Direitos Da Pessoa Em Fim De Vida
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Direitos Da Pessoa Em Fim De Vida


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Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), definiu Cuidados Paliativos como os \u201c cuidados totais e activos ao doente e respectiva família, por uma equipa multidisciplinar quando a doença já não responde à terapêutica curativa.\u201d Definição semelhante é a que nos dá SOARES (2004), que define Cuidados Paliativos como um acompanhamento ao longo de todo o período em estado terminal. Ainda segundo esta autora, têm como objectivo principal
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assegurar o bem-estar e a qualidade do doente e família, ressalvando o controlo dos sintomas, e devem abranger as necessidades físicas, psicológicas, sociais e espirituais. Assim sendo, apesar de na fase terminal da doença não ser possível a cura, o tratamento não deixa de ser activo já que a sua finalidade é o controlo de sintomas que produzem sofrimento, como a dor, principal sintoma em fase terminal, e que pode interferir noutras vertentes tais como as emocionais, comportamentais, sociais, espirituais, religiosas e até económicas. Acima de tudo o profissional que presta cuidados paliativos não deve esquecer nunca que deve prestar cuidados globais devendo englobar todas as vertentes (física, emocional e espiritual) do doente e família, em que o homem é abordado de uma forma holística, tendo em conta a preservação da sua dignidade. O enfermeiro, uma vez que é o profissional que passa mais tempo em contacto com o doente, partilha de uma variedade de sentimentos acerca do sofrimento e da morte, pelo que necessita de estar preparado para compreender e cuidar do doente oncológico em fase terminal na sua globalidade. Ao debruçar-se sobre este tema, Harper citado por RODRIGUES (1999), desenvolveu uma escala, de progressão e crescimento esquemático da forma, como os profissionais enfrentam a situação: Estádio I: Intelectualização -Conhecimento e ansiedade Nesta fase os contactos com os doentes terminais, tendem a ser superficiais e impessoais. A morte é ainda inaceitável para o enfermeiro. Surgem períodos de grande ansiedade, na medida que tenta resolver as suas inquietações pela compreensão do meio ambiente, das políticas e dos procedimentos específicos. Estádio II: Sobrevivência emocional \u2013 Trauma Neste estádio o enfermeiro tende a sentir-se frustrado e culpado. Na medida em que enfrenta a realidade da morte final e inexorável dos seus doentes, passa a enfrentar o espectro da sua própria morte. Ao compreender que o sofrimento dos doentes e a sua própria morte são inevitáveis, transita de uma fase de intelectualização para uma fase de envolvimento emocional.
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Estádio III: Depressão -Dor, desgosto e pesar É o principal estádio na medida que permite, ou não, a resolução dos conflitos e a progressão, ou a regressão no processo de "adaptação". O enfermeiro ou aceita o desenrolar da evolução terminal e a inevitabilidade da morte, ou tem de abandonar a instituição ou o serviço por inadaptação. A aceitação provém de um período de dor e de pesar. Estádio IV: Desenlace emocional -Moderação, adaptação e acomodação Este estádio é marcado por uma sensação de liberdade emocional, na medida em que o enfermeiro já não se identifica com os sintomas do doente e não apresenta sinais de depressão, ou preocupação com a sua própria saúde ou morte física. Isto não significa que não sinta dor psicológica, ou pensar, quando cuida de doentes terminais. Pelo contrário, ele é capaz de demonstrar empatia, em vez de simpatia, na medida em que pode ver o mundo através dos olhos do doente, em vez de o intelectualizar pelos seus próprios olhos. Estádio V: Compreensão profunda, auto-realização, auto-capacidade e actualização Este estádio constitui o culminar dos anteriores, na medida em que o enfermeiro desenvolveu as suas capacidades de encarar a situação. Ele já consegue relacionar-se com o doente terminal, de uma forma profunda, numa perspectiva de completa aceitação da sua morte.
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Conclusão
No final deste trabalho, fica a noção que o doente em fase terminal é um ser humano titular de todos os direitos reconhecidos nos textos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, contudo possui ainda outros direitos que lhe são exclusivos, direitos da pessoa em estado terminal, os quais estão explícitos na Carta dos Direitos do Doente Terminal (1975). Quem cuida um doente em fim de vida constata que a pessoa em fim de vida precisa sempre de companhia, precisa de alguém que esteja ao lado dela, porque cuidar dela no seu processo de morrer é um acréscimo ao cuidar dela em vida. Quem cuida vive o momento da aproximação da morte da pessoa dependendo da forma como se sente emocionalmente e do carinho que estabeleceu com o doente. Para um cuidador que enfrente a morte frequentemente e a qual faz parte do seu quotidiano, este deve ter em mente que a morte não é rotina, mas sim um fenómeno único. É por este motivo que ao nível da prática dos cuidados paliativos, valores como o respeito pela dignidade da pessoa humana e pela autonomia devem ser privilegiados. Sendo o momento da morte tão angustiante, tanto para o doente como para quem cuida, este deve ser tornado o menos horroroso possível. O doente terminal tem medo de sofrer, por isso aliviar a dor destes doentes é de extrema importância dado que, se um ser humano tem dores não pode \u201cpreparar-se psicológica, emocional e espiritualmente para a morte.\u201d (CUNDIFF:1997, p. 130) Apesar desta temática ainda ser um pouco difícil de abordar devido à sua complexidade, é importante que este trabalho suscite preocupação e sensibilidade para a realização de novas investigações nesta área. Com a realização deste trabalho fica a satisfação e o enriquecimento dos conhecimentos como pessoa e futura profissional de saúde. Para finalizar nada melhor do que uma frase de LEONE, citado por SOARES (2004), \u201cse é necessário uma mulher sábia para ajudar o homem a entrar no mundo, é preciso uma pessoa ainda mais sabia para o ajudar a sair desse mundo\u201d.
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