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Artigo sobre Direito do Esquecimento

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DIREITO AO ESQUECIMENTO: UM CONFLITO ENTRE A DIGNIDADE DO 
INDÍVIDUO E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E INFORMAÇÃO DA 
COLETIVIDADE 
 
Caio Felipe Larry Barriga Uchôa 
1
 
Cleude dos Santos Fonseca
 2 
Dayse das Dores Silva Ferreira Bogea
 3 
Keyson Luís dos Santos Galvão
 4 
Luís Ricardo Pires Lima
 5 
Raimundo Nonato Sousa Gomes
6 
RESUMO 
Há uma grande discussão no tocante a entendimentos no que se refere a liberdade de 
expressão/informação e os atributos do indivíduo tais como: a intimidade, a privacidade e a honra. 
Nesse sentido, o presente artigo justifica-se na tentativa de compreender os diferentes entendimentos 
e/ou posicionamentos acerca dessa questão. Para tanto, surge a seguinte problemática: Até que ponto o 
direito ao esquecimento é um direito no que tange a preservação ou não dos atributos individuais da 
pessoa humana? A partir dessa indagação, traça-se como objetivos essenciais na tentativa de responder 
tal problemática, a saber: compreender que a Personalidade e Dignidade são atributos próprios do ser 
humano; entender até que ponto, conhecer fatos, notícias e acontecimentos da vida pessoal do indivíduo 
são realmente de interesse coletivo; e por fim, analisar dois casos concretos dessas nuances, de forma a 
construir uma opinião consistente, mas não conclusiva. Desta feita, a consolidação dessa proposta 
repousa em um trabalho de cunho bibliográfico, que logicamente não pretende analisar todos os aspectos 
do tema. Pretende-se portanto, pontuar aspectos principais das relações com esse direito. Assim sendo, 
o Supremo Tribunal Federal entende que é incompatível com a Constituição Federal a ideia de um direito 
ao esquecimento, assim entendido como o poder de obstar, em razão da passagem do tempo, a 
divulgação de fatos ou dados verídicos e licitamente obtidos e publicados em meios de comunicação 
social – analógicos ou digitais. 
 
Palavras – chave: Dignidade da pessoa humana; Direito da Personalidade; Liberdade de expressão e 
informação. 
 
1INTRODUÇÃO 
 
O direito ao esquecimento é um tipo de direito que o indivíduo possui de não 
permitir e/ou desejar que uma notícia, acontecimento, mesmo que verdadeiro e que se passou 
em um dado momento de sua vida pessoal ou profissional, venha a ser divulgado, tal qual, possa 
 
1 Técnico em administração; Acadêmico do curso de Direito. E-mail: caiofelipe.larry@gmail.com 
2 Pós-graduação em Docência do Ensino Superior – Faculdade Cândido Mendes. Licenciatura em Letras - UEMA; 
Acadêmica do Curso de Direito. E-mail: cleudefonseca@bol.com 
3 Pós-graduação em Supervisão Escolar - IESF; Licenciatura em matemática – UEMA; Acadêmica do curso de 
Direito. E-mail: suedlorena17@gmail.com 
4 Bacharel em Gestão Empresarial- Universidade Estadual do Vale do Acaraú - UVA; Acadêmico do Curso de 
Direito. E-mail: keyssongalvao@hotmail.com 
5 Bacharel em Administração - CEERSEMA. Acadêmico do Curso de Direito. E-mail: asafericardo@gmail.com 
6 Pós-graduação em Supervisão Escolar - IESF; Licenciatura em Letras – INSTITUTO APICE; Acadêmica do 
curso de Direito. E-mail: raimundononatogomes61@gmail.com 
 
mailto:caiofelipe.larry@gmail.com
mailto:cleudefonseca@bol.com
mailto:suedlorena17@gmail.com
mailto:keyssongalvao@hotmail.com
mailto:asafericardo@gmail.com
mailto:raimundononatogomes61@gmail.com
 
 
 
 
 
de alguma forma submeter-lhe a constrangimento, transtorno ou sofrimento tanto pessoal como 
familiar. 
O fundamento legal, no Brasil, repousa dentro da Constituição de forma legal, uma 
vez que, considera-se um direito à privacidade, a intimidade e a honra, em que os mesmos são 
assegurados na Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, X) e pelo Código Civil/02, artigo 
21. Ainda corroborando nesse sentido têm-se ainda que o mesmo decorre da dignidade da 
pessoa humana, conforme preceitua o artigo 1º, III, da Constituição Federal/1988. 
Notadamente, há uma grande discussão no tocante a entendimentos no que se refere 
a liberdade de expressão/informação e os atributos do indivíduo tais como: a intimidade, a 
privacidade e a honra. Nesse sentido, o presente artigo justifica-se na tentativa de compreender 
os diferentes entendimentos e/ou posicionamentos acerca dessa questão. 
Para tanto, surge a seguinte problemática: Até que ponto o direito ao esquecimento 
é um direito no que tange a preservação ou não dos atributos individuais da pessoa humana? A 
partir dessa indagação, traça-se como objetivos essenciais na tentativa de responder tal 
problemática, a saber: compreender que a Personalidade e Dignidade são atributos próprios do 
ser humano; entender até que ponto, conhecer fatos, notícias e acontecimentos da vida pessoal 
do indivíduo são realmente de interesse coletivo; e por fim, analisar dois casos concretos dessas 
nuances, de forma a construir uma opinião consistente, mas não conclusiva. 
Desta feita, a consolidação dessa proposta repousa em um trabalho de cunho 
bibliográfico, que logicamente não pretende analisar todos os aspectos do tema. Pretende-se 
portanto, pontuar aspectos principais das relações com esse direito. 
 
2 DIREITO DA PERSONALIDADE 
 
Nesse interim, o direito surgiu como uma forma de organização dos seres humanos, 
buscando regular a conduta humana, tendo-os como centro do direito, e apesar da dignidade e 
da individualidade ser algo intrínseco dos indivíduos, o direito precisa ter em seu ordenamento 
jurídico algo que busca proteger esses direitos da pessoa humana como ser existente, e esses 
são os direitos da personalidade. 
 
“Portanto, é possível afirmar que o direito ao respeito da dignidade da pessoa humana 
concretiza de fato e de direito uma limitação à liberdade individual de dispor 
[plenamente] dos próprios direitos, incluindo os da personalidade (vida, liberdade, 
integridade etc.), tutelando o indivíduo contra si mesmo. Dessa forma, o Estado é 
obrigado a agir para garantir um conteúdo mínimo e igualitário à esfera jurídica de 
cada pessoa, abrangendo o direito à vida, à saúde, à integridade, à imagem e à honra, 
 
 
 
 
 
às liberdades, à reserva sobre a intimidade da vida privada, por exemplo.”. 
(MARIGHETTO, 2019) 
 
Os direitos da personalidade são definidos pelo Código Civil como o direito 
irrenunciável e intransmissível, não podendo sofrer limitação voluntária. Essa personalidade 
não é a personalidade humana, mas sim a personalidade jurídica que reflete esses direitos a 
partir do momento que o ordenamento jurídico os recolhe. 
Os direitos da personalidade foram introduzidos no Brasil com a Constituição 
Federal de 1988, tendo entre seus direitos fundamentais, a dignidade da pessoa humana, o que 
fez a semente desse direito crescer no Código Civil de 2002. 
 
“O novo Código Civil começa proclamando a ideia de pessoa e os direitos da 
personalidade. Não define o que seja pessoa, que é o indivíduo na sua dimensão 
ética, enquanto é e enquanto deve ser. A pessoa, como costumo dizer, é o valor-
fonte de todos os valores, sendo o principal fundamento do ordenamento jurídico; 
os direitos da personalidade correspondem às pessoas humanas em cada sistema 
básico de sua situação e atividades sociais.”. (REALE, 2004) 
 
Na lei, cada direito da personalidade é feito para tutelar um valor fundamental e 
exigem respeito à proteção da integridade física e psíquica, como por exemplo, o corpo, o risco 
de vida, o nome, a imagem, a honra e a vida privada. 
E por esse fato, entende-se que as pessoas e/ou qualquer forma de organização não 
podem usar esses direitos para menosprezar ou expor outras pessoas de forma que ameace sua 
condição de dignidade e individualidade. 
 
3 A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA: ATRIBUTOS INDIVIDUAIS COMO 
INTIMIDADE, PRIVACIDADE E A HONRA 
 
 A dignidade da pessoa humana é um valor resultante dos grandes feitos de uma 
população que ao longo dos tempos, passou humilhações e perda de sua honra, que por meio 
da ditadura

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