HDB - Anotação (4)
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DisciplinaHistória do Direito Brasileiro10.288 materiais252.580 seguidores
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OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
 
 
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Direito das Sucessões 
 
1 - Conceito 
No aspecto subjetivo, implica a continuação de uma pessoa em relação jurídica que cessou 
para o anterior sujeito e continua em outro. É a capacidade para suceder; no aspecto objetivo, é o 
conjunto de normas que regula a transmissão do patrimônio do extinto. 
 
2 \u2013 Espécies: Art. 1786 \u2013 Legítima, testamentária e mista. 
 
3\u2013 Transmissão da herança 
 
Neste momento, surge a abertura da sucessão, instante do falecimento do titular do 
patrimônio, onde se pode entender que há a transmissão imediata do patrimônio, através da 
aplicação do princípio da \u201csaisine1\u201d. Logo, no momento do falecimento os herdeiros já adquirem 
tal condição, inclusive nas sucessões onde os herdeiros são desconhecidos, pois em última análise, 
sempre o Estado terá capacidade sucessória para adquirir o patrimônio deixado. 
Juntamente com o momento da abertura da sucessão, dá-se a fase da delação ou a 
devolução sucessória, onde há o oferecimento da herança a quem tenha capacidade para adquiri-
la2, habilitando o herdeiro a declarar que a aceita ou não. Sendo coincidentemente ou não com as 
duas fases anteriores, dá-se a aquisição, onde o herdeiro torna-se titular das relações jurídicas 
que têm por objeto o patrimônio do extinto. 
 
3,1 MODOS DE SUCEDER X MODOS DE PARTILHAR 
o Há três modos de suceder: 
 
1
 Instituto derivado do direito francês, o \u201cdroit de saisine\u201d traz o imediatismo da transmissão dos 
bens, cuja posse e propriedade passam diretamente da pessoa do morto aos seus herdeiros, não 
havendo nenhuma fase intermediária. Há uma sub-rogação pessoal de pleno direito, pois o sujeito 
ativo da relação jurídica patrimonial é automaticamente substituído por força de lei ou da vontade 
do falecido. Ver sobre a matéria, Caio Mário da Silva Pereira, Instituições de Direito Civil, vol. VI, 
RJ: Forense, 12 ed., p. 14. 
2
 Expressão originada do latim delatio, defere, quer dizer denunciar, delatar, acusar ou deferir. 
Neste último sentido aplica-se ao direito sucessório, referindo-se ao momento em que a herança é 
deferida ao herdeiro, quando há o falecimento do titular do patrimônio. Utiliza-se também de forma 
freqüente a expressão DEVOLUÇÃO, no sentido de translação da herança. 
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1. Iure proprio 
2. Iure representationis 
3. Iure transmissionis ( O artigo 1.809 consagra o \u201cjure transmissionis\u201d, ou seja, falecendo 
o herdeiro sem declarar se aceita ou não a herança, a aceitação ou a renúncia do patrimônio 
hereditário será imediatamente transmitida àqueles que o sucedem3. ) 
 
3.2 - Há três modos de partilhar: 
4. In capita - Por cabeça 
5. In stirpes - Por estirpe 
6. In lineas - Por linhas 
 
Art. 1.785 - É fundamental se observar que para a abertura do processo de inventário, 
partilha, arrecadação da herança e demais procedimentos judiciais que envolvam o espólio, 
observar-se-á a regra do artigo 96 do Código de Processo Civil, que adota também o critério do 
domicílio para a fixação da competência para a propositura de tais ações. Estabelece ainda, em 
seu parágrafo único, que caso o titular do patrimônio não tivesse domicílio fixo, a competência 
deverá ser fixada pelo local da situação dos bens ou ainda, se os bens estiverem em situados em 
diversos lugares, o foro competente para julgar tais ações será o do local do falecimento. 
 A aquisição da herança no direito brasileiro surge através da disposição da lei, 
denominando-se sucessão legítima, ou por expressa manifestação de vontade da parte através de 
testamento válido, qual seja, sucessão testamentária. 
 Dentro de nossa tradição jurídica, o direito sucessório sempre esteve ligado ao direito de 
família, uma vez que prevalece em nossa sociedade a concepção de que os familiares, 
especialmente os filhos, são os destinatários do patrimônio amealhado pelo indivíduo durante sua 
vida. 
 A partir desta concepção, busca-se proteger aqueles a quem a lei considera como 
herdeiros necessários, nos artigos 1845 a 1850. Esta proteção constitui a legítima, quinhão 
correspondente a metade do patrimônio deixado pelo de cujus, reservado por lei às pessoas 
elencadas no artigo 1.845. 
 
3
 Ver sobre a matéria, ORLANDO GOMES, Sucessões, 2008, Forense, p. 39 a 42. 
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 Havendo testamento, prevalecerá a vontade do testador, desde 
que seja preservada a legítima, quinhão reservado por lei aos herdeiros necessários. Esta solução, 
denominada \u201crelativa liberdade de testar\u201d, é considerada por nossa doutrina e jurisprudência 
como a mais adequada, uma vez que concilia a livre disposição patrimonial como desdobramento 
do direito de propriedade, bem como mantém os privilégios inerentes à família. 
No tocante à regulamentação da transferência do patrimônio, aplicar-se-á a legislação 
vigente ao tempo da abertura da sucessão. A título de exemplo, podemos considerar que tendo a 
sucessão de A sido aberta em 03 de janeiro de 2003, sua esposa B não poderá pleitear a condição 
de herdeira ao lado dos descendentes, uma vez que este direito só lhe será conferido a partir da 
vigência deste Código Civil. 
 
4 - Da Herança e de sua Administração 
Art. 1.791 - A herança é o instituto fundamental do direito sucessório. A idéia da 
transmissibilidade do patrimônio é sua força motriz, devendo ser reconhecida de pronto pelo 
Ordenamento Jurídico. 
 É tratada como uma universalidade de direito ( v. art. 91 ). Podemos defini-la como o 
conjunto de bens, direitos e obrigações deixados pelo extinto a seus herdeiros. Segundo o mestre 
Orlando Gomes, é o patrimônio do defunto. Não se confunde com o acervo hereditário, que é a 
massa dos bens deixados, porque pode compor-se apenas de dívidas, tornando-se passiva4. 
 Logo, caracterizando-se a herança como uma massa indivisível e considerando os 
herdeiros como condôminos, regulando-se pelo art. 1.314 e seguintes do presente Código, cada 
um dos co-proprietários poderá responder por sua integralidade. 
 
Art. 1.792 Mantendo a disposição da lei anterior, a herança transmite-se a \u201cbenefício de 
inventário\u201d, ou seja, a responsabilidade do herdeiro quanto às obrigações deixadas pelo morto 
não pode ser ultra vires hereditatis, limitando-se ao valor do quinhão recebido. 5 
 
Art. 1.793. 
 
4
 GOMES, Orlando. Sucessões. RJ: Forense, 8ª ed., 1999, p. 6. 
5
 Sobre a matéria, v. PEREIRA, Caio Mário. Ob. citada, p. 33-34 
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 O direito à sucessão aberta é considerado como bem imóvel para 
efeitos legais ( v. art. 80, inciso II ) e como tal poderá ser objeto de transmissão. Cabe ressaltar que 
esta possibilidade surge após a abertura da sucessão, uma vez que é expressamente vedada a 
possibilidade de se estipular contrato sobre herança de pessoa viva ( v. art. 426 ), não havendo a 
possibilidade de se estabelecer pactos sucessórios, admitindo apenas duas exceções, no caso das 
doações mortis causa, estabelecidas por ocasião do pacto antenupcial e de divisão dos bens da 
herança pelo pai de família, ainda em vida, entre seus filhos6. 
 Aberta a sucessão, o herdeiro poderá livremente transmitir, a título oneroso ou gratuito, o 
quinhão que lhe foi destinado. Esta possibilidade já era admitida no direito anterior pela doutrina 
e jurisprudência vigente, contudo,