Apostila UNIJUÍ - Planejamento Estratégico Local
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Apostila UNIJUÍ - Planejamento Estratégico Local


DisciplinaAdministração Estratégica12.347 materiais86.884 seguidores
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por parte da população do Rio Grande
do Sul no que tange a melhor controlar as práticas utilizadas (manejo do solo, mata ciliar \u2013
localizada à beira dos rios \u2013, uso da água, adubação e erosão, etc.) que visam a garantir o
sustento da população, seja ele alimentício ou hídrico.
Ainda sobre termos hídricos, o Objetivo 7 propõe reduzir até 2015 a parcela da popu-
lação que ainda não possui acesso sustentável à água potável segura (meta c) e até 2020
alcançar uma melhora significativa na vida de pelo menos 100 milhões de habitantes de
áreas degradadas (meta d), ou seja, locais que se encontram em péssimas condições de vida
(saneamento básico, moradia, acesso à luz elétrica, etc.).
Mesmo assim, é oportuno salientar que o próprio \u201cinchaço\u201d urbano também compro-
mete o meio ambiente, resultando não apenas em uma grande concentração populacional,
mas também aumentando os níveis de poluição, uma vez que o consumo se dará de qual-
quer maneira, seja ele direto (compras) ou indireto (existência de lixões e consequentemente
de catadores de lixo).
Como ponto positivo, segundo dados da OMS (2009), o número de pessoas com aces-
so à água potável segura subiu de 4,1 bilhões em 1990 para 5,7 bilhões em 2006. Em
contrapartida, um terço da população mundial (2,4 bilhões de pessoas) continua a viver
sem acesso a esse bem. No descompasso desta situação estão alguns hábitos alimentares,
que quando adotados devido à melhoria da qualidade de vida, envolvem particularmente
altos índices de consumo. Por exemplo, a produção de um quilo de carne de boi industriali-
zada necessita de 15.500 litros de água.
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É sabido, entretanto, que as estimativas, por vezes, podem ser falhas, o que significa
que todo e qualquer resultado positivo ainda traz a ideia de que a totalidade da população
mundial (6 bilhões de pessoas) não foi atingida. Nesse sentido, o PNUD sugere algumas
ações para que esta situação possa ser revertida, como pode ser observado no quadro a
seguir.
Quadro 16: Sugestões de Ações para Realização do Objetivo 7
Fonte: Elaboração do autor com base nos ODM.
Como é possível observar, as 13 sugestões visam a sensibilizar todo e qualquer agente
social, seja ele gestor público (sugestões 1, 3, 12 e 13), voluntário (sugestões 2, 6, 7, 8 e 9)
ou ainda de maneira simultânea por ambos os papéis (sugestões 4, 5, 10 e 11) em termos de
(tentar) garantir a sustentabilidade do município.
Entende-se, porém, que, de maneira geral, ainda são muito tímidas as iniciativas, além
de pouco divulgadas. Junto a isso, a posição mais preocupante, aquela que deveria ser
exemplar, ou seja, praticada por todos. Isto porque são veiculadas notícias tanto sobre a
poluição nos rios (com enchentes que deixam como \u201clembrança\u201d sacolas e garrafas plásti-
cas), como pelo excessivo consumo de energia (banhos demorados e luzes dos postes acesas
durante o dia \u2013 estas a cargo das prefeituras), além do desperdício de água potável (para a
lavagem de carros e calçadas), inclusive em épocas de seca. Curiosamente, as campanhas
ou notícias ganham destaque apenas em épocas sazonais, divorciando a verdade de sua
efetiva prática.
1) Fazer campanhas de uso racional de água e energia. 
2) Plantar árvores nas ruas é muito importante, porém é preciso pedir licença à prefeitura e aos moradores. 
3) Promover a coleta seletiva nas escolas, no condomínio ou no bairro e divulgar o benefício de produtos 
biodegradáveis ou recicláveis. 
4) Realizar mutirões de limpeza e rearborização de praças, rios e lagos. 
5) Contribuir com a limpeza da cidade, praticando ações simples como não acumular lixo em casa, ruas, 
terrenos, praias, rios e mares. Não jogar lixo pela janela. 
6) Não fumar em ambientes públicos fechados. 
7) Utilizar a água que sobrou da chaleira, do cozimento de ovos e da lavagem de vegetais para aguar 
plantas. Armazenar água da chuva, em recipientes fechados, para lavar carros e calçadas, economizando 
água \u2013 recurso natural limitado \u2013 nas ações cotidianas. 
8) Diminuir o uso de energia elétrica entre 18h e 21h. Desligar aparelhos que não estão sendo usados, 
economizando e evitando a falta de energia elétrica. 
9) Economizar papel. Imprimir apenas documentos importantes e procurar usar os dois lados da folha. O 
verso de uma folha pode ser usado como rascunho, bloco de recados ou para os desenhos das crianças. 
10) Participar de ações de preservação e defesa de mangues, rios e mares. 
11) Participar de projetos sociais para construção de cisternas e casas com esgotamento sanitário para 
famílias de baixa renda, em áreas urbanas ou rurais. 
12) Incentivar o uso de sacolas reutilizáveis para compras. 
13) Incentivar o uso de produtos feitos com material reciclado. 
 
EaD
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GESTÃO PÚBLICA IV
De qualquer sorte, é oportuno salientar que as sugestões somente serão válidas quan-
do praticadas e principalmente divulgadas pelas entidades competentes. Caso contrário,
permanecerão apenas estampadas em campanhas e discursos inflamados (e ausente em ter-
mos de recursos), ao passo que o meio ambiente não mais conseguirá ofertar todo o conjun-
to de benesses que lhes são retiradas ao longo dos anos. O desafio de manter uma mínima
(mas viva) parte verde sobre a artificialidade programada persiste.
Como parte final dos ODM e com o intuito de tentar agrupar uma série de elementos
em um único objetivo \u2013 senão o mais abrangente de todos os aqui sucintamente explanados
\u2013 tem-se o de número 8, cuja meta é \u201cestabelecer uma parceria mundial para o desenvolvi-
mento\u201d.
Paralelamente a este objetivo, a CF também busca, tanto em seu artigo 3º, inciso II,
\u201cGarantir o desenvolvimento nacional\u201d, quanto no artigo 4º, inciso IX, visando à \u201ccoopera-
ção entre os povos para o progresso da humanidade\u201d.
Nesse sentido, de pronto cabe ressaltar que se trata de uma ampla gama de metas
envolvidas para tal feito e que vão desde o sistema financeiro (meta \u201ca\u201d), perpassando tanto
pela situação enfrentada pelos chamados países \u201cmenos desenvolvidos\u201d (metas \u201cb\u201d, \u201cc\u201d,
\u201cd\u201d e \u201ce\u201d) bem como por questões voltadas para a inclusão digital e comunicativa (meta
\u201cf \u201d), como pode ser observado no Quadro 17.
Como já foi mencionado anteriormente, são várias as propostas que visam a melhorar
as condições de vida de países pobres (classificados como subdesenvolvidos desde janeiro de
1943, por Harry Truman), contudo, apesar de todas essas intenções, curiosamente também
se observa a ausência de indicadores para a mensuração de avanços ou retrocessos sobre o
objetivo em pauta.
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Quadro 17: Objetivo 8
Fonte: Elaboração do autor com base nos ODM.
Nesse ínterim, não apenas a necessidade de melhorar as condições dos habitantes se faz
urgente, mas também a prática de ações possíveis que reduzam drasticamente a elevada cifra de
25.000 pessoas (inclusive crianças) que morrem por dia no mundo devido à falta de infraestrutura
(OMS, 2009). Com tal intuito, tem-se a seguir algumas sugestões feitas pelo PNUD.
Objetivo Meta Indicador Fonte de Dados Significado 
8a \u2013 Avançar no desenvolvimento de 
um sistema comercial e financeiro 
aberto, baseado em regras, previsível 
e não discriminatório 
8b \u2013 Atender às necessidades 
especiais dos países menos 
desenvolvidos. Inclui: um regime 
isento de direitos e não sujeito a cotas 
para as exportações dos países menos 
desenvolvidos; um programa 
reforçado de redução da dívida dos 
países pobres muito endividados 
(PPME) e anulação da dívida 
bilateral oficial, e uma ajuda pública 
mais generosa para o 
desenvolvimento dos países 
empenhados na luta contra a pobreza 
8c \u2013 Atender às necessidades 
especiais dos países sem acesso ao 
mar e dos pequenos Estados insulares 
em desenvolvimento (mediante o 
Programa de Ação para o 
Desenvolvimento Sustentável dos 
Pequenos Estados Insulares em 
Desenvolvimento e as conclusões da 
22ª sessão extraordinária da 
Assembléia Geral) 
8d \u2013 Tratar globalmente o problema 
da dívida dos países em 
desenvolvimento,