Capítulo 6 (antigo 5) revisto (2)
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Capítulo 6 (antigo 5) revisto (2)


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Cap. 6 \u2013 O Balanço de Pagamentos
6.1 Introdução
A análise das relações econômicas e financeiras internacionais constitui condição necessária para um adequado entendimento da estrutura econômica de uma determinada nação. Isso porque os países não são estruturas isoladas e mesmo os mais fechados acabam por manter uma série de relações econômicas com outros países, envolvendo trocas de mercadorias, fatores de produção e ativos. Tais relações acabam tendo importantes implicações no cômputo de determinados agregados macroeconômicos.
Os países não são estruturas isoladas. Eles mantêm uma série de relações econômicas com outros países, envolvendo trocas de mercadorias, fatores de produção e ativos reais e financeiros. 
Assim, numa economia aberta, a oferta agregada passa a ser composta não apenas pela produção doméstica, mas também por bens e serviços produzidos em outros países. Por outro lado, na poupança total da economia, pode vir a incluir-se não apenas a poupança interna, mas também a poupança de não residentes, também denominada de externa. Em outras palavras, a existência de transações econômicas internacionais produz inúmeras implicações, não só para as contas nacionais, como para a própria teoria macro\u200beconômica. 
Nesse sentido, no sistema de contas nacionais, cuja metodologia de referência apresentamos no Capítulo 2, explicitamos a conta do setor externo, em que são lançadas as importações, as exportações e a renda líquida enviada ao resto do mundo (renda enviada menos renda recebida) referente ao pagamento e recebimento relacionados a fatores de produção. Da mesma maneira, na metodologia das contas nacionais hoje adotada no Brasil (SNA 1993), também pode ser encontrada a conta das operações correntes com o resto do mundo, que contempla os mesmos lançamentos, além de outros necessários para dar conta da inteiração cada vez maior entre as diversas economias nacionais. Na verdade, essas contas representam uma parte de uma conta mais ampla denominada balanço de pagamentos, sendo que valem para esta peça contábil os mesmos princípios que norteiam a elaboração das contas nacionais, a saber, o princípio das partidas dobradas e o princípio dos equilíbrios interno e externo. 
No balanço de pagamentos, são registradas todas as transações econômicas que o país realiza com o resto do mundo, num determinado período de tempo, permitindo avaliar sua situação econômica em relação às transações internacionais. 
A partir desse balanço, podemos avaliar quantitativamente, ou mesmo qualitativamente, as diversas transações que o país mantém com outros países, como a compra ou venda de mercadorias, a remessa de lucros para o exterior por parte de empresas estrangeiras instaladas no país, a atividade de turismo, os empréstimos internacionais, os fluxos financeiros e os movimentos de capitais especulativos dentre outros. Trata-se de uma conta que ocupa papel cada vez mais importante no estudo da macroeconomia, tendo em vista a intensificação, observada a partir dos anos 1980, do fluxo real e financeiro entre os países, muitas vezes denominada globalização. 
No Brasil, a responsabilidade pela elaboração do balanço de pagamentos é do Banco Central do Brasil (Bacen), o qual segue para tanto as diretrizes do FMI, buscando sempre manter a coerência metodológica com o sistema de contas nacionais elaborado pelo IBGE. 
6.2 A Estrutura do Balanço de Pagamentos
Conforme já destacado na introdução deste capítulo, o balanço de pagamentos registra a totalidade das transações entre o país e o resto do mundo. Em termos mais formais, o balanço de pagamentos registra todas as transações entre residentes e não residentes de um país num determinado período de tempo. Assim, antes de iniciarmos a análise da estrutura dessa conta, é necessário que tenhamos uma definição precisa desses dois termos.
Define-se como residentes de um país todas as pessoas, físicas ou jurídicas, que tenham esse país como seu principal centro de interesse. Nesse sentido, podemos considerar como residentes todas as pessoas que moram permanentemente no país (que têm nele sua residência fixa), mesmo aquelas nascidas em outros países; aquelas que moram no país, mas que estão temporariamente em outros países (por motivo de turismo, negócio ou qualquer outro); todas as empresas sediadas no país, inclusive as filiais de empresas estrangeiras; e o próprio governo. Incluem-se ainda, na categoria de residentes, embaixadas e consulados que se encontram em outros países. Por exclusão, temos a definição de não residentes.
O balanço de pagamentos registra todas as transações entre residentes e não residentes de um país num determinado período de tempo. Definem-se como residentes de um país todas as pessoas, físicas ou jurídicas, que tenham esse país como seu principal centro de interesse.
Dadas essas importantes definições e lembrando que, quando se trata de transações com o exterior, os registros são todos efetuados em dólar norte-americano, que é atualmente o meio de pagamento internacional, vejamos agora a estrutura completa do balanço de pagamentos, de acordo com a metodologia adotada no Brasil desde 2001 para essa peça contábil.\ufffd
	Estrutura completa do Balanço de Pagamentos
	Conta Corrente
1 \u2013 Balança Comercial (transações envolvendo mercadorias tangíveis)
1.1 Exportações
1.2 Importações
2 \u2013 Balança de Serviços (transações envolvendo mercadorias intangíveis)
2.1 Turismo
2.2 Fretes e Transportes
2.3 Seguros
2.4 Royalties
2.5 Outros
3 \u2013 Balança de Rendas (transações envolvendo fatores de produção)
3.1 Lucros
3.2 Juros
3.3 Salários
4 \u2013 Transferências Correntes (são transferências e não transações econômicas)
	5 \u2013 Saldo do BP em transações correntes (ou simplesmente saldo da conta corrente do BP) 
 (5 = 1 + 2 + 3 + 4)
	Conta Capital e Financeira
6 \u2013 Conta Capital
7 \u2013 Conta Financeira
7.1 Investimentos Diretos (inclui reinvestimentos e empréstimos inter-companhia)
7.2 Investimentos em Carteira (inclui derivativos)
7.3 Outros
7.3.1 Empréstimos e Financiamentos (inclui empréstimos de regularização e amortizações)
7.3.2 Crédito Comercial
7.3.3 Moeda e Depósitos
7.3.4 Outros
	8 \u2013 Erros e Omissões
	9 \u2013 Saldo do Balanço de Pagamentos (9 = 5 + 6 + 7 + 8) 
	10 \u2013 Haveres da Autoridade Monetária - variação 
 (haveres estrangeiros líquidos e sob o controle da autoridade monetária)
10.1 Reservas em Moeda Estrangeira (inclui títulos de alta liquidez)
10.2 Reservas no FMI 
10.3 Direitos Especiais de Saque (DES)
10.4 Ouro 
10.5 Outros Haveres (qualquer outro ativo líquido em moeda estrangeira)
Como podemos notar, o balanço de pagamentos oferece uma estrutura bastante detalhada das operações que um país realiza com o resto do mundo. Vejamos agora mais de perto o significado de cada grupo de contas. A balança comercial (item 1) registra a movimentação de mercadorias, ou seja, de bens tangíveis. Seu saldo é dado pela diferença entre vendas de mercadorias efetuadas pelo país ao exterior (exportações, conta 1.1) e compras de mercadorias efetuadas pelo país no exterior (importações, conta 1.2). As exportações geram lançamentos a crédito, enquanto as importações geram lançamentos a débito nessa balança. Se as exportações excedem as importações, temos um superávit e, ocorrendo o contrário, temos um déficit na balança comercial.
Existem duas maneiras de contabilizar as exportações e importações. A primeira diz respeito ao conceito FOB (do inglês free on board), que representa o valor de embarque da mercadoria. A segunda diz respeito ao conceito CIF (cost, insurance and freight), que inclui, além do custo propriamente dito das mercadorias, os fretes e seguros relacionados ao seu transporte. Na balança comercial, tanto as exportações quanto as importações são registradas por seu valor FOB.
A balança de serviços (item 2) agrega as transações com mercadorias intangíveis. E o que são mercadorias intangíveis? Quando, uma empresa brasileira compra um serviço de transporte de uma empresa estrangeira (por exemplo, um exportador brasileiro de soja