Capítulo 6 (antigo 5) revisto (2)
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Capítulo 6 (antigo 5) revisto (2)


DisciplinaContabilidade Social e Balanço de Pagamentos145 materiais1.374 seguidores
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1994-2010, seguida de breve comentário.
A partir do gráfico, podemos verificar algumas trajetórias interessantes para a taxa de câmbio. Desde janeiro de 1999 o Brasil tem adotado um regime de câmbio flutuante. Conforme podemos visualizar no gráfico, desde então observamos grande volatilidade nessa taxa. Em uma primeira fase, de 1999 até 2002, houve forte depreciação da moeda brasileira em relação ao dólar americano, movimento que se acentuou nesse último ano por conta das eleições presidenciais e das reais perspectivas de Luiz Ignácio Lula da Silva vencer as eleições. A partir de 2003, contudo, com a melhora do cenário financeiro internacional e a sinalização, por parte do Brasil, de que a política econômica não seria alterada, antes o contrário, e de que o país continuaria a oferecer as maiores taxas de juros do mundo, com baixo risco de default (moratória), tivemos um grande entrada de capital especulativo no país, contribuindo para a apreciação do Real. A crise de 2008/2009 mais uma vez demonstrou a fragilidade do sistema provocando a inversão do curso e mais uma vez depreciando a moeda brasileira. Ultrapassado o momento mais agudo da crise, a moeda brasileira volta a se apreciar fortemente, num movimento que é em muito auxiliado pela manutenção das elevadas taxas de juros praticadas pelo país, bem como pelo aumento de importância dos mercados de derivativos, os quais tornam a apreciação da moeda brasileira um movimento auto-referente. 
6.5 Ajustando o Balanço de Pagamentos
A palavra déficit muitas vezes soa como algo negativo e que deve ser evitado. Entretanto, tal percepção deve ser tomada com bastante cautela. Isso porque um déficit nas contas externas não é necessariamente algo ruim ou que indique um mal desempenho econômico do país. Exemplificando, considere um país que, durante um curto período, apresente déficits na conta corrente de seu balanço de pagamentos. Esses déficits podem ser, por exemplo, resultado de grandes volumes de importação de máquinas e equipamentos, ou mesmo de tecnologia, tendo como objetivo elevar a eficiência econômica do país e, assim, sua própria capacidade de reverter o déficit num futuro próximo. Nesse caso, os déficits não podem ser considerados ruins ou problemáticos. O déficit só se torna um problema quando ele é sistemático e sem perspectiva de reversão no longo prazo. Nesse caso, a autoridade econômica deve pôr em prática alguma medida de ajuste.
Existem inúmeros instrumentos para o ajuste do balanço de pagamentos de um país, dentre os quais os mais importantes são: i) a desvalorização cambial; ii) a elevação das tarifas de importação; iii) o estabelecimento de cotas de importação;\u200b iv) a concessão de subsídios às exportações; v) a imposição de restrições à saída de capitais e à remessa de recursos ao exterior; vi) a redução no nível de atividade da economia; e vii) a elevação da taxa interna de juros. 
Cada uma dessas medidas age sobre elementos distintos e específicos dentro do Balanço de Pagamentos, e o prazo necessário para a verificação de seus efeitos também varia significativamente. A desvalorização cambial atua principalmente no balanço de pagamentos em transações correntes, pois estimula as exportações, desestimula as importações e torna mais caras as viagens de residentes ao exterior, dentre outros efeitos. Dependendo do tamanho do déficit em transações correntes, torna-se necessária uma grande desvalorização cambial, em termos reais, para realizar o ajuste. O inconveniente de tal medida reside no fato de a desvalorização provocar desajustes, ainda que temporários, nos preços relativos da economia, podendo ainda gerar pressões inflacionárias, já que vários bens têm seus preços elevados em moeda nacional. De qualquer forma, trata-se de uma medida clássica defendida por muitos economistas.\ufffd No que diz respeito ao hiato temporal do ajuste, a alteração da taxa de câmbio está certamente no grupo de medidas de mais rápido resultado.\ufffd 
A segunda e a terceira medidas (elevação de tarifas e imposição de cotas de importação), de resultados também a curtíssimo prazo, têm como objetivo conter as importações, atuando assim sobre o saldo da balança comercial. Em termos de política econômica, elas significam uma redução no grau de abertura comercial do país, a primeira porque torna mais difíceis as importações, já que eleva seu preço em moeda doméstica por meio do aumento das tarifas alfandegárias, e a segunda porque estabelece limites quantitativos para a entrada de produtos estrangeiros no país. Trata-se, por isso, de medidas cada vez menos aceitas e que não são vistas com bons olhos por outros países, podendo gerar retaliações (medidas de mesma natureza adotadas por outros países em relação às exportações do país que inicialmente as adotou). Atualmente existe um fórum mundial para a discussão desse tipo de problema que é a OMC (Organização Mundial de Comércio). 
Os subsídios às exportações, que tomam, em geral, a forma de isenção fiscal, têm como objetivo torná-las mais competitivas e, conseqüentemente, melhorar o saldo da balança comercial. Seus efeitos, porém, não são tão imediatos, requerendo um certo tempo para que possam ser obtidos. Além disso, essa medida demanda um aporte substantivo de recursos públicos, cada vez mais escassos na maior parte dos países. Alguns economistas criticam esse tipo de política por conta de seus resultados, em princípio perversos do ponto de vista da alocação. A suposição aí vigente é que uma política persistente de subsídios acaba por viabilizar atividades ineficientes, prejudicando, com isso, a alocação de recursos que, de outro modo, poderia ser otimizada. Além disso, medidas como essa também não são bem vistas internacionalmente e podem levar a acusações de prática de dumping\ufffd por parte dos concorrentes do país no setor beneficiado pelos subsídios.\u200b
As restrições às saídas de capital objetivam elevar o saldo do movimento de capitais, atuando, no caso, de modo mais imediato, na conta de capitais de curto prazo. Conforme já visto, um superávit nessa conta muitas vezes é necessário para financiar eventuais déficits em transações correntes.\ufffd Já as restrições à remessa de rendas ao exterior\u200b (lucros e juros) têm como objetivo melhorar a situação da balança de rendas. Evidentemente, tais medidas podem resultar, no momento seguinte, numa grande desconfiança por parte dos investidores internacionais, que certamente ficarão mais cautelosos em suas decisões de investimento no país.
A redução no nível da atividade econômica também tem como objetivo tentar reverter um eventual déficit na balança comercial e de serviços. Ela reduz as importações, pois um menor nível de renda interna reduz o consumo, tanto de bens de consumo quanto de bens de capital importados. Além disso, ela atua a favor das exportações, já que, frente a um desaquecimento do mercado interno, a produção doméstica tende a procurar, no mercado externo, alternativas de venda. O grande problema desse tipo de medida está na própria redução do nível de atividade, por conta de suas indesejáveis conseqüências do ponto de vista social, particularmente o aumento do desemprego.
Por fim, a elevação da taxa interna de juros tem como objetivo atrair capitais\u200b de curto prazo que vejam no diferencial de juros interno e externo grandes possibilidades de lucro no mercado financeiro doméstico.\ufffd Portanto, esse tipo de medida\u200b também atua sobre o movimento de capitais, particularmente sobre os capitais de curto prazo, procurando elevar seu saldo. Contudo, existe uma outra conseqüência\u200b da elevação da taxa interna de juros sobre o balanço de pagamentos que é tão importante quanto essa: a redução no nível de atividade econômica que ela inequivocamente traz. A elevação da taxa interna de juros tem impactos diretos sobre dois dos principais componentes da demanda agregada que, como vimos no Capítulo 2, é a responsável pela determinação do nível de renda e emprego da economia. Por um lado, ela tende a desestimular os chamados investimentos produtivos, não só pelo encarecimento