HDB - Anotação (3)
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Civil. Recurso Especial. Prequestionamento.Publicidade enganosa por omissão. Aquisição de refrigerantes com 
tampinhas premiáveis. Defeitos de impressão. Informação não divulgada. Aplicação do Código de Defesa do Consumidor. Dissídio 
jurisprudencial. Comprovação. Omissão. Inexistência. Embargos de declaração. Responsabilidade solidária por publicidade enganosa. 
 Reexame fático-probatório. O Recurso Especial carece do necessário prequestionamento quando o aresto recorrido não versa sobre a 
questão federal suscitada. Há relação de consumo entre o adquirente de refrigerante cujas tampinhas contêm impressões gráficas que 
dão direito a concorrer a prêmios, e o fornecedor do produto. A ausência de informação sobre a existência de tampinhas com defeito na 
impressão, capaz de retirar o direito ao prêmio, configura-se como publicidade enganosa por omissão, regida pelo Código de Defesa do 
Consumidor. A comprovação do dissídio jurisprudencial exige o cotejo analítico entre os julgados tidos como divergentes e a similitude 
fática entre os casos confrontados. Inexiste omissão a ser suprida por meio de embargos de declaração quando o órgão julgador 
pronuncia-se sobre toda a questão posta à desate, de maneira fundamentada. É solidária a responsabilidade entre aqueles que 
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\u2022 Dolo de terceiro: Será anulável o ato negocial somente no caso de conhecimento por uma das partes.77 
\uf0b7 Dolo do representante legal ou convencional: O dolo do representante legal de uma das partes só 
obriga o representado a responder civilmente até a importância do proveito que teve; se, porém, o 
dolo for do representante convencional, o representado responderá solidariamente com ele por perdas 
e danos.78 
\u2022 Dolo recíproco: Ambos os contratantes se valem de meios artificiosos na busca de benefícios. Também pode 
ser chamado de dolo bilateral, em razão de estar maculado pela má-fé; a lei não tolera o mesmo não sendo cabível a 
anulabilidade, bem como, pedido de indenização.79 
Coação 
É a pressão psicológica ou ameaça exercida sobre alguém para obrigá-lo a praticar determinado ato. Para que 
a coação vicie o ato é necessário que se incuta medo de dano à pessoa do coagido, à sua família ou a seus bens e 
que o dano objeto da ameaça seja providência física ou moral. A vítima da coação não expressa a sua verdadeira 
vontade, cujas rédeas foram tomadas pelo coator em função da grave ameaça perpetrada. Se a vontade, elemento 
nuclear do negócio jurídico, não revela a intenção do declarante, surgindo de um fio condutor ilegal, o ordenamento 
jurídico decreta a sua invalidade.80 Se disser respeito à pessoa não pertencente à família do paciente, o juiz, com 
base nas circunstâncias, decidirá se houve coação.81 Importante mencionar, que a coação física (constrangimento 
corporal) é causa de inexistência de Negócio Jurídico em razão de total ausência de vontade. No apreciar a coação, 
ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a condição, a saúde, o temperamento do paciente e todas as demais 
circunstâncias que possam influir na gravidade dela. Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um 
direito nem o simples temor reverencial.82 O temor reverencial por si só não constitui uma coação, pois o mesmo é 
estimável, e convém que uma pessoa aceda a vontade daquela que a ordem social entende que deve guiar. Se o 
temor reverencial ultrapassa, porém, os limites, dentro dos quais deve estar contido, a ponto de criar-se uma outra 
razão de coação, então o ato é anulável, como, por exemplo, se o pai sai ao filho: se não te casares, tiro-te a 
mesada.83 
 
Estado de perigo 
 
 
veiculam publicidade enganosa e os que dela se aproveitam, na comercialização de seu produto. É inviável o reexame fático-probatório 
em sede de Recurso Especial. Recursos Especiais conhecidos parcialmente e não providos (REsp n. 327.257/SP, rel.ª Ministra Nancy 
Andrighi, 3ª Turma, j. em 22.06.2004, DJ, 16.11.2004, p. 272). 
77 Art. 148 do Código Civil. 
 
78 Art. 149 do Código Civil. 
 
79 \u201cArt. 150 do Código Civil. Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio, ou reclamar 
indenização.\u201d 
 
80 OLIVEIRA, James Eduardo. Código Civil comentado e anotado. 1. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2009. p. 134. 
 
81 Art. 151, parágrafo único, Código Civil. 
 
82 Art. 153 do Código Civil. 
 
83 DANTAS, San Tiago. Programa de direito civil. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Rio, p. 295. 
 
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No estado de perigo, há temor de grave dano moral ou material à própria pessoa, ou a parente seu, 
que compele o declarante a concluir contrato, mediante prestação exorbitante.
84
 A pessoa natural premida 
pela necessidade de salvar-se a si própria, ou a um familiar seu, de algum mal conhecido pelo outro 
contratante, vem a assumir obrigação demasiadamente onerosa. 
Da lesão 
Vício decorrente do abuso praticado em situação de desigualdade de um dos contratantes, por estar sob 
premente necessidade, ou por inexperiência, visando a protegê-lo.85 Ante o prejuízo sofrido na conclusão do 
contrato, devido à desproporção existente entre as prestações das duas partes, dispensando-se a verificação do dolo 
ou má-fé da parte que se aproveitou. Neste sentido a III Jornada de Direito Civil: 
Art. 157: A lesão de que trata o art. 157 do Código Civil não exige dolo de aproveitamento (Enunciado n. 
150). 
A desproporção das prestações, ocorrendo lesão, deverá ser apreciada segundo os valores vigentes ao tempo 
da celebração do negócio jurídico pela técnica pericial e avaliada pelo magistrado. Se a desproporcionalidade for 
superveniente à formação do negócio, será juridicamente irrelevante. 
A lesão (causa concomitante) inclui-se entre os vícios de consentimento e acarretará a anulabilidade do 
negócio, permitindo-se, porém, para evitá-la, a oferta de suplemento suficiente, ou, se o favorecido 
concordar, a redução da vantagem, aproveitando, assim, o negócio.
86
 
Fraude contra credores 
Segundo a lei: \u201cOs negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já 
insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores 
quirografários, como lesivos dos seus direitos. Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente. 
Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação deles.\u201d87 Neste vício a vítima não 
participa do ato, mas sofre suas conseqüências. 
Vislumbra-se prática maliciosa, realizada pelo devedor, de atos que desfalcam seu patrimônio, com o fim de 
colocá-lo a salvo de uma execução por dívidas em detrimento dos direitos creditórios alheios. Dois são seus 
elementos: o objetivo (eventus damni), que é todo ato prejudicial ao credor, por tornar o devedor insolvente ou por 
ter sido realizado em estado de insolvência,88 ainda quando o ignore ou ante o fato de a garantia tornar-se 
insuficiente; e o subjetivo (consilium fraudis), que é a má-fé, a intenção de prejudicar do devedor ou do devedor 
aliado a terceiro, ilidindo os efeitos da cobrança. 
A fraude contra credores, que vicia o \u2018negócio\u2019 de simples anulabilidade,somente é atacável por ação pauliana 
ou revocatória, movida pelos credores quirografários (sem garantia suficientes para resguardar o crédito), que já o 
eram ao tempo da prática desse ato fraudulento que se pretende invalidar. O credor com garantia real (penhor, 
hipoteca ou anticrese) para o ajuizamento da ação pauliana prescinde de prévio reconhecimento judicial da 
insuficiência da garantia.89 
 
84 \u201cArt. 156