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DisciplinaFisiologia Humana I16.201 materiais660.696 seguidores
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relacionada a uma infecção onde não se encontram microorganismos
viáveis dentro da articulação, podendo ser trans ou pós-infecciosa. Em nosso meio, pela alta
prevalência de complicações cardíacas, tem maior importância a artrite da Febre Reumática,
relacionada a uma infecção da orofaringe pelo estreptococo \u3b2 - hemolítico do grupo A.
Artrite Traumática: Relacionada a traumatismos, é mais freqüente após a idade escolar
quando se iniciam as atividades esportivas.
Artrite relacionada c/ doença Onco-hematológica: As crises de dor acompanhadas de
edema das mãos e pés podem ser as primeiras manifestações de uma anemia falciforme. A artrite
ou dor osteo-articular, pode ser também uma manifestação inicial de uma neoplasia, principal-
mente das leucoses, como a Leucemia Linfóide Aguda, a mais prevalente nesta faixa etária.
Artrite relacionada c/ Vasculites e Colagenoses: A artrite faz parte do quadro clínico de
praticamente todas as síndromes vasculíticas sistêmicas e colagenoses.
DIAGNÓSTICO
Artrite Séptica: Quadro sistêmico de infecção invasiva (febre alta e queda do estado geral);
geralmente monoartrite com sinais locais inflamatórios intensos; hemograma infeccioso; líquido
sinovial com leucometria superior a 50.000/mm3, (polimorfonucleares).
Artrite Reativa: Na Febre Reumática é rara antes dos 5 anos. É uma poliartrite migratória
acometendo preferencialmente grandes articulações, com dor intensa desproporcional aos ou-
tros sinais inflamatórios, com rápida resposta a introdução de antiinflamatórios não hormonais,
como o AAS. Provas de atividade inflamatória (VHS, mucoproteinas, PCR) e principalmente a
antiestreptolisina O (ASLO).
Artrite Traumática: É importante a história traumática (esportes) e a estreita relação tem-
poral entre o traumatismo e o início dos sintomas. Raio X, ultrasonografia e as vezes ressonância
magnética, para detectar lesões de partes moles.
Artrite das doenças onco-hematológicas: Quadro atípico de artrite, com má-resposta aos
antiinflamatórios, associada a sinais sistêmicos como, palidez progressiva, perda ponderal,
hepatoesplenomegalia e dores ósseas em outros locais. Hemogramas seriados e marcadores de
destruição celular (LDH, ácido úrico), mielograma.
Artrite das síndromes Vasculíticas/Colagenoses: Predominam as manisfestações
extraarticulares, como o rash na síndrome de Henoch-Schonlein; a febre, rash, adenomegalia
cervical unilateral, lesões mucusas e de extremidades na doença de Kawasaki; o rash e a fraqueza
muscular na Dermatomiosite, etc.
30 Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório de Pediatria
TRATAMENTO
Antibióticoterapia e drenagem ou punções repetidas de alívio, na artrite séptica.
Antiinflamatórios não hormonais nas artrites reativas (AAS na febre Reumática). Tratamento da
doença de base, nas artrites das doenças onco-hematologicas. Nas artrites das síndromes
vasculíticas/colagenoses, antiinflamatórios não hormonais e corticosteroides em algums casos.
COMO PREVENIR
Prevenção das doenças ou causas relacionadas com as respectivas artrites, com ênfase espe-
cial a prevenção da infecção pelo estreptococo b hemolítico, no casa da Febre Reumática.
BAIXA ESTATURA
ANAMNESE EXAME FÍSICO
Peso e comprimento ao nascer Peso, estatura, perímetro cefálico.
Estatura dos pais Alteração da relação segmento superior/segmento
Época de maturação sexual inferior: em doenças ósseas, raquitismo, síndromes
de pais e irmãos genéticas e dismórficas, hipotireoidismo.
Fácies: alterado em doenças genéticas.
Clinodactilia do quinto dedo: observada
em nanismos dismórficos.
Genitália: alterada em doenças genéticas ou hormonais.
DIAGNÓSTICO
Determinar as idades: idade-peso(IP), idade altura (IA), idade mental(IM) e idade óssea(IO).
Para determinar IP, deve-se verificar em que idade o peso atual da criança correponderia ao
percentil 50. Fazer o mesmo para determinar IA.
IP e IA igualmente comprometidas: familiar, pituitária, desnutrição crônica.
IA mais comprometida que IP: hipotireoidismo; durante a recuperação do desnutrido.
IP mais comprometida que IA: desnutrição aguda.
IM alterada: doenças genéticas, hipotireioidismo, doenças neurológicas, desnutrido grave.
IO normal: baixa estatura familiar.
IO atrasada: possui melhor prognóstico quanto à estatura final. É encontrada nos indivíduos
com atraso constitucional de crescimento, onde há história familiar de puberdade tardia. Tam-
bém é observada na desnutrição.
A investigação é variável de acordo com a etiologia. Investigar e, se necessário, descartar
inadequação nutricional e patologias sistêmicas diversas (digestórias, imuno-alérgicas, pulmo-
nares, renais, hematológicas, oncológicas, entre outras)
\u2013 Exame clínico atento, observando presença de estigmas para síndromes genéticas (Turner,
Noonan, Seckel, Silver-Russel, entre outras), com especial atenção à face e extremidades,
além da simetria corpórea (relação entre estatura/envergadura, e segmento superior/inferi-
or) que podem sugerir displasias ósseas. Avaliar o estágio de maturação puberal. Proceder e
registrar cuidadosamente a antropometria em curva de crescimento adequada (NCHS):
\u2013 Abaixo do percentil 3: Baixa estatura (com ou sem doença associada)
\u2013 Entre percentil 3 e 10: Zona de vigilância para baixa estatura.
\u2013 Desaceleração do ritmo ou mudança do canal de crescimento estatural: independentemen-
te do percentil de estatura, deve ser investigada.
Diagnóstico Diferencial e Conduta
31Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório de Pediatria
EXAMES COMPLEMENTARES
Para todas as crianças com baixa estatura realizar:
\u2013 Hemograma, sedimento urinário, parasitológico de fezes, proteínas totais e frações
\u2013 Idade óssea
Para as crianças com estatura muito abaixo do percentil 3, realizar:
\u2013 Uréia e creatinina, sódio e potássio, gasometria: para afastar doenças renais tubulares ou
intersticiais, que cursem com insuficiência renal crônica.
\u2013 Glicemia de jejum: crianças com hipopituitarismo podem apresentar hipoglicemia.
\u2013 Raio X de crânio: para avaliar o tamanho da sela túrcica.
\u2013 Cariótipo: para afastar síndrome de Turner, em meninas.
\u2013 Dosagem de T3, T4 e TSH.
TRATAMENTO
Se os exames não indicarem doenças sistêmicas que justifiquem o déficit estatural, e que
determinam o tratamento da causa básica, devemos considerar duas alternativas:
\u2013 O déficit é limítrofe, sem atraso significante de idade óssea (<2DP): Corrigir eventuais erros
alimentares e comportamentais e seguir o ritmo de crescimento do paciente. Se ritmo
insatisfatório e com evidência de perda de potencial de crescimento avaliado por sucessi-
vas previsões de estatura final indicando piora do prognóstico, considerar déficit parcial
de GH e indicar tratamento de prova por 6 a 12 meses.
\u2013 O déficit é importante e/ou apresenta atraso de maturação óssea significante (>2DP):
Afastar doenças de fundo hormonal, principalmente a deficiência isolada ou combinada
(pan-hipopituitarismo) de GH, e o hipotireoidismo. Se confirmados, tratar através de re-
posição hormonal adequada.
Nos casos de baixa estatura associada à atraso puberal (RCCP: retardo constitucional do
crescimento e puberdade), se não houver desenvolvimento da puberdade até os 13 anos na
menina e 14 anos no menino, afastar causas centrais (hipogonadismo hipogonadotrófico) ou
periféricas (hipogonadismo hipergonadotrófico) e indicar estímulo com esteróides no sentido de
acelerar a maturação do eixo hipotálamo-hipófise-gônada e assim desencadear a cascata de
eventos levando ao estirão puberal.
COMO PREVENIR
A melhor prevenção para um déficit de crescimento é a monitorização adequada do cresci-
mento, fruto de uma puericultura bem estruturada, capaz de impedir os erros alimentares e
maus hábitos de vida, ao mesmo tempo detectando precocemente uma eventual desaceleração
do ritmo, propiciando um diagnóstico precoce, com tratamento certamente mais efetivo.
Associado às melhoras