 
 
3. Pneumococo (Strepococcus pneumoniae): 
 Gram positivo; 
 
 Tratamento: 
 Cefalosporina de 3ª geração (cefotaxima – até 2 anos – ou ceftriaxona – acima de 2 anos-) + 
vancomicina; 
 Cefalosporina de 3ª geração: sendo 80 a 100 mg/Kg/dia, divididos em 2 tomadas, de 12 em 12 
horas; 
 Vancomicina: 30 mg/Kg/dia, divididos em 2 tomadas, de 12 em 12 horas, durante 10 a 14 dias. 
 
 5 ANOS – 60 ANOS 
 Principais: 
1. Pneumococo; 
2. Meningococo. 
 
 Tratamento: cefalosporina de 3ª geração (ceftriaxona) + vancomicina. 
 
 60 ANOS 
 Principais (semelhantes à criança por queda imunológica): 
1. Enterobactéria; 
2. Pneumococo; 
3. Listeria: 
 Nesse caso, faz parte da fisiologia do corpo. 
 
 Tratamento: cefalosporina de 3ªgeração (ceftriaxona) + vancomicina; 
Observação: como a Listeria não é tão prevalente, não colocamos a ampicilina como tratamento de base 
(só se a cultura apontar para esse agente). 
 
QUADRO CLÍNICO 
 
 Síndrome infecciosa: Febre alta persistente e rebelde aos antitérmicos, palidez, fácies de doença aguda, 
mal-estar generalizado (moleza) e anorexia. Pode haver mialgias e astenia; 
 Síndrome de irritação meningo-radicular: resulta da inflamação das raízes nervosas e caracteriza-se pelo 
paciente assumir atitudes de defesa antálgicas, contraturas dos músculos paravertebrais, presença de 
rigidez nucal, opistótono, hipertonia abdominal e dos sinais de Kernig, Brudzinski e Laségue; 
Isadora Albuquerque 
Medicina UnP 
 
 Síndrome de hipertensão intracraniana: cefaleia intensa e universal que mal responde aos analgésicos, 
irritabilidade, vômitos não precedidos por náuseas, bradicardia, abaulamento da fontanela em 
neonatos e lactentes. Em casos de HIC grave, pode ocorrer herniação do parênquima encefálico, com 
diferentes manifestações de sofrimento das estruturas intracranianas (midríase unilateral, pupila fixa, 
edema de papila, postura de decorticação ou de descerebração, respiração de Cheyne-Stokes, 
bradicardia e hipertensão arterial). 
 
 Síndrome hemorrágica (hemorragias principalmente cutâneo-mucosas): meningite meningocócica – 
petéquias na pele; 
 
 Síndrome cerebral (confunde com a hipertensão intracraniana): alterações da consciência, com 
sonolência, obnubilação, estupor, podendo chegar ao coma. Possibilidade de convulsões, distúrbios do 
comportamento e estado confusional. 
 
ETIOLOGIA BACTERIANA RELACIONADA A FATORES PREDISPONENTES 
 Grupo de bactérias/meningites contagiosas: meningoencefalite por meningococos (mais comum) ou 
por hemófilos (extremamente raro); 
 
 Meninigites bacterianas de repetição = meningite por pneumococos; 
 
 Sinusites, otites, mastoidites e pneumonia = meningite por pneumococos; 
 
 Celulites = meningite por Staphylococcus aureus; 
 
 Deficiência de complemento = meningite por meningococos; 
 
 Neurocirurgia = meningite por Staphylococcus aureus; 
 
 Asplenia = pneumococos ou hemófilos; 
 
 Fístulas liquóricas com otorreia ou rinorreia = meningite por pneumococos ou estafilococos; 
 
 Fraturas de crânio fechadas = meningite por pneumococos ou hemófilos; 
 
 Fraturas de crânio abertas = meningite por estafilococos, pseudomonas ou enterobactérias. 
 
TRATAMENTO DE TODAS AS MENINGITES 
 Corticoide + antibioticoterapia de cada faixa etária; 
 Cultura principalmente em pcts. com sinais de hipertensão intracraniana. 
 
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DAS MENINGITES BACTERIANAS 
 Exame mais importante: citoquímico do líquido cefalorraquiano (LCR), colhido, na maioria das vezes, 
por punção lombar; 
 Sangue: hemograma e hemocultura com antibiograma; 
 Líquido cefalorraquidiano (LCR): citoquímico do líquor e cultura do líquido (demora 72h); 
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Os exames em destaque tem que ser feitos na hora. 
 
LCR 
 VR (5-6 células): meningite infecciosa – 500 a 
1.000 células; 
Aumento de células: pleocitose 
 
 > 50% de polimorfo nuclear; 
 
 Hipoglicorraquia: meningite – 20, 10, 5 ou 0% 
VR no líquor: 40 a 80mg por 100. 
 
 Hiperproteinorraquia: meningite – 80, 100, 
200, 300... 
VR: 20 a 40mg. 
 
Explicação: como há queda da barreira hemato-
liquórica, as células e proteínas presentes no 
sangue, vão para o líquor. 
 
A hipoglicorraquia acontece porque o corpo está 
tentando sair da infecção, para isso, consome a 
glicose (energia). No entanto, as bactérias 
infectantes também consomem glicose, 
resultando, no final disso tudo, a diminuição da 
glicose. 
HEMOGRAMA 
 Leucocitose (>11.000) às custas de 
neutrofilia (aumento dos neutrófilos 
segmentados para >70%); 
 
Explicação: o hemograma indica uma infecção 
bacteriana, por isso, é necessário o citoquímico 
do líquor para dizer que é meningite. 
 
 
COMPLICAÇÕES 
 Sistêmicas: choque séptico, coagulação intravascular disseminada, choque cardiogênico, distúrbios 
hidroeletrolíticos; 
 Neurológicas: lesão de pares cranianos, principalmente o III, IV, VI E VII nervos; 
Abscesso cerebral, tromboflebite de seios da dura-mater, coleções subdurais (mais comuns nas 
meningites por hemófilos, mas, também, por pneumococos, estafilococos e salmonelas); 
Os abscessos são mais frequentes
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