Capítulo 6 (antigo 5) revisto (2)
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Capítulo 6 (antigo 5) revisto (2)


DisciplinaContabilidade Social e Balanço de Pagamentos145 materiais1.375 seguidores
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etc.). 
Finalmente, em relação ao balanço de pagamentos como um todo, são dignos de nota os valores atingidos nos últimos anos pelos superávits que se repetem desde 2001: US$ 87 bilhões em 2007, quase US$ 50 bilhões em 2009-2010 (o magro resultado de 2008 deve-se à eclosão da crise financeira mundial, que afetou pesadamente os investimentos estrangeiros no país, particularmente os investimentos em carteira). Tais valores são o resultado da combinação de uma taxa real de juros extremamente elevada (a mais elevada do mundo, no momento em que esta nova edição está sendo escrita \u2013 meados de 2011), com uma moeda nacional não só sobrevalorizada, mas cujo movimento de sobrevalorização é contínuo. Assim, apesar do gigantesco déficit de transações correntes de quase US$ 50 bilhões, ainda fechamos 2010 com um superávit no BP da mesma ordem. Se essa situação deixa o país relativamente confortável em termos de suas contas externas (as reservas acumuladas ao final de 2010 chegavam perto dos US$ 290 bilhões), as conseqüências dessa opção do ponto de vista de sua vulnerabilidade ainda estão por ser corretamente avaliadas. na próxima seção voltaremos a essa questão. 
6.7 A Posição Internacional de Investimentos
O Balanço de Pagamentos é, como vimos, a peça contábil responsável pelo registro de todas as transações que o país realiza com o resto do mundo num determinado período de tempo. A expressão em itálico nessa definição é fundamental porque ela indica que os registros contidos no BP referem-se aos fluxos ocorridos durante o período a que se refere o balanço, fluxos esses que podem referir-se a operações de compra e venda de bens e serviços, pagamento de fatores, investimentos diretos ou de portfólio, dentre outras. Sendo assim, o BP nos traz um conjunto muito rico de informações sobre as transações envolvendo residentes e não residentes e sobre a situação das contas externas do país. Contudo, ele não é capaz de responder algumas questões. A principal delas tem que ver com o chamado passivo externo líquido da economia. 
Nos anos 1980, uma das questões que mais preocupava as autoridades econômicas brasileiras era o tamanho e o comportamento da chamada dívida externa, ou seja, do estoque de créditos contra residentes que não residentes detinham (e que demandavam o pagamento de juros e também a amortização do principal, tão logo se extinguisse o período em relação ao qual cada empréstimo tinha sido contraído). O Balanço de Pagamentos pode nos informar quanto foi pago de juros num determinado período, quanto foi gasto com amortizações e quanto foi tomado de novos empréstimos nesse mesmo período, mas não pode responder qual é o montante da dívida externa. Isto porque a dívida externa é um dos elementos do passivo externo da economia, e o Balanço de Pagamentos não traz informações sobre isso. As informações referentes ao valor de ativos e passivos externos, bem como ao montante de reservas que o país tem em cada momento são informações referentes aos estoques relativos a operações envolvendo residentes e não residentes e não aos fluxos. Mas existe uma peça contábil que faz, para esses estoques, aquilo que o BP faz para os fluxos. Seu nome é Posição Internacional de Investimentos\ufffd e, tal como ocorre no caso do BP, também ela é elaborada, no Brasil, pelo Banco Central, que é nossa autoridade monetária. 
O Balanço de Pagamentos (BP) registra os fluxos de recursos envolvidos nas transações ocorridas entre residentes e não residentes num determinado período de tempo, enquanto a Posição Internacional de Investimentos (PII) registra o valor dos estoques de ativos e passivos externos num determinado momento do tempo. 
O passivo externo líquido, não é nada mais do que o valor de todos os passivos externos que a economia possui num determinado momento (dentre eles a dívida externa), descontado o valor dos ativos e das reservas internacionais. Sobre essas últimas, lembremos que a informação trazida pelo BP (abaixo da linha que apresenta seu resultado num determinado período) não é o valor do estoque de reservas, mas sim sua variação, ou seja, se elas aumentaram ou diminuíram no período, e em quanto. O quadro abaixo mostra a estrutura da PII, tal como é hoje elaborada no Brasil em obediência às regras metodológicas determinadas pelo FMI.
	Posição Internacional de Investimento (A \u2013 B)
	Ativo (A)
	1. Investimento Direto no Exterior
	2. Investimentos em Carteira
	3. Derivativos
	4. Outros Investimentos
	4.1 Crédito Comercial
	4.2 Empréstimos
	4.3 Moeda e Reservas
	4.4 Outros Ativos
	5. Ativos de Reserva
	Passivo (B)
	1. Investimento Estrangeiro Direto
	2. Investimentos em Carteira
	3. Derivativos
	4. Outros Investimentos
	Crédito Comercial
	Empréstimos
	Moeda e Reservas
	Outros Ativos
Como indica o quadro, a Posição Internacional de Investimentos traz 9 grupos de itens, sendo 5 do ativo e 4 do passivo. O item a mais no ativo refere-se ao registro do valor do estoque de reservas internacionais possuídas pelo país no momento ao qual se refere a PII (item 5 - Ativos de Reserva). O leitor dever reparar que essas rubricas reproduzem as rubricas que constam na Conta Financeira do Balanço de Pagamentos. A diferença, portanto, é que o BP nos mostra apenas a variação de cada uma delas num determinado período, enquanto que a PII nos traz o valor do estoque de cada uma delas num dado momento. Assim, por exemplo, podemos verificar pelo BP que o fluxo de Investimentos Estrangeiros em Carteira no Brasil alcançou a cifra de US$ 67,8 bilhões em 2010, mas é só pela investigação da PII que poderemos saber que o estoque desses investimentos no Brasil em 31 de dezembro de 2010 era de US$ 656,3 bilhões. Vejamos então qual o valor atingido por essas rubricas no Brasil nos últimos anos, para que possamos fazer uma breve análise e voltar a um dos temas iniciais desta seção, qual seja o passivo externo líquido. 
	Posição Internacional de Investimento - Brasil - US$ milhões (valores em 31 dez. de cada ano) 
	
	2003
	2004
	2005
	2006
	2007
	2008
	20091/
	20101/
	Posição internacional de investimento (A-B)
	-272.493
	-297.609
	-316.592
	-368.862 
	-550.396 
	-283.800 
	-605.662 
	-700.786
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Ativo (A)
	134.223
	148.536
	168.182
	 238.874 
	 369.888 
	 407.788 
	 474.219 
	592.871
	Investimento direto brasileiro no exterior
	54.892
	69.196
	79.259
	 113.925 
	 136.103 
	 163.329 
	 158.777 
	180.949
	Investimentos em carteira2/
	6.950
	9.353
	10.834
	 14.429 
	 23.178 
	 17.321 
	 13.257 
	21.303
	Derivativos
	81
	109
	119
	 113 
	 142 
	 609 
	 287 
	293
	Outros investimentos
	23.004
	16.943
	24.171
	 24.567 
	 32.859 
	 43.003 
	59.098 
	101.752
	Crédito Comercial
	186
	68
	98
	70
	99
	123
	16.616
	51.970
	Empréstimos
	687
	631
	727
	562
	3.513
	10.914
	11.767
	12.988
	Moeda e Depósitos
	16.412
	10.418
	17.077
	17.200
	22.543
	24.107
	23.070
	27.918
	Outros Ativos
	5.718
	5.826
	6.269
	6.736
	6.704
	7.859
	7.645
	8.877
	 Ativos de reservas
	49.296
	52.935
	53.799
	 85.839 
	 180.334 
	 193.783 
	 238.520 
	288.575
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	Passivo (B)
	406.716
	446.145
	484.775
	607.735 
	 920.284 
	 691.588 
	1.079.881 
	1.293.657
	Investimento Estrangeiro Direto
	132.818
	161.259
	181.344
	 220.621 
	 309.668 
	 287.697 
	 400.808 
	472.576
	Investimentos em carteira
	166.095
	184.758
	232.352
	 303.583 
	 509.648 
	 287.533 
	 561.848 
	656.284
	Derivativos
	125
	320
	219
	 445 
	 1.771 
	 2.450 
	 3.413 
	3.781
	Outros investimentos
	107.678
	99.809
	70.859
	 83.087 
	 99.197 
	 113.908 
	 113.813 
	161.016
	Crédito Comercial
	5.465
	4.728
	4.772
	5.216
	5.197
	6.241
	3.306
	3.133
	Empréstimos
	99.374
	92.133
	62.729
	73.466
	89.003
	103.463
	100.793
	145.905
	Moeda e Depósitos
	2.839
	2.948
	3.358
	4.405
	4.996
	4.204
	5.205
	7.531
	Outros Passivos
	-
	-
	-
	-
	-
	-
	4.510
	4.446
Fonte: Banco Central do Brasil 1/ dados preliminares 2/ inclui lucros reinvestidos
A tabela nos mostra que, do ponto de vista dos estoques,