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Fichamento Kelsen

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1 
. 
 
Indicação bibliográfica 
KELSEN, Hans. Teoria Pura do Direito. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006. Justiça e Direito. 
Página Resumo do texto KELSEN, Hans. Teoria Pura do Direito. 7. ed. São Paulo: Martins 
Fontes, 2006. Justiça e Direito 
01 “A Teoria Pura do Direito é uma teoria do Direito positivo - do Direito positivo 
em geral, não de uma ordem jurídica especial. É teoria geral do Direito, não 
interpretação de particulares normas jurídicas, nacionais ou internacionais. Contudo, 
fornece uma teoria da interpretação.“ 
“Como teoria, quer única e exclusivamente conhecer o seu próprio objeto. 
Procura responder a esta questão: o que é e como é o Direito? Mas já não lhe importa 
a questão de saber como deve ser o Direito, ou como deve ele ser feito. É ciência 
jurídica e não política do Direito.” 
Nota: A teoria pura do direito em seu objeto de estudo, o próprio Direito, teve 
como principal objetivo o estudo do Direito sem interferência ou intervenção externa ou 
extra jurídica. 
02 “[...] Se analisarmos qualquer dos fatos que classificamos de jurídicos ou que 
têm qualquer conexão com o Direito - por exemplo, uma resolução parlamentar, um ato 
administrativo, uma sentença judicial, um negócio jurídico, um delito, etc. -, poderemos 
distinguir dois elementos: primeiro, um ato que se realiza no espaço e no tempo, 
sensorialmente perceptível, ou uma série de tais atos, uma manifestação externa de 
conduta humana; segundo, a sua significação jurídica, isto é, a significação que o ato 
tem do ponto de vista do Direito. [...] O processo exterior significa juridicamente que foi 
ditada uma sentença judicial. Um comerciante escreve a outro uma carta com 
determinado conteúdo, à qual este responde com outra carta. Significa isto que, do 
ponto de vista jurídico, eles fecharam um contrato. Certo indivíduo provoca a morte de 
outro em conseqüência de uma determinada atuação. Juridicamente isto significa: 
homicídio.” 
Nota: O ato jurídico é algo que depende da vontade do homem, e a norma 
jurídica confere conseqüências de direito. Acima foi citado a construção de um contrato 
e um exemplo de um ato ilícito, ou seja, que vai de encontro a lei, como o exemplo do 
homicídio. 
05 “[...] Aquele que ordena ou confere o poder de agir, quer, aquele a quem o 
comando é dirigido, ou a quem a autorização ou o poder de agir é conferido, deve. 
Desta forma o verbo “dever” é aqui empregado com uma significação mais ampla que a 
2 
. 
 
usual. No uso corrente da linguagem apenas ao ordenar- corresponde um “dever”, 
correspondendo ao autorizar um “estar autorizado a” e ao conferir competência um 
“poder” [...]. “ 
07/08 “Os atos que têm por sentido uma norma podem ser realizados de diferentes 
maneiras. [...] O sentido dessas proposições, porém, não é o de um enunciado sobre 
um fato da ordem do ser, mas uma norma da ordem do dever-ser, quer dizer, uma 
ordem, uma permissão, uma atribuição de competência [...]”. 
Nota: Contudo, temos que tomar cuidado quanto à distinção do sentido 
subjetivo do sentido objetivo, pois, nem sempre o sentido subjetivo de qualquer ato 
volitivo do homem visa à conduta do outro e nem sempre tais atos tem também 
objetivamente tal sentido, para ser considerado uma norma. 
10 “[...] O sentido subjetivo dos atos que constituem a situação fática do costume 
não é logo e desde o início um dever-ser. Somente quando estes atos se repetiram 
durante um certo tempo surge no indivíduo a idéia de que se deve conduzir como 
costumam conduzir-se os membros da comunidade e a vontade de que também os 
outros membros da comunidade se comportem da mesma maneira.[...]” 
12 “[...] Uma norma jurídica é considerada como objetivamente válida apenas 
quando a conduta humana que ela regula lhe corresponde efetivamente, pelo menos 
numa certa medida. Uma norma que nunca e em parte alguma é aplicada e respeitada, 
isto é, uma norma que - como costuma dizer-se - não é eficaz em uma certa medida, 
não será considerada como norma válida (vigente). [...]”. 
Nota: Validade é uma qualidade da norma que designa sua pertinência ao 
ordenamento por terem sido obedecidas às condições formais e materiais de sua 
produção e conseqüente integração ao sistema. 
16 Apenas a conduta humana ou outros fatores ligados a ela podem ser regulados 
através da norma. Sendo que os outros fatores só podem ser contemplados como 
conteúdo de norma enquanto tiverem relação direta com uma conduta humana. 
16/17 “[...] A regulamentação da conduta humana por um ordenamento normativo 
processa-se por uma forma positiva e por uma forma negativa. A conduta humana é 
regulada positivamente por um ordenamento positivo, desde logo, quando a um 
indivíduo é prescrita a realização ou a omissão de um determinado ato.[...]” 
Nota: Na realização do ato o individuo praticando a ação o objeto é positivo, 
3 
. 
 
 
1 A coisa só tem valor depois de comparada com outra. O valor há de depender sempre de um julgamento; É a inteligência que 
faz juízo de valor, que julga bons ou maus os fatos que concorram para levar o agente aos fins que ele deseja atingir. Goffredo 
Telles Jr., O direito yufintico, cit., cap. III; cap. 1, p. 68-73; caps. IV e VI, p. 276-80. DINIZ, Maria Helena. Compêndio de 
Introdução a Ciência do Direito . São Paulo: Saraiva, 2000. 
 
enquanto que na abstenção do ato, o objeto é negativo. 
21 “O chamado “juízo” judicial não é, de forma alguma, tampouco como a lei que 
aplica, um juízo no sentido lógico da palavra, mas uma norma - uma norma individual, 
limitada na sua validade a um caso concreto, diferentemente do que sucede com a 
norma geral, designada como “lei”.” 
Nota: O juízo é a atividade mental através da qual se admite uma asserção 
(afirmação) como verdadeira ou se estabelece uma relação entre duas idéias. 
25 “[...] O juízo que afirma que algo é adequado ao fim pode, conforme o caráter 
subjetivo ou objetivo do fim, ser um juízo de valor
1
 subjetivo ou objetivo. Um tal juízo de 
valor, porém, é apenas possível com base numa visualização da relação causal que 
existe entre os fatos a considerar como meio e como fim.[...]” 
Nota: Temos que nos ater que o juízo relativo em uma relação bilateral existira 
um juízo de valor - subjetivo ou objetivo - apenas na medida em que um deles nesta 
relação é pressuposto como fim subjetivo ou objetivo, ou seja, estabelecido por uma 
norma. 
29 Não precisa ter mais de uma pessoa para acontecer uma ordem moral, a regra 
moral esta ligada a um sentimento interno. É uma força de dentro para fora, não sendo 
superior a pessoa. Não pode impor com o uso da força a conduta moral, além de não 
ter uma sanção para tal conduta, o comportamento ou a conduta imoral, deve ser, 
desaprovada, pelo próprio individuo. Apesar da provação ou desaprovação dos pares 
serem recebidas como recompensa ou castigos, representando por muitas vezes 
sanções, até mais duras e eficazes, com relação à norma. 
35/36 “Uma outra característica comum às ordens sociais a que chamamos Direito é 
que elas são ordens coativas, no sentido de que reagem contra as situações 
consideradas indesejáveis, por serem socialmente perniciosas - particularmente contra 
condutas humanas indesejáveis - com um ato de coação, isto é, com um mal - como a 
privação da vida, da saúde, da liberdade, de bens econômicos e outros -, um mal que é 
aplicado ao destinatário mesmo contra sua vontade, se necessário empregando até a 
força física - coativamente, portanto. Dizer-se que, com o ato coativo que funciona 
4 
. 
 
 
2
 Conduta antijurídica: - Conduta – modo de proceder de cada individuo, seu comportamento no meio em que vive; - Antijurídica 
– ato contrário ao Direito. – C.A. é o comportamento do individuo contrário a norma. Guimarães, Deocleciano Torrieri. 
Dicionário compacto jurídico – 10. ed. – São Paulo: Rideel, 2007.como sanção, se aplica um mal ao destinatário, significa que este ato é normalmente 
recebido pelo destinatário como um mal. Pode excepcionalmente suceder, no entanto, 
que não seja este o caso.[...]”. 
40 “[...] Este monopólio da coação está descentralizado quando os indivíduos que 
têm competência para a execução dos atos coativos estatuídos pela ordem jurídica não 
têm o caráter de órgãos especiais, funcionando segundo o princípio da divisão do 
trabalho, mas é aos indivíduos que se consideram lesados por uma conduta 
antijurídica
2
 de outros indivíduos que a ordem jurídica atribui o poder de utilizar a força 
contra os violadores do Direito - ou seja, quando ainda perdura o princípio da 
autodefesa.[...]”. 
Nota: A antijuridicidade do individuo será controlada ou fiscalizada por órgãos 
competentes sempre que outro individuo sinta-se lesado por alguma conduta oposta à 
norma, de forma coercitiva. 
41 Quando falamos em segurança coletiva, fazemos logo referencia a visão da 
paz é a tranqüilidade pública, sem o uso da força física. Contudo, no Direito esta 
concepção é relativa e não constituindo uma verdade absoluta, devido o Direito fazer 
uso da força, isto é, o Direito por praxe é coercitiva, propõe em sua natureza a 
segurança, categórica figuração de uma paz. 
44 “[...] O pressuposto da privação da liberdade não é uma determinada conduta 
do indivíduo que essa medida atinge, mas a suspeita de uma tal conduta. Os órgãos 
policiais podem ser autorizados pela ordem jurídica a colocar os indivíduos sob prisão 
protetora, isto é, a retirar-lhes a liberdade a fim de os proteger contra agressões 
antijurídicas de que estão ameaçados. As ordens jurídicas modernas prescrevem o 
internamento compulsivo de doentes mentais perigosos em asilos e dos portadores de 
doenças contagiosas em hospitais.[...]”. 
Nota: É possível ver este exemplo de conduta quando: um doente mental 
podendo ser alvo de sua insanidade, pode ser regressado a um local destinado a esse 
tipo de portadores de doenças e lhe será privado a liberdade para protegê-lo. 
45/46 “Finalmente, o conceito de sanção pode ser estendido a todos os atos de 
coerção estatuídos pela ordem jurídica, desde que com ele outra coisa não se queira 
5 
. 
 
exprimir se não que a ordem jurídica, através desses atos, reage contra uma situação 
de fato socialmente indesejável e, através desta reação, define a indesejabilidade 
dessa situação de fato. É esta, na verdade, a característica comum a todos os atos de 
coerção estatuídos pela ordem jurídica. Se tomarmos o conceito de sanção neste 
sentido amplíssimo, então o monopólio da coerção por parte da comunidade jurídica 
pode ser expresso na seguinte alternativa: a coação exercida por um indivíduo contra 
outro ou é um delito, ou uma sanção (entendendo, porém, como sanção, não só a 
reação contra um delito, isto é, contra uma determinada conduta humana, mas também 
a reação contra outras situações de fato socialmente indesejáveis)”. 
50 “Uma análise dos juízos pelos quais interpretamos certos atos como atos 
jurídicos, quer dizer, como atos cujo sentido objetivo é norma, fornece-nos a resposta. 
Essa análise mostra o pressuposto sob o qual é possível esta interpretação”. 
 Nota: A verdade é que caracterizamos e interpretamos estes atos como 
jurídicos, por interpretarmos essas normas como Constituição, na qual foi elaborada 
por órgão legislativo. Em conformidade com as normas em seu sentido subjetivo 
conferindo-lhe a competência para legislar e o sentido objetivo por reconhecer o seu 
ato na aplicação e efetivação da norma pelos órgãos competentes. 
59 “Visto o Direito regular o processo através do qual ele próprio é produzido, 
importa distinguir este processo regulado pelo Direito, como forma jurídica, do conteúdo 
por este processo produzido, como conteúdo jurídico, e falar de um conteúdo jurídico 
juridicamente irrelevante.[...] Esta distinção baseia-se no fato de que, na forma de lei, 
podem surgir não só normas gerais reguladoras da conduta humana mas também 
decisões administrativas, como a concessão da cidadania a um determinado indivíduo, 
ou a aprovação do orçamento do Estado;[...] Os termos forma jurídica e conteúdo 
jurídico são, no entanto, inexatos e mesmo desorientadores, na medida em que, para 
um ato ser objetivamente interpretado como ato jurídico, é necessário não só que esse 
ato seja posto num determinado processo mas também que ele tenha um determinado 
sentido subjetivo. Depende da definição de Direito pressuposta na norma fundamental 
qual deva ser esse sentido.[...]” 
62 As normas não autônomas são também as normas jurídicas que outorgam 
certo poder para por em prática uma determinada conduta, desde que entendamos 
outorgar ou conferir, como um poder jurídico, a um indivíduo, ou seja, conferir-lhe o 
poder de produzir normas jurídicas. 
67 “Ao definir o Direito como norma, na medida em que ele constitui o objeto de 
6 
. 
 
uma específica ciência jurídica, delimitamo-lo em face da natureza e, ao mesmo tempo, 
delimitamos a ciência jurídica em face da ciência natural. Ao lado das normas jurídicas, 
porém, há outras normas que regulam a conduta dos homens entre si, isto é, normas 
sociais, [...] Na medida em que a Justiça é uma exigência da Moral, na relação entre a 
Moral e o Direito está contida a relação entre a Justiça e o Direito
2
. A tal propósito deve 
notar-se que, no uso corrente da linguagem, assim como o Direito é confundido com a 
ciência jurídica, a Moral é muito freqüentemente confundida com a Ética, [...] A pureza 
de método da ciência jurídica é então posta em perigo, não só pelo fato de se não 
tomarem em conta os limites que separam esta ciência da ciência natural, mas - muito 
mais ainda - pelo fato de ela não ser, ou de não ser com suficiente clareza, separada 
da Ética: de não se distinguir claramente entre Direito e Moral.” 
Nota: As normas de trato social têm por escopo regras que determinam ao 
homem qual a conduta a ser seguida a fim de torna o seu convívio na sociedade mais 
agradável, harmonioso, consiga o bem-estar. 
72 “Se, do ponto de vista de um conhecimento científico, se rejeita o suposto de 
valores absolutos em geral e de um valor moral absoluto em particular - pois um valor 
absoluto apenas pode ser admitido com base numa crença religiosa na autoridade 
absoluta e transcendente de uma divindade - e se aceita, por isso, que desse ponto de 
vista não há uma Moral absoluta, isto é, que seja a única válida, excluindo a 
possibilidade da validade de qualquer outra; se se nega que o que é bom e justo de 
conformidade com uma ordem moral é bom e justo em todas as circunstâncias, e o que 
segundo esta ordem moral é mau é mau em todas as circunstâncias; [...] então a 
afirmação de que as normas sociais devem ter um conteúdo moral, devem ser justas, 
para poderem ser consideradas como Direito, apenas pode significar que estas normas 
devem conter algo que seja comum a todos os sistemas de Moral enquanto sistemas 
de Justiça. Em vista, porém, da grande diversidade daquilo que os homens 
efetivamente consideram como bom e mau, justo e injusto, em diferentes épocas e nos 
diferentes lugares, não se pode determinar qualquer elemento comum aos conteúdos 
das diferentes ordens morais.[...]”. 
 Nota: Em sua definição, o termo justo quer dizer: o que está certo; em 
conformidade com a lei; e com a justiça. Enquanto que injusto, pode ser interpretado 
como demasiado severo, contrário à justiça, além de iníquo (perverso). Assim, 
podemos concluir que só em um consenso de maneira universal para ditar um tratado 
do que é o bem ou o mal, o justo ou injusto em qual época for para prevalecer uma 
equidade. 
7 
. 
 
 
3
 Na Teoria Geral do Direito o estudo da norma jurídica é de fundamental importância, porque se refere à 
substância própria do Direito objetivo. Nader, Paulo. Introdução ao estudo do direito- Rio de Janeiro : 
Forense, 1985. 
 
79 “Na afirmação evidente de que o objeto da ciência jurídica é o Direito, está 
contida a afirmação - menos evidente - de que são as normas jurídicas o objeto da 
ciência jurídica, e a conduta humana só o é na medida em que é determinada nas 
normas jurídicas como pressuposto ou conseqüência, ou - por outras palavras - na 
medida em que constitui conteúdo de normas jurídicas. [...]” 
Nota: A teoria da norma jurídica
3
 é o propósito pelo qual é indispensável para 
se estudar a ciência do direito, que nada mais é do que a ciência das normas de direito. 
86 Ao impor uma conduta ao homem lhe atribuindo uma responsabilidade, 
aplicando um principio, diferente da casualidade, ordenado-lhe, esta poderá ser 
nomeada como imputação. 
“[...] efetivamente um princípio que, embora análogo ao da causalidade, no 
entanto, se distingue dele por maneira característica. A analogia reside na circunstância 
de o princípio em questão ter, nas proposições jurídicas, uma função inteiramente 
análoga à do princípio da causalidade nas leis naturais, com as quais a ciência da 
natureza descreve o seu objeto.[...]” 
90 “Assim como a lei natural é uma afirmação ou enunciado descritivo da 
natureza, e não o objeto a descrever, assim também a lei jurídica é um enunciado ou 
afirmação descritiva do Direito, a saber, da proposição jurídica formulada pela ciência 
do Direito, e não o objeto a descrever, isto é, o Direito, a norma jurídica. [...]”. 
95 As ciências como a Psicologia, a Etnologia, a História e a Sociologia que tem 
como objeto de estudo a conduta humana, na medida em que ela é baseada e 
ordenada transversalmente de leis causais, ou seja, na proporção em que se processa 
no domínio da natureza ou da realidade natural. 
96/97 “[...] Quando dizemos que uma sociedade determinada é constituída através de 
uma ordem normativa que regula a conduta recíproca de uma pluralidade de 
indivíduos, devemos ter consciência de que ordem e sociedade não são coisas 
diferentes uma da outra, mas uma e a mesma coisa, de que a sociedade não consiste 
senão nesta ordem e de que, quando a sociedade é designada como comunidade, a 
8 
. 
 
 
4
 Direito como Experiência Normativa – Quer dizer que dentre os elementos que compõe o conceito de Direito é a norma jurídica 
a mais importante dos elementos, apesar de não descarta o fato social, a justiça, o bem comum e os valores. BOBBIO, Norberto. 
“Teoria do Ordenamento Jurídico”. Brasília: 1991, Editora Polis / Editora Universidade de Brasília 
5
 Retribuição - do Lat. Retribuitione; recompensa; prêmio. Dicionário Língua Portuguesa On-Line 
 
ordem que regula a conduta recíproca dos indivíduos é, no essencial, o que há de 
comum entre esses indivíduos.[...]”. 
Nota: Uma sociedade deve ser constituída da norma jurídica como Kelsen 
afirma, porém, não podemos descartar os elementos como: a experiência jurídica
4
 , o 
fato social, o bem comum, os valores, a justiça e a ordem que se fala na transcrição é 
se faz necessária para criar uma organização dentro da sociedade. 
103 “[...] Se o princípio retributivo
5
 liga uma conduta conforme à norma com a 
recompensa e uma conduta contrária à norma com a penitência ou com a pena e, 
assim, pressupõe uma norma que prescreva ou proíba essa conduta - ou uma norma 
que proíbe a conduta precisamente porque lhe liga uma pena -; e se a conduta que 
constitui o imediato pressuposto da recompensa, da penitência ou da pena é ela 
mesma prescrita ou proibida sob um determinado pressuposto, então também a 
conduta a que são imputados, como a um pressuposto imediato, o prêmio, a penitência 
ou a pena, pode - se se entende por imputação toda a ligação de uma conduta humana 
com o pressuposto sob o qual ela é prescrita ou proibida numa norma
17
 - ser imputada 
ao pressuposto sob o qual ela é prescrita ou proibida.[...]” 
109 O brocardo [...] “tudo compreender é tudo perdoar. [...]” – Na interpretação 
dessa máxima não se pode deixar transparecer uma idéia de que a casualidade pode 
excluir a imputação, isto é, conhecendo a conduta do homem, as suas causas, poderia 
renunciá-lo de puni-lo por conta dessa conduta. A verdade é que o não conhecimento 
da conduta humana por completo deixa lacunas para interpretação. 
119 “[...] A autoridade que cria o Direito e que, por isso, o procura manter, pode 
perguntar-se se é útil um conhecimento do seu produto isento de ideologia. E também 
as forças que destroem a ordem existente e a querem substituir por uma outra, havida 
como melhor, podem não saber como empreender algo importante com um tal 
conhecimento jurídico. A ciência do Direito não pode, no entanto, preocupar-se, quer 
com uma, quer com as outras. Uma tal ciência jurídica é o que a Teoria Pura do Direito 
pretende ser. [...]” 
121 “[...] Atos de coerção são atos a executar mesmo contra a vontade de quem por 
eles é atingido e, em caso de resistência, com o emprego da força física. [...]” 
9 
. 
 
 
6
 Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano. C.C. 
 
Nota: O Estado é a personificação dessa característica, esse emprego da força 
ou na verdade poder, o Estado é quem tem esse poder. 
128 “A conduta de um indivíduo prescrita por uma ordem social é aquela a que este 
indivíduo está obrigado. [...]”. 
Nota: Isto quer dizer que ao individuo recai um dever de se portar ou conduzir 
baseado no que está escrito por uma ordem social. Podendo ou não, ser-lhe imposto 
uma sanção, se for ou existir para o caso. 
134 “[...] É-se obrigado a uma conduta conforme ao Direito e responde-se por uma 
conduta antijurídica. O indivíduo obrigado pode, pela sua conduta, provocar ou evitar a 
sanção. [...]”. 
136 “A responsabilidade coletiva é um elemento característico da ordem jurídica 
primitiva e está em estreita conexão com o pensar e o sentir identificadores dos 
primitivos. [...]”. 
138 “[...] O fato de que a ordem jurídica obriga à indenização
6
 de um prejuízo é 
corretamente descrito na seguinte proposição jurídica: se um indivíduo causa a outrem 
um prejuízo e este prejuízo não é indenizado, deve ser dirigido contra o patrimônio de 
um outro indivíduo um ato coercitivo como sanção, [...]”. 
145 Tanto o direito sobre uma coisa (jus in rem) e o direito a uma pessoa (jus in 
Personam) são em face de pessoas. 
146 “Visto que o Direito, como ordem social, regula a conduta de indivíduos nas 
suas relações - imediatas ou mediatas [...]” 
Nota: O objeto imediato consiste em um certo ato, ou em sua abstenção, que o 
sujeito ativo da relação jurídica tem o direito de exigir do sujeito passivo, podendo ser 
positivo ou negativo. Objeto mediato são os bens jurídicos sobre os quais recaem e 
para os quais se dirigem os direitos e as obrigações. 
154 “A situação designada como titularidade de um direito ou direito subjetivo 
também pode consistir no fato de a ordem jurídica condicionar uma determinada 
atividade, por exemplo, o exercício de uma determinada indústria ou profissão, a uma 
autorização, designada como “concessão” ou “licença”, que é concedida, quer sob os 
10 
. 
 
 
7 A capacidade jurídica da pessoa natural é limitada, pois uma pessoa pode ter o gozo de um direito, sem ter o seu exercício por 
ser incapaz; logo, seu representante legal é que o exerce em seu nome. DINIZ, Maria Helena. Compêndio de Introdução a 
Ciência do Direito . São Paulo: Saraiva, 2000. 
 
8
 Em toda relação jurídica há sempre um sujeito ativo, portador do direito subjetivo e um sujeito passivo, que possui o dever 
jurídico. Nader, Paulo. Introdução ao estudo do direito.- Rio de Janeiro : Forense, 1985. 
 
pressupostos determinados pela ordem jurídica, quer segundo a livre apreciação do 
órgão competente. [...] por exemplo, a venda, sujeita a licença ou concessão, de 
bebidas alcoólicas ou a vendade medicamentos contendo certas substâncias 
venenosas. [...]” 
158 “A igualdade dos indivíduos sujeitos à ordem jurídica, garantida pela 
Constituição, não significa que aqueles devam ser tratados por forma igual nas normas 
legisladas com fundamento na Constituição, especialmente nas leis. [...]” 
Nota: A igualdade de que se refere à transcrição acima é com relação aos 
direitos e obrigações que o individuo tem limitações, ou seja, a capacidade jurídica
7
 
limitada em adquirir direitos e contrair obrigações, a exemplo de um menor de idade, 
um doente mental, etc. 
166 A competência é o exercício do poder no âmbito jurídico, atribuído essa função 
a um órgão legislativo, com a capacidade dada pela ordem jurídica do poder de criar 
normas gerais, e dos órgãos judiciais e administrativos faculdade legal de um 
funcionário ou tribunal para apreciar ou julgar certos pleitos e questões, além de criar 
normas individuais por aplicação daquelas normas gerais. 
171 “[...] Como órgão jurídico, quer dizer, como órgão da comunidade jurídica, 
surge então todo o indivíduo que realiza uma função jurídica em sentido estrito ou em 
sentido amplo. [...] Neste conceito de função de órgão nada mais se exprime senão a 
relação da função com a ordem normativa que a determina e que constitui a 
comunidade. [...]” 
182 Relação Jurídica
8
 
“[...] Esta é definida como relação entre sujeitos jurídicos, quer dizer, entre o 
sujeito de um dever jurídico e o sujeito do correspondente direito (Berechtigung) ou - o 
que não é o mesmo - como relação entre um dever jurídico e o correspondente direito 
(Berechtigung) - definição em que as palavras “dever” (Pflicht) e “direito” (Berechtigung) 
devem ser entendidas no sentido da teoria tradicional. [...]” 
11 
. 
 
188 “É sujeito jurídico, segundo a teoria tradicional, quem é sujeito de um dever 
jurídico ou de uma pretensão ou titularidade jurídica (Berechtigung) [...]”. 
 Nota: Sujeito jurídico, sujeito da relação ou sujeito de direito, são os que estão 
aptos a adquirir direitos, deveres e contrair obrigações. Sendo, dividido em sujeito ativo 
que tem o direito de cobrar, de exigir e o sujeito passivo que tem o dever jurídico ou a 
obrigação. Vale lembra a distinção entre dever e obrigação, no qual Dever – consiste 
na exigência que o direito objetivo faz a determinado sujeito para que assuma uma 
conduta em favor de alguém, ao passo que Obrigação – é o vinculo que uni duas ou 
mais pessoas, no qual uma dela esta obrigada a uma prestação de natureza 
patrimonial ou econômica a outra. 
188 “[...] Se é o indivíduo o portador dos direitos e deveres jurídicos considerados, 
fala-se de uma pessoa física; se são estas outras entidades as portadoras dos direitos 
e deveres jurídicos em questão, fala-se de pessoas jurídicas. [...]” 
Nota: Quando fizer referencia a pessoa física será relacionada ao ser humano, 
com aptidão de contrair direitos e obrigações. Conhecida também como pessoa natural. 
Assim, considerado como um sujeito de direitos e obrigações com três características, 
como: a personalidade natural (única para cada individuo, é o complexo físico e 
psíquico da pessoa física); a personalidade jurídica (aptidão de adquirir direitos e de 
contrair obrigações e todos tem essa personalidade); e a capacidade jurídica (medida 
limitadora ou delineadora da aptidão de adquirir direitos e de contrair obrigações). Já a 
pessoa jurídica será relacionada a entidade ou instituições que, por força das normas 
jurídicas criadas tem personalidade e capacidade jurídicas para adquirir direitos e 
obrigações. E o que difere a pessoa jurídica da pessoa física é que não tem a 
personalidade natural. E toda pessoa jurídica tem personalidade jurídica e a 
capacidade jurídica é variada. 
211/212 “O resultado da análise precedente da pessoa jurídica é que esta, tal como a 
pessoa física, é uma construção da ciência jurídica. Como tal, ela é tampouco uma 
realidade social como o é - conforme, apesar de tudo, por vezes se admite - qualquer 
criação do Direito. Quando se diz que a ordem jurídica confere a um indivíduo 
personalidade jurídica, isso apenas significa que a ordem jurídica torna a conduta de 
um indivíduo conteúdo de deveres e direitos. Ë a ciência jurídica que exprime a unidade 
destes deveres e direitos no conceito - diferente do conceito de homem – de pessoa 
física, conceito do qual nos podemos servir, como conceito auxiliar, na descrição do 
Direito, mas do qual não temos necessariamente de nos servir, pois a situação criada 
12 
. 
 
 
9
 Silogístico: relativo ao silogismo. Dicionário Língua Portuguesa On-Line – Silogismo argumento ou raciocínio formado de três 
proposições - a maior, a menor (premissas) e a conclusão, sendo esta deduzida da maior, por intermédio da menor; raciocínio 
dedutivo. Ximenes, Sérgio, 1954 – Minidicionário Ediouro da Língua Portuguesa – 2ª. Ed. Reform. – São Paulo: Ediouro, 
2000. 
 
pela ordem jurídica também pode ser descrita sem recorrer a ele. [...]”. 
216/217 Quando uma norma provém de uma autoridade, que tenha capacidade legal 
para isso, isto é, tem competência para estabelecer estas normas válidas por ter uma 
norma que confira esse poder de fixar normas ou criá-las, essas normas irão ser 
válidas. Pois, a autoridade através da norma que estabelece seu poder legislativo e tem 
a competência para exercer esse poder, será a ela submetida também, além, dos 
indivíduos que devem obediência às normas por ela fixadas. 
226 “[...] A fundamentação da validade de uma norma positiva (isto é, estabelecida 
através de um ato de vontade) que prescreve uma determinada conduta realiza-se 
através de um processo silogístico
9
. [...] A norma cuja validade é afirmada na premissa 
maior legitima, assim, o sentido subjetivo do ato de comando, cuja existência é 
afirmada na premissa menor, como seu sentido objetivo. Por exemplo: devemos 
obedecer às ordens de Deus. Deus ordenou que obedeçamos às ordens dos nossos 
pais. Logo, devemos obedecer às ordens de nossos pais.” 
230 “As normas que estão em conflito umas com as outras podem ser postas ao 
mesmo tempo, isto é, com um só ato do mesmo órgão, por tal forma que o princípio da 
lex posterior não possa ser aplicado. [...]”. 
Nota; “Lex Posterior Derogat Priore” Não há lei posterior que derrogue a 
anterior. 
237 “Uma ordem jurídica não perde, porém, a sua validade pelo fato de uma norma 
jurídica singular perder a sua eficácia, isto é, pelo fato de ela não ser aplicada em geral 
ou em casos isolados. Uma ordem jurídica é considerada válida quando as suas 
normas são, numa consideração global, eficazes, quer dizer, são de fato observadas e 
aplicadas. [...]” 
245 “[...] Uma tal doutrina vê o fundamento de validade do Direito positivo no Direito 
natural, quer dizer, numa ordem posta pela natureza como autoridade suprema 
colocada acima do legislador humano. Neste sentido, o Direito natural é também Direito 
posto, isto é, positivo. Direito posto, porém, não pela vontade humana, mas por uma 
vontade supra-humana. Uma doutrina do Direito natural pode, na verdade, afirmar 
13 
. 
 
 
10
 Colmatar - suprir uma falta, uma necessidade. Dicionário Língua Portuguesa On-Line 
 
como fato - se bem que não possa demonstrar - que a natureza ordena que os homens 
se conduzam de determinada maneira. [...]”. 
Nota: Através do texto acima, é certo afirmar a negação do jusnaturalismo e 
seus fundamentos são inaceitáveis pelo autor que afirma e defende o direito positivo. 
Kelsen diz que o Direito é norma jurídica e só ela faz parte do Direito. 
250 “As normas jurídicas gerais criadas pela via legislativa são normas 
conscientemente postas, quer dizer, normas estatuídas. [...]” 
Nota: São normas criadas ou postas pelo homem por meios legais. 
252 “O Direito legislado e o Direito consuetudinário revogam-se um ao outro, 
segundoo princípio da lex posterior. [...]” 
255 “Lei e decreto 
[...] As normas gerais que provêm não do parlamento, mas de uma autoridade 
administrativa, são designadas como decretos, que podem ser decretos 
regulamentares ou decretos-leis. Estes últimos são também chamados decretos com 
força de lei. [...]” 
Nota: A lei é o preceito ou conjunto de preceitos obrigatórios que foram 
emanados da autoridade soberana de uma sociedade, ou seja do poder legislativo. 
Decreto determinação escrita, emanada do chefe do Estado, do poder executivo ou de 
qualquer autoridade soberana. 
261 “[...] A aplicação do Direito é, por conseguinte, criação de uma norma inferior 
com base numa norma superior ou execução do ato coercivo estatuído por uma 
norma.” 
268 “[...] Tal é o caso quando a decisão do tribunal de última instância transita em 
julgado. Isso significa que agora o sentido da decisão de última instância tem de ser 
assumido como seu sentido objetivo. [...]”. 
273 “[...] teoria das lacunas [...] o Direito vigente não é aplicável num caso concreto 
quando nenhuma norma jurídica geral se refere a este caso. Por isso, o tribunal que 
tem de decidir o caso precisa colmatar
10
 esta lacuna pela criação de uma 
correspondente norma jurídica. [...]Esta teoria é errônea, pois funda-se na ignorância 
14 
. 
 
 
11 O contrato é o negócio jurídico típico. A doutrina das obrigações contratuais tem por escopo caracterizá-lo, abrangendo nesse 
conceito todos os negócios jurídicos resultantes de acordo de vontades, de modo a uniformizar sua feição e excluir, assim, 
quaisquer controvérsias, seja qual for o tipo de contrato, desde que se tenha acordo bilateral ou plurilateral de vontades. DINIZ, 
Maria Helena. Compêndio de Introdução a Ciência do Direito - São Paulo: Saraiva, 2000. 
 
do fato de que, quando a ordem jurídica não estatui qualquer dever de um indivíduo de 
realizar determinada conduta, permite esta conduta. [...]” 
283 “[...] A teoria, nascida no terreno da common law anglo-americana, [...] como a 
teoria, nascida no terreno do Direito legislado da Europa continental, [...]os tribunais 
não criam de forma alguma Direito mas apenas aplicam Direito já criado. Esta teoria 
implica a idéia de que só há normas jurídicas gerais, aquela implica a de que só há 
normas jurídicas individuais. A verdade está no meio. [...]A decisão judicial é a 
continuação, não o começo, do processo de criação jurídica.” 
284 “[...] O negócio jurídico típico é o contrato
11
. [...]” 
Nota: Em um contrato são realizados os acordos (acordam) nos quais são as 
diretrizes de como devem conduzir-se as partes de determinada maneira, um em face 
da outra e este é o sentido subjetivo do ato jurídico, porém é o seu sentido objetivo 
também. Pois, este ato é fator produtor de Direito, além de pressuposto de uma sanção 
civil. 
292 “[...] As autoridades administrativas subordinadas ao governo têm, 
especialmente como órgãos de polícia, de aplicar normas gerais que estatuem sanções 
penais, e esta função não se distingue da da jurisdição dos tribunais através do seu 
conteúdo, mas apenas através da natureza do órgão em exercício de funções. [...]” 
296 “[...] O que é nulo não pode ser anulado (destruído) pela via do Direito. Anular 
uma norma não pode significar anular o ato de que a norma é o sentido. [...] Anular 
uma norma significa, portanto, retirar um ato, que tem por sentido subjetivo uma norma, 
o sentido objetivo de uma norma. E isso significa pôr termo à validade desta norma 
através de outra norma. [...]” 
Nota: Para o autor nenhuma norma pode ser anulada, pois a sua criação parte 
do pressuposto que na sua construção de maneira escalonada, sendo de uma norma 
supra para uma infra ordenadas umas às outras. Dessa forma, como as normas só 
pertencem a uma determinada ordem jurídica e na medida em que se harmoniza com a 
norma superior que decidi dogmaticamente a sua criação, o autor afirma que: “[...] 
surge o problema de um possível conflito entre uma norma de escalão superior e uma 
15 
. 
 
 
12
 Dallari, Dalmo de Abreu, 1931 – Elementos de teoria geral do Estado – 25. ed. – São Paulo : Saraiva, 2005 
 
norma de escalão inferior, isto é, a questão: quid juris, [...]” e esse conflito só acontece 
por que na jurisprudência tradicional por se considerar certas expressões ao pé da 
letra. 
300 “[...] De uma lei inválida não se pode, porém, afirmar que ela é contrária à 
Constituição, pois uma lei inválida não é sequer uma lei, porque não é juridicamente 
existente [...]. Se a afirmação, corrente na jurisprudência tradicional, [...] não pode ser 
tomada ao pé da letra. O seu significado apenas pode ser o de que a lei em questão, 
de acordo com a Constituição, pode ser revogada [...] segundo o princípio lex posterior 
derogat priori, mas também através de um processo especial, previsto pela 
Constituição. Enquanto, porém, não for revogada, tem de ser considerada como válida; 
e, enquanto for válida, não pode ser inconstitucional.” 
308 “[...] o Direito é como o rei Midas: da mesma forma que tudo o que este tocava 
se transformava em ouro, assim também tudo aquilo a que o Direito se refere assume o 
caráter de jurídico. Dentro da ordem jurídica, a nulidade é apenas o grau mais alto da 
anulabilidade. [...]” 
Nota: A transcrição na verdade é uma crítica na qual o autor tenta dizer que 
apesar de se apresentar uma norma com a aspiração de torná-la uma norma jurídica 
tenha a princípio de ser considerada como nula, mas deve-se conferir ao órgão 
competente para avaliá-la com efeito de nulidade ou considerá-la como válida. 
311 “[...] Direito público é o comando ou ordem administrativa, uma norma individual 
posta pelo órgão administrativo através da qual o destinatário da norma é juridicamente 
obrigado a uma conduta conforme àquele comando. [...] Direito privado o negócio 
jurídico, especialmente o contrato, quer dizer, a norma individual criada pelo contrato, 
através da qual as partes contratantes são juridicamente vinculadas a uma conduta 
recíproca. [...]” 
321 Os elementos constitutivos do Estado e essenciais são o povo (população), o 
território e o poder (soberania), que se define como uma ordem jurídica relativamente 
centralizada. Porém para Dallari os elementos constitutivos do Estado, além do povo 
(elemento humano), que difere de população - “população é mera expressão numérica, 
demográfica, ou econômica, segundo Marcelo Caetano” 
12
; território (elemento físico) 
que compõe na sua porção geográfica: a terra, a água e o espaço aéreo; soberania 
(elemento político) que esta relacionada diretamente com poder, que é uma 
16 
. 
 
possibilidade em cima dos fatos, sem interferência de uma autoridade estrangeira; e 
por fim a finalidade que kelsen não menciona, no qual fica definido o propósito ou o fim 
para o qual ele constitui. 
321 “O problema do Estado como uma pessoa jurídica, isto é, como sujeito agente 
e sujeito de deveres e direitos é, no essencial, o mesmo problema que se põe para a 
corporação como pessoa jurídica. [...]” 
322 “[...] Na atribuição da conduta de um determinado indivíduo à comunidade do 
Estado, constituída pela ordem jurídica, exprime-se apenas que esta conduta se 
encontra definida, na ordem jurídica que constitui o Estado, como pressuposto ou 
conseqüência. [...]” 
337 “[...] A norma da ordem jurídica estadual que autoriza a conduta contrária ao 
Direito internacional não é anulável, segundo este mesmo Direito. O Direito 
internacional geral limita-se a ligar a esta conduta uma das suas conseqüências do 
ilícito: guerra ou represálias, por parte do Estado em face do qual exista o dever 
estatuído pelo Direito internacional.[...]” 
347 “[...] Com efeito, o caso em que as leis estaduais valem para todo o território do 
Estado, em que, portanto, não há leis estaduais que apenas valham paraum domínio 
parcial do Estado, é bastante freqüente. [...]” 
352 “[...] Uma vez reconhecido que o Estado, como ordem de conduta humana, é 
uma ordem de coação relativamente centralizada, e que o Estado como pessoa jurídica 
é a personificação desta ordem coerciva, desaparece o dualismo de Estado e Direito 
como uma daquelas duplicações que têm a sua origem no fato de o conhecimento 
hispostasiar a unidade (e uma tal expressão de unidade é o conceito de pessoa), por 
ele mesmo constituída, do seu objeto. [...] 
353 “ Esta superação metodológico-crítica do dualismo Estado-Direito é, ao mesmo 
tempo, a aniquilação impiedosa de uma das mais eficientes ideologias da legitimidade. 
Daí a resistência apaixonada que a teoria tradicional do Estado e do Direito opõe à tese 
da identidade dos dois, fundamentada pela Teoria Pura do Direito.” 
354 “O Direito internacional é - de acordo com a habitual determinação do seu 
conceito - um complexo de normas que regulam a conduta recíproca dos Estados - que 
são os sujeitos específicos do Direito internacional. [...]”. 
358 “[...] A formação das normas gerais processa-se pela via do costume ou através 
do tratado, ou seja, por intermédio dos próprios membros da comunidade, e não por 
meio de um órgão legislativo especial. E o mesmo acontece ainda com a aplicação das 
17 
. 
 
normas gerais aos casos concretos. [...]”. 
365 “Do que especialmente se trata, ao determinar a relação existente entre Direito 
estadual e Direito internacional, é da questão de saber se podem existir conflitos 
insolúveis entre os dois sistemas de normas. Somente quando esta questão tenha de 
ser respondida afirmativamente é que fica excluída a unidade do Direito estadual e do 
Direito internacional. [...]”. 
Nota: Quando houver uma sincronia entre o Direito estadual e Direito 
internacional vão se tornar uma unidade só. 
371 “[...] A idéia de que o Direito internacional não vale em relação a um Estado, de 
que as relações deste com outros Estados não estão subordinadas ao Direito 
internacional, não é inviável.” 
375 “A ordem jurídica internacional estatui, além disso, que o domínio territorial 
deste Estado, ou a esfera de validade espacial da ordem jurídica estadual, [...]”. 
376 “[...] Mas não só a existência do espaço, pois também a sucessão no tempo, 
quer dizer, a esfera temporal de validade das ordens jurídicas dos Estados em singular, 
é determinada pelo Direito internacional. O começo e o termo da validade jurídica da 
ordem estadual regem-se pelo princípio jurídico da efetividade. [...]” 
387 “[...] A interpretação é, portanto, uma operação mental que acompanha o 
processo da aplicação do Direito no seu progredir de um escalão superior para um 
escalão inferior. [...]” 
Nota: Essa aplicação da norma segue uma linha vertical de subordinação, ou 
pode ser horizontal em paralelo aos seus pares, evitando assim um conflito. 
390 “[...] a interpretação de uma lei não deve necessariamente conduzir a uma 
única solução como sendo a única correta, mas possivelmente a várias soluções que - 
na medida em que apenas sejam aferidas pela lei a aplicar - têm igual valor, se bem 
que apenas uma delas se torne Direito positivo no ato do órgão aplicador do Direito - no 
ato do tribunal, especialmente. [...]” 
Nota: A interpretação da norma e a aplicação dela podem chegar a várias 
soluções em conformidade com a suposta verdade que é exposta ao aplicador da 
norma, em observação as nuances da problematização. Pois, cada caso tem sua 
peculiaridade. 
395 “A interpretação científica é pura determinação cognoscitiva do sentido das 
normas jurídicas. Diferentemente da interpretação feita pelos órgãos jurídicos, ela não 
é criação jurídica. A idéia de que é possível, através de uma interpretação 
18 
. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
simplesmente cognoscitiva, obter Direito novo, é o fundamento da chamada 
jurisprudência dos conceitos, que é repudiada pela Teoria Pura do Direito.[...]

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