Capítulo 6 (antigo 5) revisto (2)
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Capítulo 6 (antigo 5) revisto (2)


DisciplinaContabilidade Social e Balanço de Pagamentos146 materiais1.375 seguidores
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(moeda do Japão) funcionam como divisa. Neste livro os termos \u201cdivisa\u201d, \u201cmoeda forte\u201d, \u201cmeio de pagamento internacional\u201d, \u201cmoeda internacional\u201d e \u201cdinheiro mundial\u201d são utilizados indistintamente. 
\ufffd Para facilitar a compreensão, o leitor pode fazer uma analogia com sua economia doméstica. Quando pagamos todo mês água, luz, telefone, condomínio, estamos enfrentando nossas despesas correntes, mas quando compramos uma casa ou um automóvel, essa despesa é uma despesa de capital, pois estamos adquirindo patrimônio e evidentemente não precisamos comprar todo mês a casa ou o automóvel (ainda que possamos parcelar seu pagamento por um longo período de tempo). 
\ufffd Cumpre notar que, até 1978, o balanço de pagamentos do Brasil registrava tais operações na conta variação de reservas (haveres das autoridades monetárias). Tais obrigações entravam nessa conta com sinal inverso ao dos haveres a curto prazo no exterior, um dos itens que integra a variação de reservas. Da maneira como são agora tratados, os capitais a curto prazo entram no saldo total do balanço de pagamentos.
\ufffd Para a concessão desses recursos, o FMI obriga o país a se comprometer com uma série de medidas de política econômica, conhecidas como condicionalidades, obrigando o país a assinar uma série de cartas de intenção, com o referido organismo. O Brasil é um dos países que se viu constrangido várias vezes a obter esse tipo de empréstimo e a assinar esse tipo de documento. De sua história mais recente, podemos destacar o período entre 1999 e 2002, em que o país precisou por três vezes recorrer ao FMI. 
\ufffd A conta haveres da autoridade monetária registra todos os ativos em moeda estrangeira líquidos e sob o controle da autoridade monetária do país. Quando do início de um determinado ano, por exemplo o ano X, ela já apresenta um dado resultado, um saldo, por exemplo, US$ 1,3 bilhão, indicando que, naquele momento, o país tem uma disponibilidade líquida internacional, ou seja, uma quantidade de reservas (divisas) nesse valor. Se, por meio das operações efetuadas ao longo do ano X, o país obteve um saldo total positivo em seu balanço de pagamentos da ordem de, por exemplo, US$ 1,0, isso significará que as reservas do país estarão agora (em 31 de dezembro de X) em US$ 2,3. Se esse mesmo resultado foi negativo nesse montante, as reservas do país serão agora de US$ 0,3 bi. Portanto, é o valor referente à variação da conta haveres de um ano para outro que demonstra o resultado do BP e não a conta propriamente dita. 
\ufffdO leitor deve notar que, segundo a metodologia hoje adotada pelo Brasil, quando nos referimos ao saldo total do BP, já estamos considerando eventuais empréstimos do FMI ou mesmo lançamentos na conta de atrasados.
\ufffd O valor do DES é calculado a partir dos valores das moedas de alguns países ou regiões importantes no comércio internacional. Atualmente são utilizados em seu cálculo o euro, a libra esterlina, o iene japonês e o próprio dólar americano. No presente momento (junho de 2011), cada DES vale US$ 1,60.
\ufffd Cabem aqui duas observações. Como já adiantamos, o débito na conta variação de reservas, justamente quando essa variação é positiva, explica-se pelo fato de essa conta ser uma conta de caixa. Em realidade, trata-se aqui, mais uma vez, de seguir a convenção contábil que respeita a velha máxima \u201cquem recebe deve, quem dá tem a ver\u201d. Em outras palavras, se é a conta reservas que recebe os US$ 100 mil pagos à vista em troca das mercadorias exportadas, é ela que terá de \u201cprestar contas\u201d desses recursos; daí o lançamento ser feito a débito. A segunda observação diz respeito ao nome dessa conta. Ela também pode ser denominada, e muitas vezes assim o é, conta caixa. O termo variação de reservas, no entanto, tem maior apelo intuitivo e parece indicar com mais clareza a natureza das operações aí contempladas.
\ufffd Se o movimento de capitais registrado nas contas capital e financeira tivesse sido positivo, mas em montante superior ao valor do déficit registrado nas transações correntes, por exemplo, se o resultado tivesse sido + US$ 100 milhões, o resultado final do BP seria positivo em US$ 14 milhões, montante que engordaria o volume de reservas do país. 
\ufffd Apesar de ser usado genericamente, o termo moratória é mais comumente aplicado ao estoque de débitos financeiros do país, ou seja, àquilo que se costuma chamar dívida externa. A dívida externa de um país não é nada mais do que o estoque de empréstimos, cujo principal ainda não foi amortizado e se encontra em poder de credores externos. Ela constitui-se num parâmetro muito importante e acompanhado de perto pelas agências internacionais como o FMI. Todavia, não se observam as cifras em termos absolutos, mas sim em termos relativos. Nesse sentido um dos indicadores mais importantes é a relação dívida líquida/exportações, em que a dívida líquida é igual à dívida total (ou dívida bruta) menos o valor das reservas.
 
\ufffd Cabem aqui duas observações. Em primeiro lugar, essa é uma definição utilizada no Brasil. Há países que optam pela definição oposta: taxa de câmbio é igual ao preço, em moeda estrangeira, de uma unidade de moeda nacional. O leitor deve ficar atento a essa questão, particularmente quando estiver fazendo uso de textos, livros e publicações econômicas de procedência estrangeira. Em segundo lugar, utiliza-se normalmente o dólar americano, porque, como já observado, atualmente, ele é a moeda de referência nas transações internacionais. Entretanto, existem, evidentemente, tantas taxas de câmbio quantas forem as moedas estrangeiras.
\ufffd Como se chega a essa taxa de 6% de desvalorização? É simples. Quanto valia em dólar cada unidade da moeda brasileira (cada Real) quando a taxa de câmbio era R$ 1,50? Valia US$ 0,67 (1/1,50), o que significa que cada Real comprava então 67 centavos da moeda americana. Ora, com a taxa de câmbio de R$ 1,60, cada Real compra agora apenas 63 centavos (1/1,60) dessa moeda. Isso significa que a moeda brasileira tem agora 94% do valor que tinha antes (0,63/0,67) tendo sofrido, portanto, uma desvalorização de 6%. 
\ufffd Na verdade, tal operação não é feita pelo exportador diretamente com o Banco Central, mas indiretamente através de um intermediário financeiro, como um banco ou casa de câmbio. Todavia, do ponto de vista que aqui nos interessa, que é macroeconômico, quem realmente faz a troca é o Banco Central, pois, como veremos no capítulo 8, ele é o depositário oficial das reservas internacionais.
\ufffd A política tarifária é aquela que determina qual será a tarifa que cada um dos produtos importados terá de pagar para entrar no país. Inúmeras são as variáveis que se levam em conta na determinação dessas taxas, por exemplo, os setores cujo desempenho doméstico se quer estimular ou proteger, os países que são considerados parceiros comerciais, os bens cuja importação se julga imprescindível para o desenvolvimento do país etc. Além disso, existem tratados, decorrentes de organismos internacionais como a OMC (Organização Mundial de Comércio), que também têm de ser respeitados quando do estabelecimento e/ou alteração das tarifas.
\ufffd Como estamos considerando o dólar como moeda referência, a variação de P* pode ser entendida como a inflação nos Estados Unidos.
 
\ufffd Em função disso, alguns economistas defendem, para o cálculo da taxa de câmbio real, a utilização do índice de preços no atacado, que inclui maior número de bens costumeiramente comercializados com o resto do mundo.
\ufffd Na segunda metade da primeira década deste século XXI, por exemplo, apesar de nossa taxa de câmbio ter se valorizado muito, nossas exportações não foram tão afetadas em função da elevação do preço em dólar das commodities que o Brasil exporta, como por exemplo, o minério de ferro e a soja. 
\ufffd Voltaremos a essa questão no capítulos 7, 8 e 9. 
\ufffd Esta seção, por seu caráter mais técnico e um tanto mais complexo, pode ser suprimida da leitura sem comprometer o entendimento das demais seções deste capítulo.
\ufffd Foi pensando nesse tipo de problema