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DisciplinaFisiologia Humana I17.515 materiais664.150 seguidores
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a 9 anos)
Na idade escolar, a criança que ainda não iniciou o estirão puberal apresenta um ganho
médio de peso mensal igual a 200 gramas e o incremento estatural médio é de 0,5 centíme-
tro ao mês. Desta forma, nesta faixa etária, a necessidade de ingestão calórica e de nutrien-
tes corresponde às necessidades metabólicas basais acrescidas da necessidade gerada pelo
crescimento lento caraterístico do escolar. Entretanto, como esta idade precede ou, em algu-
24 Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório de Pediatria
Nutrição
mas crianças, já é acompanhada pelo estirão puberal, é fundamental o pediatra estar atento
para adequar a alimentação ao rápido crescimento que caracteriza o indivíduo a partir do
início da puberdade até o final da adolescência.
O dia alimentar da criança em idade escolar deve acompanhar a rotina da família, conforme
a disponibilidade de alimentos e preferências advindas dos hábitos e costumes da família. A
criança deve ter como refeições diárias, pelo menos, o café da manhã ou desjejum, o almoço e o
jantar. A merenda escolar deverá adequar-se aos hábitos regionais, devendo ser evitado o uso de
alimentos isentos de valor nutricional.
A seguir, são apresentadas as diretrizes gerais para a alimentação do escolar, conforme defi-
nidas pelo Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria:
1. A ingestão de nutrientes deve ser em quantidade e qualidade adequadas ao crescimento e
desenvolvimento desta faixa etária.
2. A alimentação deve ser variada, que inclua todos os grupos alimentares, evitando-se o
consumo de refrigerantes, balas e outras guloseimas.
3. Orientar o consumo diário e variado de frutas, verduras e legumes, ótimas fontes de calo-
rias, minerais, vitaminas hidrossolúveis e fibras.
4. Consumo restrito de gorduras saturadas e trans para profilaxia de aterosclerose e doença
coronariana na vida adulta.
5. Controle da ingestão de sal para prevenção de hipertensão arterial.
6. Consumo adequado de cálcio para formação adequada da massa óssea e profilaxia da
osteoporose na vida adulta.
7. Controle do ganho excessivo de peso através da adequação da ingestão de alimentos ao
gasto energético e desenvolvimento de atividade física regular.
ORIENTAÇÃO ALIMENTAR DIRIGIDA AOS ADOLESCENTES
A condição nutricional na adolescência é influenciada pelas transformações físicas do estirão
puberal, maturação puberal, aumento da massa corpórea, modificação da composição corpórea,
bem como pelas diferentes atividades físicas. A diferenciação sexual estabelece diferenças na
massa magra, no índice de massa corpórea e na época e velocidade de ganho de peso e de
estatura. Os meninos tendem a ganhar mais peso e seu crescimento estatural continua por um
período maior que o das meninas. As meninas aumentam proporcionalmente mais a gordura
corporal e, os meninos, a sua massa muscular. Entre os 10 e os 20 anos de idade, o adolescente
aumenta sua massa magra em média 35kg, enquanto nas adolescentes o aumento é de aproxima-
damente 18kg. Nesse período, ocorre também aumento da densidade mineral óssea, alcançando
pico no final da adolescência, correspondendo ao estágio 4 de Tanner, e evoluindo gradativamente
até a idade de adulto jovem. A nutrição tem papel fundamental no desenvolvimento físico do
adolescente e o consumo de dieta inadequada pode influir desfavoravelmente sobre o crescimen-
to somático e maturação.
Outro fator que influi sobre as necessidades nutricionais durante a adolescência é a reali-
zação de exercício físico, que varia em função do gênero (masculino ou feminino) e do mo-
mento em que ocorre o estirão puberal. As necessidades energéticas estão aumentadas. As
diferenças entre o sexo masculino e o feminino, evidentes no início da puberdade, acentuam-
se ao longo da adolescência e estão de acordo com a atividade física. O rápido crescimento da
massa muscular durante o estirão pubertário exige elevada oferta protéica. Devido ao rápido
crescimento, é necessário que cerca de 10-14% da ingestão total de energia corresponda a
proteínas de alto valor biológico.
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Nutrição
A alimentação inadequada na adolescência pode levar ao risco imediato ou na idade
adulta de desenvolvimento das doenças crônicas como a hipertensão, a doença arterial
coronariana, as dislipidemias, a obesidade, diabetes e a osteoporose. Sabe-se que constitui-
se hábito comum, entre os adolescentes, não realizar refeições, especialmente o café da
manhã e que o almoço e o jantar são substituídos por lanches ou refeições rápidas, compos-
tos principalmente por embutidos, doces e refrigerantes na maioria das famílias. Alguns
estudos demonstraram este padrão alimentar na adolescência, caracterizado pela ingestão
excessiva de açúcares, sódio e gorduras saturadas, muitas vezes podendo representar de 35%
até 55% da sua oferta energética diária. Observa-se a carência do consumo de frutas, grãos,
fibras e produtos lácteos.
A adoção de hábitos alimentares adequados, com o aumento da ingestão de produtos de
origem vegetal, como é o caso das leguminosas, cereais integrais, legumes, verduras e frutas,
inclusive por seu teor de fibras, associada à redução do consumo de gorduras, colesterol e açúca-
res, é primordial para diminuir o risco de doenças crônicas na idade adulta. Entretanto, há de ser
adotada atitude flexível, uma vez que os hábitos alimentares, que incluem os sanduíches com
alta concentração de gordura e outras refeições rápidas, fazem parte da sociedade ocidental
globalizada. Porém, deve-se estabelecer um limite para o seu consumo e promover o consumo de
uma dieta variada, buscando o equilíbrio em porções adequadas de cada um dos grupos princi-
pais de alimentos.
Cuidados especiais com o aporte de minerais
Cálcio
A maioria dos adolescentes ingere menos cálcio do que o recomendado. A quantidade de
cálcio absorvida de diferentes tipos de dieta é muito variada devido a fatores inibidores de sua
absorção. Quase 50% do tecido ósseo é adquirido nessa fase e o acúmulo de cálcio triplica.
Cerca de 60% das necessidades de cálcio devem ser fornecidas sob a forma de leite ou deriva-
dos, devido à sua maior absorção. A necessidade diária estimada de cálcio para o adolescente
é de 1300 mg. (3 a 5 porções de derivados lácteos, 1 porção = 250ml de leite ou iogurte ou 2
fatias de queijo - 40g).
Ferro
A deficiência de ferro na adolescência é muito freqüente. Neste período de vida, há alta
prevalência de anemia por aporte insuficiente de ferro da dieta e pelo aumento das necessidades
desse mineral nesse período. Após a menarca, a necessidade de ferro é três vezes maior para o
sexo feminino, devido às perdas menstruais que podem chegar a 1,4 mg/dia. As necessidade
diárias de ferro são de 8mg/dia para ambos os sexos nas idades entre 9 e 13 anos e 11mg/dia e
15 mg/dia, para os meninos e meninas entre 14-18 anos. O ferro tipo heme, que se encontra nos
alimentos de origem animal, possui maior absorção, que não sofre a influência de fatores inibidores
presentes nos outros alimentos, devendo-se estar atento para a deficiência de ferro no adoles-
cente que ingere pouca carne (bovina, suína, de pescados e de aves) ou nenhuma carna, adepto
de dietas vegetarianas.
Zinco
Este micronutriente tem importância clínica por estar relacionado à regeneração óssea e
muscular, desenvolvimento ponderal e maturação sexual. Atraso de crescimento e hipogonadismo
têm sido observados em adolescentes do sexo masculino, deficientes em zinco. As recomenda-
ções diárias são 8-11 mg/dia.
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Nutrição
Quadro 1: Sugestões de porções para compor a alimentação
de adolescentes durante um dia, baseadas na Pirâmide Alimentar
Adolescentes do sexo Adolescentes do
feminino (11 a 14 anos sexo masculino
ou 15 a 18 anos) 11 a 14 anos