Capítulo 5 (antigo 3 mais as contas trimestrais)
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Capítulo 5 (antigo 3 mais as contas trimestrais)


DisciplinaContabilidade Social e Balanço de Pagamentos145 materiais1.375 seguidores
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do comércio, e o valor que eles produzem por meio dessa atividade não é computado no cálculo do produto agregado.
Finalmente é preciso considerar um certo grau de informalidade que pode haver dentro da própria atividade formalizada tendo em vista a prática de sonegação de tributos. Assim, dadas as enormes dificuldades operacionais envolvidas na estimativa do valor produzido pela economia informal, são enormes as especulações em torno de sua verdadeira magnitude. No início dos anos 1980, por exemplo, dizia-se que a economia informal era responsável por cerca de 40% do produto da Espanha e por uma parcela também muito expressiva (25 a 30%) do produto da Itália. Até que ponto essas cifras expressavam de fato a realidade desses países é algo sobre o que nunca se pôde ter certeza. 
No Brasil, desde 2003, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE-FGV) estima o Índice da Economia Subterrânea. Apesar de não serem exatamente sinônimos, a economia subterrânea incorpora uma boa parte da economia informal. A diferença entre um e outro termo está em que o primeiro refere-se exclusivamente às atividades que não são deliberadamente declaradas por várias razões: escapar do fisco, não cumprir leis trabalhistas, não arcar com o pagamento de contribuições à seguridade social (previdência), não ter que seguir determinadas normas da atividade produtiva cuja adoção pode implicar custo etc.. Assim, a economia subterrânea não inclui as atividades ilegais, nem a economia informal da costureira de bairro ou da cozinheira que faz doces para fora para aumentar o orçamento doméstico. 
A avaliação do Índice da Economia Subterrânea,\ufffd realizada em 2009, mostrou que a economia subterrânea equivale no Brasil a 18,3% do PIB. A mesma pesquisa mostra ainda que permanece a tendência de queda desse índice, que foi estimado em 21% na primeira vez em que foi mensurado e vem se reduzindo desde então. Apesar de elevada, quando comparada, por exemplo, à situação dos países da OCDE, onde se estima um tamanho da economia subterrânea que equivale, em média, a 10% do PIB, essa taxa não é tão elevada como se chegou a supor anteriormente, quando diferentes tipos de estimativas produziam valores que variavam entre 25 e 40% do PIB. 
Finalmente é preciso observar que as atividades legais operadas pelas famílias, ainda que informais, como a costureira que trabalha para as freguesas do bairro, a cozinheira que faz salgados e doces para fora, o pintor e o marceneiro que trabalham por encomenda, a professora que dá aulas particulares, entre outros, têm pelo menos uma forma de fazer seu valor chegar às estimativas do produto agregado. Como vimos, os levantamentos efetuados para as CEIs institucionais incorporam também a produção das famílias, sejam elas formais (como o trabalho de autônomos e o trabalho doméstico remunerado) ou informais, como os dos exemplos anteriores. 
No caso das atividades ilegais, não há como resolver o problema, uma vez que dificilmente é declarada a renda delas derivada. De qualquer forma existe, nesse caso, uma controvérsia sobre o que deve ou não fazer parte da fronteira de produção do Sistema de Contas Nacionais. Particularmente complicado, evidentemente, é o caso da renda derivada do tráfico de drogas. 
5.3 Dificuldades Conceituais
5.3.1 As atividades não monetizadas
A questão da qual trataremos agora é de natureza teórica, mas tem também conseqüências práticas. Em princípio, só deveriam fazer parte dos agregados como produto, renda e dispêndio aquelas atividades nas quais está envolvida uma transação e que, portanto, são monetizadas. Contudo, a despeito do enorme grau de interdependência e troca vigente nas economias contemporâneas, existe ainda uma parcela não desprezível de atividades econômicas que não passa pelo circuito bens e serviços \u2014 dinheiro \u2014 bens e serviços \u2014 dinheiro, ou seja, que não se integra ao fluxo circular da renda. 
O exemplo mais característico desse tipo de atividade é a pequena produção agrícola de subsistência (o pequeno agricultor ou camponês que planta e cria uns poucos animais para seu próprio consumo e o de sua família), mas existem muitos outros: a costureira que tem suas freguesas no bairro mas que também costura para o marido e os filhos, a dona de casa que monta uma pequena loja de doces na garagem e distribui, entre os filhos e sobrinhos, as eventuais sobras e, finalmente, os serviços prestados às respectivas famílias pelas próprias donas de casa. Da mesma maneira, quem mora em imóvel próprio beneficia-se dos serviços de moradia produzidos por esse capital fixo, sem que tal serviço assuma a forma monetária. Em todos esses casos (e em muitos outros semelhantes a esses), as atividades em questão (ou pelo menos uma parcela delas) envolvem esforços humanos e recursos materiais e produzem bens e serviços, mas não geram renda monetária (apenas renda em espécie), porque não se tornam objeto de compra e venda. Como considerá-las do ponto de vista das contas nacionais? 
Existem aqui, simultaneamente, um problema teórico e um problema prático. Em primeiro lugar cumpre decidir se, do ponto de vista teórico, tais atividades devem ou não integrar o cômputo do produto e da renda agregados. Quanto a esse aspecto, não há uma resposta precisa e inteiramente isenta de juízos de valor: de um lado essas atividades são geradoras de produto, ou seja, de bens e serviços que satisfazem necessidades humanas; de outro, porém, elas não geram renda monetária. A questão acaba por se resolver de modo convencional. Por razões as mais variadas:
Aceita-se, convencionalmente, que algumas das atividades não monetizadas tenham seu valor computado no cálculo dos agregados, enquanto outras não o tenham. Na medida em que tal decisão é puramente convencional, a definição sobre quais atividades entram e quais não entram no cômputo dos agregados é algo que varia de país para país.
 Por exemplo, alguns países incluem no cômputo da renda nacional os serviços prestados pelas donas de casa, enquanto outros, como o Brasil, não o fazem.\ufffd Mas, como adiantamos, tal questão é também prática. Como podemos computar o valor dessas atividades se elas são não monetárias? O expediente que resolve essa questão prática chama-se imputação. 
A contabilidade nacional procura estimar o valor monetário das atividades não monetizadas imputando-lhes os valores que elas supostamente teriam se tivessem passado pelo mercado. 
De qualquer forma não há como fugir a um certo grau de arbítrio na consideração de tais atividades, seja nos preços que se decide imputar a elas, seja na própria decisão sobre o que vai e o que não vai fazer parte das estimativas. Eis por que sua existência dificulta as comparações internacionais.
5.3.2 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
Nas últimas décadas, a humanidade tem experimentado níveis alarmantes de degradação do meio ambiente e a exaustão de boa parte dos recursos naturais. O aquecimento do planeta em decorrência da emissão de CO2 na atmosfera, a contaminação de recursos hídricos, que compro\u200bmetem o consumo de água pela população e determinadas atividades como a pesca, a agricultura ou mesmo o turismo, a devastação das florestas, a poluição do ar nas grandes cidades e a destruição da camada de ozônio são alguns exemplos dessa problemática característica do mundo moderno.
Boa parte das agressões ao meio ambiente decorre das atividades de produção e consumo, processo esse que vai ganhando intensidade com a expansão da industrialização e com a crescente urbanização do modo de vida. De fato, se repararmos bem, consumimos hoje em dia, particularmente os que vivemos nas cidades de médio e grande porte, uma série de bens industrializados que até há muito pouco tempo nos chegavam às mãos praticamente in natura (suco de laranja, por exemplo). Além disso, o processo de diversificação de produtos gerado pela indústria introduz em nosso cotidiano a necessidade de uma série de bens que antes não demandávamos, simplesmente porque eles não existiam. Existe hoje, por exemplo, uma infinidade