Apostila UNIJUÍ - Planejamento Estratégico Local
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Apostila UNIJUÍ - Planejamento Estratégico Local


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\u2013 IBGE \u2013, por inter-
médio do Censo Demográfico,4 que em 2010 deverá novamente levantar a situação dos ha-
bitantes dos municípios brasileiros.
Enquanto isso, se o objetivo de número 1 significa erradicar a pobreza e a miséria até
o ano de 2015 em todos os municípios, está posto um enorme desafio aos gestores públicos
e a toda a sociedade, tanto em termos de tempo quanto de comprometimento. Desta forma,
entende-se que toda e qualquer ação proposta não pode constar apenas em cartilhas locais,
mas deve atender às necessidades básicas de sobrevivência daqueles que são atingidos por
esta periclitante situação.
4
 O último Censo Demográfico foi realizado em 2000.
EaD
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GESTÃO PÚBLICA IV
Quadro 5: Objetivo 2
Fonte: Elaboração do autor com base nos ODM.
O objetivo de número 2 proposto pela ONU consiste em \u201cAtingir o ensino básico uni-
versal\u201d, ou seja, possui como meta (2a) garantir até o ano de 2015 uma educação mínima
de base instrucional a todas as crianças, jovens e adolescentes. Apesar de todos terem direi-
to à educação de qualidade, no caso do Brasil é oportuno observar que o desafio para ofertá-
la a todos é árduo, pois o país é o 7º do mundo em número de analfabetos, possuindo 18
milhões de pessoas que jamais frequentaram a escola (ODM).
Paralelamente, vale lembrar que tal objetivo também é proposto na CF no artigo 3º,
inciso I, em que consta: \u201cConstruir uma sociedade livre, justa e solidária\u201d. Junto a isso, a
Carta Magna estabelece em seu artigo 205 que a educação é um \u201cdireito de todos e dever do
Estado e da família\u201d e que \u201cserá promovida e incentivada com a colaboração da sociedade,
visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e
sua qualificação para o trabalho\u201d.
A observância dos dois incisos sucintamente expostos e quando comparados com o
Objetivo 2, remetem à idéia de que não existe nenhuma diferença no que tange ao proposto
em ambas as cartilhas.
A fim de reforçar o desafio de disponibilizar o acesso à educação no caso dos municí-
pios do Brasil, um estudo realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância \u2013 Unicef
\u2013 divulgado em junho de 2009 e intitulado \u201cO Direito de Aprender: Potencializar Avanços e
Reduzir Desigualdades\u201d, observa que o Brasil obteve avanços nos indicadores de acesso,
aprendizagem, permanência e término do Ensino Básico.
Objetivo Meta Indicadores Fonte de Dados Significado 
Proporção de crianças 
na faixa etária de 6 a 
14 anos frequentando o 
Ensino Fundamental. 
Taxa de conclusão do 
Ensino Fundamental 
entre crianças de 15 a 
17 anos. 
2. Atingir o 
ensino básico 
universal 
2a \u2013 Garantir que, 
até 2015, todas as 
crianças, de ambos 
os sexos, terminem 
um ciclo completo 
do ensino básico 
Taxa de alfabetização 
de jovens e 
adolescentes entre 15 e 
24 anos. 
IBGE \u2013 
Censo 
Demográfico 
Estender a toda e 
qualquer criança o 
acesso à educação, 
no mínimo de 
nível fundamental 
(matrícula e 
frequência). Este 
objetivo busca 
também 
intensificar a volta 
à escola das 
crianças, jovens e 
adolescentes que 
interromperam 
seus estudos, para 
que os retomem, a 
fim de concluí-los. 
 
EaD Sérgio Luis Al lebrandt
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O referido estudo, contudo, observa que apesar de cerca de 27 milhões de estudantes
estarem nas salas de aula (97,6% das crianças entre 7 e 14 anos), existe uma parcela consi-
derável (2,4%) de 680 mil brasileiros nessa faixa etária que ainda estão fora da escola.
Adverte o documento que \u201cas desigualdades presentes na sociedade ainda têm um
importante reflexo no ensino brasileiro\u201d. Dentre elas são citadas a própria localização de
cada município além da questão étnico-racial. O relatório alerta que as crianças \u201cmais
atingidas são as (crianças) oriundas de populações vulneráveis como as negras, indígenas,
quilombolas, pobres, sob risco de violência e exploração, e com deficiência\u201d. Segundo dados
divulgados pelo Unicef, do total de crianças que não frequentam a escola, 450 mil são ne-
gras e pardas e a maioria vive nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.
No tocante a tais números, é oportuno salientar novamente que o referencial compa-
rativo cabe aos dados fornecidos pelo IBGE, no sentido de identificar os avanços ou retro-
cessos no campo do Objetivo 2 em todos os municípios brasileiros.
Assim, uma vez que a mobilização é um fator essencial para a concretização de tal
feito, a seguir tem-se um quadro com algumas sugestões do PNUD para que o objetivo em
tela possa ser alcançado.
O Quadro 6 sugere algumas ações para que o objetivo 2 possa ser cumprido de maneira eficien-
te por meio de atividades voltadas para as escolas dos municípios, dentre as quais encontram-se ações
de cunho voluntário (sugestões 1, 7, 11 e 12), ou seja, atividade que todo e qualquer cidadão pode
desempenhar. Acompanhado a tais ações, estão aquelas que podem ser iniciadas ou fomentadas pelo
corpo docente e diretivo da escola onde as crianças estudam (sugestões 2, 3, 4, 5, 6 e 10). Outro agente
social identificado para a realização destas propostas está no papel desempenhado (senão o mais
importante) pelos pais de toda e qualquer criança matriculada em uma escola (sugestões 8 e 9).
Quadro 6: Sugestões de Ações para Realização do Objetivo 2
Fonte: Elaboração do autor com base nos ODM.
1) Falar com os diretores das escolas e se oferecer como voluntário, pois com certeza saberão aproveitar sua disponibilidade. 
 
 
2) Identificar os alunos que estão faltando muito às aulas e incentivá-los a voltar a frequentar a escola. 
 
 
3) Mostrar que atividades recreativas e esportivas também são educativas. Disciplina, respeito e cooperação podem ser 
reforçados nesses momentos. 
 
 
4) Organizar ou participar de campanhas de doação de livros e de materiais didáticos para instituições e bibliotecas. 
 
 
5) Criar e manter uma biblioteca alegre e acolhedora, e mostrar que a leitura é um prazer. 
 
 
6) Acolher e respeitar os alunos especiais, além de denunciar professores e escolas que não promovam a inclusão dos 
portadores de deficiências. 
 
 
7) Identificar crianças fora da escola e encaminhá-las para o ensino, além de denunciar o fato ao Conselho Tutelar da cidade. 
 
 
8) Fazer o acompanhamento de uma criança incentivando-a e monitorando seu desempenho. 
 
 
9) Participar do Conselho Escolar e acompanhar o desempenho da escola. 
 
 
10) Ministrar aulas de reforço escolar para estudantes com dificuldades de aprendizagem. 
 
11) Fazer um levantamento dos analfabetos em seu bairro e incentivá-los a frequentar um curso de alfabetização. 
 
 
12) Incentivar a criação e o trabalho voluntário em creches para crianças de 0 a 4 anos. 
 
 
EaD
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GESTÃO PÚBLICA IV
Desta forma, observa-se que apesar das intenções e dos avanços nos números em li-
nhas gerais, a totalidade (100%) ainda é um desafio aos gestores públicos, pais e sociedade
em geral. É necessário que as ações propostas tanto pela CF como pelos ODM sejam
gradativamente reforçadas e divulgadas em todos os municípios, visando com isso a com-
pletar a ação de oferecer educação não apenas de base e de maneira quantitativa (ou seja,
apenas crianças matriculadas), mas também com qualidade (infraestrutura, acesso, alimen-
tação, etc.) em toda e qualquer escola existente no país.
O quadro a seguir busca explicitar o que se espera com o Objetivo de número 3, ou
seja, \u201cPromover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres\u201d. Se comparado tal
objetivo com a CF, verifica-se que a Carta Magna também estabelece em seu artigo 3º,
inciso IV: \u201cPromover o bem-estar de todos, sem preconceitos de raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação\u201d. Desta maneira, em ambos os casos, sua meta
reside em eliminar a disparidade entre homens e mulheres, observando os indicadores do
IBGE \u2013 Censo Demográfico \u2013 e do Ministério do Trabalho e Emprego \u2013 admissões e demis-
sões nas empresas do país.
Com tais ações, espera-se que ambos \u2013 e não apenas um gênero \u2013 tenham oportunida-