Capítulo 5 (antigo 3 mais as contas trimestrais)
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Capítulo 5 (antigo 3 mais as contas trimestrais)


DisciplinaContabilidade Social e Balanço de Pagamentos145 materiais1.375 seguidores
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agentes\ufffd e não sobre o montante dos agregados \u2013 os agregados relevantes aqui são a renda disponível (RD) e a poupança doméstica (SD). 
Considerando um agente qualquer (seja ele um indivíduo, uma empresa ou o próprio governo), havendo inflação durante o ano em questão e tendo esse agente em seu portfólio (ou seja, em seu conjunto de ativos) um ativo financeiro de valor nominal constante, sua renda nominal durante esse ano deverá ser deduzida da diferença\ufffd  entre juros nominais e reais no que diz respeito aos juros por ele recebidos e deverá ser acrescida dessa diferença para o caso dos juros pagos. Assim, para esse agente em particular, sua renda nominal tenderá a ser maior do que a real se ele for liquidamente um credor, ao passo que a situação deverá ser inversa se ele for liquidamente um devedor.
No agregado, porém, como a cada débito corresponde um crédito, as perdas e os ganhos de cada agente se cancelam, de modo que o valor final é o mesmo tanto para a contabilidade nominal quanto para a contabilidade real.
Finalmente, algumas observações devem ser feitas com relação às conseqüências da inflação para as estimativas que vêm a compor as contas nacionais. A primeira delas tem que ver com o fato de que a moeda é também um ativo e, mais importante, ela é, por definição, um ativo de valor nominal constante. Assim, para o caso das empresas e dos indivíduos, a contabilidade real deve incluir, no cômputo dos juros reais pagos, também a perda de poder aquisitivo dos ativos monetários (papel moeda e depósitos a vista)\ufffd decorrente da existência de inflação. Em termos reais, parte do valor correspondente a tais juros é arrecadada pelo sistema bancário (responsável pela criação de depósitos a vista) e parte fica com o governo, sob a forma daquilo que denominamos imposto inflacionário.\ufffd Assim, em contrapartida, a conta real do governo, ou das administrações públicas (que, no novo sistema, é uma tabela auxiliar), deve ter, como lançamento adicional no lado do crédito, o valor do imposto inflacionário arrecadado pelo Banco Central.
Ainda para a conta do governo, outra conseqüência da existência da inflação é a necessidade de transformar juros nominais em juros reais na estimativa do valor da rubrica juros da dívida pública. A rubrica outras receitas correntes líquidas, componente do lado do crédito (recursos) da conta das administrações públicas, sofre igualmente uma alteração em função da existência da inflação, uma vez que estão aí computados, pelo seu valor líquido, tanto os juros pagos (com exceção dos juros da dívida pública, já incluídos na rubrica de mesmo nome) quanto os juros eventualmente recebidos pelo governo. Mas está aí também computado, devidamente convertido para a moeda doméstica, o valor referente aos juros da dívida externa. Neste último caso, a inflação que tem importância é a do dólar e não a da moeda doméstica, já que a inflação do dólar deprime o valor real da dívida sobre a qual incidem os juros. Assim, para levar em conta a depreciação do estoque da dívida externa, faz-se um ajuste, tanto na rubrica outras receitas correntes da conta das administrações públicas, quanto nas RLP (rendas líquidas de propriedade) pertencente à conta das operações correntes com o resto do mundo, já que os juros pagos sobre a dívida externa também fazem parte desse conjunto.\ufffd
Por fim, resta considerar as conseqüências da existência da inflação para os lucros das empresas. A existência, em nosso país, de um período prolongado de inflação fez surgir, ao final dos anos 1970, um dispositivo legal que permitia e regulava o ajuste inflacionário (ou a correção monetária) dos balanços das empresas, tendo em vista, particularmente, o cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas. Tal legislação permitia, de um lado, subtrair a correção monetária do valor do patrimônio líquido, sob a suposição de que tal parcela do lucro nominal destinava-se apenas a manter o valor real desse patrimônio. De outro lado, porém, exigia a atualização monetária do valor dos ativos físicos da empresa, já que, no lucro nominal, tal valorização não aparece. Finalmente, a lei permitia também a soma da correção cambial aos créditos e sua subtração dos débitos em moeda estrangeira carregados pelas empresas. Em função disso, o lucro real que aparecia nas contas nacionais era o lucro nominal corrigido pelas técnicas de ajuste inflacionário e deduzido dos ganhos de capital (líquidos das perdas) decorrentes de desvalorizações reais na taxa de câmbio. O motivo da não-inclusão desta última parcela estava na necessidade de se respeitar um princípio constitutivo da contabilidade nacional, que é o de não incluir ganhos de capital na estimativa das variáveis componentes da renda.\ufffd Contudo, desde a estabilidade monetária de nossa economia, alcançada em 1994, essa legislação deixou de vigorar, de modo que não é mais permitida a correção monetária dos balanços. 
5.2.2 Comparações entre países e o dólar PPP 
Como se sabe, é bastante usual em análises e comentários produzidos pela mídia e mesmo em trabalhos acadêmicos fazermos uso, por exemplo, de comparações entre o PIB (e/ou o PIB per capita) de diferentes países. Contudo, em muitos casos, podemos estar lidando com dois ou mais valores não exatamente comparáveis. Dois tipos de problema estão envolvidos na possibilidade de tal comparação. O primeiro, e talvez mais complexo deles, diz respeito ao fato de que tais agregados são mensurados na moeda doméstica. Assim, quando se trata de fazer comparações, tem-se necessariamente de passar pela operação de conversão das moedas. Tudo seria muito simples se a utilização das taxas de câmbio fosse suficiente para resolver o problema. Infelizmente não é.
A taxa de câmbio seria um conversor eficiente se todos os bens e serviços produzidos em cada país pudessem ser incluídos no grupo dos tradables, vale dizer, se fosse igualmente possível transacionar todos eles com o exterior. Mas isso não é verdade, visto que não é possível transacionar vários desses bens e serviços. Assim, a mera conversão dos valores de diferentes países por meio da taxa de câmbio pode não refletir as efetivas diferenças em termos de renda entre eles. Regra geral, como os bens e serviços que não é possível transacionar tendem a ser mais baratos nos países mais pobres, dado o menor preço da mão-de-obra, a utilização da taxa de câmbio acaba por superestimar as diferenças de renda e produtividade entre eles e os países mais desenvolvidos. 
Um outro grupo de fatores que causa o mesmo tipo de problema e atinge também o grupo dos bens passíveis de transação com o exterior é a existência de eventuais subsídios, de custos diferenciados de transporte e de tarifas alfandegárias (que não necessariamente são idênticas em diferentes países).\ufffd Tudo isso torna a taxa de câmbio um instrumento pouco adequado para converter, a um mesmo padrão, agregados mensurados em moedas domésticas distintas. 
A forma como são hoje majoritariamente conduzidas as políticas cambiais nos diversos países traz ainda outro importante elemento que complica a conversão dos valores de uma economia na moeda de outra pelo mero uso da taxa de câmbio. Esse elemento está relacionado aos regimes cambiais atualmente utilizados. A partir do início dos anos 80 do século passado, as economias passaram a ser muito mais abertas financeiramente configurando um processo conhecido na literatura como Internacionalização Financeira ou Globalização Financeira. Isso significa que, além das transações envolvendo mercadorias e serviços, as transações envolvendo capital passaram a ser muito freqüentes. Isso acabou por obrigar vários países que antes adotavam um regime de taxa de câmbio administrada ou fixa, ou seja, um regime em que o preço da moeda internacional era determinado pelo governo do país, a adotarem um regime de taxa de câmbio flutuante, ou seja, um regime em que o preço da moeda internacional é determinado pelas forças de oferta e procura, isto é, pelo mercado. 
A conseqüência disso para o problema que aqui tratamos é que, além das