HDB - Anotação (3)
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HDB - Anotação (3)


DisciplinaHistória do Direito Brasileiro10.284 materiais252.475 seguidores
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à municipalidade do lugar que deixa e à do local para onde vai. Como, em regra, a pessoa 
natural que se muda não faz tal declaração, seu ânimo de fixar domicílio em outro local resultará da própria 
mudança, com as circunstâncias que a acompanharem.41 
Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: 
a) da União, o Distrito Federal; 
b) dos Estados e Territórios, as respectivas capitais; 
c) do Município, o lugar onde funcione a administração municipal; 
d) das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou 
onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. 
Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado 
domicílio para os atos nele praticados. Se a administração ou diretoria tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por 
domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do 
estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder. 
Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o marítimo e o preso (domicílio necessário). 
O domicílio do incapaz é legal e será o de seus representantes. 
O domicílio do servidor público é o local onde exerce suas funções por investidura efetiva. Logo, tem por 
domicílio o lugar onde exerce sua função permanente.42 
O militar do Exército é o lugar onde servir e o do da Marinha ou da Aeronáutica em serviço ativo, a sede do 
comando a que se encontra imediatamente subordinado. 
Com relação à marinha mercante é o lugar onde estiver matriculado o navio. 
Aquele que está preso terá por domicílio o lugar onde cumprir a sentença. 
O agente diplomático do Brasil, que citado no estrangeiro, alegar extraterritorialidade sem designar onde tem, 
no país, o seu domicílio, poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde 
o teve.43 
 
39 \u201cArt. 73. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha residência habitual, o lugar onde for encontrada.\u201d 
 
40 SILVA, Regina Beatriz Tavares (coord.). Código Civil comentado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 79. 
 
41 Idem, ibidem. 
 
42 SILVA, Regina Beatriz Tavares (coord.). Código Civil comentado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 79. 
 
43 Art. 77 do Código Civil. 
 
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Domicílio contratual ou de eleição é o estabelecido contratualmente pelas partes em contrato escrito, que 
especificam onde se cumprirão os direitos e os deveres deles resultantes. A eleição do domicílio deve ser analisada 
de acordo com o princípio da função social e da boa-fé objetiva.44 
Nota! 
No Código de Defesa do Consumidor, vale destacar a regra disposta no art. 101. 
 
Vejamos o julgado: 
 
A recorrente alega que houve erro de diagnóstico do réu, que atestou ser ela portadora do vírus da hepatite 
tipo C, o que foi comunicado a todos os bancos de sangue do país, impedindo que ela doasse sangue. Promoveu 
ação de indenização de danos morais em seu domicílio, na qualidade de consumidora (art. 101, I, do CDC). Oposta 
exceção de incompetência, ela foi acolhida ao entendimento de não se cuidar de relação de consumo. Para o Min. 
Relator, o serviço traduz-se, exatamente, na retirada do sangue da doadora e, inegavelmente, ela toma o serviço 
como destinatária final no que se refere à relação exclusiva entre essas duas partes, relação que também integra 
uma outra entre o banco de sangue e aquele que irá utilizá-lo. É um caso atípico, mas, nem por isso, pode ser 
apartado da proteção consumerista. São dois os serviços prestados e relações de consumo, sendo que a primeira é 
uma em si mesma, a captação de sangue pelo banco, mas faz parte de uma segunda, o fornecimento de sangue pelo 
banco ao recebedor. A primeira tem um custeio, sim, mas indireto, visto que pela segunda o banco é remunerado de 
uma forma ou de outra. Dessa maneira, pode, efetivamente, considerar-se a doadora como partícipe de uma relação 
de consumo em que ela, cedendo seu sangue, usa os serviços da empresa ré, uma sociedade limitada, que, no 
próprio dizer do Tribunal recorrido, como receptora do sangue, vende ou doa. Na espécie, a captação de sangue é 
atividade contínua e permanente do hemocentro. É sua matéria-prima o sangue e seus derivados. Não se cuida de 
um serviço que foi prestado casual e esporadicamente, porém, na verdade, constante e indispensável ao comércio 
praticado pelo réu com a venda do sangue a hospitais e terceiros, gerando recursos e remunerando aquela coleta de 
sangue da autora que se fez, ainda que indiretamente. Nessas circunstâncias, enquadra-se a hipótese, 
adequadamente, no conceito do art. 2º do CDC, de sorte que o privilégio do foro do domicílio do consumidor, 
assegurado no art. 101, I, daquele código, é de ser aplicável ao caso. Diante disso, a Turma conheceu do recurso e 
lhe deu provimento, para declarar competente o foro da comarca onde originariamente ajuizada a demanda. REsp 
540.922-PR, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, julgado em 15/9/2009. 
 
Nota! 
 
 Com relação ao domicílio eleitoral, aplica-se a Lei nº 4.737/65. 
 
Nota! 
 
 Súmulas do STF, vejamos: 
60 
62 
80 
335 
363 
 
44 Arts. 421 e 422 do Código Civil. 
 
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406 
410 
483 
484 
517 
539 
583 
689 
 
 Súmulas do STJ 
1 
58 
 
BENS 
Neste tópico da matéria é interessante a leitura da lei. 
O vocábulo bem pode ser tomado em vários sentidos. 
Filosoficamente, bem seria tudo quanto pudesse proporcionar ao homem uma satisfação qualquer. 
Juridicamente, entretanto, bens seriam aqueles valores materiais ou imateriais que podem servir de objeto de uma 
relação jurídica. Imperioso, pois, sejam economicamente apreciáveis. 
Além desses bens, outros há, ainda, de ordem moral e não apreciáveis economicamente. Não entram, nem podem 
entrar, na formação do patrimônio da pessoa, eis que não comportam estimação pecuniária. Seriam esses bens, não 
econômicos, prolongamentos e/ou emanações da própria personalidade, como, por exemplo, a vida, a liberdade, o 
nome, a honra etc. 
Logo, pode-se dizer que bem jurídico seria todo interesse, todo valor, material ou imaterial, protegido pela lei, 
nestes incluídos os próprios direitos da personalidade. Entretanto, somente os economicamente apreciáveis podem ser 
objeto de relações jurídicas. 
Os bens, especificamente considerados, comportam uma distinção: Bem é gênero onde coisas são espécies. 
Coisas são materiais, corpóreas, concretas. São passíveis de alienação. 
Bens, em sentido estrito, são imateriais, incorpóreos, abstratos. São passíveis de cessão. 
Apenas para frisar, o nosso Código Civil não foi tão rigoroso nesta distinção, usando uma palavra pela outra, em 
certos casos. 
Classificação dos bens 
Os bens podem ser classificados de acordo com vários critérios : a natureza física dos mesmos; as suas relações 
recíprocas; os seus titulares; a possibilidade ou não de serem comercializados. 
Podemos assim classificar os bens: 
Bens considerados em si mesmos 
5.1.1.1. Dos bens imóveis 
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São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. 
Podem ser classificados em: 
a) imóveis por sua natureza;
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b) imóveis por acessão física artificial;
46
 
c) imóveis por acessão intelectual.
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Vale mencionar que existe doutrina que sustenta que tais bens não existem mais diante da leitura do atual código. 
Assim é o texto exposto pelas Jornadas de Direito Civil. 
Art. 79. Não persiste no novo sistema legislativo a categoria dos bens