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CASO CLÍNICO 02 - AMBIENTE E SAÚDE

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AMBIENTE E SAÚDE– MED0493
Docentes: Jéssica Vasconcelos e João Eduardo Pereira
Monitora: Thialla Dias
Datas: 19/10/20
Horário: Início 09:40 - Término 12:10
Metodologia: Caso Clínico
Grupo: Anaís Oliveira, Bruna Larissa Anjos, Daiana Rogaciano, Alyson Gama, Daniel Nascimento, Danilo César. 
CASO CLÍNICO 02
Pai leva a criança para a consulta com um pediatra em um Posto de Saúde do município de Alagoinhas. O paciente J.K.S.N., 3 anos de idade, apresentava um quadro clínico de desnutrição, diarréia com esteatorréia, dor abdominal, anorexia, perda de peso. O pai relatou morar em uma casa de taipa, com 3 cômodos, na periferia de Alagoinhas, com 10 ocupantes, casa sem banheiro, piso de terra, sem tratamento dos dejetos, alimentos expostos, o lixo é jogado a céu aberto, sem esgoto. A água para consumo é obtida de um poço próximo de sua casa. Condições socioeconômicas: renda familiar menos de 1 salário mínimo, alimentação deficiente.
QUESTÕES REFERENTES AO CASO CLÍNICO 02:
01) Qual o provável diagnóstico da criança?
R: Os sintomas apresentados pela criança são sintomas clássicos de uma parasitose intestinal. Entre as diversas existentes que podem causar sintomas como diarreia e dor abdominal, a giardíase se apresenta como possível diagnóstico, visto que os sintomas mais comuns dessa parasitose são os apresentados pela criança: diarreia com esteatorreia, dor abdominal, diminuição do apetite e má absorção intestinal, que acarretaria na perda de peso, além de ocorrer com frequência nos primeiros anos de vida. Entretanto, existem outras possíveis parasitoses que possuem esses sintomas, como por exemplo: 
Amebíase: O início da manifestação sintomática da amebíase normalmente é acompanhado de dor abdominal e diarreia, porém é comum a presença de sangue, o que não foi relatado pelo caso clínico. 
Estrongiloidíase: Normalmente assintomática, mas há formas sintomáticas que podem apresentar dor abdominal, diarreia ou esteatorreia, anorexia e perda de peso, podendo ou não apresentar sintomas dermatológicos/pulmonares, como erupção cutânea, tosse, sibilos, edema pulmonar e outros.
Criptosporidíase: Também um possível diagnóstico, apresenta como sintomas comuns os mesmos apresentados pela paciente: dor abdominal, anorexia, diarreia que pode evoluir com esteatorreia e má absorção intestinal.
Tricuríase: Os sintomas também incluem diarreia (às vezes contendo sangue), dores abdominais, diminuição do apetite e, em infecções intensas, anemia e desnutrição também estão presentes.
Ancilostomíase: Os parasitas se aderem e causam danos à mucosa duodenal. Por conta desses danos, pode ocorrer diarreia, dores abdominais e anorexia, sintomas sentidos pela paciente.
    Esses são alguns dos possíveis diagnósticos considerando o ambiente descrito e a sintomatologia da paciente. Percebe-se, portanto, que o diagnóstico só pode ser dado mediante confirmação por exame laboratorial, haja vista a existência de diversas parasitoses com os sintomas apresentados pela criança. A análise clínica direciona quais possíveis exames podem ser pedidos para confirmação do diagnóstico.
	Para um diagnóstico exato é necessário exames por diferentes métodos como tubagem duodenal, provas sorologias e intradérmicas, pesquisa dos vermes em material coletado ao exame proctológico e avaliação radiológica. No entanto, o exame parasitológico das fezes é o método mais simples, específico e de menor custo. Tem por objetivo demonstrar a presença, na matéria fecal de ovos ou larvas de helmintos e de formas trofozoíticas ou císticas de protozoários. Como a eliminação de determinados tipos de ovos é cíclica e um único método de análise não é suficiente para definir a etiologia das parasitoses, recomenda-se o exame de pelo menos duas amostras.
02) Existe influência das condições ambientais sobre o problema de saúde apresentado pela criança? Explique.
R: As condições ambientais são extremamente relevantes no momento de examinar a criança e fazer sua anamnese. Pode-se perceber que a mesma foi exposta a riscos de infecção por parasitos, principalmente em decorrência da falta de saneamento básico. O saneamento urbano é uma das maiores causas de parasitoses visto que a exposição aos dejetos contaminados fazem o armazenamento e a transmissão do parasita. Além da coleta e do armazenamento incorreto de água, o destino do lixo caseiro e os hábitos de higiene são fatores a serem considerados em uma análise ambiental. Essa situação é agravada quando não existem políticas públicas que acolham essa demanda básica da população. Além disto, a educação e a comunicação em saúde são condições chaves para melhor higiene e – se possível – ingestão de outra fonte de água. 
03) As condições socioeconômicas poderão influir na prevalência dessa patologia? Comente. 
 R: A prevalência de uma infecção ou doença pode ser um dos indicadores 
do status socioeconômico de uma população e pode estar associada à diversas determinantes, uma vez que as doenças parasitárias são mais comuns em países em desenvolvimento ou sub-desenvolvidos, por exemplo. A falta de instalações sanitárias, armazenamento incorreto de água, falta de higienização e armazenamento dos alimentos consumidos, ausência de saneamento básico, condições físicas e localidade das moradias, idade do hospedeiro, uma vez que crianças são mais suscetíveis a contração de doenças devido a imaturidade do sistema imunológico e aos seus hábitos, além do nível de escolaridade e acesso à informação, são fatores que estão intimamente ligados aos índices de infecções por parasitas devido às formas de contrair essas doenças, que se dão principalmente pela prevalências desses hábitos e das condições de vida.
04) Discorra sobre os principais meios profiláticos para a patologia em questão.
R: A profilaxia associada às parasitoses intestinais está intimamente ligada aos hábitos de higiene, saneamento básico e controle de dejetos. No caso em questão, toda a família precisa se envolver com as medidas, estabelecendo uma fossa séptica ou fossas negras, por mais desafiador que pareça essa solução, a ajuda do assistente social é indispensável nessa profilaxia. O médico deve instruir a família e o paciente acerca de outro hábitos como ferver toda água consumida na casa, lavar em água potável os alimentos consumidos crus, cuidar da higiene pessoal cortando as unhas e lavando as mãos, calçar os pés, os alimentos precisam ser guardados em vasilhas e as carnes devem serem salgadas ou refrigeradas e bem cozidas para evitar contaminação por moscas e deterioração da comida, o lixo deve ser coletado e tratado pelos órgãos municipais. Assim, serão reduzidos os índices de contaminação por doenças parasitárias. 
05) Selecione um artigo relacionado com o caso e faça um breve comentário sobre ele.
R: O artigo em questão trata-se de uma revisão bibliográfica sobre as parasitoses intestinais na infância, e seus impactos no crescimento e desenvolvimento infantis. São utilizados a base de dados Medline e Lilacs com referências bibliográficas de documentos científicos e técnicos da área da saúde, e observados os padrões epidemiológicos. No artigo, são salientadas as influências sociais e ambientais, principalmente no que diz respeito às condições de moradia, saneamento básico e situação financeira, na incidência das parasitoses. Ademais, são citadas as principais parasitoses intestinais, frisando seus respectivos ciclos evolutivos, patogenias, manifestações clínicas, medicamentos utilizados no tratamento e seus efeitos adversos, além do prejuízo nutricional provocado, e a influência no desempenho cognitivo das crianças.
RAMOS ALVES, José Arthur. SANTOS FILHO, Eladio. Parasitoses intestinais na infância. Moreira Jr. Editora.
Disponível em: http://ftp.medicina.ufmg.br/ped/Arquivos/2015/RevisaoParasitosesNaInfancia_13022015.pdf

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