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AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

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que ao sujeitar os veículos escolares a um gasto de peças, 
pneus, combustível e lubrificantes a moralidade e a impessoalidade não foram afastadas, os 
interesses da administração foram preservados, a eficiência dos serviços prestados aos cidadãos 
fora mantida, a razoabilidade e a proporcionalidade estiveram presentes, o ato foi motivado e 
contínuo, haja vista que o prefeito não interrompeu a sua ação quando foi confrontado pelo Sr. 
Luiz Carlos Dala, e em momento algum agiu em desconformidade com a lei, dado que a 
interpretação do embasamento legal utilizado pelo Ministério Pública pode ser interpretado de 
maneira analógica no caso em que inexiste uma norma específica. 
Portanto, é ilegítimo, reprovável e contrário às regras básicas de comportamento 
condenar os requeridos, Deocleciano Ferreira Filho e Hélio José Silva Rego, pela prática de 
atos de improbidade administrativa, uma vez que ambos agiram profissionalmente no 
desempenho de atividades públicas relevantes e praticaram ato em conformidade com o 
princípio da supremacia do interesse público, indisponibilidade do interesse público, princípio 
da razoabilidade e proporcionalidade, motivação, legalidade, eficiência, continuidade, como 
será discutido e argumentado a seguir. 
Por todo exposto, torna-se improcedente o pedido de condenação apresentado pelo 
Ministério Público. 
 
 
TESE ACOLHIDA PARA FUNDAMENTAR A DECISÃO 
 
A administração pública brasileira é exercida sobre os pilares de cinco princípios que 
determinam como devem ocorrer as relações jurídicas, sendo eles o princípio da legalidade, 
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, os quais já mencionados anteriormente. 
Quando observado um conflito em que se pese dois princípios distintos, não há um que se 
sobressaia via de regra, cabendo sempre a ponderação do que se aplica melhor ao caso concreto. 
Na lide em questão, questiona-se a moralidade em face do princípio da eficiência. O 
princípio da moralidade “prega um comportamento do administrador que demonstre haver 
assumido como móbil da sua ação a própria idéia do dever de exercer uma boa administração 
(DELGADO, 1992, p. 3).” Enquanto o princípio da eficiência visa uma administração pública 
livre de burocracias desnecessárias, alcançando com primazia os fins necessários, sem 
transpassar a linha da legalidade, mas obtendo bons resultados de forma simples e prática. 
(CAMARGO; GUIMARÃES, 2013, p. 136) 
No caso concreto, conforme anteriormente mencionado, não se observa quebra do 
princípio da moralidade, tal qual do princípio da impessoalidade, pois o administrador no 
exercício das suas funções deve ter como norte o bem estar social que está interligado com o 
modo como este presta serviços à sociedade. Na tese defendida, constata-se que o requerido se 
utilizou dos meios que possuía para obter o melhor resultado possível, não objetivando com 
isso quaisquer benefícios pessoais, tão somente garantir o exercício da democracia. 
Apesar de sedutora, a premissa de que “os fins justificam os meios” não pode ser adotada 
na Administração Pública, caso fosse, o administrador a qualquer momento poderia se exceder 
em seus poderes, infringindo os princípios norteadores, trazendo uma relação abusiva, a qual 
não corresponde com a legalidade e moralidade. Nesse ínterim, de fato a atuação do requerido 
deu-se dentro da normalidade esperada, obedecendo os princípios da moralidade e legalidade. 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS DO CASO 
 
Diante do exposto, conclui-se que o Ministério Público foi diligente em observar a 
possibilidade de ilícito e dar abertura a ação de improbidade administrativa, a qual investigava 
o Sr. Deocleciano Ferreira Filho e Hélio José Silva Rego no uso de veículos destinados ao 
transporte escolar nas eleições distritais do município de Corumbiara. Durante o processo, 
observou-se ainda que no discurso dos requeridos havia inconsistências no tocante a referida 
autorização para utilização dos veículos escolares. 
No entanto, em sua defesa apurou-se que por se tratarem de bens públicos, os veículos 
poderiam ser disponibilizados para o transporte de eleitores pertencentes às zonas rurais, e que, 
apesar de essa não ser sua função típica, em nada traria prejuízo aos alunos, pois as eleições 
ocorrem em período adverso ao escolar, e que o desgaste apontado não oferece risco ao 
transporte dos estudantes. 
Nesse contexto, a ação do requerido foi tão somente no sentido de garantir o acesso ao 
voto, não visando se beneficiar com isso, pois como mencionado, nem candidato às eleições o 
requerido era no referido ano, estando ao fim de seu mandato e em observância ao princípio da 
impessoalidade. Não configura também quebra ao princípio da legalidade, pois a autorização 
para o uso dos transportes é expressa em lei, a qual argumentada na defesa dos réus. 
Ademais, quanto à moralidade, não há o que se fale em abuso de poder por parte do 
prefeito ao exonerar o servidor Luiz Carlos que não era de sua confiança, sendo que este, tendo 
a oportunidade de expressar-se anteriormente, permitiu que o deslocamento dos eleitores 
ocorresse, ainda que acreditasse na época tratar-se de ato ímprobo por parte do requerido. 
Destaca-se ainda a busca pela eficiência, a qual foi confirmada pelo sucesso no ato das eleições 
distritais sem que houvesse o desprendimento de novos recursos, não causando prejuízos 
notáveis em outras áreas da administração do município de Corumbiara. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. LEI nº 8.429, de 2 de junho de 1992. Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes 
públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na 
administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras providências. Rio de Janeiro, 2 jun. 
1992. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8429.htm. Acesso em: 10 set. 2021. 
 
BRASIL. LEI nº 6091, de 15 de agosto de 1974. Dispõe sobre o fornecimento gratuito de transporte, 
em dias de eleição, a eleitores residentes nas zonas rurais, e dá outras providências. Brasília, 15 ago. 
1974. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6091.htm. Acesso em: 10 set. 2021. 
 
CAMARGO, Francielle de O.; GUIMARÃES, Klicia MS. O princípio da eficiência na gestão 
pública. Revista CEPPG-CESUC-Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano XVI nº, v. 28, 
2013. 
 
DELGADO, José Augusto. O princípio da moralidade administrativa e a constituição federal 
de 1988. Revista dos Tribunais, v. 680, p. 34-46, 1992. Disponível em: 
https://core.ac.uk/reader/79062610, acesso em: 18 set. 2021