Capítulo 6 (antigo 5) revisto (2)
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Capítulo 6 (antigo 5) revisto (2)


DisciplinaContabilidade Social e Balanço de Pagamentos146 materiais1.375 seguidores
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ou o movimento de capitais, como de fato dá a entender. Daí, portanto, a decisão de incluir os erros e omissões exatamente antes do saldo total do balanço de pagamentos. Uma vez já considerado o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente, podemos então dizer, resumidamente, que:
A conta capital e financeira registra os investimentos, empréstimos, financiamentos e demais capitais financeiros entre países. Somando o seu saldo ao saldo do balanço de pagamentos em transações correntes e considerando eventuais erros e omissões, chega-se ao saldo total do balanço de pagamentos. A variação apresentada pela conta haveres das autoridades monetárias demonstra esse resultado, ou seja, mostra seu impacto sobre o nível de reservas. 
Antes de passarmos à análise da sistemática contábil dos lançamentos do balanço de pagamentos, cabe dizer algumas palavras sobre os itens que compõem os haveres das autoridades monetárias. O item 10.1, reservas em moeda estrangeira refere-se às divisas propriamente ditas (moeda), incluindo-se aí os títulos de alta liquidez, que funcionam como quase-moedas uma vez que são facilmente conversíveis em divisas. Os itens 10.2 e 10.3, reservas no FMI e direitos especiais de saque (DES), dão conta dos haveres líquidos que o país possui junto a esse organismo multilateral. As reservas são em dólar americano e relacionam-se às cotas detidas pelos países no Fundo. Os DES são um ativo emitido pelo Fundo, que só funciona entre os bancos centrais dos diversos países, mas que podem ser voluntariamente trocados por moedas pelos países membros.\ufffd Assim, apesar de estarem sob a guarda do FMI, esses dois itens representam valores líquidos em moeda forte e estão sob o controle do Banco Central. Por isso integram os haveres da autoridade monetária de cada país. Os dois últimos itens que completam esses haveres são o ouro (item 10.4) e qualquer outro ativo em moeda estrangeira, desde que líquido (item 10.5, outros haveres).
6.3 A Contabilidade do Balanço de Pagamentos
O quadro a seguir indica a natureza dos lançamentos efetuados para cada tipo de operação. O leitor deve notar que os lançamentos indicados dizem respeito apenas às notações necessárias primariamente para cada tipo de operação. Contudo, em respeito ao princípio das partidas dobradas, sabemos que para cada um desses lançamentos deve haver um outro de sinal inverso em alguma outra conta desse mesmo balanço.
	Balança comercial
Exportações: crédito
Importações: débito
Balança de serviços
Operação dá origem a entrada de recursos: crédito
Operação dá origem a saída de recursos: débito
Balança de rendas
Operação dá origem a entrada de recursos: crédito
Operação dá origem a saída de recursos: débito
Lucros reinvestidos: débito
Transferências unilaterais correntes 
Operação dá origem a entrada de recursos: crédito
Operação dá origem a saída de recursos: débito
Operação dá origem a entrada de mercadorias: crédito
Operação dá origem a saída de mercadorias: débito
Conta Capital
Operação dá origem a entrada de recursos: crédito
Operação dá origem a saída de recursos: débito
Conta Financeira
Operação dá origem a entrada de recursos: crédito
Operação dá origem a saída de recursos: débito
Haveres das Autoridades Monetárias (variação)
Redução nos haveres: crédito
Acréscimo nos haveres: débito
 
 
Assim, por exemplo, se o país exporta pagando à vista US$ 100 mil, creditamos a conta exportações (1.1) nesse valor. Respeitando o princípio das partidas dobradas temos de debitar outra conta no mesmo valor (ou duas ou mais contas, desde que a soma dos débitos seja igual a US$ 100 mil). Como o país recebeu à vista, então a conta a ser debitada é a variação de reservas (10). Note-se que a variação das reservas foi positiva.\ufffd Se, eventualmente, o exportador tivesse tido condição de oferecer a seu cliente um financiamento, de modo que o país não estivesse recebendo à vista tais recursos, então a conta a ser debitada seria a conta crédito comercial (7.3.2), que integra o iytem outros (7.3) da conta financeira (7). Se, numa outra operação, o país importa, pagando à vista US$ 100 mil, a conta importações (1.2) é debitada e, reversamente, é creditada a conta variação de reservas (10). No caso de o país ter obtido, por exemplo, financiamento de uma parcela do valor dessas importações, o lançamento a crédito será feito na conta haveres (10), que registrará a parcela que foi paga à vista, e na conta crédito comercial (7.3.2), que registrará a parcela que será paga em data futura. A partir desses exemplos simples e, com a ajuda do resumo apresentado no quadro anterior, o leitor será capaz de descobrir facilmente quais são os lançamentos a débito e a crédito que cada tipo particular de operação exige. 
Contudo, algumas operações específicas merecem um comentário adicional. A primeira envolve os lucros reinvestidos, que entram no item 3.1 da balança de rendas. Se lembrarmos que os lucros remetidos produzem lançamentos a débito, o lançamento também a débito dos lucros reinvestidos mostra-se pouco intuitivo, já que nossa primeira reação é imaginar que o lançamento deveria ser feito a crédito, uma vez que os recursos não saíram do país. Todavia, por uma convenção contábil, decidiu-se tratar esses lucros como os demais, vale dizer, considerá-los como se eles tivessem sido remetidos. Assim, o lançamento é feito a débito na conta lucros (3.1). Contudo, como tal operação não gerou saída de divisas, a conta a ser creditada não pode ser a conta variação de reservas (10). A conta que então é creditada é a conta investimentos diretos (7.1) que pertence à conta financeira (7). Ao fim e ao cabo, tudo se passa como se tivesse acontecido o seguinte movimento: num primeiro momento o país remeteu lucros de, digamos, US$ 10 milhões; foi então debitada a conta lucros da balança de rendas e creditada a conta variação de reservas (10); num segundo momento o país recebeu de volta esses mesmos recursos sob a forma de investimentos; foi então creditada a conta investimentos diretos (7.1) e debitada a conta variação de reservas (10). Se repararmos bem, o resultado final da conta variação de reservas nessa operação é zero, e o que sobra é um lançamento a débito na conta rendas e um lançamento a crédito na conta investimentos. Como de fato a movimentação de divisas não existe nesse caso (portanto, não existem os dois lançamentos, que se cancelam em temos de valor na conta variação de reservas), simplesmente debita-se a conta lucros e credita-se a conta investimentos diretos.
Outra operação que merece uma observação especial relaciona-se aos empréstimos inter-companhia. Se uma empresa residente toma empréstimos no exterior, a conta debitada é a conta haveres (10) e a conta creditada deveria ser a conta empréstimos e financiamentos (7.3.1), integrante do item outros (7.3), da conta financeira (7). Contudo, se essa empresa tiver obtido esses recursos não por meio de um empréstimo qualquer, mas por meio de um empréstimo efetuado por sua matriz no exterior, então esse recurso é considerado como um investimento, pois parte-se do princípio que a referida matriz julgou interessante apoiar sua filial no país, o que significa investir nele. Assim, a conta debitada é de fato a conta haveres (10), mas a conta creditada não é a conta empréstimos e financiamentos (7.3.1), e sim a conta investimentos diretos (7.1). 
Finalmente cabem algumas observações sobre a forma de contabilizar as transferências unilaterais (4). Apesar do termo unilateral, tais operações devem respeitar, como quaisquer outras, o método das partidas dobradas. Suponhamos que um não residente mande para seus familiares no país recursos no valor de US$ 5 mil. Tal operação resultou em entrada de divisas e, portanto, deve gerar um lançamento a débito na conta variação de reservas (10). E qual conta deverá ser creditada? A conta transferências unilaterais (4). Suponhamos agora que o país tenha sido abalado por uma catástrofe natural, como um terremoto, e que, em função disso, tenha recebido ajuda em espécie