A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
47 pág.
Apostila_saude ambiental e Epidemiologia

Pré-visualização | Página 6 de 17

desse agravo se modifica de acordo 
com a idade ou com a condição individual?
Epidemiologia e Saúde Ambiental
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
17
são chamados epidemias explosivas ou de fonte 
comum. 
Na epidemiologia descritiva, o elemento es-
paço foi o que recebeu mais atenção nas últimas 
décadas. Com o surgimento e disseminação dos 
computadores e as técnicas de geoprocessamen-
to, o mapeamento da ocorrência dos agravos, a 
análise exploratória utilizada para descrever os 
padrões espaciais e estabelecer comparações e 
as modelagens capazes detestar hipóteses de re-
lações entre determinada doença e as variáveis 
ambientais se tornaram possíveis e amplamente 
utilizadas. 
O estudo descritivo espacial das doenças 
com a tecnologia disponível permite, por exem-
plo, o estudo de migrantes, cujo objetivo é deter-
minar se o risco de uma doença se modifica quan-
do migrantes vão de uma área onde a ocorrência 
de uma doença é alta para uma região onde é 
baixa. Esse tipo de estudo elucida a importância 
dos fatores individuais (como carga genética) e 
fatores ambientais (como radiação solar, poluição 
etc.) sobre a distribuição dos agravos. 
A distribuição espacial também contribuiu 
com o conceito de pandemia, definida como 
uma epidemia progressiva que atinge a popula-
ção de diversas nações e continentes. Dois exem-
plos recentes de pandemias são a AIDS e a Gripe 
por Influenza A H1N1.
A chegada dos computadores permitiu, 
também, o avanço dos estudos epidemiológicos 
para além da descrição. A metodologia de análise 
estatística com amplo aperfeiçoamento da co-
leta, tratamento e análise de dados passou a ser 
chamada epidemiologia analítica. A ampliação 
dos métodos empregados e de novos objetos de 
conhecimento também avançou na direção de 
novas abordagens, como a epidemiologia clinica, 
epidemiologia molecular, a fármaco-epidemiolo-
gia, entre outras. 
De um modo bastante sintético e simplifi-
cado, podemos dizer que os dados gerados pe-
los estudos epidemiológicos precisam ser ana-
lisados, ou seja, passam pelas etapas de coleta, 
processamento, apresentação e interpretação. A 
epidemiologia analítica utiliza basicamente três 
medidas sequenciais: medidas de ocorrência; 
medidas de associação; e medidas de significân-
cia estatística. 
As medidas de ocorrência compreendem 
o cálculo de média, mediana e moda (medidas de 
tendência central), frequência absoluta e relativa 
(número e percentual), índices (taxas) e coeficien-
tes (proporção na população) de incidência e pre-
valência, que são tomados como indicadores.
As medidas de associação avaliam se há 
associação entre um fator determinante e uma 
doença ou agravo. Para isso, empregam testes es-
tatísticos que medem a intensidade dessa relação. 
São medidas de associação: a razão de médias ou 
correlação, a razão de prevalência, a diferença de 
2.2 Epidemiologia Analítica
prevalência, as medidas de Risco Relativo (RR), 
Risco Atribuível (RA), Risco Atribuível na Popula-
ção (RAP) e a razão de produtos cruzados, mais 
conhecida pela denominação inglesa Odds Ratio 
(OR). Todas essas medidas são objeto de estudo 
da Bioestatística, motivo pelo qual não serão dis-
cutidas aqui.
O terceiro grupo, das medidas de signifi-
cância estatística, tem como objetivo responder 
se a associação encontrada entre a doença estu-
dada e o fator determinante ocorre por acaso ou 
realmente existe. Os testes estatísticos emprega-
dos verificam se o grau de certeza de que a asso-
ciação encontrada não é devida ao acaso. Os tes-
tes mais utilizados são o teste qui-quadrado (X2), 
teste de diferenças de médias (teste Z e teste t) e 
Mantel-Haenszel (MH x2).
A escolha dos testes estatísticos é orienta-
da pelo tipo de estudo epidemiológico escolhido 
pelo pesquisador.
Hogla Cardozo Murai
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
18
Os estudos epidemiológicos são distribuí-
dos em:
ƒƒ ecológicos: que abordam áreas geo-
gráficas bem delimitadas, analisando 
comparativamente indicadores de saú-
de e variáveis ambientais; 
ƒƒ seccionais ou transversais: nos quais 
o fator e o efeito são observados num 
mesmo momento histórico. Nesse gru-
po, estão os inquéritos ou surveys, am-
plamente utilizados em Saúde Coletiva; 
ƒƒ coorte prospectiva e coorte retros-
pectiva: observa grupos populacionais 
expostos a determinado fator conside-
rado como causa de uma doença para 
comprovar essa relação. Também são 
chamados estudos de seguimento ou 
follow-up. Podem partir de um grupo 
de pessoas saudáveis expostas a um 
risco, para medir quantos adoecem e 
estabelecer a associação causa-efeito 
(estudo prospectivo), ou de um gru-
po homogêneo com um determinado 
diagnóstico, para o qual se verificará a 
exposição anterior ao risco estudado e 
considerado hipoteticamente a causa 
da doença (estudo retrospectivo);
ƒƒ caso-controle: destinado à investi-
gação de associação etiológica com 
doenças de baixa incidência. Esse tipo 
de estudo se inicia com a seleção dos 
doentes (casos) e estabelece controles 
(sujeitos comparáveis aos casos, porém 
sabidamente não doentes) e investiga 
nos dois grupos os níveis de exposição 
a fatores de risco retrospectivamente. 
2.3 Os Tipos de Estudo Epidemiológico
Uma vez concluídos os estudos epidemio-
lógicos, os resultados dos testes analíticos devem 
ser interpretados e o julgamento da relação entre 
a suposta causa e o efeito (doença) deve obede-
cer a critérios, como a intensidade da associa-
ção (a doença é tantas vezes mais frequente na 
presença de tal fator do que na sua ausência); a 
sequência cronológica correta (a exposição ao 
fator de risco ocorre necessariamente antes do 
surgimento dos sinais e sintomas da doença); 
significância estatística (deve haver um alto grau 
de certeza de que a associação entre os fatores 
determinantes estudados e a doença não são 
devidas ao acaso); efeito dose-resposta (a intensi-
dade do fator de risco deve guardar concomitân-
cia com a intensidade de ocorrência da doença); 
consistência da associação (os resultados de um 
estudo devem ser reiterados ou confirmados por 
outros estudos similares em condições diferen-
tes); especificidade da associação (quanto mais 
específico é um fator em relação à doença, maior 
a probabilidade de se tratar de um fator causal); 
e coerência científica (os novos conhecimentos 
devem ser coerentes com os estudos anteriores 
ou, havendo incoerência, necessita de evidência 
sobre a validade do mesmo).
A interpretação dos resultados tanto na epi-
demiologia analítica quanto na epidemiologia 
descritiva tem grande importância, porque apoia 
as medidas de intervenção para o controle ou eli-
minação dos problemas de saúde. 
Epidemiologia e Saúde Ambiental
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
19
Como vimos até aqui, a Epidemiologia in-
vestiga os determinantes do processo saúde e 
doença, procura entender as relações causais 
entre determinantes e agravos e, ao fazê-lo, con-
tribui na elaboração de medidas de redução dos 
riscos pela aplicação de medidas preventivas es-
pecíficas e gerais, que constituirão medidas de vi-
gilância em saúde aplicadas na forma de políticas 
públicas. 
O conceito de risco é central na Epidemio-
logia em todas as suas vertentes. Almeida Filho 
e Rouquayrol (2006) definem risco como “a pro-
babilidade de ocorrência de uma doença, um 
agravo, óbito ou condição relacionada à saúde 
(incluindo cura, recuperação ou melhora), em 
uma população ou grupo, durante um período 
de tempo determinado.”
Para descrever o comportamento das doen-
ças em uma população ou o risco de ela vir a ocor-
rer, são utilizadas medidas de frequência de mor-
bidade e de mortalidade.
ƒƒ Morbidade: é o conjunto dos indiví-
duos que adquiriram doenças num in-
tervalo de tempo, ou comportamento 
das doenças e

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.