HDB - Anotação (3)
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DisciplinaHistória do Direito Brasileiro10.973 materiais260.501 seguidores
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podem ser objeto de relações jurídicas próprias. Já a universalidade de direito, é o complexo de relações jurídicas de 
uma pessoa, dotadas de valor econômico, como herança; patrimônio; massa falida. 
\uf0e6 Nota! 
Modernamente, a posição bastante firme é no sentido de que o complexo de 
relações jurídicas que envolve o patrimônio, envolve não apenas os bens, direitos e 
créditos, mas também as dívidas. As dívidas também compõem o patrimônio, isto é, não 
apenas o lado ativo, mas também o passivo ingressa na definição de patrimônio. 
 
 
 
50 \u201cArt. 1.326. Os frutos da coisa comum, não havendo em contrário estipulação ou disposição de última vontade, serão partilhados na 
proporção dos quinhões.\u201d 
 \u201cArt. 1.791. A herança defere-se como um todo unitário, ainda que vários sejam os herdeiros. 
 Parágrafo único. Até a partilha, o direito dos coerdeiros, quanto à propriedade e posse da herança, será indivisível, e regular-se-á pelas 
normas relativas ao condomínio.\u201d 
 \u201cArt. 1.421. O pagamento de uma ou mais prestações da dívida não importa exoneração correspondente da garantia, ainda que esta 
compreenda vários bens, salvo disposição expressa no título ou na quitação.\u201d 
 \u201cArt. 28 da Lei n. 6.404. A ação é indivisível em relação à companhia.\u201d 
 \u201cArt. 1.331. Pode haver, em edificações, partes que são propriedade exclusiva, e partes que são propriedade comum dos condôminos. 
 § 2º O solo, a estrutura do prédio, o telhado, a rede geral de distribuição de água, esgoto, gás e eletricidade, a calefação e refrigeração 
centrais, e as demais partes comuns, inclusive o acesso ao logradouro público, são utilizados em comum pelos condôminos, não 
podendo ser alienados separadamente, ou divididos.\u201d 
51 Art. 1.386 do Código Civil . 
 
52 SILVA, Regina Beatriz Tavares (coord.). Código Civil comentado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 92. 
 
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Assim, com a morte da pessoa seu patrimônio se transmite aos herdeiros.
53
 Nos ensina o mestre J.M. Leoni 
Lopes de Oliveira, que o patrimônio é o conjunto do lado ativo e do lado passivo.
54
 
Dos bens reciprocamente considerados 
Bens principais são aqueles que não dependem de outros, não estão presos a outros, não seguem a sorte de 
outros. O solo é sempre principal, tudo o mais que está preso a ele é acessório. Já os acessórios, são aqueles que 
seguem a sorte do principal. Tudo o que acontece ao principal acontece aos acessórios. As obrigações seguem esta 
regra. Os bens acessórios podem ser: As pertenças, as acessões, os frutos naturais, industriais e civis, os produtos, 
os rendimentos e as benfeitorias.
55
 
\uf0e6 Nota! 
Apesar de o art. 82 do Código Civil12 mencionar que o acessório depende da 
existência do principal, existe regra no Código que informa opinião contraditória. Vamos 
ver: 
 
 
Art. 1.487. A hipoteca pode ser constituída para garantia de dívida futura ou condicionada, desde que determinado o valor 
máximo do crédito a ser garantido. 
Então, a hipoteca é garantia acessória tendo existência independentemente do principal. 
Têm-se basicamente dois critérios para ser aferido o que é principal e o que é acessório: 
Primeiro: Critério econômico, isto é, na verdade o valor de cada um dos bens seria determinante para se aferir o 
que seria principal ou acessório. 
Segundo (majoritário): Critério funcional. Principal é aquilo que atribui função ao todo, e o acessório atinge a 
sua finalidade enquanto àquele se vincula. 
O Código Civil apresenta norma que adota o critério econômico. Veja-se a chamada acessão invertida: 
Art. 1.255. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e 
construções; se procedeu de boa-fé, terá direito à indenização. 
Parágrafo único. Se a construção ou a plantação exceder consideravelmente o valor do terreno, aquele que, de boa-fé, plantou ou 
edificou adquirirá a propriedade do solo mediante pagamento da indenização fixada judicialmente, se não houver acordo. 
São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao 
serviço ou ao aformoseamento de outro (molduras de quadros, acessórios de um automóvel, máquinas de uma 
fábrica). São imóveis por acesso intelectual. 
As partes integrantes são acessórios que, unidos ao principal, formam com ele um todo, sendo desprovidos de 
existência material própria, embora mantenham sua identidade (as lâmpadas de um lustre). 
\uf0e6 Nota! 
A pertença é um acessório sobre o qual não incide o princípio da gravitação jurídica. 
 
53 Art. 1.784 do Código Civil . 
 
54 OLIVEIRA, J. M. Leoni Lopes de. Novo Código Civil anotado. 1. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2004. p. 164. 
 
55 Vejamos alguns exemplos na legislação: arts. 233, 364, 366 e 1.209, todos do Código Civil. 
 
56 \u201cArt. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da 
destinação econômico-social.\u201d 
 
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Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças, salvo se o contrário 
resultar da lei, da manifestação de vontade ou das circunstâncias do caso. Aqui vale observar o art. 233 do Código 
Civil. 
Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o contrário resultar do 
título ou das circunstâncias do caso. 
Enfim, o fato de a pertença não se aplicar à gravitação jurídica não significa dizer que a pertença é principal. 
Antes, fica claro que a pertença é acessória, porque ela se instrumentaliza a servir ao uso, serviço ou aformoseamento. 
Não se tem na pertença uma vinculação física, porque ela não é parte integrante. O que se tem, de fato, na pertença é 
uma vinculação finalística. O piano não é pertença do imóvel residencial, mas o será de um conservatório, ante as 
circunstâncias do caso, uma vez que é imprescindível para que esse possa atingir sua finalidade. 
Exceção à regra do art. 94 é a do art. 566 do Código Civil : 
Art. 566. O locador é obrigado: 
I \u2013 a entregar ao locatário a coisa alugada, com suas pertenças, em estado de servir ao uso a que se destina, e a mantê-la nesse 
estado, pelo tempo do contrato, salvo cláusula expressa em contrário; 
Enfim, no caso específico de locação, o art. 566, I, do Código diz que há presunção do locatário em entregar as 
pertenças. 
Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico. 
Importa mencionar que os produtos se diferenciam dos frutos justamente em razão da renovabilidade e do abalo 
ao bem. Os frutos podem ser naturais e civis. Cumpre mencionar os artigos: 
Art. 1.215. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo que são separados; os civis reputam-se 
percebidos dia por dia. 
Art. 1.398. Os frutos civis, vencidos na data inicial do usufruto, pertencem ao proprietário, e ao usufrutuário os vencidos na data 
em que cessa o usufruto. 
Art. 1.395. Quando o usufruto recai em títulos de crédito, o usufrutuário tem direito a perceber os frutos e a cobrar as 
respectivas dívidas. 
O usufrutuário tem o dever de conservar o bem e é considerado possuidor de boa-fé. Ele se compromete a 
guardar a substância da coisa; assim, a doutrina majoritária defende que o usufrutuário só pode perceber os frutos e 
não os produtos, uma vez que a percepção dos produtos abalaria a própria substância do bem. 
Art. 1.394. O usufrutuário tem direito à posse, uso, administração e percepção dos frutos. 
Frutos, são as utilidades que a coisa periodicamente produz, sem desfalque da sua substancia. Podem ser 
naturais, ou seja, tudo aquilo que a coisa produz