HDB - Anotação (3)
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HDB - Anotação (3)


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aliene em hasta pública ou por meio de concorrência administrativa. 
Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei, daí por que esses recebem o 
nome de bens patrimoniais disponíveis ou de bens do patrimônio fiscal. 
Tanto o Código Civil em seu art. 102
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 como a Constituição Federal, em seu arts. 183 e 191
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 vetam a aquisição 
de bens públicos por meio da usucapião.
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 Neste sentido o STF: 
Súmula n. 340. Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos 
por usucapião. 
O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido legalmente pela 
entidade a cuja administração pertencerem.
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57 Administrativo. Imóvel funcional. Servidor civil. Direito de aquisição. Lei n. 8.025/1990 e Decreto n. 99.266/90. Setor militar urbano. 
Uso especial. Inalienabilidade. Os servidores públicos civis dos Ministérios militares têm direito à aquisição de imóveis funcionais 
situados no Distrito Federal e de propriedade da União, se atendidos os requisitos da legislação pertinente. Súmula n. 103/STJ. Os 
imóveis situados no Setor Militar Urbano, porque destinados a uso especial, não se incluem entre os alienáveis. Precedente. Segurança 
denegada (MS n. 5.900/DF, rel. Ministro Felix Fischer, Seção III, j. em 10.02.1999, DJ, 12.04.1999, p. 93). 
 
58 \u201cArt. 102 do Código Civil. Os bens públicos não estão sujeitos à usucapião.\u201d 
 
59 \u201cArt. 183 da Constituição Federal, de 1988. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, 
por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que 
não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. § 3º \u2013 Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.\u201d 
 \u201cArt. 191, CF/88. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem 
oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, 
tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.\u201d 
60 STJ REsp n. 481.959/RS. 
 
61 Art. 103 do Código Civil de 2002. 
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A regra geral é o seu uso gratuito, dado que são destinados ao serviço do povo ou da comunidade, que, para 
tanto, paga impostos. Todavia, não perderão a natureza de bens públicos se leis ou regulamentos administrativos 
condicionarem ou restringirem o seu uso a certos requisitos ou mesmo se instituírem pagamento de retribuição. Por 
exemplo, pedágio nas estradas, venda de ingresso em museus, para contribuir para sua conservação ou custeio.
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FATOS JURÍDICOS, ATO JURÍDICO, NEGÓCIO JURÍDICO 
A doutrina mais atual trabalha com a conceituação de fato jurídico e como modalidade deste, o negócio 
jurídico. 
Apenas importa ao Direito o fato que tenha repercussão jurídica. Ou seja, todos nós, membros de uma 
comunidade, podemos diariamente praticar atos que não são necessariamente fatos jurídicos, como por exemplo o 
ato de cumprimentar um vizinho com o qual nos deparamos à porta do elevador. 
Não há norma jurídica que obrigue alguém a cumprimentar seu vizinho. E se o indivíduo não o fizer, ele estará 
descumprindo tão somente uma regra moral, sem consequência jurídica. Essa sua falta pertence ao mundo fático. 
Não há importância para o Direito. 
No entanto, se além de não o cumprimentar, o indivíduo fecha a porta do elevador à frente de seu vizinho, 
tocando-lhe e ferindo-lhe o corpo ou parte dele, esse ato passa a ter consequências jurídicas. Constitui-se ato 
jurídico ilícito. 
O fato jurídico tem definição abrangente e se refere a qualquer tipo de acontecimento capaz de criar, modificar, 
conservar ou extinguir a relação jurídica.63 
Verbi gratia, nascimento de uma pessoa, confecção de algo, a maioridade, a morte etc. 
Podem ser: 
a) Involuntários (naturais): fatos jurídicos em sentido estrito. Ocorrem independentemente da vontade do ser 
humano. Ocorrem pela ação da natureza (a morte, uma inundação, o nascimento etc.); 
b) Voluntários (humanos): atos jurídicos em sentido amplo. Derivam da vontade direta do ser humano e podem 
ser: 
b.1) Lícitos: quando produzem efeitos legais, conforme a vontade de quem os pratica (casamento, contrato de 
compra e venda); 
b.2) Ilícitos: quando produzem efeitos legais contrários à Lei (o homicídio, o roubo, a agressão etc.). 
O fato jurídico divide-se em fato jurídico stricto sensu e em ato jurídico lato sensu. Como exemplo dos 
primeiros, temos os fatos exclusivamente naturais que geram ou podem gerar consequências jurídicas, como uma 
avalanche de terra que abalroa um automóvel; a queda de uma árvore sobre a residência de uma pessoa; o 
alagamento das margens de um rio causando prejuízos aos ribeirinhos etc. Esta categoria é justamente a dos fatos 
jurídicos involuntários (letra \u201ca\u201d acima). 
Os atos jurídicos lato sensu são atos praticados pelo agente, volitivamente, ou seja, com vontade de praticar. 
Ele se subdivide entre ato lícito e ato ilícito (classificações acima \u201cb1\u201d e \u201cb2\u201d). 
 
 
62 SILVA, Regina Beatriz Tavares da (coord.). Código Civil Comentado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 103. 
 
63 NADER, Paulo. Ibidem. 
 
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O ato jurídico lícito divide-se em duas categorias: o ato jurídico stricto sensu (efeitos ex lege, ou seja 
necessários. Exemplo: fixação de domicílio) e o negócio jurídico (efeitos ex voluntate, ou seja, desejados pelas 
partes. Exemplo: Casamento). Como exemplo do primeiro tem-se a construção de uma casa, por um agente capaz. O 
agente é o sujeito ativo da relação que com a construção adquiriu o direito de propriedade. O sujeito passivo da 
relação é a coletividade que é obrigada a respeitar o direito de propriedade do agente. O nascimento e a morte, sem 
a mensuração de seus efeitos quanto a direitos de terceiros ou da parentela, são atos jurídicos stricto sensu, ou seja, 
pelos simples fato de ocorrerem se bastam a si próprios. 
O negócio jurídico é uma declaração de vontade do indivíduo tendente a um fim protegido pelo ordenamento 
jurídico.64 No negócio jurídico há a manifestação de vontade dos contratantes. Além disso, alguns negócios jurídicos 
requerem, além da declaração, uma ação material posterior, como por exemplo, na compra e venda de um bem 
móvel, onde além de os contratantes declararem que querem celebrar a compra e venda, há a posterior tradição do 
bem. Sem a tradição, o negócio não se aperfeiçoa. 
Em regra, o negócio jurídico envolve pelo menos a declaração de vontade de duas ou mais partes, mas pode 
haver negócio jurídico onde existe apenas a declaração de vontade de uma parte. 
Assim, o negócio jurídico poder ser: 
a) Unilateral: se existe apenas a manifestação de vontade de um agente (declaração de nascimento de filho). 
b) Bilateral: se existe a manifestação da vontade de dois agentes, criando entre eles uma relação jurídica 
(contrato de compra e venda). Nesse caso, o Ato Jurídico passa a se chamar Negócio Jurídico (todos os contratos, o 
empréstimo pessoal etc.). 
c) Plurilateral: duas ou mais partes, com interesses coincidentes no plano jurídico. Exemplos: Contrato de 
consórcio e o contrato de sociedade entre várias pessoas. 
d) Gratuitos: atos que envolvem liberalidade. Exemplo: Doação pura. 
e)Onerosos: pautados por sacrifícios e vantagens. Exemplo: Compra e Venda. 
f) Neutros: sem atribuição patrimonial.