O interior da Terra sua energia  magmatismo  terremotos
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O interior da Terra sua energia magmatismo terremotos


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O interior da Terra, sua energia e a relação com a origem do Planeta , com o magmatismo e os terremotos.
O interior da Terra
Como se pode conhecer as camadas geológicas abaixo de nossos pés e outras estruturas localizadas no interior e no centro da Terra, situado a cerca de 6370 km de profundidade?  Por meio de perfurações o homem tem acesso, direto, apenas, aos primeiros quilômetros. Daí, para baixo, são as ondas sísmicas que revelam conhecimentos sobre o interior de nosso Planeta. 
  
A propagação das ondas sísmicas produzidas pelos terremotos varia de velocidade e de trajetória em função das características do meio elástico em que trafegam. A correta interpretação do registro dessas ondas, através dos sismogramas, permite inferir valores de velocidade e densidade tanto em rochas no estado sólido, ou parcialmente fundidas, como naquelas situadas próximas da superfície ou em grandes profundidades. Dessa forma, é possível comprovar suposições sobre o estado dessas estruturas internas. 
  
	
	
	Esta é a imagem que se tem sobre o interior da Terra, baseada principalmente nos conhecimentos da sismologia, está sumarizada na figura ao lado.  A Terra possui três principais geosferas: a Crosta, o Manto e o Núcleo, descobertas pela análise da refração e da reflexão de ondas P e S, originadas nos terremotos. As ondas S não se propagam em meio que se comporta como líquido.
  
Crosta
A camada mais externa e delgada da Terra é chamada Crosta, cuja espessura varia de 35 km a 10 km ao  longo de uma seção cortando áreas continental e oceânica, como mostrado na figura. Nas regiões montanhosas a crosta pode alcançar 65 km de espessura. A mesma figura sugere que a Crosta Continental flutua acima de material muito denso do manto, à semelhança dos icebergs sobre os oceanos. Esse é o Princípio da Isostasia que assegura que as \u201c leves \u201c áreas continentais flutuem sobre um Manto de material mais denso. Assim, a maior parte do volume das massas continentais posiciona-se abaixo do nível do mar pela mesma razão que a maior parte dos icebergs permanece mergulhada por debaixo do nível dos oceanos. Trabalhos sismológicos vêm corroborando informações quantitativas para o mecanismo da isostasia. 
  Princípio da Isostasia
	O iceberg e o navio flutuam porque o volume submerso é mais leve que o volume de água deslocado.  
	De igual forma, o volume relativamente leve da Crosta Continental, projetado no Manto,  permite a\u201cflutuação \u201c  da montanha. 
 O limite entre a Crosta e o Manto foi descoberto por um sismólogo croata Andrija Mohorovicic, em 1909. É chamado de Descontinuidade de Mohorovicic, ou Moho, ou simplesmente M. Apesar de bastante variada a Crosta pode ser subdividida em: 
Crosta Continental:
Menos densa e geologicamente mais antiga e complexa. Normalmente apresenta uma camada superior formada por rochas graníticas e uma inferior de rochas basálticas. 
  
Crosta Oceânica:
Comparativamente mais densa e mais jovem que a continental. Normalmente é formada por uma camada homogênea de rochas basálticas. 
  
Seção da crosta continental e oceânica
  
Manto
A porção mais volumosa (80%) de todas as geosferas é o Manto. Divide-se em Manto Superior e Manto Inferior. Situa-se logo abaixo da Crosta e estende-se até quase a metade do raio da Terra. A profundidade do contacto Manto-Núcleo foi calculada pelo sismólogo Beno Gutenberg, em 1913. O Manto é grosseiramente homogêneo formado essencialmente por rochas ultrabásicas e oferece as melhores condições para a propagação de ondas sísmicas, recebendo a denominação de \u201cjanela telessísmica\u201d. 
No período de 1965 a 1970, os geólogos e geofísicos concentraram seus esforços para pesquisar as primeiras centenas de quilômetros abaixo da superfície terrestre como parte do Projeto Internacional do Manto Superior. Muitas descobertas importantes foram feitas entre elas a definição de \u201c litosfera\u201d e \u201castenosfera\u201d com base em modelos de velocidades das ondas S. 
Litosfera:
É uma placa com cerca de 70 km de espessura que suporta os continentes e áreas oceânicas. A Crosta é a camada mais externa dessa porção da Terra. A litosfera é caracterizada por altas velocidades e eficiente propagação das ondas sísmicas, implicando condições naturais de solidez e de rigidez de material. A litosfera é a responsável pelos processos da Tectônica de Placas e pela ocorrência dos terremotos. 
Astenosfera:
É também chamada de zona de fraqueza ou de baixa velocidade pela simples razão do decréscimo da velocidade de propagação das ondas S. Nessa região, em que se acredita que as rochas estão parcialmente fundidas, as ondas sísmicas são mais atenuadas do que em qualquer outra parte do Globo. 
  
A astenosfera, que se extende até 700 km de profundidade, apresenta variações físicas e químicas. É importante assinalar que é o estado não sólido da astenosfera que possibilita o deslocamento, sobre ela, das placas rígidas da litosfera. 
O Manto Inferior, que se estende de 700 km até 2900 km (limite do Núcleo), é uma região que apresenta pequenas mudanças na composição e fases mineralógicas. A densidade e a velocidade aumentam gradualmente com a profundidade da mesma forma que a pressão. 
 Núcleo
Apesar de sua grande distância da superfície terrestre, o Núcleo também não escapa das investigações sismológicas. Sua existência foi sugerida pela primeira vez, em 1906, por R.D. Oldham, sismólogo britânico. 
  A composição do Núcleo foi estabelecida comparando-se experimentos laboratoriais com dados sismológicos. Assim, foi possível determinar uma incompleta mas razoável aproximação sobre a constituição do interior do Globo. Ele corresponde, aproximadamente, a 1/3 da massa da Terra e contém principalmente elementos metálicos (ferro e níquel). 
Em 1936, Inge Lehman, sismóloga dinamarquesa, descobriu o contacto entre o Núcleo Interno e o Núcleo Externo. Esse último possui propriedades semelhantes aos líquidos o que impede a propagação das ondas S. O Núcleo Interno é sólido e nele se propagam tanto as ondas P como as S. 
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Energia interna do Planeta Terra
A consideração sobre a origem da energia interna do Planeta Terra, que causa magmatismos, terremotos, vulcanismo, está intimamente relacionada à interpretação do processo de formação do Planeta Terra. No século XIX e na primeira metade do século XX, era acreditada mundialmente a teoria de origem da Terra em alta temperatura. Esta teoria era chamada, também, como teoria de fissão e é baseada na idéia de que os planetas foram formados depois da formação do Sol. Isto é, antigamente, o Sol não tinha o sistema planetário. Em um tempo no passado, uma estrela aproximou-se ao Sol e a força gravitacional desta estrela extraiu uma parte do gás presente na superfície do Sol. O gás extraído foi resfriado no espaço, e se contraiu pela própria gravidade universal para formar os planetas. A Terra também foi formada através deste processo, isto é, do resfriamento do gás solar incandescente e portanto era uma bola de fogo na época da sua formação (Fig. 2.10A). Desde a época da sua formação a Terra vem se resfriando até o presente.
Teorias relacionadas a origem do planeta Terra
	
	Fig. 2.10 - Três teorias sobre a origem do sistema planetário em torno do Sol: (A) teoria de fissão, que sugere a origem da Terra em alta temperatura, aceita antes da Segunda Guerra Mundial; (B) teoria de acumulação, em baixa temperatura, até o Projeto Apollo; (C) teoria de planetésimal, em alta temperatura, após o Projeto Apollo. 
Conforme esta teoria, no final do século XIX, W. Thomson, um físico inglês conhecido popularmente como Lord Kelvin, calculou a idade do Planeta Terra a partir da comparação entre o estado térmico da Terra da época da formação e do presente. Através da teoria física com base no resfriamento por irradiação a partir da superfície do planeta, ele concluiu que a formação Terra ocorreu no mínimo 20 Ma e no máximo 400 Ma. A sigla internacional "Ma" é utilizada para representar a idade absoluta no tempo geológico, significando milhões de anos a partir