HDB - Anotação (3)
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DisciplinaHistória do Direito Brasileiro10.363 materiais253.091 seguidores
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por si mesma, independente do esforço ou engenho humano (p.ex: 
frutos de uma árvore, crias de animais); industriais, quando as utilidades provém da coisa mas com a contribuição 
necessária do trabalho do homem (produção de uma fábrica); e civis, quando, por uma extensão gerada pela 
capacidade humana de abstração, os rendimentos ou benefícios são tirados de uma coisa utilizada por outrem (juros, 
rendimentos, dividendos \u2013 para alguns, aluguéis). 
Produtos são aquelas utilidades extraídas da coisa, mas com a perda da substância desta (as pedras de uma 
pedreira, os metais de uma mina, o sal de salinas). O elemento diferenciador entre frutos e produtos é a presença ou 
ausência da periodicidade da reprodução. 
Benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias. São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não 
aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor (construção de 
piscina com mármore carrara). São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem (construção de uma garagem). 
São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore (reconstrução de um assoalho que 
apodreceu). Deve ser observada em conjunto à regra dos arts. 504, 878, 1.219, 1.220, 1.221, 1.660, todos do Código 
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Civil, pois é normal tal indagação nas provas objetivas. 
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como quanto às 
voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de 
retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis. 
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito de retenção 
pela importância destas nem o de levantar as voluptuárias. 
Art. 453. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo alienante. 
Art. 505. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos, 
restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador, inclusive as que, durante o período de resgate, se 
efetuaram com a sua autorização escrita, ou para a realização de benfeitorias necessárias. 
Art. 1.660. Entram na comunhão: 
IV \u2013 as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge; 
Art. 1.922. Se aquele que legar um imóvel lhe ajuntar depois novas aquisições, estas, ainda que contíguas, não se compreendem 
no legado, salvo expressa declaração em contrário do testador. 
Parágrafo único. Não se aplica o disposto neste artigo às benfeitorias necessárias, úteis ou voluptuárias feitas no prédio legado. 
Art. 2.004. O valor de colação dos bens doados será aquele, certo ou estimativo, que lhes atribuir o ato de liberalidade. 
§ 2º Só o valor dos bens doados entrará em colação; não assim o das benfeitorias acrescidas, as quais pertencerão ao herdeiro 
donatário, correndo também à conta deste os rendimentos ou lucros, assim como os danos e perdas que eles sofrerem. 
Art. 878. Aos frutos, acessões, benfeitorias e deteriorações sobrevindas à coisa dada em pagamento indevido, aplica-se o 
disposto neste Código sobre o possuidor de boa-fé ou de má-fé, conforme o caso. 
Art. 504. Não pode um condômino em coisa indivisível vender a sua parte a estranhos, se outro consorte a quiser, tanto por tanto. 
O condômino, a quem não se der conhecimento da venda, poderá, depositando o preço, haver para si a parte vendida a 
estranhos, se o requerer no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de decadência. 
Parágrafo único. Sendo muitos os condôminos, preferirá o que tiver benfeitorias de maior valor e, na falta de benfeitorias, o de 
quinhão maior. Se as partes forem iguais, haverão a parte vendida os coproprietários, que a quiserem, depositando 
previamente o preço. 
O que difere as acessões das benfeitorias é que aquelas podem decorrer da intervenção humana ou da natureza. 
Isso fica claro, porque o art. 1.248 traz cinco incisos tratando das acessões. 
Art. 1.248. A acessão pode dar-se: 
I \u2013 por formação de ilhas; 
II \u2013 por aluvião; 
III \u2013 por avulsão; 
IV \u2013 por abandono de álveo; 
V \u2013 por plantações ou construções. 
Nos incs. de I a IV têm-se as chamadas acessões naturais: formação de ilhas, aluvião, avulsão e o álveo 
abandonado são acessões naturais, que decorrem da natureza e no inc. V as chamadas acessões artificiais que são a 
plantações ou construções que decorrem da atuação humana. 
Já as benfeitorias decorrem necessariamente da intervenção humana, art. 97. 
Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do 
proprietário, possuidor ou detentor. A acessão é o que se acresce ao solo . Em um terreno baldio, onde se constrói uma 
casa, essa não é uma benfeitoria do terreno, mas, sim uma acessão, porque sobre ele não havia . Uma árvore que nasce 
em um terreno é uma acessão do terreno, porque no seu lugar não havia outra. 
Uma diferença básica entre as benfeitorias e as construções é que aquelas melhoramento sobre algo pré-existente, 
ao passo que as construções representam a edificação de algo novo. 
Dos bens públicos 
São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os 
outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. Aqueles que pertencem ao domínio nacional, ou seja, 
à União, aos Estados ou aos Municípios. 
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a) os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; 
b) os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração 
federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias (escolas públicas, secretarias, ministérios, 
quartéis etc.; 
c) os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito 
pessoal ou real, de cada uma dessas entidades (títulos de dívida pública, estradas de ferro, telégrafos, oficinas e 
fazendas do Estado; ilhas formadas em mares territoriais ou rios navegáveis; terras devolutas. Consideram-se 
dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito 
privado. Importante mencionar as Jornadas de Direito Civil. 
Art. 41. A remissão do art. 41, parágrafo único, do Código Civil às \u201cpessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado 
estrutura de direito privado\u201d, diz respeito às fundações públicas e aos entes de fiscalização do exercício profissional (Enunciado 
n. 141 da III Jornada de Direito Civil do CJF). 
Tal enunciado se refere aos conselhos profissionais e às fundações públicas. 
\uf0e6 Nota! 
Art. 98. O critério da classificação de bens indicado no art. 98 do Código Civil não exaure a enumeração dos bens públicos, 
podendo ainda ser classificado como tal o bem pertencente à pessoa jurídica de direito privado que esteja afetado à prestação 
de serviços públicos (Enunciado n. 287 da IV Jornada de Direito Civil do CJF). 
Diante do enunciado acima, pode-se informar que um bem de direito privado pode ser equiparado ao status de 
bem público se ele estiver afetado, destinado a uma finalidade social com os efeitos práticos daí decorrentes: 
impenhorabilidade, impossibilidade de usucapião e, assim, sucessivamente. 
Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis
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 enquanto conservarem a sua 
qualificação, na forma que a lei determinar. Tal inalienabilidade poderá ser revogada desde que: a) o seja mediante lei 
especial; b) tenham tais bens perdido sua utilidade ou necessidade, não mais conservando sua qualificação; c) a entidade 
pública os