HDB - Anotação (4)
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DisciplinaHistória do Direito Brasileiro10.835 materiais256.349 seguidores
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herdeiros legitimários\u201d. Segundo 
este dispositivo, podemos entender a legítima sob duas perspectivas: a do autor da sucessão e a 
dos herdeiros necessários. Para o autor da sucessão, a legítima é a porção de bens de que não 
pode dispor; para os herdeiros necessários, é a porção de bens que lhes é legalmente destinada. 
Logo, temos de um lado, a noção da legítima (para os herdeiros necessários) e do outro, de cota 
indisponível (para o autor da sucessão). 
- Obs.: Embora a condição de herdeiro só surja a partir do momento da abertura da sucessão, a 
proteção à legítima é garantida anteriormente, quando por exemplo, veda-se ao titular do 
patrimônio as doações que excedam à parte da qual ele poderia dispor em testamento (doações 
inoficiosas \u2013 art. 549) 
- Companheiro deve ser considerado herdeiro necessário? Antes do Código Civil o STJ entendeu 
que não ( Resp. 191.393-SP ) . Sob a égide da nova lei, para Caio Mário ( Carlos Roberto Barbosa 
Moreira ), é forçoso que se reconheça a condição de herdeiro necessário ao companheiro, uma 
vez que esta união, possuindo o status de família, tem especial proteção constitucional. Para o 
autor, a redação do artigo 1790 \u201cdetermina\u201d a participação do companheiro na sucessão e 
portanto, tornando-o uma espécie de herdeiro necessário. No entanto, para a maioria 
esmagadora da nossa doutrina, o companheiro não pode ser considerado herdeiro necessário. 
 
- CÁLCULO DA LEGÍTIMA: 
OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
 
 
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O cálculo da legítima é feito sobre o patrimônio líquido da herança, 
descontadas todas as despesas e as dívidas que porventura tenham sido deixadas pelo falecido ou 
contraídas pelo espólio, somando-se ainda as doações que tenham sido feitas em vida pelo autor 
da herança aos seus descendentes. 
- Toda manifestação de vontade que incida sobre a parte que exceder aos limites da legítima 
será considerada uma liberalidade inoficiosa, sendo declarada ineficaz, facultando ao herdeiro 
lesado ingressar com ação de redução para que obtenha a reintegração da legítima. 
O Código Civil atual é mais rigoroso quanto a este aspecto, limitando tal disposição de 
vontade. Inicialmente, no artigo 1.848, § 1°, é vedado ao testador converter os bens da herança 
em bens de qualquer outra natureza e ainda, no caput do mesmo dispositivo, apenas é permitido 
ao testador estabelecer gravames aos bens da legítima se houver justa causa declarada em 
testamento18. 
 
Acolhendo posicionamento já consolidado em nossa jurisprudência, o § 2° do artigo 1.848 
admite a alienação dos bens gravados, desde que haja a sub-rogação mediante autorização 
judicial. 
 
18
 \u201cArt. 1.848. Salvo se houver justa causa, declarada no testamento, não pode o 
testador estabelecer cláusula de inalienabilidade e de impenhorabilidade, sobre os 
bens da legítima. 
 
......................................................................................................................... 
 
 § 3o Ao testador é facultado, livremente, impor a cláusula de incomunicabilidade 
\u201c. (NR) 
 
152. Art. 1.848: O art. 1.848, caput, em sua redação atual só admite a imposição de cláusulas 
restritivas à legítima \u2013 inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade \u2013, se houver justa 
causa, declarada no testamento. Não devia ter sido incluída na previsão do art. 1.848 a cláusula 
de incomunicabilidade. De forma alguma ela fere o interesse geral, prejudica o herdeiro, desfalca 
ou restringe a legítima, muito ao contrário. O regime legal supletivo de bens é o da comunhão 
parcial (art. 1.640, caput), e, neste, já estão excluídos da comunhão os bens que cada cônjuge 
possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão 
(art. 1.659, I). Assim sendo, se o testador impõe a incomunicabilidade quanto aos bens da legítima 
de seu filho, que se casou sob o regime da comunhão universal, nada mais estará fazendo do que 
seguir o próprio modelo do Código, e acompanhando o que acontece na esmagadora maioria dos 
casos. 
 
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O artigo 1.849 apenas limita-se a repetir a redação do artigo 1.724 
do Código Civil anterior, prevendo que o herdeiro beneficiado em testamento com a parte 
disponível do autor da herança, não perde seu direito à herança. 
 Portanto, sendo A, B e C filhos do testador, e tendo este beneficiado B com sua parte 
disponível, este herdará 2/3 da herança e os demais herdarão 1/6. Vejamos: 
Desta forma, analisemos os dados apresentados: 
\u2022 O testador, era pai de A, B, C. 
\u2022 Deixou \u201ca disponível\u201d, equivalente a 50%, para seu filho B. 
Matematicamente, a modelagem do problema é a seguinte: 
 
A legítima, equivalente a 1/2 (50%) será dividida entre os três filhos (A, B, C). 
 \u2022 1/2 divididos por 3 = 1/2 x 1/3 = 1/6 = 16,66% para cada filho. 
 
A disponível, equivalente a 1/2 (50%) teve como beneficiário apenas o filho B. 
 
Então a parte de B é a seguinte: 1/2 (disponível \u2013 50%) + 1/6 (legítima \u2013 16,66%) = 4/6 = 2/3 = 
66,68 % 
 
Assim, 
 
 Filhos A disponível A legítima Total 
 A 0 1/6 = 16,66% 1/6 = 16,66% 
 B 1/2 = 50% 1/6 = 16,66% 2/3 = 66,68% 
 C 0 1/6 = 16,66% 1/6 = 16,66% 
 TOTAL 1/1 = 100% 
 
 
Partilha na hipótese de representação: 
 
: B, C e D recebem cada um 1/4 da herança e F, G e H partilharão o 1/4 destinado a seu pai, 
resultando em 1/12 para cada herdeiro representante, conforme figura abaixo. 
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SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA 
 
1 \u2013 Conceito e natureza 
 
É a aquela que emana da manifestação de vontade do titular da herança através de 
declaração manifestada em um negócio jurídico denominado testamento. É a ordem sucessória 
que se revela através da manifestação de vontade efetuada pelo testador, que estabelece sua 
sucessão de maneira diversa daquela estabelecida em lei. 
A sucessão testamentária não exclui a sucessão legítima, podendo coexistir quando existirem 
herdeiros necessários ou bens que nele não tenham sido contemplados. Neste caso, denomina-se 
sucessão mista, onde a parcela do patrimônio não prevista no testamento será deferida aos 
herdeiros pela ordem de vocação hereditária estabelecida em lei. 
É a possibilidade que a lei confere ao titular de um patrimônio de instituir seus herdeiros e 
legatários. 
Poderá ser estabelecida a título universal ou singular. Sucessão testamentária universal é 
aquela em que são chamados a suceder os herdeiros com a totalidade do acervo hereditário ou 
através de quinhões divididos em frações ideais. 
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Na sucessão testamentária singular, há a instituição do legado, onde 
os herdeiros, ora denominados legatários, herdam coisa certa e determinada, individualizada pela 
vontade do testador. 
Em nossa sociedade esta modalidade sucessória é uma excepcionalidade, pois a esmagadora 
maioria das transmissões dos direitos hereditários dá-se através da sucessão legítima. 
O direito brasileiro adota como princípio norteador da transmissão da herança a relativa 
liberdade de testar. O testador está limitado pela existência de herdeiros necessários, vedação 
explicitada no artigo 1.857, § 1°. Há a liberdade de testar mitigada, em face da existência da 
legítima. 
Pode-se definir testamento como o negócio jurídico unilateral através do qual o autor de 
determinada herança dispõe sobre a sua própria sucessão. O testamento se aperfeiçoa no 
momento da manifestação de vontade, desde que atenda aos requisitos