Capítulo 5 (antigo 3 mais as contas trimestrais)
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Capítulo 5 (antigo 3 mais as contas trimestrais)


DisciplinaContabilidade Social e Balanço de Pagamentos145 materiais1.374 seguidores
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de produtos de limpeza e higiene, de produtos derivados de leite \u2014 como iogurtes, leites gelificados e outros \u2014 de refeições prontas e semiprontas e de produtos descartáveis inexistentes há pouco mais de três décadas.
O mesmo tipo de reflexão pode ser feita com relação a bens de maior duração como eletrodomésticos. Uma casa de classe média dos anos 1940, por exemplo, era infinitamente mais simples do que uma casa de classe média dos anos 1990: na melhor das hipóteses tinha um fogão a gás, um ferro a carvão, um rádio capelinha e a lista se encerrava por aí. Hoje em dia, porém, essa lista é enorme, senão vejamos: geladeira, freezer, forno de microondas, máquina de lavar roupas, secadora, máquina de lavar pratos, forno elétrico, batedeira, liquidificador, processador, aspirador de pó, ferro elétrico, ventilador (ou ar-condicionado), aquecedor, depilador, secador, barbeador, aparelho de som, televisão, videocassete, gravador, isso tudo sem falar nos telefones, nos celulares, nos computadores e nos automóveis. 
Essa enorme revolução no modo de vida provocou, como não poderia deixar de ser, uma série de efeitos no que diz respeito ao meio ambiente e à capacidade do planeta em fornecer recursos naturais. Como todos esses bens são produzidos em larga escala, a demanda por matérias-primas em geral cresceu exponencialmente, denunciando rapidamente o caráter predatório de determinadas atividades, bem como os limites impostos pelo estoque \u2014 por definição finito \u2014 de recursos naturais exauríveis. De outro lado, no nível do consumo, as conseqüências não são menos importantes. Além da poluição do ar provocada pelos automóveis (talvez o mais conhecido desses efeitos), há uma série de outras relacionadas ao consumo de produtos químicos (como aerossóis e detergentes), que agridem não só o ar como também os recursos hídricos de modo geral. Ao fim e ao cabo, o que se compromete com tudo isso é não só nossa própria qualidade de vida como as condições legadas às futuras gerações. 
Do ponto de vista da teoria econômica, podemos englobar todas essas pressões ao meio ambiente no conceito de externalidades negativas, ou seja, custos decorrentes da atividade econômica que não são valorados pelo mercado.\ufffd Entendem-se como externalidades negativas, por exemplo, a poluição dos rios decorrente de resíduos industriais, a poluição do ar gerada por determinados tipos de indústria, a fumaça produzida por caminhões e a redução das florestas nativas.
As atividades de produção e consumo costumam gerar pressões sobre o meio ambiente, seja pela utilização de recursos naturais exauríveis, seja pela geração de poluição. Tais pressões são conhecidas como externalidades negativas, isto é, custos decorrentes da atividade econômica que não são valorados pelo mercado.	
Diante dessa situação, tem crescido o interesse acerca das questões ambientais dentro da ciência econômica. Atualmente, já se pode identificar um novo campo que trata das questões relativas à utilização e preservação do meio ambiente sob uma perspectiva econômica: a economia do meio ambiente. Seu grande desafio consiste em encontrar alternativas de crescimento sustentável, ou seja, um crescimento que produza bens e serviços, bem-estar e conforto, mas preservando a qualidade de vida das gerações atuais e futuras.
No âmbito da contabilidade social, alguns estudiosos têm envidado esforços para encontrar meios de levar em conta, no cômputo dos agregados, a degradação sofrida pelo meio ambiente. Nesse sentido, está em curso um processo que busca considerar os custos ambientais relacionados ao processo de produção e consumo agregados.\ufffd 
Para que se tenha uma idéia da dimensão do problema, há quem diga, por exemplo, que o crescimento da economia americana poder-se-ia tornar negativo em alguns anos se, no processo de cálculo do produto, se conseguisse computar as perdas impostas por tal crescimento, seja quanto à qualidade do meio ambiente de modo geral, seja quanto à \u201cdepreciação\u201d do estoque de \u201ccapital natural\u201d do planeta. No que diz respeito ao último elemento, ignorar tais perdas seria equivalente a não levar em conta que uma parcela dos esforços de produção da sociedade destina-se tão-somente à reposição da depreciação sofrida pelo estoque de capital fixo da economia. Em outras palavras, se uma parcela considerável de recursos naturais é consumida a cada ciclo produtivo, nada mais correto do que computar, quando da mensuração do produto obtido, a depreciação sofrida por esse estoque de capital natural. A analogia só não é perfeita porque, no que tange ao capital natural, a situação parece ainda mais complicada, visto que ao menos uma parte desses recursos é não reproduzível, ou seja, trata-se de recursos naturais exauríveis. 
Entretanto, existe uma dificuldade ainda não superada para que se consiga levar em conta tais perdas: como valorá-las, isto é, como torná-las mensuráveis em termos monetários? Apesar de aparentemente técnica, a questão é conceitual, visto que a falta de consenso sobre como valorar essas perdas reflete no fundo uma não-concordância sobre a forma de considerá-las. Assim, na medida em que não há, até o momento, uma resposta inequívoca para essa pergunta, ainda não se pode falar num sistema de contas nacionais que contenha algum tipo de conta ambiental ou mesmo lançamentos específicos que contemplem as externalidades negativas geradas pelo processo de crescimento econômico. Assim, no cálculo da renda ou produto nacional, ainda não têm sido considerados os custos relacionados à degradação do meio ambiente.
No âmbito da contabilidade social, o grande problema em se considerar as perdas sofridas pelo meio ambiente está na dificuldade de se valorá-las, isto é, de torná-las mensuráveis em termos monetários.
A utilização dos recursos ambientais no processo produtivo interfere nas relações econômicas de duas maneiras. Em primeiro lugar, a utilização desses recursos pode ser entendida como um serviço prestado pelo meio ambiente. Nesse sentido, o não-pagamento desse serviço representa um subsídio à produção, que deveria ser considerado no cálculo do produto agregado. Em segundo lugar, a utilização dos recursos ambientais, quando implica perdas ao meio ambiente, seja pela exaustão dos recursos ou pela degradação da natureza, resulta em custos, tanto para gerações atuais quanto e, principalmente, para as gerações futuras. Nesse sentido, os custos relacionados à degradação do meio ambiente e à depreciação do estoque de capital natural do planeta deveriam ser deduzidos do cálculo do produto agregado, levando-se em consideração também seu impacto sobre a qualidade e as condições de vida no futuro. 
Apesar da dificuldade em se considerar a sustentabilidade do meio ambiente no sistema de contas nacionais, existem já algumas propostas para se contornar o problema da valoração das externalidades negativas geradas por determinados processos produtivos. Uma delas, por exemplo, busca mensurar as despesas necessárias para se evitar a degradação, restaurar as perdas ou compensar as gerações futuras pelos problemas ambientais. Nesse sentido, investimentos como a instalação de equipamentos antipoluentes, despesas como as decorrentes dos processos de controle e limpeza ambiental ou mesmo determinados gastos com saúde deveriam ser destacados no cálculo do produto da economia e excluídos de seu valor final. 
Outra possibilidade seria a utilização do conceito de disposição a pagar. Assim, seriam realizadas estimativas acerca do valor das perdas impostas ao meio ambiente, tomando-se por base a disposição que teriam as pessoas em pagar pela redução de tais perdas. Poder-se-ia, por exemplo, mensurar o diferencial de preço entre imóveis em locais onde não exista poluição em relação aos imóveis em locais poluídos, estimando-se assim a disposição a pagar pela eliminação da poluição do ar e utilizando-se tal indicador como uma estimativa dos custos impostos pela poluição do ar.
São inúmeras e complexas as considerações técnicas envolvidas nas diversas propostas existentes para estimar