HDB - Anotação (4)
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HDB - Anotação (4)


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tornou-se norma a partir desta legislação. 
 Cabe ressaltar o disposto no artigo 1.793, ao exigir a transferência do patrimônio por 
escritura pública, uma vez que se trata de bem imóvel e como tal sua alienação deve atender a 
disposição legal. 
 Sendo a herança uma universalidade, é conferido aos co-herdeiros direito de preferência 
quando houver a cessão de direitos hereditários a título oneroso, facultando aos prejudicados a 
possibilidade de se anular o negócio jurídico celebrado, no prazo decadencial de 180 dias contados 
da transmissão. Segundo o mestre Luiz Roldão de Freitas Gomes, 7 \u201csendo a herança 
disciplinada pelas regras do condomínio até a partilha, seria desnecessária a previsão, que é ínsita 
à alienação da cota pelo condômino\u201d, não sendo possível tal alienação pois não há como 
transmitir direitos sobre bem não individuado sem respeitar a preferência dos demais co-
possuidores. 
 É importante salientar que sendo a herança uma massa de bens indivisível, a cessão 
somente poderá incidir sobre uma quota parte, não podendo ser considerada sobre coisa certa e 
determinada. Caso haja tal determinação, deverá ser tratada como um negócio jurídico 
condicional, que se subordinará à existência do objeto determinado e ainda, a que o bem seja 
efetivamente atribuído ao cedente. 
 
Art. 1.796 e Art. 1.797. 
 
6
 WALD, Arnold. Direito das Sucessões, SP: RT, 11ª ed. 1997, p. 94. 
7
 GOMES, Luiz Roldão de Freitas. \u201cO Direito das Sucessões no Projeto do Código Civil\u201d, in Boletim 
ADV \u2013COAD \u2013 Seleções Jurídicas, Jan. 2001, p. 37. 
OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
 
 
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 O artigo 1.796, inserido neste capítulo por tratar-se da 
administração da herança, traz o prazo de 30 dias para que haja a propositura do inventário dos 
bens, para que se efetive a regular partilha. Na lei civil anterior, esta disposição constava no artigo 
1.770, utilizando a expressão \u201cum mês\u201d, cuja imprecisão é maior que a terminologia adequada 
atualmente. 
 Quanto à nomeação do inventariante, o artigo utiliza-se da ordem claramente 
explicitada no artigo 990 do Código de Processo Civil vigente, trazendo apenas, flagrante 
modificação ao inserir, no inciso I do artigo 1.797 a possibilidade do companheiro ter a condição 
de ser nomeado administrador do patrimônio. 
 
5 - Da Vocação Hereditária 
Art. 1.798, 1.799, 1.800, 1.801, 1.802 e 1.803 
 Antes de se considerar a existência da vocação hereditária, o artigo 1.798 explicita o 
conceito de capacidade sucessória, condição comum a toda e qualquer pessoa, física ou jurídica, 
existente na época da abertura da sucessão, embora a terminologia não esteja explicitada em 
nossa lei. A capacidade sucessória baseia-se na existência da pessoa para fins sucessórios, a não 
ser nas hipóteses prevista no artigo 1799 desta lei e a convocação para receber a herança em 
razão do falecimento, sendo o chamamento ou vocação do herdeiro, quer seja legítimo ou 
testamentário. É a instituição da condição de herdeiro, momento em que surge a vocação 
hereditária. 
 A capacidade para suceder é mensurada a partir do momento do óbito, onde se dá a 
delação, o oferecimento da herança àquele que tenha condições de adquiri-la. 
 Dentro de tal orientação, o Código Civil trata da vocação hereditária, que se pode definir 
como \u201catribuição do direito de suceder. Não a atribuição da própria herança, que só se dará se o 
beneficiário aceitar, mas a atribuição do direito a tornar-se sucessor8\u201d. 
 Logo, a vocação hereditária é uma aptidão genérica de aquisição de direitos sucessórios, 
que tem como requisito a existência do herdeiro no momento da abertura da sucessão ou ainda, 
que este beneficiário já tenha sido concebido, em uma nítida proteção ao nascituro, em 
 
8
 ASCENSÃO, José de Oliveira. Direito Civil \u2013 Sucessões. Coimbra: Coimbra Editora. 1989, p. 141. 
OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
 
 
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consonância com o artigo 2° desta lei. Esta disposição já era prevista na lei 
anterior em seu artigo 1.717. É a \u201catribuição do direito de suceder\u201d.9 
 A lei outorga ainda, seguindo a orientação decorrente da lei anterior, que sejam 
contemplados em testamento a prole eventual e as fundações cuja constituição tenha sido 
designada pelo de cujus em testamento. O legislador foi bastante feliz na redação de tais artigos, 
ao estipular uma limitação para que a herança fique disponível ao herdeiro eventual. Logo, não 
havendo o surgimento do herdeiro em até dois anos após a abertura da sucessão, esta se 
destinará aos herdeiros legítimos, respeitada a ordem de vocação hereditária, conforme o § 4° do 
artigo 1.800. 
 É fundamental ressaltar ainda, a ausência de legitimação10 para que as pessoas recebam 
quinhões hereditários, de acordo com o disposto no artigo 1.801 do Código Civil. Estas pessoas, 
ainda que possuam capacidade sucessória, não podem ser beneficiárias de testamento nas 
hipóteses previstas no artigo supracitado. Tais vedações visam proteger a livre manifestação de 
vontade do testador, como na hipótese daquele que escreveu o testamento ou algum de seus 
parentes e uma proibição de ordem moral, uma vez que veda que o concubino, em relação 
adulterina, venha a ser beneficiar do patrimônio deixado por seu companheiro casado. Neste 
ponto, percebe-se um avanço no sentido de se reconhecer os direitos entre concubinos, uma vez 
que a comprovação da existência de separação de fato por mais de 5 anos é capaz de legitimar o 
companheiro sobrevivente para a aquisição de seus direitos sucessórios. Majoritariamente, a 
doutrina considerada esta ausência de legitimação como uma espécie de incapacidade passiva, ou 
seja, a impossibilidade de receber o acervo hereditário através de testamento, conforme 
explicitado no artigo 1.900, inciso V. 
 
Ordem de vocação hereditária 
 
1 - Herdeiros necessários: 
 
9
 Id., ob. citada, p. 139. 
10 Podemos entender como legitimação a idoneidade para o exercício de um direito. É a 
possibilidade de se agir in concreto, sendo uma faculdade que determinada pessoa 
possui com relação a determinados bens jurídicos. Não se discute as qualidades 
intrínsecas de determinada pessoa, mas apenas sua posição com relação a determinados 
bens ou direitos. 
OAB 1ª Fase 2011.2 
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Art. 1.845 a Art. 1.850 
A grande alteração da Lei vigente é inserir o cônjuge na categoria dos herdeiros necessários 
ou legitimários, o que de acordo com o artigo 1.721 do Código Civil anterior era restrito aos 
descendentes e ascendentes e inseri-la dentro dos dispositivos da sucessão legítima e não mais na 
testamentária, como feito anteriormente. 
O Código Civil Português, em seu artigo 2.156, define a legítima como a \u201cporção de bens de 
que o testador não pode dispor, por ser legalmente destinada aos herdeiros legitimários\u201d. 
Segundo este dispositivo, podemos entender a legítima sob duas perspectivas: a do autor da 
sucessão e a dos herdeiros necessários. Para o autor da sucessão, a legítima é a porção de bens de 
que não pode dispor; para os herdeiros necessários, é a porção de bens que lhes é legalmente 
destinada. Logo, temos de um lado, a noção da legítima (para os herdeiros necessários) e do 
outro, de cota indisponível (para o autor da sucessão). 
É interessante ressaltar que embora a condição de herdeiro só surja a partir do momento da 
abertura da sucessão, a proteção à legítima é garantida anteriormente, quando, por exemplo, 
veda-se ao titular do patrimônio as doações que excedam à parte