HDB - Anotação (3)
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DisciplinaHistória do Direito Brasileiro10.363 materiais253.091 seguidores
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novas disposições, essas não terão valor, realizada a 
condição, se com ela forem incompatíveis. A segunda é aquela que, enquanto não se verificar, não vai haver 
qualquer consequência para o negócio jurídico (Venda com reserva de domínio). Se for resolutiva a 
condição, enquanto ela se não realizar, vigorará o Negócio Jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão 
 
65 Art. 121 do Código Civil. 
 
66 \u201cArt. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o 
direito, a que ele visa.\u201d 
 
67 \u201cArt. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão 
deste o direito por ele estabelecido.\u201d 
 
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desse o direito por ele estabelecido. Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o 
direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua 
realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que 
compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé.
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Termo 
 
Termo é a cláusula que subordina os efeitos do ato negocial a um acontecimento futuro e certo. 
Decorre de acordo das partes ou da lei. 
Encargo ou modo 
 
O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto 
no Negócio Jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva.
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 Trata-se de cláusula acessória aderente 
a atos de liberalidade inter vivos (doação) ou causa mortis (testamento ou legado). 
Dos vícios de consentimento 
Erro 
 
Quando o agente, por desconhecimento ou falso conhecimento das circunstâncias, age de modo que não 
seria sua vontade, se conhecesse a verdadeira situação, diz-se que se procede em erro.
70
 
Para viciar a vontade e anular o ato negocial, esse deverá ser substancial, escusável e real.71 
 
O erro substancial é erro de fato por recair sobre as qualidades essenciais da pessoa ou da coisa. Poderá 
abranger o erro de direito (art. 139, III, do Código Civil), relativo à existência de uma norma jurídica dispositiva, 
desde que afete a manifestação da vontade, caso em que viciará o consentimento. Será escusável, no sentido de 
que há de ter por fundamento uma razão plausível ou ser de tal monta que qualquer pessoa de atenção ordinária 
seja capaz de cometê-lo em face da circunstância do negócio. Real, por importar efetivo dano para o interessado. 
 
Dolo 
 
É o artifício empregado pelo agente para enganar outra pessoa. O agente emprega artifício para levar 
alguém a prática de um ato que o prejudica, sendo por ele beneficiado ou mesmo beneficiando um terceiro 
(dolo principal ou dolus causam dans 
Perceba-se que existe um ato de indução, ou seja, uma provocação intencional; por essa razão pode-se afirmar 
que o dolo difere do erro, em razão da espontaneidade deste. De forma contrária Carvalho dos Santos entende que 
 
68 Art. 128 do Código Civil. 
 
69 Art. 136 do Código Civil. 
 
70 \u201cArt. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser 
percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio.\u201d 
 
71 Art. 139 do Código Civil. 
 
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prejuízo não é elemento conceitual do dolo, sendo suficiente que o artifício seja utilizado de má-fé por outrem que 
seja capaz de sugerir a prática de um ato que sem esse expediente, não se realizaria da forma como o foi.72 
Trata-se de vício anulável em quatro anos decadenciais segundo o art. 171, II e art. 178 do Código Civil. 
Todo dolo conduz à anulabilidade? Não! O dolo acidental (dolo incidens) só obriga a satisfação de perdas e 
danos, sendo acidental quando a seu despeito; o negócio seria realizado, embora por outro modo. Nessa 
modalidade observa-se um elemento desimportante, secundário e, por isso, não seria anulável. Modalidades de 
dolo: 
\u2022 Dolo Bom (dolo inocente ou dolus bonus) \u2013 empregado para beneficiar o autor do ato, são exageros aceitos 
não sendo este anulável, chamamos tal fato de Puffing (exagero publicitário).73 Destaca-se que o Puffing, a princípio 
não vincula o fornecedor a cumprir com a oferta, pois no mesmo falta precisão, porém quando relacionado o preço, 
em regra, ocorre vinculação. Exemplo: O melhor preço da região. 
\u2022 Dolo Mau (dolus malus) \u2013 que prejudica o autor do ato,é passível de anulação. O dolo mau ou dolo grave 
pressupõe: prejuízo para o autor do ato; benefício para o autor do dolo ou terceiro. Pode ser praticado pelo silêncio, 
ou quando agente altera a aparência externa da coisa. 
\u2022 Dolo Essencial \u2013 aquele que incide sobre elementos decisivos à celebração do contrato. Então, como o dolo 
nesse caso incide sobre elementos decisivos, sobre elementos determinantes, sem dúvida o dolo essencial vai gerar 
vício de consentimento. 
\u2022 Dolo por omissão \u2013 é o silêncio intencional que fere a boa-fé objetiva, configurando-se uma violação positiva 
do negócio jurídico.74 Trata-se da chamada violação positiva do contrato ou adimplementum ruim, que nada mais é 
do que uma nova modalidade de inadimplemento. Entende-se aqui que se aplica a regra dos Enunciados n. 24 e n. 
37 da I Jornada do CJF, ou seja, havendo dolo por omissão a responsabilidade irá independer de culpa.75-76 
 
72 CC/16 Interpretado. V. II, art. 92, n. 5, p. 329. 
 
73 RHC. Penal. Infração penal. Ilicitude. Perigo. Comércio. Concorrência. A infração penal, além da conduta, reclama resultado (dano ou 
perigo de dano ao objeto jurídico). Além disso, ilicitude do comportamento do agente. quando o legislador define o ilícito penal, 
significa postura axiológica negativa referente à conduta descrita. a concorrência é própria do regime de economia de mercado. 
 A disputa entre empresas é consequência natural. O exagero é tônica dos anúncios comerciais e industriais. Nenhuma censura, 
inexistindo desvirtuamento da qualidade da coisa ou prestação de serviços. Os romanos, há séculos, divisaram o dolus bonus. A fantasia 
não se confunde com a fraude. O perigo (próprio do resultado) deve ser concreto, ou seja, ensejar probabilidade (não mera 
possibilidade) de dano (RHC n. 3.831/RJ, rel. Ministro Luiz Vicente Cernicchiaro, 6ª Turma, j. em 13.09.1994, DJ, 28.11.1994, p. 32.641). 
74 Art. 147 do Código Civil. 
 
75 \u201cArt. 422. Em virtude do princípio da boa-fé, positivado no art. 422 do novo Código Civil, a violação dos deveres anexos constitui espécie 
de inadimplemento, independentemente de culpa\u201d (Enunciado n. 24 da I Jornada do CJF). 
 \u201cArt. 187. A responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de culpa e fundamenta-se somente no critério objetivo-
finalístico\u201d (Enunciado n. 37 da I Jornada do CJF). 
76 Agravo regimental. Agravo de instrumento. Anulação de negócio jurídico por dolo. Falta de argumentos novos. Mantida a decisão 
anterior. Matéria já pacificada nesta corte. Incidência da Súmula n. 83. I \u2013 Não tendo a parte apresentado argumentos novos capazes 
de alterar o julgamento anterior, deve-se manter a decisão recorrida. II \u2013 retendida a rescisão do contrato por omissão dolosa do 
vendedor do imóvel, que escondeu a existência informação relevante em curso na época da transação (silêncio intencional art. 147 do 
Código Civil), o ato jurídico é anulável, incidindo quanto à prescrição o art. 178, § 9º, V, b, do Código Civil, de 1916. Incidência da Súmula 
n. 83/STJ. Agravo improvido (AgRg no Ag n. 783.491/RJ, rel. Ministro Sidnei Beneti, 3ª Turma, j. em 20.11.2008, DJe, 12.12.2008). 
 Processual Civil.