Capítulo 6 (antigo 5) revisto (2)
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Capítulo 6 (antigo 5) revisto (2)


DisciplinaContabilidade Social e Balanço de Pagamentos145 materiais1.374 seguidores
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do exterior, como alimentos e medicamentos. O que acontece nesse caso? Bem, mais uma vez é creditada a conta transferências unilaterais (4). E qual conta é debitada? Nesse caso, a conta debitada é a conta de importações (1.2), pois tudo se passa como se o país tivesse importado aquelas mercadorias que lhe chegaram sob a forma de ajuda humanitária. Contudo, como tal operação não gerou saída de divisas, não é a conta variação de reservas (10) que é creditada, mas sim a conta transferências unilaterais (4). 
Vejamos agora em conjunto os vários tipos de operação que um país pode fazer com outros países num determinado período, para percebermos, a partir de um exemplo concreto, de que maneira se fecha um balanço de pagamentos. Suponhamos, então, as seguintes operações realizadas pela economia H no ano X:
residente exporta mercadorias, recebendo à vista US$ 350 milhões;
residente exporta mercadorias no valor de US$ 100 milhões, recebendo US$ 50 milhões a prazo e tendo os US$ 50 milhões adicionais depositados em sua conta corrente no exterior;
residente importa mercadorias, pagando à vista US$ 200 milhões, e financiando US$ 100 milhões;
residente importa mercadorias no valor de US$ 100 milhões e paga fretes no valor de US$ 10 milhões;
residente paga a não residente royalties no valor de US$ 20 milhões 
turistas gastam no país US$ 30 milhões; 
residentes gastam US10 milhões com viagens ao exterior;
não residentes compram passagens aéreas de empresa residente no valor de US$ 5 milhões;
residente remete ao exterior US$ 50 milhões de lucro;
lucros de US$ 20 milhões são reinvestidos no país;
empresa de residente operando fora do país remete ao país lucros no valor de US$ 5 milhões.
residentes pagam juros a não residentes num total de US$ 50 milhões;
empresas de residentes contratam trabalho fora do país e pagam salários de US$ 15 milhões;
organização social operada por residentes recebem ajuda do exterior para o desenvolvimento de projetos sociais no valor de US$ 5 milhões;
país envia medicamentos a país vizinho abalado por terremoto no valor de US$ 4 milhões;
imigrantes no país remetem recursos a seus familiares no exterior no valor de US$ 6 milhões;
empresa não residente adquire empresa residente no valor de US$ 25 milhões;
empresa do país empresta US$ 10 milhões a sua filial no exterior; 
não residentes investem US$ 50 milhões em derivativos no país, com margem de 10%;
residentes liquidam operações em derivativos no exterior, com perda de US$ 10 milhões;
país emite e vende no exterior títulos da dívida pública no valor de US$ 25 milhões; 
residentes pagam amortizações de empréstimos no valor de US$ 35 milhões;
Para entendermos como são contabilizadas essas operações no balanço de pagamentos, vejamos no quadro a seguir , passo a passo, os lançamentos necessários para registrar corretamente todas essas 22 operações.
	Lançamentos Contábeis relativos às Operações do BP da Economia H no ano X (em US$)
	Operação
	Conta(s) debitada(s)
	Conta(s) creditada(s)
	A
	Haveres \u2013 350 milhões
	Exportações \u2013 350 milhões
	B
	Crédito Comercial \u2013 50 milhões
Moeda e Depósitos \u2013 50 milhões
	Exportações \u2013 100 milhões
	C
	Importações \u2013 300 milhões
	Haveres \u2013 200 milhões
Crédito Comercial \u2013 100 milhões 
	D
	Importações \u2013 100 milhões
Fretes e Transportes \u2013 10 milhões
	Haveres \u2013 100 milhões
Haveres \u2013 10 milhões
	E
	Royalties \u2013 20 milhões
	Haveres \u2013 20 milhões
	F
	Haveres \u2013 30 milhões
	Turismo \u2013 30 milhões
	G
	Turismo \u2013 10 milhões
	Haveres \u2013 10 milhões
	H
	Haveres \u2013 5 milhões
	Fretes e Transportes \u2013 5 milhões
	I
	Lucros \u2013 50 milhões
	Haveres \u2013 50 milhões
	J
	Lucros \u2013 20 milhões
	Investimentos Diretos \u2013 20 milhões
	K
	Haveres \u2013 5 milhões
	Lucros \u2013 5 milhões
	L
	Juros \u2013 50 milhões
	Haveres \u2013 50 milhões
	M
	Salários \u2013 15 milhões
	Haveres \u2013 15 milhões
	N
	Haveres \u2013 5 milhões
	Transferências Correntes \u2013 5 milhões 
	O
	Transferências Correntes \u2013 4 milhões 
	Exportações \u2013 4 milhões
	P
	Transferências Correntes \u2013 6 milhões 
	Haveres \u2013 6 milhões
	Q
	Haveres \u2013 25 milhões
	Investimentos Diretos \u2013 25 milhões
	R
	Investimentos Diretos \u2013 10 milhões
	Haveres \u2013 10 milhões
	S
	Haveres \u2013 5 milhões
	Investimentos em Carteira \u2013 5 milhões
	T
	Investimentos em Carteira \u2013 10 milhões
	Haveres \u2013 10 milhões
	U
	Haveres \u2013 25 milhões
	Investimentos em Carteira \u2013 25 milhões
	V
	Empréstimos e Financiamentos \u2013 35 milhões
	Haveres \u2013 35 milhões
Vejamos agora como ficou a estrutura do Balanço de Pagamentos para esse país no ano X. 
	Balanço de Pagamentos da Economia H no ano X (US$ milhões)
	Conta Corrente
1 \u2013 Balança Comercial: + 454 \u2013 450 = + 54
1.1 Exportações: + 350 (A) + 100 (B) + 4 (Q) = + 454
1.2 Importações: \u2013 300 (C ) \u2013 100 (D) = \u2013 400
2 \u2013 Balança de Serviços: + 20 \u2013 5 \u2013 20 = \u2013 5
2.1 Turismo: + 30 (F) \u2013 10 (G) = +20
2.2 Fretes e Transportes: \u2013 10 (D) + 5 (H) = \u2013 5
2.3 Seguros: 0
2.4 Royalties: \u2013 20 (E)
2.5 Outros: 0
3 \u2013 Balança de Rendas: \u2013 65 \u2013 50 \u2013 15 = \u2013 130 
3.1 Lucros: \u2013 50 (I) \u2013 20 (J) + 5 (K) = \u2013 65 
3.2 Juros: \u2013 50 (L)
3.3 Salários: \u2013 15 (M)
 4 \u2013 Transferências Correntes: + 5 (N) \u2013 4 (O) \u2013 6 (P) = \u2013 5 
	5 \u2013 Saldo do BP em transações correntes = + 54 \u2013 5 \u2013 130 \u2013 5 = \u2013 86 
	Conta Capital e Financeira
6 \u2013 Conta Capital: 0
7 \u2013 Conta Financeira: + 35 + 20 \u2013 35 = + 20
7.1 Investimentos Diretos: + 20 (J) + 25 (Q) \u2013 10 (R) = + 35 
7.2 Investimentos em Carteira: + 5 (S) \u2013 10 (T) + 25 (U) = + 20
7.3 Outros: \u2013 35 + 50 \u2013 50 = \u2013 35 
7.3.1 Empréstimos e Financiamentos: \u2013 35 ( V)
7.3.2 Crédito Comercial: \u2013 50 (B) + 100 (C) = + 50
7.3.3 Moeda e Depósitos: \u2013 50 
7.3.4 Outros: 0
	9 \u2013 Saldo do Balanço de Pagamentos: \u2013 86 + 0 + 20 = \u2013 66 
	10 \u2013 Haveres da Autoridade Monetária (variação) = + 66 
Como demonstra o balanço de pagamentos, o país apresentou, no período em questão, um déficit em sua conta corrente de US$ 86 milhões. Tal déficit foi decorrente, principalmente, do resultado da balança de rendas, deficitária em US$ 130 milhões. Assim, apesar do superávit de US$ 54 milhões na balança comercial, o resultado geral foi negativo, tendo contribuído para tanto também os resultados deficitários da balança de serviços (US$ 5 milhões) e das transferências correntes (US$ 5 milhões). Conforme já discutido, um déficit em transações correntes tem de ser de alguma forma financiado. No caso em estudo, o movimento de capitais contribuiu positivamente, pois o resultado conjunto das contas capital e financeira foi um superávit de US$ 20 milhões. Contudo esse valor não foi suficiente para compensar o déficit apurado na conta corrente do BP, resultando, portanto, num saldo do BP negativo em US$ 66 milhões. Assim, a incapacidade da economia H de, no período X, gerar, com suas operações correntes e de capital, o montante necessário de divisas para enfrentar todas as suas despesas em moeda forte no mesmo período, fez com que as reservas do país se reduzissem em montante idêntico ao do déficit no BP, o que, como já vimos, para uma conta como a Haveres, significa um resultado positivo. (Deixamos para o leitor o exercício de conferir que o resultado da conta Haveres é exatamente esse, ou seja, uma variação positiva de US$ 66 milhões).\ufffd 
 Suponhamos, agora, que as reservas detidas pelo país não fossem suficientes para cobrir esse resultado negativo. Nesse caso, ele teria duas opções: ou tentaria obter um empréstimo de regularização dos organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), ou decretaria moratória, elevando o estoque de débitos em atraso \u2014 em ambos os casos, o lançamento seria a crédito da conta empréstimos e financiamentos (7.3.1). O que é melhor fazer? A resposta a essa pergunta não é nada simples. De fato trata-se de uma questão extremamente polêmica e que divide os economistas. 
Há aqueles que julgam que se deve fazer de tudo para evitar uma decretação de moratória,\ufffd visto que suas conseqüências são extremamente ruins para o país. Segundo essa visão, ficar inadimplente perante o mundo implica fechar a porta dos investimentos, empréstimos e financiamentos externos por