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Gasometria

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bem, mas com lactato bastante elevado 
(6,42). O lactato elevado significa célula que está 
morrendo em decorrência da anaerobiose. A 
hiperlactatemia contribui para: 
 pH mais ácido 
 Vasodilatação (o uso de drogas 
vasoconstrictora – como a noradrenalina – 
tem seu efeito dificultado na vigência de 
lactato alto) 
Lactato alto é um esparro para o paciente. É 
preciso tira-lo dessa linha de hiperlactatemia de 
qualquer jeito. 
Obs: o paciente pode ter uma boa saturação (em 
decorrência de um transporte adequado as custas de 
hemoglobina e O2) e ainda assim ter má perfusão como 
consequência de um vaso plégico (não vai ter pressão 
suficiente para chegar aos tecidos), obstrução (como 
nos casos de TEP) ou ligação muito forte entre a 
hemoglobina e o O2 (existem várias explicações). 
Lembrando: 
 Saturação → transporte 
 PCO2 → ventilação 
 PO2/FiO2 → trocas gasosas 
Apesar de estarem interligados, são coisas que 
não dependem necessariamente da outra. 
Para saber se essa acidose metabólica está 
compensada podemos jogar na fórmula: 
PCO2 = (1,5 x HCO3) + 8 
PCO2 = (1,5 x 11,2) + 8 
PCO2 = 24,8 
A faixa de variação vai de 22,8 a 26,8. O paciente 
em questão tem PCO2 de 22,8, o que nos permite dizer 
que há uma acidose metabólica compensada por 
alcalose respiratória. 
Gaso 5 
 
 
 
 
 
Trata-se de uma acidose respiratória (pH baixo 
- e extremamente ameaçador a vida - com PCO2 
extremamente alta), retendo muito CO2. Esse paciente 
não está conseguindo eliminar CO2 de jeito nenhum. A 
PO2 está até boa e a saturação limítrofe. Bic está 
elevado. 
Para saber se o bicarbonato está compensando, 
ou não, a acidose respiratória, existe a seguinte 
fórmula: 
HCO3 = 24 + [0,25 x (PCO2 – 40)] 
Aplicando essa fórmula para a gaso em questão 
temos: 
HCO3 = 24 + [0,25 x (PCO2 – 40)] 
HCO3 = 24 + [0,25 x (110 – 40)] 
HCO3 = 24 + 17,5 
HCO3 = 41,5 
O bic do paciente está bem longe do ideal, 
portanto trata-se de uma acidose respiratória em 
compensação com alcalose metabólica; mas só 
seriando a gaso para saber se está compensando ou 
se vai parar por ai. 
Gaso 6 
pH está alcalótico, indicando a presença de uma 
alcalose metabólica (bic elevado) e um PCO2 também 
elevado. Está hipoxemica, com apenas 64,6 de PO2 e 
saturação limítrofe de 92% (abaixo do normal). Chama 
atenção para o lactato normal e o anion gap também 
normal. Para saber se o PCO2 está compensando a 
alcalose metabólica jogamos na formula: 
PCO2 = 40 + [0,7 x (HCO3 – 24)] 
PCO2 = 40 + [0,7 x (45,5 – 24)] 
PCO2 = 40 + 15 
PCO2 = 55 
O paciente possui PCO2 de 67,2, muito acima da 
faixa de compensação. Isso nos permite afirmar que o 
bulbo reteve muito CO2 há uma alcalose metabólica 
excessivamente compensada com acidose 
respiratória. 
Gaso 7 
Essa gasometria 
possui pH normal, 
mas o que chama 
atenção é a 
presença de uma 
hipoxemia com a 
PO2 de 62,7, 
saturando limítrofe 
com 92,8% e o 
lactato já 
começando a elevar. 
Anion gap está 
normal. 
Não há distúrbio em 
si, mas o bicabornato está um pouco menor do que o 
ideal e uma PCO2 um pouco menor também. 
Apesar de não estar em acidose, como o bic está 
baixo podemos chamar de acidose metabólica porque 
o pH pode estar compensado pela PCO2 que está 
lavando. 
Jogando na fórmula, a PCO2 ideal para esse 
paciente seria de 36 (faixa de variação de 34 a 38) e o 
PCO2 dele está em 31,4, o que significa que há uma 
acidose metabólica excessivamente compensada com 
alcalose respiratória. 
Gaso 8 
Trata-se de uma 
acidose metabólica 
gravíssima (bic de 5). 
Chama atenção para a 
PO2 que está 
absurdamente alta 
(364) e lactato elevado 
indicando má perfusão, 
apesar de boa 
saturação. Glicemia 
extremamente alta. 
Esses dados somados 
a um anion gap elevado 
nos permite pensar 
que se trata de uma cetoacidose diabética. 
Na vigência de anion gap elevado sempre pensar 
nas causas de acidose não hiperclorêmicas: 
 Cetoacidose diabética 
 Intoxicação por substancias ácidas 
(aspirina, metotrexato) 
 Hiperlactatemia 
O PO2 está extremamente elevado e uma das 
possíveis causas é iatrogenia médica. O paciente com 
cetoacidose diabética costuma ficar com o padrão 
respiratório de Kusmaull (rápida e profunda) para 
tentar lavar CO2 e compensar a acidose. O médico pode 
entender essa respiração rápida e profunda como uma 
dispneia e, na tentativa de resolver, oferta O2 ao 
paciente; sendo que nesse momento ele não precisa 
dessa medida. 
Nesses casos é necessário hidratar o paciente 
ao máximo, investigar qual a causa da 
descompensação e tratar a causa (na maioria das 
vezes é infecciosa), dosar e repor potássio. A insulina 
só é feita depois e se o potássio estiver em uma faixa 
de segurança. Só fará bic se o pH estiver < 6,9. 
O pH desse paciente é extremamente 
ameaçador a vida, tem altíssimo risco de morte. 
Podemos dizer que ele tem uma acidose metabólica 
não hiperclorêmica do tipo cetoacidose diabética. 
 Importante: Nas acidoses não 
hiperclorêmicas a terapia com bicabornato não 
responde bem porque o rim vai acabar excretando tudo 
(pH < 6,9). Já nas hiperclorêmicas da para oferecer bic 
com mais segurança porque a causa é perda de bic (pH 
< 7,15). 
Gaso 9 
Trata-se de uma 
acidose respiratória 
(PCO2 elevado). O 
Bic está em 27, para 
saber se está 
compensado, ou 
não, precisaria 
aplicar a fórmula. 
Essa gasometria 
com acidose 
respiratória parece 
ser de um paciente 
com DPOC. 
Está saturando 94% 
Obs: saturação habitual do paciente com DPOC 
é entre 90 e 92%. 
Gaso 10 
Trata-se de uma 
acidose metabólica 
de provável origem 
na cetoacidose 
diabética uma vez 
que tem glicemia 
bastante elevada 
(515) e anion gap 
elevado (39,5). 
Possui lactato 
bastante alto 
(geralmente o 
paciente não 
sobrevive). 
Gaso 11 
Trata-se de uma acidose 
metabólica com um 
anion gap bem limítrofe 
(não da para inferir muita 
coisa). A PO2 está boa, 
mas a PCO2 está baixa 
tentando lavar para 
entrar em uma faixa de 
compensação com uma 
alcalose respiratória. 
Saturação normal. 
Potássio está baixo e a 
hemoglobina baixíssima (6,6). Glicose normal e lactato 
elevado. 
É uma acidose metabólica em compensação 
(talvez) com alcalose respiratória ou muito próximo da 
faixa de compensação. 
Gaso 12 
Nessa gasometria o 
que chama a atenção 
é a hipoxemia com 
PO2 de 58 e uma 
saturação de 88%. 
É uma gasometria 
clássica dos 
pacientes com 
Covid-19. 
Bic normal, bem 
como o PCO2. pH 
bem próximo do 
valor de normalidade 
com hipoxemia. 
Gaso 13 
Essa é outra gaso bem 
clássica de Covid-19. O 
paciente tem 41 de PO2, 
Saturação de 78%. As 
vezes o paciente está com 
FiO2 de 100% com essa gaso. 
CÁLCULOS EXTRA 
GRADIENTE ARTERIOLO-ALVEOLAR (A-a) 
 
 
 
 
 
 
 
O gradiente A-a consiste na diferença de 
pressão do O2 no alvéolo menos a pressão do O2 na 
artéria. 
Obs: só é calculado nos casos de TEP em que a 
PO2 é normal, uma vez que existe TEP sem hipoxemia. 
Ex: paciente taquidispneico, tem tudo para ser TEP 
(oncológico grave, TVP prévio, critério de Wells de 
probabilidade pré-teste de TEP elevadíssimo, 
acamado, pós-cirurgia ortopédica), mas a gaso vem 
com PO2 normal. Nesses casos é preciso atentar para 
uma relação muito íntima de proporcionalidade que é 
entre a da PO2 no alvéolo e na artéria. 
Essa diferença de PO2 alveolar sobre a PO2 
arterial não pode ser > 30 mmHg. 
Por exemplo, se tenho PO2 de 200 no alvéolo é 
preciso ter, no mínimo, PO2 de 170 na artéria. Se tiver 
PO2 de 200 no alvéolo e 100 na artéria está na cara que 
há uma obstrução / não está trocando bem porque o 
mínimo que precisaria na artéria era de PO2 igual 170. 
Então, o gradiente arteriolo-alveolar serve 
justamente para inferir, por exemplo, um quadro de 
TEP em que a quantidade de O2 no alvéolo é muito 
maior do que a do sangue. Ou seja, tem um fluxo