HDB - Anotação (4)
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da qual ele poderia dispor em 
testamento. 
O cálculo da legítima é feito sobre o patrimônio líquido da herança, descontadas todas as 
despesas e as dívidas que porventura tenham sido deixadas pelo falecido ou contraídas pelo 
espólio, somando-se ainda as doações que tenham sido feitas em vida pelo autor da herança aos 
seus descendentes. Toda manifestação de vontade que incida sobre a parte que exceder aos 
limites da legítima será considerada uma liberalidade inoficiosa, sendo declarada ineficaz, 
facultando ao herdeiro lesado ingressar com ação de redução para que obtenha a reintegração da 
legítima. 
O artigo 1.723 da lei anterior facultava ao titular da herança converter os bens da herança 
legítima em bens de outra natureza, instituir-lhes gravames, prescrevendo-lhes a inalienabilidade, 
a impenhorabilidade e a incomunicabilidade livremente. A lei atual é mais rigorosa quanto a este 
aspecto, limitando tal disposição de vontade. Inicialmente, no artigo 1.848, § 1°, é vedado ao 
testador converter os bens da herança em bens de qualquer outra natureza e ainda, no caput do 
mesmo dispositivo, apenas é permitido ao testador estabelecer gravames aos bens da legítima se 
houver justa causa declarada em testamento. 
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 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
 
 
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A jurisprudência já consolidou a visão de que em nosso direito, os 
gravames são impostos quando há uma legítima preocupação do testador em relação aos seus 
herdeiros quanto à dissipação do patrimônio, seja por terem caráter dissoluto, ter cônjuges de 
conduta duvidosa, ser viciados em substâncias ilícitas etc. 
A previsão do Código Civil atual vem apenas corroborar esta posição, não permitindo que 
gravames sejam impostos sobre as legítimas quando os herdeiros sejam de conduta ilibada, nada 
tendo que lhes desabone a conduta, sendo a limitação a um mero capricho do testador, que os 
deixará à mercê de seus desmandos. 
Acolhendo posicionamento já consolidado em nossa jurisprudência, o § 2° do artigo 1.848 
admite a alienação dos bens gravados, desde que haja a sub-rogação mediante autorização 
judicial. 
O artigo 1.849 apenas limita-se a repetir a redação do artigo 1.724 do Código Civil anterior, 
prevendo que o herdeiro beneficiado em testamento com a parte disponível do autor da herança, 
não perde seu direito à herança (ex. Pai que deseja contemplar um determinado filho com sua 
parte disponível, não prejudicará o que este herdeiro terá direito a herdar por força da sucessão 
legítima). 
 
2 \u2013 Direito de representação - Art. 1.851 a 1.856 
Pode-se definir o direito de representação como o mecanismo pelo qual se opera a vocação 
indireta na sucessão legítima, não existindo na sucessão testamentária11. O artigo 1.851 prevê 
apenas a hipótese da sucessão por representação pela pré-morte do herdeiro., mas também 
haverá representação na indignidade (artigo 1.816), que trata expressamente da sucessão do 
herdeiro do excluído, que o representa em seu quinhão e também nos herdeiros dos deserdados, 
considerada uma modalidade de exclusão. Nesta hipótese, o descendente de herdeiro pré-morto, 
deserdado ou excluído da sucessão será chamado para suceder como se tivesse o mesmo grau de 
parentesco dos herdeiros mais próximos em grau do falecido12. 
 
11
 A sucessão testamentária é intuito personae ou seja, atribui-se a herança ao herdeiro instituído, a não ser 
que o testador tenha estabelecido no testamento uma cláusula de substituição. 
12
 Sendo a indignidade e a deserdação modalidades de sanções civis, aplica-se a pessoalidade da pena, que só 
poderá atingir ao herdeiro que tenha sofrido a sanção. 
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Esta sucessão é caracterizada pela desigualdade de graus entre os 
herdeiros, pois aqueles que possuem grau mais próximo herdam por cabeça e os mais remotos, 
representam aquele que foi excluído da sucessão ou era pré-morto ao autor da herança. 
O direito de representação só é admitido em nosso direito em relação aos descendentes, no 
parentesco por linha reta e na linha colateral ele é limitado aos sobrinhos, não se estendendo aos 
demais parentes. 
O direito de representação nos traz a figura da sucessão por estirpe, onde os descendentes 
do herdeiro pré-morto ou excluído da sucessão herdam o seu quinhão, independente de quantos 
sejam tais representantes. Portanto, A falece deixando três filhos: B, C e D. Ocorre que E, seu 
quarto filho, lhe era pré-morto, mas deixou mais três filhos, F, G e H. A sucessão de A será 
partilhada da seguinte forma: B, C e D recebem cada um 1/4 da herança e F, G e H partilharão o 
1/4 destinado a seu pai, resultando em 1/12 para cada herdeiro representante. 
Cabe ressaltar a distinção entre direito de representação e ius transmissionis, ou o direito de 
transmissão, previsto no artigo 1809. Neste caso, o herdeiro falece após a abertura da sucessão, 
sem ter efetuado a aceitação. Sendo assim, seus herdeiros se habilitam a receber o quinhão que 
lhes coube na herança, como se fossem o próprio herdeiro falecido. Dá-se esse fenômeno por ser 
o direito de suceder um verdadeiro direito subjetivo patrimonial, passando aos herdeiros do 
falecido caso este não tenha ainda aceitado ou renunciado à herança. 
 
3 - SUCESSÃO LEGÍTIMA 
Denomina-se sucessão legítima aquela que é deferida através de determinação da lei. É a 
modalidade de sucessão predominante em nossa sociedade, ocorrendo na ausência de 
manifestação de vontade do sucedido através de testamento, quando este for nulo ou não 
contemplar a totalidade de bens da herança. 
 
4 - Da ordem da vocação hereditária 
Ordem pela qual são deferidos os direitos hereditários daqueles que têm sua condição de 
herdeiros reconhecida por força de lei. A vocação hereditária no direito brasileiro defere-se 
através de três critérios: 
a) a preferência de classes, na forma explicitada no artigo 1.829, onde só se devolverá a herança 
para a classe seguinte quando esgotada a anterior; 
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b) Preferência de grau, onde o mais próximo exclui o mais remoto, 
resguardadas as hipóteses do direito de representação; 
c) Divisão por cabeça, onde sendo os herdeiros de mesma classe e grau, a parte que caberá a 
cada herdeiro será igual, ressalvadas as hipóteses em que o cônjuge é herdeiro concorrente ou a 
sucessão é deferida ao Estado. 
 A ordem de vocação hereditária estabelecida pelo artigo 1829 traz um rol de herdeiros 
legítimos, a quem a herança será atribuída de forma sucessiva após o esgotamento de cada uma 
das classes sucessórias13. 
 
Deferimento de direitos hereditários ao cônjuge sobrevivente: 
 
O cônjuge supérstite é herdeiro em três classes sucessórias: na 1ª classe como herdeiro 
concorrente com os descendentes, na 2ª, quando concorre com apenas ascendentes e na 3ª 
classe, quando sucederá sozinho. Apenas não se falará em sucessão concorrente entre cônjuges e 
descendentes quando o regime do casamento seja o da comunhão universal, separação 
obrigatória de bens ou se casado pelo regime legal, o falecido não houver deixado bens 
particulares. Nas demais classes ele herdará qualquer que seja o regime de bens. 
 
Quanto à participação do cônjuge sobrevivente na sucessão do outro, se o regime de bens 
for o da comunhão parcial, cabe ressaltar que no entender de Zeno Veloso ( Revista Brasileira de 
Direito de Família, ano V, vol. 17, abr \u2013 maio 2003, Porto Alegre: Ed. Síntese, p. 145 ), \u201ca 
concorrência do cônjuge com os descendentes, se o casamento regeu-se pela comunhão parcial, já 
é uma situação excepcional, que portanto,