HDB - Anotação (4)
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da Lei. Poderá ser total, 
quando incidir sobre a integralidade do patrimônio ou parcial, quando contemplar apenas parte 
do acervo hereditário. 
Para nossa melhor doutrina, o testamento é negócio jurídico pessoal, unilateral, formal, 
gratuito, de última vontade, revogável e mortis causa, não havendo qualquer possibilidade de 
produzir efeitos durante a vida do testador. A legislação brasileira prevê a existência dos 
testamentos ordinários e dos testamentos especiais. Contudo, qualquer que seja a modalidade 
escolhida pelo testador, havendo o respeito às formalidades exigidas pela lei, seu valor jurídico 
será exatamente o mesmo. 
Como negócio jurídico revogável, o testamento pode ser modificado a qualquer tempo pelo 
testador, podendo ser totalmente revogado ou modificado em apenas parte de seu conteúdo. 
A lei confere ao interessado a faculdade de impugnar o testamento quando seu teor não 
esteja em conformidade com a manifestação de vontade do de cujus, ou contenha algum vício em 
sua constituição no período de 5 anos contados do registro, prazo este de natureza decadencial. 
Esta disposição não possui correspondência na legislação anterior. 
 
3\u2013 Pressupostos: 
 
A validade do testamento está condicionada à apuração de elementos intrínsecos ( capacidade 
do testador, espontaneidade da declaração, objeto e limites desta ) e de elemento extrínseco ou 
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formal. No entender de Caio Mário, pressupõe os requisitos externos ou 
formais e bem assim, os de natureza subjetiva. 
 
3.1 \u2013 capacidade de testar \u2013 art. 1860 e 1861 
 
 Capacidade de testar é a condição objetiva para que a pessoa manifeste de forma válida 
sua vontade em testamento para que produza efeitos após o seu falecimento. É uma capacidade 
de exercício, não se confundindo com a capacidade de direito do indivíduo. A exemplo, aquele que 
testar e for acometido de incapacidade posterior, mantém-se no exercício do seu direito a ver 
efetuada a sucessão na forma em que manifestara, contudo, não poderá efetuar um novo 
testamento que seja válido. 
O legislador foi mais feliz ao elaborar a redação do presente dispositivo, quando prevê que o 
testador tenha como requisito fundamental para que tenha capacidade de testar o denominado 
discernimento. A questão que sem dúvida se levantará é como mensurar a existência do 
discernimento para testar. Nas hipóteses em que houver sentença de interdição declarando a 
incapacidade do indivíduo, é evidente a inexistência da incapacidade. Contudo, nos casos em que 
este discernimento não seja explicitado, o interessado em declarar nulas as disposições 
testamentárias deverá provar a ausência condições objetivas para que o testamento seja 
celebrado. 
 Para Orlando Gomes19, a incapacidade para testar deve sempre ser provada em juízo, 
admitindo-se todos os meios de prova para tal, havendo no entanto, a predominância da prova 
documental sobre a testemunhal. Devendo-se provar que o manifestante da vontade era portador 
de uma incapacidade permanente, extensiva a todos os demais atos da vida civil ou acidental, que 
não decorre sempre de uma anomalia psíquica, mas que no momento da elaboração do 
testamento o agente não estava em seu perfeito juízo. 
A capacidade à qual os dispositivos acima se referem é a capacidade ativa, qual seja, a 
condição objetiva de elaborar testamento válido, que coadune com a real intenção do 
manifestante. A incapacidade de testar acarreta a nulidade do testamento, não podendo ser 
validado posteriormente, ainda que a situação do testador seja modificada. Ou ao contrário, 
 
19
 Sucessões, 2008, Forense, 83-86 
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celebrando o testamento quando plenamente capaz, o testador 
acometido de incapacidade posterior não terá sua manifestação de vontade eivada de nulidade, 
sendo perfeitamente válida e produzindo seus regulares efeitos. 
 
Das disposições testamentárias 
As disposições testamentárias são o instrumento através do qual o testador busca solucionar 
a partilha de seu patrimônio após a sua morte, podendo também estabelecer cláusulas de caráter 
não patrimonial e que deseja que produzam efeitos após a sua morte. Na lição de Oliveira 
Ascensão, testamento não pode ser caracterizado apenas como um ato de disposição de bens, 
pois deve atender tanto ao seu aspecto patrimonial quanto pessoal. Embora seja corrente a 
concepção de que a principal vocação da disposição testamentária é regular a questão 
patrimonial, não raro encontramos em testamentos disposições tocantes ao reconhecimento de 
filhos fruto de relações extraconjugais, a revogação de testamento anterior, a designação de 
tutores ou curadores aos filhos incapazes do de cujus, a nomeação de testamenteiro, o perdão a 
herdeiro excluído por ter incorrido em uma das hipóteses do artigo 1.814, disposições acerca do 
enterro, solenidades post mortem e outras tantas. 
Ao regular tais disposições, o legislador buscou nortear a manifestação de vontade do 
testador, de maneira a assegurar a formalidade e os princípios jurídicos e morais que devem estar 
contidos em todos os negócios jurídicos. Cabe ressaltar que todas as disposições acerca da 
herança devem se originar do ato causa mortis. Não é possível que haja qualquer disposição em 
outros instrumentos contratuais ou declarações de vontade. 
Partindo-se do pressuposto que todo testamento é um negócio jurídico (ver comentários ao 
capítulo I do Título III deste Livro), como tal deverá ser considerado, podendo, portanto, conter 
disposições que estipulem aos herdeiros condições ou encargos para que sua situação jurídica se 
aperfeiçoe. É importante ressaltar que não se admite em nosso Direito a herança a termo, com 
exceção do instituto do fideicomisso. 
Contudo, nossa doutrina consideram que tais condições devam ser físicas e juridicamente 
possíveis, não tendo validade quando versarem sobre questões limitadoras das liberdades 
individuais do herdeiro, reputando-se como não escritas, assim como aquelas que contrariem 
normas de ordem pública, v. g., considera-se inválida a condição que estabeleça que o herdeiro 
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nunca deva se casar, deixar de estudar, converter-se a determinada 
religião ou praticar atos ilícitos. 
Também deve ser relembrada a concepção existente no direito brasileiro de que apenas as 
pessoas podem ser consideradas sujeitos de uma relação jurídica, logo, podendo ser beneficiadas 
em testamento. Não há a possibilidade de se testar em favor de coisas ou animais, salvo se 
beneficiá-los indiretamente através de disposição testamentária que determine que o herdeiro 
deverá zelar por um desses objetos de direito. 
Quanto à instituição da pessoa do herdeiro, é eivado de nulidade por disposição expressa do 
artigo 1.900 a instituição do herdeiro sob condição captatória, a herdeiro que não se possa 
averiguar a identidade ou que venha a ser identificado por terceiro, que estabeleça legados sem 
valor fixo, com exceção do previsto no artigo 1.901, inciso II (ver artigo 1.912 e seguintes) e que 
beneficie as pessoas elencadas nos artigos 1.801 e 1.802. 
Serão perfeitamente válidas as disposições a pessoas incertas, desde que no momento da 
abertura da sucessão haja a possibilidade de se precisar a identidade de tais herdeiros, como na 
hipótese do artigo 1.901, inciso I, da Lei. Contudo, o artigo 1.903 traz exceção quanto a não 
identificação do herdeiro ou legatário, quando por outros instrumentos inequívocos puder se 
precisar a pessoa ou à coisa pretendida