Apostila UNIJUÍ - Planejamento Estratégico Local
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Apostila UNIJUÍ - Planejamento Estratégico Local


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des no mercado de trabalho a partir do momento em que completam seus estudos. Ao lado
disso, busca-se também intensificar a participação da mulher na vida pública, ou seja, na
representatividade dos interesses femininos no Legislativo municipal, tendo-se como base
os registros de candidatura efetuados nos respectivos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).
Quadro 7: Objetivo 3
Fonte: Elaboração do autor com base nos ODM.
Objetivo Meta Indicadores Fonte de Dados Significado 
Razão entre mulheres e homens 
nos ensinos Fundamental, 
Médio e Superior. 
Razão entre mulheres e homens 
alfabetizados na faixa etária de 
15 a 24 anos. 
IBGE \u2013 Censo 
Demográfico 
 
Proporção de mulheres 
assalariadas no emprego formal 
não agrícola 
Razão entre mulheres e homens 
no rendimento médio mensal em 
emprego formal não agrícola. 
Ministério do 
Trabalho e 
Emprego \u2013 
Relação Anual 
de 
Informações 
Sociais \u2013Rais 
3. 
Promover 
a 
igualdade 
entre os 
sexos e a 
autonomia 
das 
mulheres 
3a \u2013 
Eliminar a 
disparidade 
entre os 
sexos nos 
ensinos 
primário e 
secundário 
até 2015. 
 
Proporção de mulheres 
exercendo mandatos nas 
Câmaras de Vereadores. 
 
Tribunal 
Regional 
Eleitoral 
A partir do momento em 
que todos os homens e 
mulheres possuem um 
grau de escolaridade 
equânime, busca-se então 
evitar que haja 
discriminação tanto no 
mercado de trabalho como 
na representavidade 
democrática. Desta forma, 
espera-se que todos 
tenham maiores chances 
de trabalho, seja ele de 
cunho urbano ou como 
representante de uma 
parcela da população nas 
Câmaras de Vereadores de 
cada município. 
 
EaD Sérgio Luis Al lebrandt
60
O relatório intitulado \u201cO Desafio do Equilíbrio entre Trabalho, Família e Vida Pessoal\u201d
(junho de 2009) \u2013 realizado pela Organização Internacional do Trabalho \u2013 OIT, PNUD e a
Secretaria Especial de Política para as Mulheres (governo federal) \u2013, entretanto, revela que
apesar de sensíveis avanços obtidos nos últimos anos, a condição feminina no mercado de
trabalho \u201cestá longe\u201d da igualdade em relação aos homens.
O referido relatório destaca que a pretendida maior participação feminina no mercado
de trabalho gera o desafio de se criar condições para que as mulheres possam concorrer de
forma mais justa com os homens pelos postos de trabalho. Cabe lembrar que é muito mais
difícil para a mulher manter o equilíbrio entre trabalho, família (filhos e atividades domésti-
cas) e vida pessoal.
Nesse sentido, o relatório revela que:
O modelo homem-provedor e mulher-cuidadora ainda vigente permite que a mulher continue
arcando em forma unilateral, quando não exclusiva, com as atividades de cuidado e assistência
aos membros da família e seu engajamento no mercado de trabalho permanece marcado por
esse papel (2009).
Desta maneira, observa-se que outro desafio proposto aos gestores municipais está em
minimizar as sensíveis diferenças entre homens e mulheres no que tange ao emprego formal
para ambos. Se existem barreiras que ultrapassam os limites territoriais, entende-se que
urge desde logo a busca por políticas públicas, ou seja, a instituição de um conjunto de
ações que minimizem tais diferenças, oportunizando, assim, que mais mulheres ingressem
no mercado de trabalho.
O objetivo em tela também trata sobre a participação da mulher no Legislativo, na
função de vereadora. Apesar de positiva tal intenção, vale frisar que nas eleições de 2008, do
total de candidatos \u2013 330.630 \u2013 apenas 72.476 eram mulheres e 6.497 as que conseguiram
se eleger, segundo o Tribunal Superior Eleitoral \u2013 TSE \u2013, como bem ilustra a Tabela a seguir.
Tabela 1: Participação das Mulheres nas Eleições de 2008 para Vereador/a no Brasil
Fonte: Elaboração do autor com base nos dados do TSE.
Pelo que se percebe na Tabela 1, tanto o interesse de concorrer como a possibilidade de
ser eleito vereador nos 5.565 municípios do Brasil é uma realidade ainda predominantemen-
te masculina. Desta forma, a fim de reforçar tal assertiva, no plano estadual a parca partici-
pação feminina pode ser observada na Tabela 2.
Cargo Candidatos Candidatos Eleitos Candidatas 
Candidatas 
Eleitas 
Quantidade 
Eleitos 
Quantidade 
Candidatos 
Vereador 
(a) 258.154 45.401 72.476 6.497 51.898 330.630 
 
EaD
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GESTÃO PÚBLICA IV
Tabela 2: Participação das Mulheres nas Eleições de 2008 para Vereador/a no RS
Fonte: Elaboração do autor com base nos dados do TSE.
Pela Tabela 2 verifica-se a ainda inexpressiva participação feminina nas vagas munici-
pais de vereador, uma vez que em 2008 somente 562 das 4.321 candidatas foram eleitas.
Ademais, segundo o TSE, o menor percentual de participação de mulheres que se
candidataram para ocupar uma vaga no Legislativo municipal ocorreu na Região Sul
(21,10%), ao passo que o maior foi constatado na Região Norte (22,61%). Sobre as eleitas, o
maior percentual constatado foi na Região Nordeste (14,82%) e o menor foi na Região Su-
deste (10,61%).
Diante desse cenário, tanto em âmbito nacional como estadual, a tentativa de reverter
esta periclitante situação pode ser observada no quadro a seguir, que traz algumas suges-
tões feitas pelo PNUD para que o Objetivo 3 possa, como os demais, ser atingido.
Quadro 8: Sugestões de Ações para Realização do Objetivo 3
Fonte: Elaboração do autor com base nos ODM.
Cargo Candidatos Candidatos Eleitos Candidatas 
Candidatas 
Eleitas 
Quantidade 
Eleitos 
Quantidade 
Candidatos 
Vereador (a) 15.901 4.020 4.321 562 4.582 20.222 
 
1) Visitar a Câmara Municipal, entrevistar as vereadoras e conhecer suas propostas para ajudar as mulheres 
de sua cidade. 
2) Divulgar que existem, nas grandes cidades, centros de atendimento para mulheres onde elas podem 
denunciar a violência e ter um acompanhamento físico e psicológico. 
3) Identificar e divulgar novas oportunidades de trabalho para mulheres. 
4) Incentivar ações que estimulem as mulheres a buscar alternativas de geração de renda. 
5) Educar filhos e filhas para que eles realizem, com igualdade, o trabalho do dia a dia em casa. 
6) Não reproduzir expressões como \u201cisso é coisa de mulher\u201d, que sejam contra a dignidade da mulher ou que 
a coloquem em situação de inferioridade. 
7) Denunciar casos de violência, abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes pelo telefone 
gratuito 0800 99 0500 ou procurar o Conselho Tutelar da cidade. Nos casos de agressão física e de violência 
sexual contra mulheres, ligar para o telefone gratuito do Disque Denúncia da Polícia Civil 0800 84 29 99. 
8) Não empregar crianças, para não prejudicar seu desenvolvimento ou comprometer sua infância, e 
denunciar os casos conhecidos de trabalho infantil para a Delegacia Regional do Trabalho. 
9) Não valorizar e não comprar produtos que explorem o corpo da mulher em sua comercialização, exigindo 
o cumprimento da regulamentação publicitária e fortalecendo o senso critico da sociedade. 
10) Atuar em atividades em prol da melhoria da autoestima das mulheres, promovendo a valorização e o 
respeito em todas as fases do seu ciclo de vida (infância, adolescência, gravidez, maternidade, velhice). 
11) Encorajar as jovens para que busquem seu desenvolvimento socioeconômico por meio da educação e do 
trabalho. 
12) Incentivar adolescentes mães a retomarem seu projeto de vida, combatendo qualquer situação que 
dificulte seu acesso às escolas públicas. 
 
EaD Sérgio Luis Al lebrandt
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Como se pode perceber no Quadro 8, o conjunto de sugestões propostas para que o
Objetivo 3 seja cumprido engloba atividades que demandam a responsabilidade tanto dos
munícipes (sugestões 1, 5, 6, 7, 9 e 10) quanto de empresas locais (sugestão 8) e dos própri-
os gestores públicos (sugestões 2, 3, 4, 11 e 12).
Importante ressaltar que o comprometimento tanto por parte dos habitantes quanto dos
gestores e empresários, por vezes pode esbarrar na própria falta de infraestrutura (acesso,
fiscalização, posto policial, etc.) para que todo esse conjunto de sugestões possa ser concreti-
zado. Entende-se, no entanto, que