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Doenças das Abelhas

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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO
DEPARTAMENTO DE ZOOTECNIA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA
COMPONENTE CURRICULAR APICULTURA 2020.2
EMANUEL ISAQUE CORDEIRO DA SILVA
DOENÇAS DAS ABELHAS
BELO JARDIM - PERNAMBUCO
2021
EMANUEL ISAQUE CORDEIRO DA SILVA
DOENÇAS DAS ABELHAS
Trabalho elaborado e entregue à
professora Drª Darclet Teresinha dos
Santos Malerbo, titular da disciplina de
Apicultura do curso de Graduação em
Zootecnia, como exigências para
obtenção de nota para a cadeira.
BELO JARDIM - PERNAMBUCO
2021
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO 1
2. CRIA PÚTRIDA AMERICANA 3
2.1 Etiologia 3
2.2 Patogenia 3
2.3 População hospedeira 4
2.4 Diagnóstico 4
2.5 Sintomas 5
2.6 Prevenção e controle 6
2.7 Anexos 7
3. CRIA PÚTRIDA EUROPEIA 10
3.1 Etiologia 10
3.1.1 Epizootiologia 10
3.2 Patogenia 11
3.3 Diagnóstico 11
3.4 Sintomas 12
3.5 Prevenção e controle 12
3.6 Anexos 13
4. CRIA GIZ 15
4.1 Etiologia 15
4.1.1 Epizootiologia 15
4.1.2 Fatores predisponentes 16
4.2 Patogenia 16
4.3 Diagnóstico 17
4.4 Sintomas 17
4.5 Prevenção e controle 17
4.6 Anexos 18
5. CRIA ENSACADA 20
5.1 Etiologia 20
5.1.1 Epizootiologia 20
5.2 Patogenia 21
5.3 Diagnóstico 21
5.4 Sintomas 21
5.5 Prevenção e controle 22
5.6 Anexos 23
6. MEDIDAS PREVENTIVAS PARA AS DOENÇAS DAS CRIAS 25
7. NOSEMOSE 26
7.1 Etiologia 26
7.1.1 Epizootiologia 27
7.2 Patogenia 27
7.3 Diagnóstico 28
7.4 Sintomas 29
7.5 Prevenção e controle 29
7.6 Anexos 30
8. VARROATOSE 32
8.1 Etiologia 32
8.1.1 Epizootiologia 32
8.2 População hospedeira 33
8.3 Patogenia 33
8.4 Diagnóstico 34
8.5 Sintomas 35
8.6 Prevenção e controle 35
8.7 Anexos 36
9. CARACTERIZAÇÃO E TRATAMENTO DAS DOENÇAS 39
9.1 Crias 39
9.2 Adultos 40
10. CONCLUSÕES 41
11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 42
1. INTRODUÇÃO
Existe uma grande variedade de doenças que acometem as abelhas, logo é necessário
que o apicultor conheça algumas doenças, principalmente as que atacam as crias, já que se
não forem tratadas a tempo podem ocorrer prejuízos tanto para os indivíduos quanto para as
perdas econômicas.
Nenhuma das doenças das abelhas é transmitida ao homem, porém alguns dos
produtos que os controlam podem afetar a saúde humana se não forem usados de acordo com
certas instruções.
As doenças das abelhas podem ser descritas de diferentes maneiras, no entanto, para
fins práticos deste trabalho, se definirão as doenças que acometem as crias e, depois, as que
atacam as abelhas adultas e, por conseguinte, cada tópico apresenta subdivisões relacionadas
ao agente causador, como diagnosticar e, finalmente, como evitar ou solucionar o problema
quando se encontram evidências de sua presença nas colmeias.
Os apicultores experimentais podem identificar as doenças das crias, entretanto, as
doenças dos adultos somente podem ser detectadas mediante laboratórios através de análise
de amostras, sendo recomendado realizá-las mensalmente.
A manifestação de doenças nas colmeias pode gerar prejuízos diretos pela diminuição
da produtividade, uma vez que aumento da mortalidade dos indivíduos, tanto de crias como
de adultas, acarreta uma grande redução da população da colônia com posterior redução da
produção. Nos casos mais graves, o apicultor poderá perder seus enxames, uma vez que as
abelhas africanizadas possuem a tendência de abandonar as colmeias quando há declínio do
número de indivíduos ou quando há um número excessivo de crias mortas.
Em países com alta ocorrência de doenças, os apicultores costumam sofrer prejuízos
devido aos gastos com antibióticos para o controle das doenças. Além disso, pode ocorrer
contaminação dos produtos apícolas com os resíduos de medicamentos, o que prejudica a
comercialização, principalmente para o mercado externo.
Uma colmeia em boas condições sanitárias deve gozar de uma população vigorosa de
abelhas, com diferentes estados de crias em seu ninho, a postura da rainha deve ser de um ovo
por célula posto no centro e fundo da célula, uniforme, de uma maneira concêntrica, as larvas
devem apresentar uma coloração branca pérola brilhante sem odores ofensivos, a cria selada
deve mostrar-se parceira, não assustada nem isolada. Ao ser observada uma diminuição
brusca do número de indivíduos, ausência de postura, sem uniformidade, vários ovos por
célula, ovos colocados nas paredes das células, larvas de cor escura, odores fortes, opérculos
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sobressaltados, abelhas pouco ativas ou nervosas, podem ser sintomas de doença ou de
desordem nas abelhas.
As doenças que acometem em abelhas provêm de bactérias no caso das crias pútridas
americana e europeia; dos fungos no caso da cria giz e de vírus ou pólen de planta (Brasil) no
caso da cria ensacada que afetam as crias; fungo no caso da nosemose que afeta as adultas e,
por fim, de ácaro no caso da varroatose que afeta tanto crias como adultas.
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2. CRIA PÚTRIDA AMERICANA
É uma doença por vezes conhecida como podridão das crias, peste viscosa ou cria
putrefata. A cria pútrida americana (CPA) é uma doença bacteriana das crias das abelhas
causada pelo agente Paenibacillus larvae subespécie larvae. As larvas são contaminadas à
medida que se alimentam de material contaminado com os esporos dessa bactéria. Essa
doença não representa ameaça ao homem.
A bactéria produz esporos que sobrevivem no alimento larval e restos de larvas de
abelhas mortas (escamas) por muitos anos. Esses esporos são altamente resistentes ao calor, a
desidratação, a luz solar direta e a desinfecção por diversos produtos químicos.
No Brasil, já foram isolados esporos dessa bactéria em abelhas e mel provenientes de
colmeias sem sintomas da doença, no estado do Rio Grande do Sul. A contaminação neste
estado ocorreu uma vez que os apicultores alimentaram as abelhas com mel e pólen
importados e que encontravam-se contaminados com a bactéria. A CPA pode provocar sérios
danos, já que seu controle é difícil, uma vez que a bactéria é resistente a antibióticos e pode
permanecer durante muito tempo livre no ambiente, resistindo às intempéries de temperatura,
umidade, pressão etc.
2.1 Etiologia
O agente causador é a bactéria P. larvae subespécie larvae, bacilo Gram+ esporulado.
Suas formas vegetativas medem entre 2,3 a 5 μm de comprimento e 0,5 a 0,6 μm de largura,
móveis através de flagelos perítricos. Seus esporos são ovulados medindo 1,3-1,5 por 0,6-0,7
μm. Somente os esporos são infecciosos. Apesar da alta virulência que normalmente mostram
para as larvas e o grande potencial infeccioso, nem sempre acometem a totalidade da colônia.
Enquanto a forma vegetativa é relativamente sensível à dessecação e à luz solar, os esporos
podem sobreviver em quadros ou favos com crias putrefatas e restos de larvas durante
décadas (têm-se experimentos com desenvolvimento de esporos por 67 anos); no mel também
sobrevivem durante anos.
2.2 Patogenia
Os esporos ingressam na colmeia através das abelhas campeiras que os trazem em seus
papos, das abelhas que roubam produtos de colmeias que não é sua, ferramentas do apicultor,
pela introdução de quadros com crias infectadas, alimentação com mel contaminado e
qualquer intercâmbio de material proveniente de colmeias doentes.
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Uma vez dentro da colmeia, os esporos são levados até as crias por meio das abelhas
nutrizes que os depositam junto com o alimento na célula. As larvas ingerem estes esporos
que adotam suas formas vegetativas, dada as condições adequadas que encontram no
intestino, como o pH e teor de O2. Quando a larva alcança o estágio de pré-pupa, as bactérias
que ainda não foram eliminadas pelas fezes, migram e introduzem-se, graças ao flagelo, nas
células endoteliais do intestino, chegam a hemolinfa e se reproduzem até a provocar a morte
nesse estágio ou no posterior (pupa).
Não há comprovado com exatidão a quantidade de esporos necessários para provocar
a doença em uma colônia, alguns autores consideram que para uma larva de 48h de vida são
necessários milhares de esporos, enquanto que para uma de 24h a doença pode se manifestar
na presença de dez ou menos esporos. Há
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