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DisciplinaFisiologia Humana I16.338 materiais660.918 seguidores
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membros inferiores Dor localizada em um membro
Ocorrência geralmente no fim do Edema, calor, rubor, limitação de
dia ou à noite movimentos, claudicação
Alterações em exames laboratoriais
ou de imagem
Peterson HA. Growing pains. Pediatr Clin North Am 1986; 33: 1365-72.
O tratamento desta condição consiste na prática de exercícios físicos, calor local, massagens
e, sobretudo, identificação e eliminação dos possíveis conflitos emocionais subjacentes, além de
tranqüilização da família quanto à benignidade do quadro.
Diagnóstico Diferencial e Conduta
37Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório de Pediatria
Fibromialgia
Foi recentemente descrita na infância. Predomina no sexo feminino (3:1) e adolescência e
associa-se a episódio prévio de outra dor recorrente funcional. Também é relatada alta prevalência
em familiares de pacientes com fibromialgia, sugerindo etiologia genética e ambiental.
Lembrar que 20-25% dos casos podem ser secundários a: trauma físico, doenças reumatológicas,
hipotireoidismo, doenças sistêmicas, neoplasias e infecções virais crônicas. Sinais e sintomas
associados são: fadiga, insônia ou sono não restaurador, ansiedade, depressão, irritabilidade,
cefaléia, sensação subjetiva de dormência e edema e síndrome do cólon irritável.
O diagnóstico baseia-se nos critérios do American College of Rheumatology (1991) e requer:
1) Presença de dor difusa por mais de três meses, 2) Dor em 11 ou mais dos 18 pontos-gatilho
padronizados (Figura 1), 3) Dor acima e abaixo da cintura, 4) Dor nos dimídios direito e esquer-
do, 5) Dor axial (coluna vertebral e arcos costais). A presença de dor nos pontos-gatilho deve ser
pesquisada à digitopressão ou com o uso do dolorímetro e ser comparada com limiar de dor em
três a quatro pontos-controle que são pontos menos dolorosos ou indolores, localizados no terço
médio do antebraço, falanges e fronte.
Figura 1 \u2013 Pontos de Fibromialgia
Pontos-gatilho
Suboccipital
Espaço intertransverso de C5-C7
Borda média superior do trapézio
Borda média da crista escapular
Segunda articulação condrocostal
Epicôndilo lateral
Quadrante súpero-externo do glúteo
Grande trocanter
Medial proximal do joelho
Pontos-controle
Região frontal
Dorso do antebraço
Unha do polegar
Os exames laboratoriais e de imagem não exibem alterações. Diante da suspeita clínica de
fibromialgia secundária, o Pediatra geral deve recomendar a avaliação de um Reumatologista
Pediátrico.Há poucos relatos sobre a terapêutica da fibromialgia na infância. O tratamento desta
condição consiste em exercícios aeróbicos de baixo impacto, psicoterapia de apoio e uso de
medicamentos, como antidepressivos tricíclicos.
Reumatismo psicogênico
As dores musculoesqueléticas de origem psicogênica são mais freqüentes em pré-adoles-
centes e adolescentes, surgindo em decorrência de conflitos psíquicos (mau desempenho
Diagnóstico Diferencial e Conduta
38 Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório de Pediatria
escolar, baixa auto-estima, alto nível de exigência pessoal e familiar, dificuldades no relaci-
onamento com familiares, amigos ou professores ou de adaptação à mudanças) como uma
espécie de tentativa, de amenizar ou desviar a atenção destes conflitos. Suspeita-se que a
dor direcione a atenção da família para a criança e seu problema, aliviando anseios e angús-
tias, reduzindo o alto nível de auto-cobrança e de expectativa imposto pela família ou pela
escola.
Não existe um padrão definido, como nas dores de crescimento, distrofia simpático-reflexa e
na fibromialgia. São comuns as descrições exageradas, de dor mal definida, constante ou inter-
mitente, de localização e qualidade imprecisas ou que se modificam durante o relato ou exame
físico, além de sensações de anestesia, hiperestesia e parestesias. Também podem ser detectados
sintomas depressivos, distúrbios alimentares e labilidade emocional.
Ao exame físico, podem ser observadas três diferentes situações: manipulação indolor de
regiões relatadas como extremamente dolorosas; mobilização inicial intensamente dolorosa e até
mesmo presença de alodinia, mas que, após distração da criança, não é mais evidenciada; por
último, ausência de expressão facial de sofrimento, apesar da queixa álgica intensa, não haven-
do outras anormalidades exceto por imobilidade prolongada, que podem ocasionar edema e
redução de temperatura local.
Os exames complementares a ser realizados são basicamente: hemograma, velocidade de
hemossedimentação/ proteína C reativa e os de imagem, os quais não evidenciam alterações.
O diagnóstico desta condição é muito difícil, pois é necessário descartar causas orgânicas,
além de identificar a alteração psíquica desencadeante do processo, e só então esclarecer e
transmitir segurança à família de que não existe uma doença orgânica subjacente, que a dor
pode ser resolvida e que a criança poderá ter uma vida normal através do estímulo à atividade
física e do apoio psicológico.
DOENÇAS EXANTEMÁTICAS
Alterações dermatológicas elementares
Exantema: Qualquer alteração de cor e/ou relevo da pele.
Enantema: Alteração da mucosa oral.
Mácula: Alteração circunscrita da cor da pele;
Pápula: lesão elevada, sólida, menor que 1cm de diâmetro.
Placa: lesão elevada, sólida, maior que 1cm de diâmetro
Vesícula: lesão elevada, conteúdo líquido, seroso, menor que 1cm de diâmetro,
Bolha: Lesão elevada, conteúdo líquido, maior que 1cm de diâmetro
Púrpura: lesão arroxeada, secundária à hemorragia cutânea, quando puntiforme, denomina-
se petéquia.
Classificação:
I. Exantema maculo-papular \u2013 Manifestação cutânea mais comum nas doenças infeccio-
sas sistêmicas
a. Morbiliforme: máculas e pápulas avermelhadas confluentes ou não com áreas de
pele sã de permeio. Exantema típico do sarampo.
b. Escalatiniforme: eritema difuso, puntiforme, áspero ao toque. Típico da escarlatina.
Diagnóstico Diferencial e Conduta
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(continua...)
c. Rubeoliforme: semelhante ao morbiliforme, mas de coloração rósea e com pápulas
menores. Ex: rubéola, enteroviroses.
d. Urticariforme: erupção pápuloeritematosa com contornos irregulares. Ex: reação
medicamentosa, algumas coxsackioses.
II. Papulovesicular \u2013 É comum a sucessão de maculo-papulas em vesículas, vesicopústulas
e crostas. Ex: varicela, herpes simples.
III. Petequial ou purpúrico \u2013 Alterações vasculares (extravasamento de hemácias) com ou
sem alterações das plaquetas ou da coagulação. Ex: meningococcemia.
Algumas doenças podem manifestar-se com vários tipos de exantemas. Alguns vírus e bacté-
rias comuns podem causar exantemas não característicos em crianças. Em algumas situações, o
exantema não é característico, o que impede sua classificação.
Dados importantes da anamnese e exame físico:
Idade, procedência, história de febre (início, duração, intensidade), outras características do
período prodrômico (coriza, tosse, conjuntivite, sintomas gastrintestinais), tipo de exantema
(forma e local de início, evolução, distribuição), sinais e sintomas associados (sinais típicos ou
patognomônicos de determinadas moléstias, como as manchas de Koplik no sarampo,
linfadenomegalia, artralgia, hepatoesplenomegalia, repercussão no estado geral), uso de medi-
camentos, situação vacinal, viagens recentes e contato com caso-índice.
Quadro I: Principais características dos exantemas máculo-papulares
Doença PI* Pródromos Exantema Sintomas/sinais característicos
Sarampo 7-12 dias 3-5 dias: febre, Morbiliforme, distribuição Manchas de Koplik.
coriza, tosse e céfalo-caudal, generaliza-se Nos casos não complicados
conjuntivite até o 3º dia a febre cai entre o 2º e
o 3º dia do exantema
Rubéola 14-21 dias Em crianças não Coloração rósea, começa Linfadenopatia suboccipital,
(escolares e costuma ocorrer. na face. cervical posterior e
adolescentes) Progride