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Gasometria

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em que se quer saber se o distúrbio é 
metabólico ou respiratório. Significa excesso de base. 
 > + 3: significa que está retendo base 
 -3 < BE < +3: situação de normalidade 
 < - 3: significa que está eliminando base 
 Indica a cronicidade ou agudização da doença: 
 Crônica: BE elevado ou baixo 
 Aguda: BE normal 
Na doença crônica já deu tempo de o organismo 
trabalhar para reter ou eliminar base para compensar 
aquele determinado distúrbio ácido-básico. Na doença 
aguda ainda não está conseguindo trabalhar para 
compensar. 
FiO2: 10% = 5mmHg de aumento na PaO2 
É a fração inspirada de O2. Em média, cada 10% 
de FiO2 em um pulmão bom significa um aumento de 5 
mmHg na PaO2. 
ANION GAP [Na+K-(Cl+HCO3)]: 8 - 16 
Diferença entre cátions (íons +) menos ânions 
(íons -). Temos que sódio (Na) e potássio (K) são os 
dois principais cátions do corpo, cloro (Cl) e bic (HCO3) 
são os dois principais ânions. Essa diferença deve 
estar entre 8 – 16 (alguns livros trazem entre 8 – 20 ou 
8 – 18. 
Na maioria das vezes só é avaliado em situações 
de acidose metabólica. 
Se AG normal diante de uma situação de acidose 
metabólica, chamamos de acidose de hiperclorêmica. 
Ou seja, se o paciente tem uma acidose – pH < 7,35 – e 
ela advém de um bic baixo, analisa o AG. Se AG normal 
chama de hiperclorêmica, tendo como principais 
causas: 
 Diarreias 
 Hidratação em excesso com solução 
fisiológica 
 Insuficiência renal (acidose tubular) 
Já a acidose não hiperclorêmica (AG elevado) 
tem como principais causas: 
 Cetoacidose diabética (presença de 
cetoácidos no sangue) 
 Intoxicação por substâncias ácidas 
(aspirina, isoniazida e metotrexato) 
 Hiperlactatemia 
A hiperlactatemia é uma causa importante de 
acidose metabólica não hipercloremica; ou seja, o 
excesso de lactato no organismo pode levar a uma 
acidose metabólica com AG elevado. 
Em síntese, a importância do AG é – na presença 
de uma acidose metabólica – definir se é uma acidose 
hiperclorêmica ou não hiperclorêmica. 
TREINANDO GASOMETRIAS 
Gaso 1 
Primeiramente devemos avaliar o pH, depois o 
PCO2, depois o Bic e só então os outros parâmetros de 
escolha. 
O pH dessa gaso está acidótico, então trata-se 
de uma acidose. Essa acidose é respiratória, ou seja, 
advém do PCO2; ou metabólica, ou seja, advém do 
bicabornato? O PCO2 está baixo, tendendo a fazer 
alcalose. Ou seja, esse PCO2 baixo provavelmente é na 
tentativa de compensar outro distúrbio e, diante disso, 
já sabemos que não é uma acidose respiratória porque 
o PCO2 está baixo. Ao avaliar o bic vemos que ele está 
baixo, indicando a presença de uma acidose. 
Se o corpo deixar, essa acidose vai ser 
extremamente ameaçadora a vida. Por sorte, o bulbo – 
centro do comando respiratório – é extremamente 
sensível a variações mínimas de pH (para mais ou para 
menos) e vai agir para tentar adequar aquela situação. 
Se o pH estiver ácido ele vai elevar a FR para deixar 
uma PCO2 compensatória para aquela acidose e 
impedir que seja levada a extremos. Portanto, cada 
valor de bic vai ter uma faixa de PCO2 compensada. 
Então, por exemplo, se eu já sei que há uma 
acidose metabólica a próxima pergunta é: está 
compensada ou não está compensada? Para responder 
essa pergunta podemos usar a fórmula: 
PCO2 = (1,5 x HCO3) + 8 
A partir dessa fórmula conseguimos saber se é 
uma acidose metabólica compensada ou uma acidose 
metabólica sem compensação / compensação em 
excesso. Para isso precisamos saber o valor de bic. 
Na gaso em questão, a PCO2 está de 27 e o HCO3 
de 11, 4. Jogando na fórmula temos: 
PCO2 = (1,5 x HCO3) + 8 
PCO2 = (1,5 x 11,4) +8 
PCO2 = 25 (ideal) 
Para esse valor ideal de PCO2 podemos 
acrescentar um intervalo de +2 e -2 de variação. Ou 
seja, o PCO2 ideal para ser considerado como um 
distúrbio compensado deve estar entre a faixa de 
variação de 23 a 27. A gaso em questão tem PCO2 de 
27, o que nos permite afirmar que se trata de uma 
acidose metabólica compensada. 
 Se PCO2 < 23: acidose metabólica 
excessivamente compensada por alcalose 
respiratória 
 Se PCO2 entre 23 e 27: acidose metabólica 
compensada 
 Se PCO2 entre 27 e 35: acidose metabólica 
em compensação por alcalose respiratória 
 Se PCO2 entre 35 e 45: acidose metabólica 
não compensada 
Existe, ainda, um extremo raríssimo e, na 
maioria das vezes quando acontece, indica que o 
paciente está muito grave e se chama acidose mista. 
Acidose Mista: quando o sangue está com acidose 
metabólica e PCO2 elevado. 
 Importante: acidose mista é diferente de 
distúrbio misto! No distúrbio misto temos, por 
exemplo, uma acidose metabólica excessivamente 
compensada. Ou seja, quando há algo que está 
excessivamente compensando, chamamos isso de 
distúrbio misto. Já a acidose mista é quando temos 
diminuição do bic e aumento da PCO2 -> é um perfil de 
paciente bastante grave (e raro), levando muitas vezes 
ao óbito. 
Outras coisas que poderiam ser avaliadas: 109 de 
PO2 em teoria está ok, apesar de um pouco maior. 
Saturação boa de 96%. Já o lactato de 3,7 (ref. 0,4 a 2,2) 
indica uma perfusão inadequada dos órgãos e já 
começa a preocupar. O anion gap está normal, 
indicando que possivelmente se trata de uma acidose 
metabólica hiperclorêmica. 
Gaso 2 
Trata-se de uma acidose (pH < 7,35) com a PCO2 
um pouco abaixo do normal, portanto essa acidose não 
advém de causa respiratória. Quando passamos para o 
bicabornato ele está em 11. A PO2 está baixa (63,6) que 
é extremamente preocupante e indica uma hipoxemia; 
bem como a SatO2 que também está baixa (89,6%) o 
que nos deixa ainda mais preocupados. O lactato está 
normal, o que indica que ainda não está mal perfundido 
(o que é apenas uma questão de tempo). Bicabornato 
baixinho. O BE está bastante alterado, o que parece se 
tratar de um distúrbio já crônico do paciente. O anion 
gap está aumentado, não parece ser um distúrbio 
hiperclorêmico. O que parece é uma acidose 
metabólica do tipo não hiperclorêmica. Para saber se 
está compensada, ou não, pelo PCO2 precisamos jogar 
na fórmula: 
PCO2 = (1,5 x HCO3) + 8 
PCO2 = (1,5 x 11,4) + 8 
PCO2 = 25,1 
O PCO2 da gaso em questão tem PCO2 de 32, o 
que nos permite afirmar que é uma acidose metabólica 
em compensação. Uma vez que o valor de PCO2 não 
está dentro da normalidade, mas talvez ainda não 
tenha dado tempo de compensar. A faixa de 
compensação é entre 23,1 a 27,1. A PCO2 ainda está 
baixando, ainda não está compensada. Podemos dizer 
que é uma acidose metabólica em compensação com 
alcalose respiratória. Para compensar depende da 
capacidade do organismo de lavar CO2; do contrário, 
será necessário ajuda-lo ajustando parâmetros do 
ventilador, adequar volume minuto maior para lavar 
mais CO2, etc. 
Gaso 3 
Trata-se de uma alcalose de possível origem 
metabólica porque o bic está alto, com a PCO2 dentro 
do valor de normalidade de 37,7. A PO2 está um 
pouquinho mais elevada que o normal, relevando um 
pouquinho de hiperóxia. Saturação excelente. Lactato 
baixo, indicando que, até o momento, a perfusão está 
boa. 
Para os distúrbios de alcalose metabólica o 
cálculo de PCO2 ideal para a ser realizado para saber 
está compensada ou não está compensada é a 
seguinte: 
PCO2 = 40 + [0,7 x (HCO3 – 24)] 
Obs: essa fórmula não é usualmente utilizada na 
prática real e nem cobrada em provas. Importa saber 
qual o perfil de paciente de cada distúrbio. 
Fórmula aplicada na gaso em questão: 
PCO2 = 40 + [0,7 x (30 – 24)] 
PCO2 = 40 + 4,2 
PCO2 = 44,2 
A faixa de compensação é de 42 a 46 e o paciente 
está com 37,7, o que significa dizer que se trata de uma 
alcalose metabólica não compensada. Se esse PCO2 
continuar a elevar e conseguir comparar com as 
gasometrias de antes e depois pode avaliar se está em 
compensação ou permaneceu não compensada. 
Gaso 4 
Trata-se de uma acidose metabólica (bic de 11,2), 
saturando